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Plano de aula > História > 8º ano > Os processos de independência nas Américas

Plano de aula - A independência do Haiti e as rebeliões de escravizados no Brasil

Plano de aula de História com atividades para 8º ano do EF sobre A independência do Haiti e as rebeliões de escravizados no Brasil

Plano 04 de 5 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Guilherme Barboza De Fraga

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Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide em específico não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você possa se planejar.

Este plano está previsto para ser realizado em uma aula de 50 minutos. Serão abordados aspectos que fazem parte do trabalho com a habilidade EF08HI10, de História, que consta na BNCC. Como a habilidade deve ser desenvolvida ao longo de todo o ano, você observará que ela não será contemplada em sua totalidade aqui e que as propostas podem ter continuidade em aulas subsequentes.

Para preparar melhor esta aula, confira outras aulas que tratam sobre a Independência do Haiti: há uma aula tratando especificamente da Independência (seus líderes, causas e efeitos), outra relacionando o processo haitiano à Revolução Francesa e outra percebendo o impacto da Independência do Haiti nas demais independências latino-americanas.

Materiais necessários: Data show para projetar as imagens. Se não houver esta possibilidade, levar a cópia impressa da imagem, do mapa e dos textos.

Material complementar:

Contexto - Trecho de reportagem:

https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/QZPkssFjMK5stuwpEf85u8pDZpFvcEf97hz8pRGEtwtxxeJJkjkURZ7Wdvhd/contexto.pdf

Problematização - Documentos para analisar com a turma:

https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/QhnVCGx7BtGRG5ZupFaJNsvNkQMuKtCh5nDkQEgwkEdfaSAMCRD7cFeveM63/documentos-da-problematizacao.pdf

Para que os alunos aprendam a interpretar fontes históricas, é muito importante não fornecer a eles as informações básicas sobre a fonte histórica antes da leitura de cada uma delas. Não comece a aula com uma exposição sobre o contexto histórico destes documentos, pois isso os impediria de construir o contexto com base nas fontes, que é o objetivo central da aula de História.

Para você saber mais:

ANDRADE, Marcos Ferreira. Imprensa moderada e escravidão: o debate sobre o fim do tráfico e temor do haitinismo no Brasil Regencial (1831-1835). Disponível em: http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/marcosferreiradeandrade.pdf Acesso em: 10/1/2019.

FONTELLA, Leandro Goya; MEDEIROS, Elisabeth Weber. Revolução haitiana: o medo negro assombra a américa. Disciplinarum Scientia| Ciências Humanas, v. 8, n. 1, p. 59-70, 2007. Disponível em: https://periodicos.unifra.br/index.php/disciplinarumCH/article/view/1669/1574 . Acesso em: 10/12/2018.

GOMES, Flávio. Experiências transatlânticas e significados locais: idéias, temores e narrativas em torno do Haiti no Brasil escravista. Tempo, n. 13, p. 209-246, 2002. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1670/167018088008.pdf . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. Além do medo: a construção de imagens sobre a revolução haitiana no Brasil escravista (1791–1840). Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas, v. 10, n. 18, p. 469-488, 2015. Disponível em: http://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/771/740 . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. “São Domingos, o grande São Domingos”: repercussões e representações da Revolução Haitiana no Brasil escravista (1791-1840). Dimensões, nº 21, 2008. Disponível em: http://www.publicacoes.ufes.br/dimensoes/article/viewFile/2486/1982 .
Acesso em: 10/12/2018.

Objetivo select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 2 minutos.

Orientações: Apresente o objetivo aos alunos, escrevendo-o no quadro ou lendo-o para a turma. Se estiver fazendo uso do projetor, apresente este slide e faça uma leitura coletiva. É muito importante começar com a apresentação do objetivo para que os estudantes entendam a proposta e compreendam qual a expectativa de aprendizado no fim da aula.

Contexto select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 8 minutos.

Orientações: A proposta inicial é pensar na letra da música para refletir sobre a relação existente entre o Haiti e o Brasil. Caso não seja possível projetar o trecho, você pode levar impresso ou escrevê-lo no quadro.

Fonte: VELOSO, Caetano; GIL, Gilberto. Haiti. CD Tropicália 2, 1993.

Disponível em: https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/44730/ Acesso em: 9/1/2019.

Sugiro a leitura do trecho da canção para poder discutir algumas questões, como:

  • Por que os autores pedem para pensar no Haiti e rezar pelo Haiti? Por quais motivos?
  • O que os autores querem indicar com a frase “O Haiti é aqui”?
  • E qual a intenção dos autores ao citar que “O Haiti não é aqui”?

Nesse primeiro momento da aula, a ideia é levantar questões que despertem o interesse e a curiosidade da turma bem como permitir ao professor verificar a aprendizagem dos alunos em relação ao assunto. As respostas a estas questões dependerão do quanto a turma já estudou sobre o Haiti. Caso já tenham trabalhado a Independência do Haiti, espera-se que os alunos identifiquem motivos para pensar e rezar pelo Haiti, como a grande pobreza e dificuldades que passa boa parte da população do país, os desastres ambientais, a instabilidade política, o desemprego. Neste sentido, espera-se que possam perceber em quais desses pontos o “Haiti é aqui” como na desigualdade social, no desemprego, na pobreza estampada nas ruas das grandes cidades. Por outro lado, espera-se que percebam que o “Haiti não é aqui”, pois, apesar dos problemas políticos e econômicos, temos qualidade de vida e serviços públicos melhores que no país caribenho. Atente que nem todas as questões precisam ser respondidas satisfatoriamente neste momento. O importante é que, no final da Problematização, os alunos consigam estabelecer corretamente as relações entre o Brasil e o Haiti.

Para você saber mais:

Para pensar melhor sobre a relação da canção com a história do Haiti e a realidade brasileira, alguns sites propõem uma reflexão da música:

CIPRO NETO, Pasquale. “Pense no Haiti, reze pelo Haiti…” Folha de S.Paulo, 14 de janeiro de 2010. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1401201004.htm Acesso em: 9/1/2019.

FAUSTINO, Oswaldo. “O Haiti não é aqui”, mas se fosse… ReflexSoul, 15 de abril de 2017. Disponível em: http://reflexosoul.blogspot.com/2017/04/o-haiti-nao-e-aqui-mas-se-fosse.html Acesso em: 9/1/2019.

SOUSA, Laisa Gabriela. Reflexão sobre “Haiti”, de Caetano Veloso: como o racismo é tratado nos dias atuais. Desabafo Social, 13 de dezembro de 2015. Disponível em: http://desabafosocial.com.br/blog/2015/12/13/reflexao-racismo/ Acesso em: 9/1/2019.

Contexto select-down

Slide Plano Aula

Orientações: Para dialogar com as questões pensadas com base na música “Haiti” utilize o trecho de reportagem indicado.

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale. “Pense no Haiti, reze pelo Haiti…” Folha de S.Paulo, 14 de janeiro de 2010.

Link: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1401201004.htm Acesso em: 9/1/2019.

Leia o trecho da reportagem e proponha algumas questões:

  • Com o suporte deste texto da reportagem, por que os autores da música pediram para pensar no Haiti e rezar pelo Haiti?
  • Na música, havia o seguinte trecho: “O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui”. Que comparações podemos estabelecer entre a história do Haiti e do Brasil? Em que elas se parecem? Que diferenças há entre os dois países?

Caso os alunos tenham encontrado dificuldade em responder as perguntas do slide anterior, o trecho desta reportagem dá suporte para pensar possíveis respostas. Espera-se que a turma perceba que os autores da música pediram para pensar no Haiti e rezar pelo Haiti, pois, apesar de o país ter tido importante papel no cenário econômico internacional no passado, hoje é o país mais pobre das Américas. A segunda pergunta pede que os alunos estabeleçam relações entre o Brasil e o Haiti. As respostas dependerão do quanto os alunos recordam das histórias dos dois países, mas a reportagem dá algumas pistas. Entre as semelhanças podem citar o fato de os dois países ter sido produtores de açúcar, a grande quantidade de escravizados designados para o trabalho nas plantações de cana, a ocorrência de ditaduras durante o século passado, o fato de ambos não terem resolvido o problema da desigualdade social e outras adversidades. Entre as diferenças, espera-se que indiquem os processos de independência muito diversos (enquanto o Brasil conquistou a Independência por acordos da família real portuguesa, no Haiti houve uma grande revolução liderada por escravizados e ex-cativos), a diferença de quase 100 anos entre a abolição da escravidão no Haiti e no Brasil (enquanto o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravatura na América Latina, o Brasil foi o último) a colonização diferenciada das metrópoles francesa e portuguesa, a
não ocorrência de invasões estrangeiras no Brasil após a independência, o fato de o Brasil ser um país com estabilidade econômica e representatividade no cenário internacional superiores ao Haiti.

Indico o plano de aula HIS8_10UND01 que trata da Independência do Haiti.

Neste momento da aula, o importante é estimular os alunos a perceber que há relações históricas entre o Brasil e o Haiti, permitindo que se amplie o debate ao longo da aula, notando o impacto da Independência do Haiti na nossa História. Nem todas as questões precisam ser respondidas satisfatoriamente neste momento. O importante é que, no final da Problematização, os alunos consigam estabelecer corretamente as relações.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 20 minutos.

Orientações: Nesta etapa da aula, a Problematização, a proposta é identificar e refletir a respeito do impacto da Independência do Haiti em outras partes da América Latina (de colonização hispânica e portuguesa).

Em um primeiro momento, leia e analise o trecho acima com a turma, propondo algumas questões:

  • Para quem a Independência do Haiti foi uma advertência?
  • Para quem a Independência do Haiti foi um incentivo?
  • Por que o autor aponta que os “hispano-americanos [...] conquistariam sua independência não para criar um outro Haiti, mas para impedi-lo”?
    Qual Haiti eles não queriam?
  • Podemos comparar o caso dos hispano-americanos com o Brasil? Qual a semelhança e qual a diferença entre estes países?

Espera-se que os alunos percebam que o fato de a Independência ter sido feita pelos negros haitianos serviu como “advertência” para os grandes proprietários de terras e de escravizados visando impedir que o mesmo ocorresse nos demais processos emancipatórios. Por outro lado, serviu de “incentivo” aos escravizados ao indicar uma revolta que obteve sucesso. Ou seja, espera-se que os alunos identifiquem que o Haiti que as elites não queriam era o país livre após uma violenta revolta de escravizados e negros libertos que conquistaram não só a independência mas também aboliram a escravidão. O texto trata dos hispano-americanos, ou seja, os países que se tornaram independentes da Espanha. No entanto, ele pode ser aplicado ao Brasil. No caso brasileiro, mesmo já tendo se proclamado independente de Portugal, a independência e a abolição da escravidão no Haiti também serviram como advertência e como incentivo para diferentes grupos sociais.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Para você saber mais:

FONTELLA, Leandro Goya; MEDEIROS, Elisabeth Weber. Revolução haitiana: o medo negro assombra a américa. Disciplinarum Scientia| Ciências Humanas, v. 8, n. 1, p. 59-70, 2007. Disponível em: https://periodicos.unifra.br/index.php/disciplinarumCH/article/view/1669/1574 . Acesso em: 10/12/2018.

GOMES, Flávio. Experiências transatlânticas e significados locais: idéias, temores e narrativas em torno do Haiti no Brasil escravista. Tempo, n. 13, p. 209-246, 2002. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1670/167018088008.pdf . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. Além do medo: a construção de imagens sobre a revolução haitiana no Brasil escravista (1791–1840). Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas, v. 10, n. 18, p. 469-488, 2015. Disponível em: http://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/771/740 . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. “São Domingos, o grande São Domingos”: repercussões e representações da Revolução Haitiana no Brasil escravista (1791-1840). Dimensões, n. 21, 2008. Disponível em: http://www.publicacoes.ufes.br/dimensoes/article/viewFile/2486/1982 .
Acesso em: 10/12/2018.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

Exponha para a turma o mapa que apresenta as datas de abolição da escravidão nos países americanos. Caso não seja possível projetar o mapa, leve a imagem impressa.

Fonte: Geledés. Disponível em: https://www.geledes.org.br/datas-da-abolicao-da-escravidao-nos-paises-americanos/ Acesso em: 12/1/2019.

Peça que os alunos o observem atentamente e respondam:

  • Quem foi o primeiro país a abolir a escravidão? Em que ano?
  • Quem foram os países que acabaram com a escravidão nos anos seguintes?
  • Quem foi o último país a abolir a escravatura? Em que ano?
  • Com base nas informações do mapa, por que o Haiti foi uma advertência?
  • E por que o Haiti foi um incentivo?
  • Em relação à abolição, podemos dizer que “o Haiti é aqui” ou “o Haiti não é aqui”? Por quê?

Espera-se que os alunos identifiquem que o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravidão, em 1793, seguido da República Dominicana (1822), território vizinho. Nos anos seguintes, também acabaram com a escravidão: Chile (1823), Honduras (1824) e Bolívia (1826). O último país a extinguir
a escravidão foi o Brasil, em 1888. É importante que os alunos identifiquem que alguns territórios próximos como República Dominicana e Honduras, além do México e das ilhas que pertenciam à Inglaterra foram abolindo a escravidão após a consolidação da Revolução Haitiana e por isso serviu como “advertência” e “incentivo”.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Orientações: Peça aos alunos que observem atentamente a imagem disponível em: https://movimentorevista.com.br/2018/01/183-anos-da-revolta-dos-males/. Acesso em: 10 de janeiro de 2019.

Após as considerações iniciais da turma, faça as seguintes provocações:

  • O que a imagem está indicando?
  • A qual etnia pertencem as pessoas representadas na pintura?
  • Que tipos de “arma” eles estão utilizando? O que elas estão querendo representar?
  • Era um movimento pacífico ou com uso de força e embates mais violentos?

Espera-se que os alunos percebam que a imagem está se referindo a uma revolta de negros, armados com facões, enxadas e barras de madeira - o que pode indicar que eles usaram as armas comuns de suas rotinas de trabalho no campo e na cidade. Além disso, é importante que notem o caráter violento da revolta a partir daquilo que a pintura expressa.

Após dialogar sobre a imagem, comente com a turma que a imagem (supostamente) faz referência à Revolta dos Malês, que ocorreu em Salvador (Bahia) no ano de 1835. Após essa informação, questione aos alunos:

  • Vocês já ouviram falar da Revolta dos Malês? O que sabem sobre ela?
  • Quais elementos dessa revolta estão presentes na imagem?

Escute o que os alunos sabem sobre a Revolta e, com base no que já foi questionado anteriormente, espera-se que eles notem alguns elementos da revolta na imagem: uma rebelião liderada por escravizados que utilizaram seus instrumentos de trabalho como armas, ou seja, tratou-se de um movimento com uso da força e da violência.

Caso não seja possível projetar a pintura, o professor pode levar a imagem impressa.

Para você saber mais:

Sobre a Revolta dos Malês:

REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 141-142. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

BERNARDO, André. O legado de negros muçulmanos que se rebelaram na Bahia antes do fim da escravidão. BBC Brasil, 9 de maio de 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44011770. Acesso em: 25/03/2019.

Defensoria Pública do Estado da Bahia. Defensoria propõe resgate dos direitos de líderes populares. Disponível em: http://www.defensoria.ba.def.br/portal/index.php?site=1&modulo=eva_conteudo&co_cod=16779. Acesso em: 25/03/2019.

Defensoria Pública do Estado da Bahia. Defensoria Púbica absolve Luiza Mahin em Júri Popular após 181 anos da Revolta dos Malês. Disponível em: http://www.defensoria.ba.def.br/arquivo/noticias/defensoria-pubica-absolve-luiza-mahin-em-juri-popular-apos-181-anos-da-revolta-dos-males. Acesso em: 25/03/2019.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Orientações: Professor, nesta etapa da Problematização serão analisados mais três documentos textuais sobre a Revolta dos Malês. A proposta é analisar a revolta com base em duas visões opostas (um escravizado envolvido na rebelião e um guarda nacional) e perceber como a Independência do Haiti pode ser relacionada com esta rebelião baiana - notando o quanto ela servir de “advertência” e de “incentivo”. É importante frisar com os alunos que as fontes estão transcritas com a ortografia da época em que foram produzidas.

Aborde o primeiro documento com os alunos, exposto no slide. Leia e analise o depoimento com a turma e levante as seguintes provocações:

  • Quem está prestando o depoimento? Qual a condição social dele?
  • De acordo com o escravizado João, como se deu a revolta?
  • Qual era, segundo o depoimento, o objetivo da revolta?
  • Que semelhança é possível identificar entre a Revolta dos Malês e o processo de Independência do Haiti, de acordo com o depoimento?

Espera-se que os alunos identifiquem que o depoimento é de um escravizado de nome João, que pertencia a um inglês que vivia na Bahia. Além disso, é importante que percebam que o depoimento apresenta como se deu a organização da revolta bem como seu caráter violento e seus objetivos - de acordo com ele “matar todos os brancos, pardos e crioulos”. Sobre a última questão, espera-se que possam verificar semelhança no fato de ambas serem revoltas violentas, organizadas por negros e que queriam o fim da escravidão.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 141-142. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Orientações: Leia com a turma o segundo depoimento disponibilizado no slide. Para promover sua análise levante as seguintes provocações:

  • Quem está prestando o depoimento? Qual a condição social dele?
  • De acordo com o depoente, como se deu a revolta?
  • O que é possível indicar sobre a Revolta dos Malês com base nestes dois depoimentos?
  • Que semelhança é possível identificar entre a Revolta dos Malês e o processo de Independência do Haiti, de acordo com o depoimento?

Espera-se que os alunos identifiquem que o depoimento foi prestado por um guarda nacional e solicitador da Justiça e da Fazenda de nome
Luís Tavares Macedo. É importante que saibam diferenciar que este é o depoimento de uma autoridade local citando o caráter violento da revolta enquanto aponta características dos revoltosos e de suas “armas”. Sobre a última questão, espera-se que possam verificar semelhança no fato de ambas ser revoltas violentas, organizadas por negros e que atacaram membros da elite branca.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 93. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Orientações: Leia com a turma o terceiro depoimento disponibilizado no slide e levante os seguintes questionamentos:

  • Quem escreve a mensagem?
  • Para quem a mensagem é dirigida?
  • O que está indicado na frase: “As doutrinas Haitianas são aqui pregadas com impunidade”?
  • De acordo com a mensagem, a que se referem estas doutrinas haitianas?
  • A mensagem foi enviada após a Revolta dos Malês. Qual a advertência apresentada nela?
  • De acordo com a mensagem, podemos dizer que há uma aproximação do processo de Independência do Haiti com as revoltas brasileiras da época? De acordo com ela, o “Haiti é aqui” ou o “Haiti não é aqui”?

Espera-se que os alunos identifiquem que a mensagem foi escrita pela Assembleia Provincial do Rio de Janeiro dirigida ao Governo Central da época. É importante que percebam que por “doutrinas Haitianas” pode-se entender o ideário abolicionista influenciado pelos conceitos de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” vindos da Revolução Francesa e que a crítica feita pela Assembleia Provincial está na reprodução destas “doutrinas” sem que o governo intervenha. A mensagem apresenta uma advertência ao crescimento destes ideais vindos do Haiti sobre parte significativa dos escravizados brasileiros, o que levantou o temor de um novo Haiti por aqui.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Fonte: Aurora Fluminense, nº 1032, 27 de março de 1835.

ANDRADE, Marcos Ferreira. Imprensa moderada e escravidão: o debate sobre o fim do tráfico e temor do haitinismo no Brasil Regencial (1831-1835). Disponível em: http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/marcosferreiradeandrade.pdf Acesso em: 10/1/2019.

Para você saber mais:

Sobre a Revolta dos Malês:

REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 141-142. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

REIS, João José. O sonho da Bahia muçulmana. Revista de História da Biblioteca Nacional. nº 78, ano 7. mar. 2012, p. 30-35. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/166549472/O-sonho-da-Bahia-muculmana-Revista-de-Historia Acesso em: 10/1/2019.

ANDRADE, Marcos Ferreira. Imprensa moderada e escravidão: o debate sobre o fim do tráfico e temor do haitinismo no Brasil Regencial (1831-1835). Disponível em: http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/marcosferreiradeandrade.pdf Acesso em: 10/1/2019.

DIANNA, Eduardo Matheus de Souza. Salvador em revolta: alguns olhares para a revolta islâmica na Bahia em 1835. Revista Trilhas da História, v. 5, n. 10, p. 145-161, 2017. Disponível em: http://www.seer.ufms.br/index.php/RevTH/article/view/1646/pdf_81 Acesso em: 10/1/2019.

Sistematização select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 20 minutos.

Orientações:

Professor, após a análise da Revolta dos Malês comparando ao processo de Independência do Haiti, solicite aos alunos que indiquem quais as semelhanças e as diferenças entre os processos nos dois países (Brasil e Haiti). Na medida em que os alunos forem falando, o professor pode anotar o que foi dito no quadro.

  • Como ocorreu e teve fim a revolta de escravizados em cada um dos casos?

Entre as semelhanças estão o fato da presença massiva de população negra (no passado e no presente), a participação de cativos e ex-escravizados nas revoltas, o “ódio” aos brancos que oprimiam a população escravizada, o uso da violência em ambos os processos, a grande quantidade de pobres existentes nos dois países atualmente.

Entre as diferenças estão o fato de a escravidão não ter sido abolida após a Independência brasileira, a presença de escravizados muçulmanos no Brasil, a grande participação de escravizados e ex-cativos no processo de Independência haitiano (enquanto no Brasil, a Independência teve menor participação popular), a rápida repressão à Revolta dos Malês.

Após fazer uma Sistematização no quadro, retome com a turma a frase da canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil:

“Pense no Haiti, reze pelo Haiti.

O Haiti é aqui.

O Haiti não é aqui.”

Proponha que os alunos escrevam uma nova estrofe para a música, uma versão apresentando semelhanças e diferenças nos processos estudados nos dois países. Por que podemos dizer que o “Haiti é aqui”? Por que podemos afirmar que o “Haiti não é aqui”?

Resumo da aula

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Este slide em específico não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você possa se planejar.

Este plano está previsto para ser realizado em uma aula de 50 minutos. Serão abordados aspectos que fazem parte do trabalho com a habilidade EF08HI10, de História, que consta na BNCC. Como a habilidade deve ser desenvolvida ao longo de todo o ano, você observará que ela não será contemplada em sua totalidade aqui e que as propostas podem ter continuidade em aulas subsequentes.

Para preparar melhor esta aula, confira outras aulas que tratam sobre a Independência do Haiti: há uma aula tratando especificamente da Independência (seus líderes, causas e efeitos), outra relacionando o processo haitiano à Revolução Francesa e outra percebendo o impacto da Independência do Haiti nas demais independências latino-americanas.

Materiais necessários: Data show para projetar as imagens. Se não houver esta possibilidade, levar a cópia impressa da imagem, do mapa e dos textos.

Material complementar:

Contexto - Trecho de reportagem:

https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/QZPkssFjMK5stuwpEf85u8pDZpFvcEf97hz8pRGEtwtxxeJJkjkURZ7Wdvhd/contexto.pdf

Problematização - Documentos para analisar com a turma:

https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/QhnVCGx7BtGRG5ZupFaJNsvNkQMuKtCh5nDkQEgwkEdfaSAMCRD7cFeveM63/documentos-da-problematizacao.pdf

Para que os alunos aprendam a interpretar fontes históricas, é muito importante não fornecer a eles as informações básicas sobre a fonte histórica antes da leitura de cada uma delas. Não comece a aula com uma exposição sobre o contexto histórico destes documentos, pois isso os impediria de construir o contexto com base nas fontes, que é o objetivo central da aula de História.

Para você saber mais:

ANDRADE, Marcos Ferreira. Imprensa moderada e escravidão: o debate sobre o fim do tráfico e temor do haitinismo no Brasil Regencial (1831-1835). Disponível em: http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/marcosferreiradeandrade.pdf Acesso em: 10/1/2019.

FONTELLA, Leandro Goya; MEDEIROS, Elisabeth Weber. Revolução haitiana: o medo negro assombra a américa. Disciplinarum Scientia| Ciências Humanas, v. 8, n. 1, p. 59-70, 2007. Disponível em: https://periodicos.unifra.br/index.php/disciplinarumCH/article/view/1669/1574 . Acesso em: 10/12/2018.

GOMES, Flávio. Experiências transatlânticas e significados locais: idéias, temores e narrativas em torno do Haiti no Brasil escravista. Tempo, n. 13, p. 209-246, 2002. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1670/167018088008.pdf . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. Além do medo: a construção de imagens sobre a revolução haitiana no Brasil escravista (1791–1840). Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas, v. 10, n. 18, p. 469-488, 2015. Disponível em: http://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/771/740 . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. “São Domingos, o grande São Domingos”: repercussões e representações da Revolução Haitiana no Brasil escravista (1791-1840). Dimensões, nº 21, 2008. Disponível em: http://www.publicacoes.ufes.br/dimensoes/article/viewFile/2486/1982 .
Acesso em: 10/12/2018.

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Tempo sugerido: 2 minutos.

Orientações: Apresente o objetivo aos alunos, escrevendo-o no quadro ou lendo-o para a turma. Se estiver fazendo uso do projetor, apresente este slide e faça uma leitura coletiva. É muito importante começar com a apresentação do objetivo para que os estudantes entendam a proposta e compreendam qual a expectativa de aprendizado no fim da aula.

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 8 minutos.

Orientações: A proposta inicial é pensar na letra da música para refletir sobre a relação existente entre o Haiti e o Brasil. Caso não seja possível projetar o trecho, você pode levar impresso ou escrevê-lo no quadro.

Fonte: VELOSO, Caetano; GIL, Gilberto. Haiti. CD Tropicália 2, 1993.

Disponível em: https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/44730/ Acesso em: 9/1/2019.

Sugiro a leitura do trecho da canção para poder discutir algumas questões, como:

  • Por que os autores pedem para pensar no Haiti e rezar pelo Haiti? Por quais motivos?
  • O que os autores querem indicar com a frase “O Haiti é aqui”?
  • E qual a intenção dos autores ao citar que “O Haiti não é aqui”?

Nesse primeiro momento da aula, a ideia é levantar questões que despertem o interesse e a curiosidade da turma bem como permitir ao professor verificar a aprendizagem dos alunos em relação ao assunto. As respostas a estas questões dependerão do quanto a turma já estudou sobre o Haiti. Caso já tenham trabalhado a Independência do Haiti, espera-se que os alunos identifiquem motivos para pensar e rezar pelo Haiti, como a grande pobreza e dificuldades que passa boa parte da população do país, os desastres ambientais, a instabilidade política, o desemprego. Neste sentido, espera-se que possam perceber em quais desses pontos o “Haiti é aqui” como na desigualdade social, no desemprego, na pobreza estampada nas ruas das grandes cidades. Por outro lado, espera-se que percebam que o “Haiti não é aqui”, pois, apesar dos problemas políticos e econômicos, temos qualidade de vida e serviços públicos melhores que no país caribenho. Atente que nem todas as questões precisam ser respondidas satisfatoriamente neste momento. O importante é que, no final da Problematização, os alunos consigam estabelecer corretamente as relações entre o Brasil e o Haiti.

Para você saber mais:

Para pensar melhor sobre a relação da canção com a história do Haiti e a realidade brasileira, alguns sites propõem uma reflexão da música:

CIPRO NETO, Pasquale. “Pense no Haiti, reze pelo Haiti…” Folha de S.Paulo, 14 de janeiro de 2010. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1401201004.htm Acesso em: 9/1/2019.

FAUSTINO, Oswaldo. “O Haiti não é aqui”, mas se fosse… ReflexSoul, 15 de abril de 2017. Disponível em: http://reflexosoul.blogspot.com/2017/04/o-haiti-nao-e-aqui-mas-se-fosse.html Acesso em: 9/1/2019.

SOUSA, Laisa Gabriela. Reflexão sobre “Haiti”, de Caetano Veloso: como o racismo é tratado nos dias atuais. Desabafo Social, 13 de dezembro de 2015. Disponível em: http://desabafosocial.com.br/blog/2015/12/13/reflexao-racismo/ Acesso em: 9/1/2019.

Slide Plano Aula

Orientações: Para dialogar com as questões pensadas com base na música “Haiti” utilize o trecho de reportagem indicado.

Fonte: CIPRO NETO, Pasquale. “Pense no Haiti, reze pelo Haiti…” Folha de S.Paulo, 14 de janeiro de 2010.

Link: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1401201004.htm Acesso em: 9/1/2019.

Leia o trecho da reportagem e proponha algumas questões:

  • Com o suporte deste texto da reportagem, por que os autores da música pediram para pensar no Haiti e rezar pelo Haiti?
  • Na música, havia o seguinte trecho: “O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui”. Que comparações podemos estabelecer entre a história do Haiti e do Brasil? Em que elas se parecem? Que diferenças há entre os dois países?

Caso os alunos tenham encontrado dificuldade em responder as perguntas do slide anterior, o trecho desta reportagem dá suporte para pensar possíveis respostas. Espera-se que a turma perceba que os autores da música pediram para pensar no Haiti e rezar pelo Haiti, pois, apesar de o país ter tido importante papel no cenário econômico internacional no passado, hoje é o país mais pobre das Américas. A segunda pergunta pede que os alunos estabeleçam relações entre o Brasil e o Haiti. As respostas dependerão do quanto os alunos recordam das histórias dos dois países, mas a reportagem dá algumas pistas. Entre as semelhanças podem citar o fato de os dois países ter sido produtores de açúcar, a grande quantidade de escravizados designados para o trabalho nas plantações de cana, a ocorrência de ditaduras durante o século passado, o fato de ambos não terem resolvido o problema da desigualdade social e outras adversidades. Entre as diferenças, espera-se que indiquem os processos de independência muito diversos (enquanto o Brasil conquistou a Independência por acordos da família real portuguesa, no Haiti houve uma grande revolução liderada por escravizados e ex-cativos), a diferença de quase 100 anos entre a abolição da escravidão no Haiti e no Brasil (enquanto o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravatura na América Latina, o Brasil foi o último) a colonização diferenciada das metrópoles francesa e portuguesa, a
não ocorrência de invasões estrangeiras no Brasil após a independência, o fato de o Brasil ser um país com estabilidade econômica e representatividade no cenário internacional superiores ao Haiti.

Indico o plano de aula HIS8_10UND01 que trata da Independência do Haiti.

Neste momento da aula, o importante é estimular os alunos a perceber que há relações históricas entre o Brasil e o Haiti, permitindo que se amplie o debate ao longo da aula, notando o impacto da Independência do Haiti na nossa História. Nem todas as questões precisam ser respondidas satisfatoriamente neste momento. O importante é que, no final da Problematização, os alunos consigam estabelecer corretamente as relações.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

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Tempo sugerido: 20 minutos.

Orientações: Nesta etapa da aula, a Problematização, a proposta é identificar e refletir a respeito do impacto da Independência do Haiti em outras partes da América Latina (de colonização hispânica e portuguesa).

Em um primeiro momento, leia e analise o trecho acima com a turma, propondo algumas questões:

  • Para quem a Independência do Haiti foi uma advertência?
  • Para quem a Independência do Haiti foi um incentivo?
  • Por que o autor aponta que os “hispano-americanos [...] conquistariam sua independência não para criar um outro Haiti, mas para impedi-lo”?
    Qual Haiti eles não queriam?
  • Podemos comparar o caso dos hispano-americanos com o Brasil? Qual a semelhança e qual a diferença entre estes países?

Espera-se que os alunos percebam que o fato de a Independência ter sido feita pelos negros haitianos serviu como “advertência” para os grandes proprietários de terras e de escravizados visando impedir que o mesmo ocorresse nos demais processos emancipatórios. Por outro lado, serviu de “incentivo” aos escravizados ao indicar uma revolta que obteve sucesso. Ou seja, espera-se que os alunos identifiquem que o Haiti que as elites não queriam era o país livre após uma violenta revolta de escravizados e negros libertos que conquistaram não só a independência mas também aboliram a escravidão. O texto trata dos hispano-americanos, ou seja, os países que se tornaram independentes da Espanha. No entanto, ele pode ser aplicado ao Brasil. No caso brasileiro, mesmo já tendo se proclamado independente de Portugal, a independência e a abolição da escravidão no Haiti também serviram como advertência e como incentivo para diferentes grupos sociais.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Para você saber mais:

FONTELLA, Leandro Goya; MEDEIROS, Elisabeth Weber. Revolução haitiana: o medo negro assombra a américa. Disciplinarum Scientia| Ciências Humanas, v. 8, n. 1, p. 59-70, 2007. Disponível em: https://periodicos.unifra.br/index.php/disciplinarumCH/article/view/1669/1574 . Acesso em: 10/12/2018.

GOMES, Flávio. Experiências transatlânticas e significados locais: idéias, temores e narrativas em torno do Haiti no Brasil escravista. Tempo, n. 13, p. 209-246, 2002. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1670/167018088008.pdf . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. Além do medo: a construção de imagens sobre a revolução haitiana no Brasil escravista (1791–1840). Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas, v. 10, n. 18, p. 469-488, 2015. Disponível em: http://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/771/740 . Acesso em: 10/12/2018.

NASCIMENTO, Washington Santos. “São Domingos, o grande São Domingos”: repercussões e representações da Revolução Haitiana no Brasil escravista (1791-1840). Dimensões, n. 21, 2008. Disponível em: http://www.publicacoes.ufes.br/dimensoes/article/viewFile/2486/1982 .
Acesso em: 10/12/2018.

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Orientações:

Exponha para a turma o mapa que apresenta as datas de abolição da escravidão nos países americanos. Caso não seja possível projetar o mapa, leve a imagem impressa.

Fonte: Geledés. Disponível em: https://www.geledes.org.br/datas-da-abolicao-da-escravidao-nos-paises-americanos/ Acesso em: 12/1/2019.

Peça que os alunos o observem atentamente e respondam:

  • Quem foi o primeiro país a abolir a escravidão? Em que ano?
  • Quem foram os países que acabaram com a escravidão nos anos seguintes?
  • Quem foi o último país a abolir a escravatura? Em que ano?
  • Com base nas informações do mapa, por que o Haiti foi uma advertência?
  • E por que o Haiti foi um incentivo?
  • Em relação à abolição, podemos dizer que “o Haiti é aqui” ou “o Haiti não é aqui”? Por quê?

Espera-se que os alunos identifiquem que o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravidão, em 1793, seguido da República Dominicana (1822), território vizinho. Nos anos seguintes, também acabaram com a escravidão: Chile (1823), Honduras (1824) e Bolívia (1826). O último país a extinguir
a escravidão foi o Brasil, em 1888. É importante que os alunos identifiquem que alguns territórios próximos como República Dominicana e Honduras, além do México e das ilhas que pertenciam à Inglaterra foram abolindo a escravidão após a consolidação da Revolução Haitiana e por isso serviu como “advertência” e “incentivo”.

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Orientações: Peça aos alunos que observem atentamente a imagem disponível em: https://movimentorevista.com.br/2018/01/183-anos-da-revolta-dos-males/. Acesso em: 10 de janeiro de 2019.

Após as considerações iniciais da turma, faça as seguintes provocações:

  • O que a imagem está indicando?
  • A qual etnia pertencem as pessoas representadas na pintura?
  • Que tipos de “arma” eles estão utilizando? O que elas estão querendo representar?
  • Era um movimento pacífico ou com uso de força e embates mais violentos?

Espera-se que os alunos percebam que a imagem está se referindo a uma revolta de negros, armados com facões, enxadas e barras de madeira - o que pode indicar que eles usaram as armas comuns de suas rotinas de trabalho no campo e na cidade. Além disso, é importante que notem o caráter violento da revolta a partir daquilo que a pintura expressa.

Após dialogar sobre a imagem, comente com a turma que a imagem (supostamente) faz referência à Revolta dos Malês, que ocorreu em Salvador (Bahia) no ano de 1835. Após essa informação, questione aos alunos:

  • Vocês já ouviram falar da Revolta dos Malês? O que sabem sobre ela?
  • Quais elementos dessa revolta estão presentes na imagem?

Escute o que os alunos sabem sobre a Revolta e, com base no que já foi questionado anteriormente, espera-se que eles notem alguns elementos da revolta na imagem: uma rebelião liderada por escravizados que utilizaram seus instrumentos de trabalho como armas, ou seja, tratou-se de um movimento com uso da força e da violência.

Caso não seja possível projetar a pintura, o professor pode levar a imagem impressa.

Para você saber mais:

Sobre a Revolta dos Malês:

REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 141-142. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

BERNARDO, André. O legado de negros muçulmanos que se rebelaram na Bahia antes do fim da escravidão. BBC Brasil, 9 de maio de 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44011770. Acesso em: 25/03/2019.

Defensoria Pública do Estado da Bahia. Defensoria propõe resgate dos direitos de líderes populares. Disponível em: http://www.defensoria.ba.def.br/portal/index.php?site=1&modulo=eva_conteudo&co_cod=16779. Acesso em: 25/03/2019.

Defensoria Pública do Estado da Bahia. Defensoria Púbica absolve Luiza Mahin em Júri Popular após 181 anos da Revolta dos Malês. Disponível em: http://www.defensoria.ba.def.br/arquivo/noticias/defensoria-pubica-absolve-luiza-mahin-em-juri-popular-apos-181-anos-da-revolta-dos-males. Acesso em: 25/03/2019.

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Orientações: Professor, nesta etapa da Problematização serão analisados mais três documentos textuais sobre a Revolta dos Malês. A proposta é analisar a revolta com base em duas visões opostas (um escravizado envolvido na rebelião e um guarda nacional) e perceber como a Independência do Haiti pode ser relacionada com esta rebelião baiana - notando o quanto ela servir de “advertência” e de “incentivo”. É importante frisar com os alunos que as fontes estão transcritas com a ortografia da época em que foram produzidas.

Aborde o primeiro documento com os alunos, exposto no slide. Leia e analise o depoimento com a turma e levante as seguintes provocações:

  • Quem está prestando o depoimento? Qual a condição social dele?
  • De acordo com o escravizado João, como se deu a revolta?
  • Qual era, segundo o depoimento, o objetivo da revolta?
  • Que semelhança é possível identificar entre a Revolta dos Malês e o processo de Independência do Haiti, de acordo com o depoimento?

Espera-se que os alunos identifiquem que o depoimento é de um escravizado de nome João, que pertencia a um inglês que vivia na Bahia. Além disso, é importante que percebam que o depoimento apresenta como se deu a organização da revolta bem como seu caráter violento e seus objetivos - de acordo com ele “matar todos os brancos, pardos e crioulos”. Sobre a última questão, espera-se que possam verificar semelhança no fato de ambas serem revoltas violentas, organizadas por negros e que queriam o fim da escravidão.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 141-142. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

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Orientações: Leia com a turma o segundo depoimento disponibilizado no slide. Para promover sua análise levante as seguintes provocações:

  • Quem está prestando o depoimento? Qual a condição social dele?
  • De acordo com o depoente, como se deu a revolta?
  • O que é possível indicar sobre a Revolta dos Malês com base nestes dois depoimentos?
  • Que semelhança é possível identificar entre a Revolta dos Malês e o processo de Independência do Haiti, de acordo com o depoimento?

Espera-se que os alunos identifiquem que o depoimento foi prestado por um guarda nacional e solicitador da Justiça e da Fazenda de nome
Luís Tavares Macedo. É importante que saibam diferenciar que este é o depoimento de uma autoridade local citando o caráter violento da revolta enquanto aponta características dos revoltosos e de suas “armas”. Sobre a última questão, espera-se que possam verificar semelhança no fato de ambas ser revoltas violentas, organizadas por negros e que atacaram membros da elite branca.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Fonte: REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 93. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

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Orientações: Leia com a turma o terceiro depoimento disponibilizado no slide e levante os seguintes questionamentos:

  • Quem escreve a mensagem?
  • Para quem a mensagem é dirigida?
  • O que está indicado na frase: “As doutrinas Haitianas são aqui pregadas com impunidade”?
  • De acordo com a mensagem, a que se referem estas doutrinas haitianas?
  • A mensagem foi enviada após a Revolta dos Malês. Qual a advertência apresentada nela?
  • De acordo com a mensagem, podemos dizer que há uma aproximação do processo de Independência do Haiti com as revoltas brasileiras da época? De acordo com ela, o “Haiti é aqui” ou o “Haiti não é aqui”?

Espera-se que os alunos identifiquem que a mensagem foi escrita pela Assembleia Provincial do Rio de Janeiro dirigida ao Governo Central da época. É importante que percebam que por “doutrinas Haitianas” pode-se entender o ideário abolicionista influenciado pelos conceitos de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” vindos da Revolução Francesa e que a crítica feita pela Assembleia Provincial está na reprodução destas “doutrinas” sem que o governo intervenha. A mensagem apresenta uma advertência ao crescimento destes ideais vindos do Haiti sobre parte significativa dos escravizados brasileiros, o que levantou o temor de um novo Haiti por aqui.

Caso não seja possível projetar o trecho, o professor pode levá-lo impresso.

Fonte: Aurora Fluminense, nº 1032, 27 de março de 1835.

ANDRADE, Marcos Ferreira. Imprensa moderada e escravidão: o debate sobre o fim do tráfico e temor do haitinismo no Brasil Regencial (1831-1835). Disponível em: http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/marcosferreiradeandrade.pdf Acesso em: 10/1/2019.

Para você saber mais:

Sobre a Revolta dos Malês:

REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil - A história do levante dos malês 1835. São Paulo. Companhia das Letras, 2003. p. 141-142. Disponível em: https://kupdf.net/download/joao-jose-reis-rebeliao-escrava-no-brasil_5b614c7be2b6f59f53e9e5f3_pdf Acesso em: 10/1/2019.

REIS, João José. O sonho da Bahia muçulmana. Revista de História da Biblioteca Nacional. nº 78, ano 7. mar. 2012, p. 30-35. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/166549472/O-sonho-da-Bahia-muculmana-Revista-de-Historia Acesso em: 10/1/2019.

ANDRADE, Marcos Ferreira. Imprensa moderada e escravidão: o debate sobre o fim do tráfico e temor do haitinismo no Brasil Regencial (1831-1835). Disponível em: http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos4/marcosferreiradeandrade.pdf Acesso em: 10/1/2019.

DIANNA, Eduardo Matheus de Souza. Salvador em revolta: alguns olhares para a revolta islâmica na Bahia em 1835. Revista Trilhas da História, v. 5, n. 10, p. 145-161, 2017. Disponível em: http://www.seer.ufms.br/index.php/RevTH/article/view/1646/pdf_81 Acesso em: 10/1/2019.

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Tempo sugerido: 20 minutos.

Orientações:

Professor, após a análise da Revolta dos Malês comparando ao processo de Independência do Haiti, solicite aos alunos que indiquem quais as semelhanças e as diferenças entre os processos nos dois países (Brasil e Haiti). Na medida em que os alunos forem falando, o professor pode anotar o que foi dito no quadro.

  • Como ocorreu e teve fim a revolta de escravizados em cada um dos casos?

Entre as semelhanças estão o fato da presença massiva de população negra (no passado e no presente), a participação de cativos e ex-escravizados nas revoltas, o “ódio” aos brancos que oprimiam a população escravizada, o uso da violência em ambos os processos, a grande quantidade de pobres existentes nos dois países atualmente.

Entre as diferenças estão o fato de a escravidão não ter sido abolida após a Independência brasileira, a presença de escravizados muçulmanos no Brasil, a grande participação de escravizados e ex-cativos no processo de Independência haitiano (enquanto no Brasil, a Independência teve menor participação popular), a rápida repressão à Revolta dos Malês.

Após fazer uma Sistematização no quadro, retome com a turma a frase da canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil:

“Pense no Haiti, reze pelo Haiti.

O Haiti é aqui.

O Haiti não é aqui.”

Proponha que os alunos escrevam uma nova estrofe para a música, uma versão apresentando semelhanças e diferenças nos processos estudados nos dois países. Por que podemos dizer que o “Haiti é aqui”? Por que podemos afirmar que o “Haiti não é aqui”?

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