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Plano de aula - Do comércio de mercadorias à comercialização da mão de obra: a escravidão no período pré-colonial

Plano de aula de História com atividades para 7º ano do EF sobre Do comércio de mercadorias à comercialização da mão de obra: a escravidão no período pré-colonial

Plano 01 de 5 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Ruhama Ariella Sabião Batista

 

Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide em específico não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você possa se planejar.

Este plano está previsto para ser realizado em uma aula de 50 minutos. Serão abordados aspectos que fazem parte do trabalho com a habilidade EF07HI14, de História, que consta na BNCC. Como a habilidade deve ser desenvolvida ao longo de todo o ano, você observará que ela não será contemplada em sua totalidade aqui e que as propostas podem ter continuidade em aulas subsequentes.

Materiais necessários: Caderno, quadro, giz, caneta.

Material complementar:

Transcrição da fonte 1: https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/WHwnNdhYGvTc4e5T4jmeQ6SXKfk5YVYrKXapapdZqV85vGycr7fRjt83szNn/his7-14un01-transcricao-da-fonte-1.pdf

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História, e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. 3 ed. São Paulo: Ática, 2012.

THORNTON, J. A escravidão e a estrutura social na África. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p.122-152.

THORNTON, J. O processo de escravidão e o comércio de escravos. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p. 153-185.

Sobre Aqualtune:

MARTINS, Vinicius. Rainha e guerreira, Aqualtune é um dos principais nome da resistência afro-brasileira contra a escravidão e o racismo. Alma Preta, 21 de julho de 2017. Disponível em: <https://www.almapreta.com/editorias/realidade/aqualtune-a-luz-de-palmares>. Acesso em: 23 jan. 19.

Sobre outras mulheres negras escravizadas que lutaram contra a escravidão:

GONÇALVES, Patrícia. 17 mulheres negras brasileiras que lutaram contra escravidão. Catraca Livre, 20 de agosto de 2018. Disponível em: <https://catracalivre.com.br/cidadania/17-mulheres-negras-brasileiras-que-lutaram-contra-escravidao/>. Acesso em: 23 jan. 19.

Objetivo select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 3 minutos.

Orientações:

Inicialmente, a sala deve estar em duplas ou trios.

Entender a escravidão em seus diferentes contextos históricos é um desafio para a historiografia, mas leva a uma melhor compreensão dos processos que levaram este conceito a ser associado ao comércio e à lucratividade. Portanto, é importante deixar claro aos alunos que não se pode pensar em escravidão somente ligada ao tráfico e ao mercado instituído na América Portuguesa, pois houve outras formas de escravidão, principalmente na África, continente no qual esta aula dará enfoque. Durante toda a aula o professor deve evitar o termo “escravos”, pois, de acordo com Munanga (2010, s.p), “O homem nasce livre até que alguém o escravize [...]. O correto é “escravizado” e não “escravo”.

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História, e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

MUNANGA, Kabengele. Trecho de entrevista publicada online. Nova legislação e política de cotas desencadeariam ascensão econômica e inclusão dos negros, diz professor. Pambazuka News, mar. 2010. Disponível em: <https://www.pambazuka.org/pt/security-icts/nova-legisla%C3%A7%C3%A3o-e-pol%C3%ADtica-de-cotas-desencadeariam-ascens%C3%A3o-econ%C3%B4mica-e-inclus%C3%A3o-dos>. Acesso em: 24 jan. 19.

Contexto select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 8 minutos.

O tempo sugerido refere-se a este slide e ao subsequente.

Orientações:

Para apresentar a temática aos alunos, é preciso que os mesmos tenham a possibilidade de compreender que houve outra forma de escravização que não voltada exclusivamente para os lucros comerciais e com fins econômicos. Para isso, a fonte em questão (descrita abaixo de forma mais detalhada) apresenta a história de Aqualtune e como até pessoas de prestígio na África poderiam se tornar escravizadas e ser tiradas de seu país de origem. Destaca-se que a escravidão na África não era um estado eterno, e que não era motivada somente por fins econômicos ou comerciais, mas sim como forma de aprisionamento de inimigos derrotados nas guerras, sobrevivência a períodos de escassez de alimentos, entre outras situações.

Descrição da fonte:

A fonte em questão é um cordel, escrito pela poetisa Jarid Arraes, em 2014. A autora, nascida em Juazeiro do Norte, é conhecida por escrever história sobre mulheres, e principalmente sobre mulheres negras, e tem mais de 60 títulos publicados, até o momento, em literatura de cordel. Destaca-se no cordel a narrativa da história de Aqualtune, princesa africana que foi escravizada e trazida para o Brasil. O cordel também aborda como funcionava o sistema de escravidão na África, em que reinos rivais entravam em conflito e os perdedores da guerra tornavam-se escravos dos vencedores. Porém, na África a escravidão não era um estado ad eternum, mas sim temporário (o que também se apresenta na Fonte 3). A autora destaca mais no final do cordel - que não aparece para os alunos, mas que pode ser comentado com eles - como a história foi silenciada, e como pesquisar e saber sobre histórias de mulheres negras fortes pode empoderar outras mulheres e criar novas identidades. A fonte completa está disponível no link da fonte.

Adequando ao Contexto:

Caso não possa ser projetado aos alunos, o docente pode escrever no quadro.

Fonte:

ARRAES, Jarid. Aqualtune: princesa no Congo, mas escrava no Brasil. Revista Fórum, 29 de janeiro de 2016. Disponível em: <https://www.revistaforum.com.br/aqualtune-princesa-congo-mas-escrava-brasil/>. Acesso em: 23 jan. 19.

Para você saber mais:

Sobre Aqualtune:

MARTINS, Vinicius. Rainha e guerreira, Aqualtune é um dos principais nomes da resistência afro-brasileira contra a escravidão e o racismo. Alma Preta, 21 de julho de 2017. Disponível em: <https://www.almapreta.com/editorias/realidade/aqualtune-a-luz-de-palmares>. Acesso em: 23 jan. 19.

Sobre outras mulheres negras escravizadas que lutaram contra a escravidão:

GONÇALVES, Patrícia. 17 mulheres negras brasileiras que lutaram contra escravidão. Catraca Livre, 20 de agosto de 2018. Disponível em: <https://catracalivre.com.br/cidadania/17-mulheres-negras-brasileiras-que-lutaram-contra-escravidao/>. Acesso em: 23 jan. 19.

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História, e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

Contexto select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

Apresentada e lida a fonte aos alunos, o professor deve direcionar as perguntas realizadas no slide, que se encaminham para o entendimento de que existiram outras formas de escravidão, e que mesmo princesas de lugares importantes, como o Congo, também foram escravizadas. Se possível, o professor também pode citar outros exemplos, como o de Chico Rei, que segundo conta a tradição oral teria sido um monarca africano, que chegou ao Brasil em 1740, e que, depois de comprar sua alforria, se tornou muito respeitado e estimado em Ouro Preto - MG. Ainda, deve-se ressaltar a história de Aqualtune pelo fato de a mesma ter terminado seus dias em um quilombo, ou seja, buscou formas de escapar da escravidão e de ajudar seu povo a lutar. Aqualtune foi a avó de Zumbi dos Palmares, também reconhecido pela resistência à escravidão.

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

TANAKA, Beátrice. A história de Chico Rei. São Paulo: SM, 2010.*

*O guia de leitura do livro para professores é disponibilizado pela editora. Disponível em: <http://www.smbrasil.com.br/download/?p=/sm_resources_center/cms/88bc539904225a5ed36bdfc7b687f9a6.pdf>. Acesso em: 27 jan. 19.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 20 minutos.

O tempo sugerido refere-se a este slide e aos dois subsequentes.

Orientações:

Serão apresentadas duas fontes e no final realizadas perguntas com os alunos a fim de relacioná-las e refletir sobre a temática abordada. Com o apoio da transcrição da Fonte 1, o professor deve inicialmente perguntar aos alunos se eles sabem o que poderia ser este documento, e o que significava no período, acompanhando da leitura da legenda. A Lei do Ventre Livre foi uma das leis abolicionistas que considerava livre os filhos de escravos nascidos a partir de 1871, data da lei.

Descrição da fonte:

O documento trata-se de um registro em cartório dos escravos pertencentes a um senhor, contendo nome, cor, idade, filiação e profissão.
É datado de 1883, e é uma fonte importante para pensar sobre a legalidade do tratamento de pessoas como mercadorias. Ainda aqueles nascidos após a Lei do Ventre Livre permaneciam em situação de escravidão, pois os pais ainda eram escravizados e não tinham para onde ir.

Transcrição da Fonte 1:

https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/WHwnNdhYGvTc4e5T4jmeQ6SXKfk5YVYrKXapapdZqV85vGycr7fRjt83szNn/his7-14un01-transcricao-da-fonte-1.pdf

Adequando ao Contexto:

Caso não seja possível projetar a fonte aos alunos, o professor pode levar um documento de registro de nascimento ou pedir para que os alunos levem de casa e trabalhar junto com eles a questão de ser propriedade ou não de alguém, já que perante a lei até os 18 anos o indivíduo está sob a responsabilidade dos pais. É preciso pois diferenciar estar sob responsabilidade e ser propriedade.

Fonte:

PRIORE, Mary Del. Documentos do Brasil. 1 ed. São Paulo: Panda Books, 2016.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

Descrição da fonte:

A Fonte 2, de cunho mais científico e acadêmico, reafirma a ideia de que a escravidão na África não tinha viés estritamente comercial ou lucrativo, já que a escravidão era por guerras, dívidas, e até mesmo sobrevivência, além de não ser um estado eterno, muitos eram libertos após pagar as dívidas ou conseguir viver de forma independente. A fonte é um trecho do livro África e Brasil africano, em que a autora, Marina de Mello e Souza (2012), aborda desde questões econômicas e políticas até culturais e sociais, relacionando a História da África à História do Brasil.

É importante que os estudantes percebam que a escravidão na África não ocorria somente com fins comerciais, e não era um mercado tão lucrativo quanto se tornou quando os portugueses passaram a comercializar a mão de obra africana. A maior diferença se dá, então, quando as guerras internas e as disputas passam a ser uma forma de aliança com estrangeiros, no caso os portugueses, para entregar inimigos e vendê-los como mercadorias.

Fonte:

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. 3 ed. São Paulo: Ática, 2012.

Adequando ao Contexto:

Caso não possa ser projetado aos alunos, o docente pode escrever no quadro.

Para você saber mais:

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. 3 ed. São Paulo: Ática, 2012.

THORNTON, J. A escravidão e a estrutura social na África. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p.122-152.

THORNTON, J. O processo de escravidão e o comércio de escravos. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p. 153-185.

Problematização select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

A Fonte 1 vem justamente para apresentar a ideia da escravidão associada ao tratamento de pessoas como mercadorias, o que também acontecia nos anúncios de compra e venda presentes nos jornais do período, além das lojas em que os preços colocados sobre as pessoas dependiam da qualidade dos dentes, das pernas, da idade, entre outros fatores. Desta forma, o sentido do documento é mostrar como a escravidão acontecia de acordo com a lei, e que não havia problema nenhum que um senhor obtivesse o número que pudesse de escravizados, pois estava de acordo com a lei. Elementos como os números de cada um, o pertencimento a um senhor, a cor, remetem a uma classificação destas pessoas, ou seja, as identificam como mercadorias.

Também é importante levá-los à reflexão de que a escravidão não aconteceu em todos os lugares da mesma forma, e que houve outras formas anteriores ao período colonial, como a escravidão interna na África e a escravidão em Roma, e em outros lugares em que a prática era comum.
Por isso, ao explorar a Fonte 2 o professor deve deixar claro aos alunos como funcionava a escravidão na África, que não se assemelhava à escravidão no Brasil e em outros domínios coloniais porque não tinha o fim de gerar lucros.

É importante fazer com que os alunos reflitam e exponham suas opiniões, principalmente no que tange à pergunta sobre a vida dos adolescentes descritos no documento; com a intervenção do professor, posteriormente, o mesmo deve deixar claro que o conceito de adolescência ainda não existia nos moldes que se conhece hoje, mas, sim, que estes adolescentes já eram pequenos adultos e trabalhavam nas mesmas condições que seus pais e familiares mais velhos. Ou seja, as pessoas descritas eram tratadas como mercadorias, pois esta era a lógica comercial que a escravidão tinha no período. Mas é importante que os alunos saibam que não foi sempre assim, e que ano decorrer da aula fique claro que o conceito adquire múltiplas definições de acordo com o período em que é colocado.

Com base nas fontes levantadas, o professor deve guiar os alunos a entender pela análise das fontes como era o processo de escravidão na África, e a partir de que momento passou a ser lucrativo para os portugueses. É preciso lembrá-los que antes de 1530, quando saiu a primeira expedição que trazia africanos escravizados para o Brasil, já existiam exportações para alguns lugares da Europa, mas não em um ciclo tão contínuo como foi no Atlântico. Tornou-se lucrativo, pois, em vez de exportar somente objetos preciosos e mercadorias, passaram a transportar mão de obra para que girasse ainda mais a economia na América Portuguesa, à base da mão de obra escrava, e já não mais somente indígena.

Sistematização select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 19 minutos.

Orientações:

Entendendo que a Sistematização deve ser o momento em que os alunos agregam tudo o que foi aprendido por meio das fontes e criam algo com base em sua própria análise. Neste momento, espera-se que os alunos tenham condições de criar um diálogo sobre como acontecia o processo de escravidão na África e quais são as principais diferenças com o que eles conhecem sobre a escravidão no Brasil. Compartilhar posteriormente com a turma é essencial, pois permite que aqueles que não entenderam, ou ficaram confusos, aprendam com a experiência dos colegas e com a mediação do docente.

Resumo da aula

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Este slide em específico não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você possa se planejar.

Este plano está previsto para ser realizado em uma aula de 50 minutos. Serão abordados aspectos que fazem parte do trabalho com a habilidade EF07HI14, de História, que consta na BNCC. Como a habilidade deve ser desenvolvida ao longo de todo o ano, você observará que ela não será contemplada em sua totalidade aqui e que as propostas podem ter continuidade em aulas subsequentes.

Materiais necessários: Caderno, quadro, giz, caneta.

Material complementar:

Transcrição da fonte 1: https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/WHwnNdhYGvTc4e5T4jmeQ6SXKfk5YVYrKXapapdZqV85vGycr7fRjt83szNn/his7-14un01-transcricao-da-fonte-1.pdf

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História, e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. 3 ed. São Paulo: Ática, 2012.

THORNTON, J. A escravidão e a estrutura social na África. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p.122-152.

THORNTON, J. O processo de escravidão e o comércio de escravos. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p. 153-185.

Sobre Aqualtune:

MARTINS, Vinicius. Rainha e guerreira, Aqualtune é um dos principais nome da resistência afro-brasileira contra a escravidão e o racismo. Alma Preta, 21 de julho de 2017. Disponível em: <https://www.almapreta.com/editorias/realidade/aqualtune-a-luz-de-palmares>. Acesso em: 23 jan. 19.

Sobre outras mulheres negras escravizadas que lutaram contra a escravidão:

GONÇALVES, Patrícia. 17 mulheres negras brasileiras que lutaram contra escravidão. Catraca Livre, 20 de agosto de 2018. Disponível em: <https://catracalivre.com.br/cidadania/17-mulheres-negras-brasileiras-que-lutaram-contra-escravidao/>. Acesso em: 23 jan. 19.

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 3 minutos.

Orientações:

Inicialmente, a sala deve estar em duplas ou trios.

Entender a escravidão em seus diferentes contextos históricos é um desafio para a historiografia, mas leva a uma melhor compreensão dos processos que levaram este conceito a ser associado ao comércio e à lucratividade. Portanto, é importante deixar claro aos alunos que não se pode pensar em escravidão somente ligada ao tráfico e ao mercado instituído na América Portuguesa, pois houve outras formas de escravidão, principalmente na África, continente no qual esta aula dará enfoque. Durante toda a aula o professor deve evitar o termo “escravos”, pois, de acordo com Munanga (2010, s.p), “O homem nasce livre até que alguém o escravize [...]. O correto é “escravizado” e não “escravo”.

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História, e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

MUNANGA, Kabengele. Trecho de entrevista publicada online. Nova legislação e política de cotas desencadeariam ascensão econômica e inclusão dos negros, diz professor. Pambazuka News, mar. 2010. Disponível em: <https://www.pambazuka.org/pt/security-icts/nova-legisla%C3%A7%C3%A3o-e-pol%C3%ADtica-de-cotas-desencadeariam-ascens%C3%A3o-econ%C3%B4mica-e-inclus%C3%A3o-dos>. Acesso em: 24 jan. 19.

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 8 minutos.

O tempo sugerido refere-se a este slide e ao subsequente.

Orientações:

Para apresentar a temática aos alunos, é preciso que os mesmos tenham a possibilidade de compreender que houve outra forma de escravização que não voltada exclusivamente para os lucros comerciais e com fins econômicos. Para isso, a fonte em questão (descrita abaixo de forma mais detalhada) apresenta a história de Aqualtune e como até pessoas de prestígio na África poderiam se tornar escravizadas e ser tiradas de seu país de origem. Destaca-se que a escravidão na África não era um estado eterno, e que não era motivada somente por fins econômicos ou comerciais, mas sim como forma de aprisionamento de inimigos derrotados nas guerras, sobrevivência a períodos de escassez de alimentos, entre outras situações.

Descrição da fonte:

A fonte em questão é um cordel, escrito pela poetisa Jarid Arraes, em 2014. A autora, nascida em Juazeiro do Norte, é conhecida por escrever história sobre mulheres, e principalmente sobre mulheres negras, e tem mais de 60 títulos publicados, até o momento, em literatura de cordel. Destaca-se no cordel a narrativa da história de Aqualtune, princesa africana que foi escravizada e trazida para o Brasil. O cordel também aborda como funcionava o sistema de escravidão na África, em que reinos rivais entravam em conflito e os perdedores da guerra tornavam-se escravos dos vencedores. Porém, na África a escravidão não era um estado ad eternum, mas sim temporário (o que também se apresenta na Fonte 3). A autora destaca mais no final do cordel - que não aparece para os alunos, mas que pode ser comentado com eles - como a história foi silenciada, e como pesquisar e saber sobre histórias de mulheres negras fortes pode empoderar outras mulheres e criar novas identidades. A fonte completa está disponível no link da fonte.

Adequando ao Contexto:

Caso não possa ser projetado aos alunos, o docente pode escrever no quadro.

Fonte:

ARRAES, Jarid. Aqualtune: princesa no Congo, mas escrava no Brasil. Revista Fórum, 29 de janeiro de 2016. Disponível em: <https://www.revistaforum.com.br/aqualtune-princesa-congo-mas-escrava-brasil/>. Acesso em: 23 jan. 19.

Para você saber mais:

Sobre Aqualtune:

MARTINS, Vinicius. Rainha e guerreira, Aqualtune é um dos principais nomes da resistência afro-brasileira contra a escravidão e o racismo. Alma Preta, 21 de julho de 2017. Disponível em: <https://www.almapreta.com/editorias/realidade/aqualtune-a-luz-de-palmares>. Acesso em: 23 jan. 19.

Sobre outras mulheres negras escravizadas que lutaram contra a escravidão:

GONÇALVES, Patrícia. 17 mulheres negras brasileiras que lutaram contra escravidão. Catraca Livre, 20 de agosto de 2018. Disponível em: <https://catracalivre.com.br/cidadania/17-mulheres-negras-brasileiras-que-lutaram-contra-escravidao/>. Acesso em: 23 jan. 19.

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História, e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

Slide Plano Aula

Orientações:

Apresentada e lida a fonte aos alunos, o professor deve direcionar as perguntas realizadas no slide, que se encaminham para o entendimento de que existiram outras formas de escravidão, e que mesmo princesas de lugares importantes, como o Congo, também foram escravizadas. Se possível, o professor também pode citar outros exemplos, como o de Chico Rei, que segundo conta a tradição oral teria sido um monarca africano, que chegou ao Brasil em 1740, e que, depois de comprar sua alforria, se tornou muito respeitado e estimado em Ouro Preto - MG. Ainda, deve-se ressaltar a história de Aqualtune pelo fato de a mesma ter terminado seus dias em um quilombo, ou seja, buscou formas de escapar da escravidão e de ajudar seu povo a lutar. Aqualtune foi a avó de Zumbi dos Palmares, também reconhecido pela resistência à escravidão.

Para você saber mais:

Escravidão: O conceito de escravidão precisa necessariamente estar ligado à sua historicidade, pois houve diferentes formas de escravidão durante a História e diferentes abordagens. O que pode ser definido como escravidão, ainda que de forma simplista, é a exploração de determinados indivíduos devido a uma condição de subordinação a outros indivíduos ou grupos considerados socialmente superiores.

TANAKA, Beátrice. A história de Chico Rei. São Paulo: SM, 2010.*

*O guia de leitura do livro para professores é disponibilizado pela editora. Disponível em: <http://www.smbrasil.com.br/download/?p=/sm_resources_center/cms/88bc539904225a5ed36bdfc7b687f9a6.pdf>. Acesso em: 27 jan. 19.

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 20 minutos.

O tempo sugerido refere-se a este slide e aos dois subsequentes.

Orientações:

Serão apresentadas duas fontes e no final realizadas perguntas com os alunos a fim de relacioná-las e refletir sobre a temática abordada. Com o apoio da transcrição da Fonte 1, o professor deve inicialmente perguntar aos alunos se eles sabem o que poderia ser este documento, e o que significava no período, acompanhando da leitura da legenda. A Lei do Ventre Livre foi uma das leis abolicionistas que considerava livre os filhos de escravos nascidos a partir de 1871, data da lei.

Descrição da fonte:

O documento trata-se de um registro em cartório dos escravos pertencentes a um senhor, contendo nome, cor, idade, filiação e profissão.
É datado de 1883, e é uma fonte importante para pensar sobre a legalidade do tratamento de pessoas como mercadorias. Ainda aqueles nascidos após a Lei do Ventre Livre permaneciam em situação de escravidão, pois os pais ainda eram escravizados e não tinham para onde ir.

Transcrição da Fonte 1:

https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/WHwnNdhYGvTc4e5T4jmeQ6SXKfk5YVYrKXapapdZqV85vGycr7fRjt83szNn/his7-14un01-transcricao-da-fonte-1.pdf

Adequando ao Contexto:

Caso não seja possível projetar a fonte aos alunos, o professor pode levar um documento de registro de nascimento ou pedir para que os alunos levem de casa e trabalhar junto com eles a questão de ser propriedade ou não de alguém, já que perante a lei até os 18 anos o indivíduo está sob a responsabilidade dos pais. É preciso pois diferenciar estar sob responsabilidade e ser propriedade.

Fonte:

PRIORE, Mary Del. Documentos do Brasil. 1 ed. São Paulo: Panda Books, 2016.

Slide Plano Aula

Orientações:

Descrição da fonte:

A Fonte 2, de cunho mais científico e acadêmico, reafirma a ideia de que a escravidão na África não tinha viés estritamente comercial ou lucrativo, já que a escravidão era por guerras, dívidas, e até mesmo sobrevivência, além de não ser um estado eterno, muitos eram libertos após pagar as dívidas ou conseguir viver de forma independente. A fonte é um trecho do livro África e Brasil africano, em que a autora, Marina de Mello e Souza (2012), aborda desde questões econômicas e políticas até culturais e sociais, relacionando a História da África à História do Brasil.

É importante que os estudantes percebam que a escravidão na África não ocorria somente com fins comerciais, e não era um mercado tão lucrativo quanto se tornou quando os portugueses passaram a comercializar a mão de obra africana. A maior diferença se dá, então, quando as guerras internas e as disputas passam a ser uma forma de aliança com estrangeiros, no caso os portugueses, para entregar inimigos e vendê-los como mercadorias.

Fonte:

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. 3 ed. São Paulo: Ática, 2012.

Adequando ao Contexto:

Caso não possa ser projetado aos alunos, o docente pode escrever no quadro.

Para você saber mais:

SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. 3 ed. São Paulo: Ática, 2012.

THORNTON, J. A escravidão e a estrutura social na África. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p.122-152.

THORNTON, J. O processo de escravidão e o comércio de escravos. In: ______. África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Rio de Janeiro: Ed. Elsevier, 2004, p. 153-185.

Slide Plano Aula

Orientações:

A Fonte 1 vem justamente para apresentar a ideia da escravidão associada ao tratamento de pessoas como mercadorias, o que também acontecia nos anúncios de compra e venda presentes nos jornais do período, além das lojas em que os preços colocados sobre as pessoas dependiam da qualidade dos dentes, das pernas, da idade, entre outros fatores. Desta forma, o sentido do documento é mostrar como a escravidão acontecia de acordo com a lei, e que não havia problema nenhum que um senhor obtivesse o número que pudesse de escravizados, pois estava de acordo com a lei. Elementos como os números de cada um, o pertencimento a um senhor, a cor, remetem a uma classificação destas pessoas, ou seja, as identificam como mercadorias.

Também é importante levá-los à reflexão de que a escravidão não aconteceu em todos os lugares da mesma forma, e que houve outras formas anteriores ao período colonial, como a escravidão interna na África e a escravidão em Roma, e em outros lugares em que a prática era comum.
Por isso, ao explorar a Fonte 2 o professor deve deixar claro aos alunos como funcionava a escravidão na África, que não se assemelhava à escravidão no Brasil e em outros domínios coloniais porque não tinha o fim de gerar lucros.

É importante fazer com que os alunos reflitam e exponham suas opiniões, principalmente no que tange à pergunta sobre a vida dos adolescentes descritos no documento; com a intervenção do professor, posteriormente, o mesmo deve deixar claro que o conceito de adolescência ainda não existia nos moldes que se conhece hoje, mas, sim, que estes adolescentes já eram pequenos adultos e trabalhavam nas mesmas condições que seus pais e familiares mais velhos. Ou seja, as pessoas descritas eram tratadas como mercadorias, pois esta era a lógica comercial que a escravidão tinha no período. Mas é importante que os alunos saibam que não foi sempre assim, e que ano decorrer da aula fique claro que o conceito adquire múltiplas definições de acordo com o período em que é colocado.

Com base nas fontes levantadas, o professor deve guiar os alunos a entender pela análise das fontes como era o processo de escravidão na África, e a partir de que momento passou a ser lucrativo para os portugueses. É preciso lembrá-los que antes de 1530, quando saiu a primeira expedição que trazia africanos escravizados para o Brasil, já existiam exportações para alguns lugares da Europa, mas não em um ciclo tão contínuo como foi no Atlântico. Tornou-se lucrativo, pois, em vez de exportar somente objetos preciosos e mercadorias, passaram a transportar mão de obra para que girasse ainda mais a economia na América Portuguesa, à base da mão de obra escrava, e já não mais somente indígena.

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Tempo sugerido: 19 minutos.

Orientações:

Entendendo que a Sistematização deve ser o momento em que os alunos agregam tudo o que foi aprendido por meio das fontes e criam algo com base em sua própria análise. Neste momento, espera-se que os alunos tenham condições de criar um diálogo sobre como acontecia o processo de escravidão na África e quais são as principais diferenças com o que eles conhecem sobre a escravidão no Brasil. Compartilhar posteriormente com a turma é essencial, pois permite que aqueles que não entenderam, ou ficaram confusos, aprendam com a experiência dos colegas e com a mediação do docente.

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