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Plano de aula > Língua Portuguesa > 6º ano > Análise linguística/Semiótica

Plano de aula - Variedades linguísticas e textos dramáticos

Plano de aula de Língua Portuguesa com atividades para 6º ano do EF sobre Variedades linguísticas e textos dramáticos

Plano 07 de 15 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Francisca Patrícia Pompeu Brasil

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Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é a sétima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero texto dramático e no campo de atuação artístico literário. A aula faz parte do módulo de análise linguística e semiótica.

Materiais necessários:

  • Data show
  • Fotocópias dos textos
  • Folhas em branco

Informações sobre o gênero: O texto dramático, diferente de outros textos narrativos, é feito para ser encenado. Dessa forma, não é necessária a presença de um narrador. Divide-se em atos e cenas e apresenta, como procedimentos narrativos: as falas, que podem ser diálogos, monólogos e apartes; os personagens e as rubricas - indicações cênicas que auxiliam a representação. O enredo apresentado, geralmente, segue uma sequência linear: situação inicial, conflito, clímax e desfecho. São subgêneros do texto dramático: o auto, a comédia, a tragédia, a tragicomédia e a farsa.

Dificuldades antecipadas: Os alunos poderão ter dificuldade de identificar a expressividade de algumas palavras e expressões não familiares, porque a variedade linguística expressa pode ser distante das variedades conhecidas pelos alunos.

Referências sobre o assunto:

BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! Em defesa do Português Brasileiro. Blog Parábola Editorial, 6 jun 2016. Disponível em https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/nao-e-errado-falar-assim-em-defesa-do-portugues-brasileiro. Acesso em 5 dez 2018.

BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico – o que é, como se faz. 15 ed. Loyola: São Paulo, 2002.

DIANA, Daniela. Gênero Dramático. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/genero-dramatico/ acesso em 03/12/2018 às 08h53min.

DIANA, Daniela. Texto teatral. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/texto-teatral/ acesso em 29/11/2018 às 08h59min.

Tema da aula select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 5 minutos

Orientações:

  • Mostre o slide aos alunos e instigue-os a pensar no que significa isso. Diversas possibilidades podem surgir, do tipo: formas erradas e certas de escrever “você”; a evolução do “você”, dentre outras.
  • Explique que o diagrama mostra as mudanças que a forma de tratamento “você” vem passando ao longo dos séculos. “Vossa Mercê” era como as pessoas se tratavam lá em Portugal, no século XV, de onde vem nossa Língua Portuguesa. Quando os portugueses chegaram aqui, trouxeram a língua deles. Com o tempo, ela foi mudando, outros povos vieram para o Brasil e nosso país começou a se formar e a estabelecer o Português Brasileiro. Hoje, em diversas partes do país, as pessoas falam “cê” e escrevem “vc” nas mensagens de celular. Há regiões em que as pessoas se tratam por “tu”, e isso faz parte da Língua: a língua muda historicamente e também de um lugar para outro, de uma região a outra, de uma classe social para outra. É isso que vamos estudar nesta aula e como essas mudanças (que chamamos de “Variação Linguística”) aparecem em textos dramáticos. Aproveite para dizer que não é apenas no Brasil e em Portugal que se fala português: ele é falado também em vários países da África, tais como Moçambique, Cabo Verde e Angola.
  • Pergunte aos alunos se eles conhecem alguém de outra região do Estado ou mesmo do país. Pergunte se eles perceberam que essas pessoas falam diferente deles, e quais seriam essas diferenças. Espera-se que os alunos digam que têm parentes, conhecem ou já foram para outras regiões do país e perceberam as diferenças. É interessante este momento, pois sempre surgem expressões e falares novos, explore estes falares e mostre como a língua portuguesa é rica e como essa diversidade faz da nossa língua um patrimônio cultural importantíssimo. Caso algum aluno diga que “em tal região, eles falam errado”, aproveite para dizer que é também sobre Preconceito Linguístico que vamos tratar nesta aula.

Introdução select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 10 min.

Orientações:

  • Explique aos alunos que, nesta aula, eles terão como principal objetivo desenvolver a capacidade de perceber diferenças nos falares dos personagens, além de entender que essas diversidades se devem a vários elementos, como: região onde vive o personagem, época, classe social, nível de escolaridade etc., e como essas diferenças provocam, muitas vezes, o que chamamos de Preconceito Linguístico. O texto dramático traz marcas desses diferentes falares, e cabe ao ator, ao emprestar sua voz ao personagem, prestar atenção na forma do personagem falar e todos os aspectos que envolvem a Variação Linguística para conseguir desempenhar bem seu papel.
  • Explique que, para esta aula, irão ler trechos de textos dramáticos e também ver suas adaptações para cinema e minissérie, porém, o objetivo desta aula não será focar em comparar as duas versões, e sim, prestar atenção nos modos de falar dos personagens.
  • Peça para que os alunos organizem-se em duplas, pois a atividade que irão desenvolver requer troca de ideias.
  • Apresente-os aos autores, aos textos e às obras com as quais irão trabalhar trazendo algumas informações importantes para contextualizar, conforme disponibilizamos aqui.

Desenvolvimento select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 25 minutos

Orientações:

  • Peça para que os alunos leiam silenciosamente os trechos das obras “Auto da Compadecida” e “O Pagador de Promessas”.
  • Solicite que prestem atenção nos personagens e em suas formas de falar e que tentem perceber, no texto escrito, diferenças no jeito de falar entre os personagens e na forma como se tratam. Também podem apontar diferenças entre os falares dos personagens e suas próprias formas de expressão (dos alunos).
  • Acesse aqui os trechos de textos dramáticos.
  • Caso julgue pertinente e disponha de mais tempo para esta aula, seria interessante que os alunos lessem em voz alta os trechos, buscando que cada um assuma um personagem. Ao ler em voz alta os trechos, é mais fácil perceber as marcas das variedades linguísticas que os autores atribuíram aos personagens.

Desenvolvimento select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

  • Peça aos alunos que prestem muita atenção aos trechos que vamos ver. São versões baseadas nos textos dramáticos consagrados da literatura brasileira (trechos que acabaram de ler).
  • Solicite que leiam atentamente as questões e vão fazendo anotações durante a projeção dos vídeos. Oriente que os alunos prestem bem atenção na forma como os personagens falam e se expressam. Caso julgue necessário, dirija um pouco mais o que devem observar: o jeito deles, se são alegres, sérios, mal humorados, se têm sotaque, se são agitados, calmos, se falam baixo ou alto, se falam gírias ou expressões populares, qual seria sua idade, como são suas roupas, se usam acessórios, como é a postura, o olhar, os gestos, a aparência física etc.

Material complementar

Encontre as sugestões de respostas para essa atividade aqui.

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Slide Plano Aula

Orientações:

  • Assista com seus alunos o trecho do Julgamento de João Grilo, no link indicado abaixo, a partir do minuto 2:08:10 até 2:12:07, já no final do filme. Link: https://www.youtube.com/watch?v=9ki3Ohz8WUk
  • Em seguida, assista ao trecho da minissérie, no momento em que Zé do Burro chega na Igreja, em Salvador. Assista do início até o minuto 6:00. Link: https://www.youtube.com/watch?v=VATKHWvfVDo
  • Dê um tempo (aproximadamente 5 min.) para que os alunos terminem de fazer suas anotações referentes às questões colocadas.
  • Após este tempo, peça para alguns alunos socializarem o que anotaram. É possível que, ao socializarem suas respostas, digam que há diferenças no texto escrito (trecho que leram) e na representação. O texto é muito parecido, mas na hora da representação, os personagens realmente ganham vida, voz, movimento, figurino, corpo, e isso faz com que a questão do jeito do personagem e das formas de falar fiquem mais evidentes. Coloque que este é o movimento do teatro: a partir de um texto, o ator vai criar seu personagem, baseado nas pistas que o texto dá, mas também nas orientações do diretor e em sua própria experiência de ator.

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Slide Plano Aula

Orientações:

  • Agora, faça a pergunta do slide, mas desta vez oriente-os a responder oralmente, embasados no que perceberam nos vídeos já analisados. Deixe os alunos falarem à vontade. Seja o moderador das falas e organize o tempo para que a atividade não se estenda muito. Quando necessário, auxilie os alunos para que consigam expor adequadamente suas opiniões e respeitar as opiniões diferentes. É esperado que os alunos digam que João Grilo e Zé do Burro falam “errado”, e a Compadecida, o Encourado e o Padre falam “certo”. Na segunda pergunta, é esperado que fiquem em dúvida e se contradigam, pois é uma provocação. Espera-se que digam que o certo é falar com todos os “r” e “s”, não trocar o “e” pelo “i”, não cortar letras, não falar gírias. Na última pergunta, é esperado que digam que, em nossa sociedade, as pessoas que estudam mais falam mais certo, e as que não estudam, falam errado.
  • Provoque os alunos para que percebam que, nos trechos vistos, há conflitos sociais estabelecidos: o Encourado (Diabo) acusa João Grilo, em uma linguagem de advogado, toda cheia de palavras complicadas, de diversos crimes. João Grilo busca, através de um versinho em linguagem popular, a ajuda da Compadecida. João fala de um jeito típico do Nordeste, e usa diversas expressões populares. A Compadecida também usa uma linguagem mais elaborada. Quais as posições sociais desses personagens? Quem são as autoridades ali? Espera-se que os alunos percebam que o Encourado, Jesus e a Compadecida são as autoridades nesta situação, e João Grilo é um representante do povo pobre do Nordeste, com suas roupas simples, seu jeito humilde, seu sotaque e expressões populares. Já em “O Pagador de Promessas”, vemos o padre tratar Zé do Burro com arrogância, olhando-o sempre de cima, desconfiando de suas intenções e de sua fé. Zé do Burro é um homem simples, da roça, do interior da Bahia, com seu falar cheio da cadência própria do baiano e com expressões populares. O padre usa uma linguagem mais rebuscada, usa todos os plurais, já Zé não. Zé é o representante do povo, e o Padre é o representante da elite e autoridade na cidade.
  • Leve-os a pensar que o que é considerado “certo” pelo senso comum é justamente o jeito de falar da elite, e o que é considerado “errado” é o jeito de falar do povo mais pobre, que não teve acesso aos estudos e aos livros. Chamamos isso de “Preconceito Linguístico”, ou seja: não há falares certos e errados, e sim, diferentes. O fato de alguém dizer que um jeito de falar é “errado” tem a ver com esse preconceito, e não com comprovação científica da Linguística, que estuda os fenômenos da Língua e afirma que não há falares melhores ou piores, há Variação Linguística. Uma das Variações é essa que vimos nos vídeos, a Regional: o jeito de falar do Paraibano e do Baiano e o jeito de falar mais prestigiado da elite paulista (Compadecida, Encourado). Outra variedade que temos é a Social, também representada nos vídeos: o Padre é da elite baiana, Zé do Burro é do povo. Todas essas informações precisam ser passadas ao ator através do texto dramático, para que ele possa compor o personagem, desde a postura, até o jeito de olhar, o tom de voz, os gestos, os trejeitos. Verifique se os alunos também observaram essas questões nos vídeos.
  • Conduza-os a uma reflexão: quais as consequências do Preconceito Linguístico? Se uma pessoa é considerada “errada” pelo jeito que ela fala, quais serão as consequências disso? Espera-se que os alunos façam a reflexão de que provavelmente essa pessoa vai ser excluída, vai ficar mais calada, não vai querer se expressar. Então, leva a uma exclusão social, só quem tem voz são aqueles que falam “bem” (norma culta imposta), quem não fala, acaba silenciado e tem seus direitos e necessidades menos valorizados.
  • No dizer de Marcos Bagno, “O reconhecimento da existência de muitas normas linguísticas diferentes é fundamental para que o ensino em nossas escolas seja consequente com o fato comprovado de que a norma linguística ensinada em sala de aula é, em muitas situações, uma verdadeira ‘língua estrangeira’ para o aluno que chega à escola proveniente de ambientes sociais onde a norma linguística empregada no quotidiano é uma variedade de português não padrão.” (BAGNO, 2002)

Desenvolvimento select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

  • Apresente aos alunos o conceito de “Norma padrão”. O conceito é um trecho da entrevista do renomado professor e linguista da UNB Marcos Bagno.
  • Converse com os alunos sobre a citação, colocando que sempre se dá muito mais valor à palavra escrita, especialmente de grandes escritores já consagrados, do que à palavra dita. O que se estuda hoje, na Linguística, é que existem diversas formas de falar e isso não é certo nem errado, só mostra a diversidade de um povo em suas formas de se expressar. O texto dramático tenta, muitas vezes, reproduzir os diferentes falares do povo na língua escrita, pois o objetivo do texto dramático é, justamente, orientar a fala dos atores, e essa fala tem que ser convincente, o ator precisa “viver” o personagem: se ele é um personagem do povo, simples, sem estudo, não pode falar todo cheio de palavras complicadas e fazendo todos os plurais e concordâncias, pois não vai convencer ninguém.

Materiais complementares:

BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! Em defesa do Português Brasileiro. Blog Parábola Editorial, 6 jun 2016. Disponível em https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/nao-e-errado-falar-assim-em-defesa-do-portugues-brasileiro. Acesso em 5 dez 2018.

Fechamento select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 10 minutos

Orientações:

  • Apresente o último slide para os alunos e peça que lhe digam, oralmente, como completariam as sentenças de acordo com o que foi estudado na aula.
  • Anote as observações mais pertinentes, completando no próprio slide (caso tenha este recurso) ou escrevendo em um cartaz à parte, ou mesmo no quadro-negro.

Respostas possíveis/desejáveis:

Variedade Linguística é o nome que se dá para os diferentes falares de um povo. (Este é um bom momento para trazer algumas definições mais conceituais: diga que há Variações de, no mínimo, 3 naturezas: Regional, Sociocultural e Histórica. Aquele exercício feito no início da aula, de pensar sobre o Vossa Mercê e o Você, é um exemplo de Variação Histórica. Os falares regionais do baiano Zé do Burro e do Pernambucano João Grilo são exemplos de Variação Regional. Já as formas de falar do Padre em relação ao Zé do Burro e da Compadecida em relação a João Grilo mostra a Variedade Sociocultural.

Preconceito linguístico é quando uma pessoa é discriminada pelo seu jeito de falar.)

A tarefa do ator é dar vida aos personagens, por isso, o texto dramático precisa trazer orientações sobre como o personagem fala e se expressa, de que região ele é, qual é sua classe social, como ele se mexe, como é o humor, a personalidade e o jeito desse personagem.

Resumo da aula

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Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é a sétima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero texto dramático e no campo de atuação artístico literário. A aula faz parte do módulo de análise linguística e semiótica.

Materiais necessários:

  • Data show
  • Fotocópias dos textos
  • Folhas em branco

Informações sobre o gênero: O texto dramático, diferente de outros textos narrativos, é feito para ser encenado. Dessa forma, não é necessária a presença de um narrador. Divide-se em atos e cenas e apresenta, como procedimentos narrativos: as falas, que podem ser diálogos, monólogos e apartes; os personagens e as rubricas - indicações cênicas que auxiliam a representação. O enredo apresentado, geralmente, segue uma sequência linear: situação inicial, conflito, clímax e desfecho. São subgêneros do texto dramático: o auto, a comédia, a tragédia, a tragicomédia e a farsa.

Dificuldades antecipadas: Os alunos poderão ter dificuldade de identificar a expressividade de algumas palavras e expressões não familiares, porque a variedade linguística expressa pode ser distante das variedades conhecidas pelos alunos.

Referências sobre o assunto:

BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! Em defesa do Português Brasileiro. Blog Parábola Editorial, 6 jun 2016. Disponível em https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/nao-e-errado-falar-assim-em-defesa-do-portugues-brasileiro. Acesso em 5 dez 2018.

BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico – o que é, como se faz. 15 ed. Loyola: São Paulo, 2002.

DIANA, Daniela. Gênero Dramático. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/genero-dramatico/ acesso em 03/12/2018 às 08h53min.

DIANA, Daniela. Texto teatral. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/texto-teatral/ acesso em 29/11/2018 às 08h59min.

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 5 minutos

Orientações:

  • Mostre o slide aos alunos e instigue-os a pensar no que significa isso. Diversas possibilidades podem surgir, do tipo: formas erradas e certas de escrever “você”; a evolução do “você”, dentre outras.
  • Explique que o diagrama mostra as mudanças que a forma de tratamento “você” vem passando ao longo dos séculos. “Vossa Mercê” era como as pessoas se tratavam lá em Portugal, no século XV, de onde vem nossa Língua Portuguesa. Quando os portugueses chegaram aqui, trouxeram a língua deles. Com o tempo, ela foi mudando, outros povos vieram para o Brasil e nosso país começou a se formar e a estabelecer o Português Brasileiro. Hoje, em diversas partes do país, as pessoas falam “cê” e escrevem “vc” nas mensagens de celular. Há regiões em que as pessoas se tratam por “tu”, e isso faz parte da Língua: a língua muda historicamente e também de um lugar para outro, de uma região a outra, de uma classe social para outra. É isso que vamos estudar nesta aula e como essas mudanças (que chamamos de “Variação Linguística”) aparecem em textos dramáticos. Aproveite para dizer que não é apenas no Brasil e em Portugal que se fala português: ele é falado também em vários países da África, tais como Moçambique, Cabo Verde e Angola.
  • Pergunte aos alunos se eles conhecem alguém de outra região do Estado ou mesmo do país. Pergunte se eles perceberam que essas pessoas falam diferente deles, e quais seriam essas diferenças. Espera-se que os alunos digam que têm parentes, conhecem ou já foram para outras regiões do país e perceberam as diferenças. É interessante este momento, pois sempre surgem expressões e falares novos, explore estes falares e mostre como a língua portuguesa é rica e como essa diversidade faz da nossa língua um patrimônio cultural importantíssimo. Caso algum aluno diga que “em tal região, eles falam errado”, aproveite para dizer que é também sobre Preconceito Linguístico que vamos tratar nesta aula.

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Tempo sugerido: 10 min.

Orientações:

  • Explique aos alunos que, nesta aula, eles terão como principal objetivo desenvolver a capacidade de perceber diferenças nos falares dos personagens, além de entender que essas diversidades se devem a vários elementos, como: região onde vive o personagem, época, classe social, nível de escolaridade etc., e como essas diferenças provocam, muitas vezes, o que chamamos de Preconceito Linguístico. O texto dramático traz marcas desses diferentes falares, e cabe ao ator, ao emprestar sua voz ao personagem, prestar atenção na forma do personagem falar e todos os aspectos que envolvem a Variação Linguística para conseguir desempenhar bem seu papel.
  • Explique que, para esta aula, irão ler trechos de textos dramáticos e também ver suas adaptações para cinema e minissérie, porém, o objetivo desta aula não será focar em comparar as duas versões, e sim, prestar atenção nos modos de falar dos personagens.
  • Peça para que os alunos organizem-se em duplas, pois a atividade que irão desenvolver requer troca de ideias.
  • Apresente-os aos autores, aos textos e às obras com as quais irão trabalhar trazendo algumas informações importantes para contextualizar, conforme disponibilizamos aqui.

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Tempo sugerido: 25 minutos

Orientações:

  • Peça para que os alunos leiam silenciosamente os trechos das obras “Auto da Compadecida” e “O Pagador de Promessas”.
  • Solicite que prestem atenção nos personagens e em suas formas de falar e que tentem perceber, no texto escrito, diferenças no jeito de falar entre os personagens e na forma como se tratam. Também podem apontar diferenças entre os falares dos personagens e suas próprias formas de expressão (dos alunos).
  • Acesse aqui os trechos de textos dramáticos.
  • Caso julgue pertinente e disponha de mais tempo para esta aula, seria interessante que os alunos lessem em voz alta os trechos, buscando que cada um assuma um personagem. Ao ler em voz alta os trechos, é mais fácil perceber as marcas das variedades linguísticas que os autores atribuíram aos personagens.
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Orientações:

  • Peça aos alunos que prestem muita atenção aos trechos que vamos ver. São versões baseadas nos textos dramáticos consagrados da literatura brasileira (trechos que acabaram de ler).
  • Solicite que leiam atentamente as questões e vão fazendo anotações durante a projeção dos vídeos. Oriente que os alunos prestem bem atenção na forma como os personagens falam e se expressam. Caso julgue necessário, dirija um pouco mais o que devem observar: o jeito deles, se são alegres, sérios, mal humorados, se têm sotaque, se são agitados, calmos, se falam baixo ou alto, se falam gírias ou expressões populares, qual seria sua idade, como são suas roupas, se usam acessórios, como é a postura, o olhar, os gestos, a aparência física etc.

Material complementar

Encontre as sugestões de respostas para essa atividade aqui.

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Orientações:

  • Assista com seus alunos o trecho do Julgamento de João Grilo, no link indicado abaixo, a partir do minuto 2:08:10 até 2:12:07, já no final do filme. Link: https://www.youtube.com/watch?v=9ki3Ohz8WUk
  • Em seguida, assista ao trecho da minissérie, no momento em que Zé do Burro chega na Igreja, em Salvador. Assista do início até o minuto 6:00. Link: https://www.youtube.com/watch?v=VATKHWvfVDo
  • Dê um tempo (aproximadamente 5 min.) para que os alunos terminem de fazer suas anotações referentes às questões colocadas.
  • Após este tempo, peça para alguns alunos socializarem o que anotaram. É possível que, ao socializarem suas respostas, digam que há diferenças no texto escrito (trecho que leram) e na representação. O texto é muito parecido, mas na hora da representação, os personagens realmente ganham vida, voz, movimento, figurino, corpo, e isso faz com que a questão do jeito do personagem e das formas de falar fiquem mais evidentes. Coloque que este é o movimento do teatro: a partir de um texto, o ator vai criar seu personagem, baseado nas pistas que o texto dá, mas também nas orientações do diretor e em sua própria experiência de ator.

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Orientações:

  • Agora, faça a pergunta do slide, mas desta vez oriente-os a responder oralmente, embasados no que perceberam nos vídeos já analisados. Deixe os alunos falarem à vontade. Seja o moderador das falas e organize o tempo para que a atividade não se estenda muito. Quando necessário, auxilie os alunos para que consigam expor adequadamente suas opiniões e respeitar as opiniões diferentes. É esperado que os alunos digam que João Grilo e Zé do Burro falam “errado”, e a Compadecida, o Encourado e o Padre falam “certo”. Na segunda pergunta, é esperado que fiquem em dúvida e se contradigam, pois é uma provocação. Espera-se que digam que o certo é falar com todos os “r” e “s”, não trocar o “e” pelo “i”, não cortar letras, não falar gírias. Na última pergunta, é esperado que digam que, em nossa sociedade, as pessoas que estudam mais falam mais certo, e as que não estudam, falam errado.
  • Provoque os alunos para que percebam que, nos trechos vistos, há conflitos sociais estabelecidos: o Encourado (Diabo) acusa João Grilo, em uma linguagem de advogado, toda cheia de palavras complicadas, de diversos crimes. João Grilo busca, através de um versinho em linguagem popular, a ajuda da Compadecida. João fala de um jeito típico do Nordeste, e usa diversas expressões populares. A Compadecida também usa uma linguagem mais elaborada. Quais as posições sociais desses personagens? Quem são as autoridades ali? Espera-se que os alunos percebam que o Encourado, Jesus e a Compadecida são as autoridades nesta situação, e João Grilo é um representante do povo pobre do Nordeste, com suas roupas simples, seu jeito humilde, seu sotaque e expressões populares. Já em “O Pagador de Promessas”, vemos o padre tratar Zé do Burro com arrogância, olhando-o sempre de cima, desconfiando de suas intenções e de sua fé. Zé do Burro é um homem simples, da roça, do interior da Bahia, com seu falar cheio da cadência própria do baiano e com expressões populares. O padre usa uma linguagem mais rebuscada, usa todos os plurais, já Zé não. Zé é o representante do povo, e o Padre é o representante da elite e autoridade na cidade.
  • Leve-os a pensar que o que é considerado “certo” pelo senso comum é justamente o jeito de falar da elite, e o que é considerado “errado” é o jeito de falar do povo mais pobre, que não teve acesso aos estudos e aos livros. Chamamos isso de “Preconceito Linguístico”, ou seja: não há falares certos e errados, e sim, diferentes. O fato de alguém dizer que um jeito de falar é “errado” tem a ver com esse preconceito, e não com comprovação científica da Linguística, que estuda os fenômenos da Língua e afirma que não há falares melhores ou piores, há Variação Linguística. Uma das Variações é essa que vimos nos vídeos, a Regional: o jeito de falar do Paraibano e do Baiano e o jeito de falar mais prestigiado da elite paulista (Compadecida, Encourado). Outra variedade que temos é a Social, também representada nos vídeos: o Padre é da elite baiana, Zé do Burro é do povo. Todas essas informações precisam ser passadas ao ator através do texto dramático, para que ele possa compor o personagem, desde a postura, até o jeito de olhar, o tom de voz, os gestos, os trejeitos. Verifique se os alunos também observaram essas questões nos vídeos.
  • Conduza-os a uma reflexão: quais as consequências do Preconceito Linguístico? Se uma pessoa é considerada “errada” pelo jeito que ela fala, quais serão as consequências disso? Espera-se que os alunos façam a reflexão de que provavelmente essa pessoa vai ser excluída, vai ficar mais calada, não vai querer se expressar. Então, leva a uma exclusão social, só quem tem voz são aqueles que falam “bem” (norma culta imposta), quem não fala, acaba silenciado e tem seus direitos e necessidades menos valorizados.
  • No dizer de Marcos Bagno, “O reconhecimento da existência de muitas normas linguísticas diferentes é fundamental para que o ensino em nossas escolas seja consequente com o fato comprovado de que a norma linguística ensinada em sala de aula é, em muitas situações, uma verdadeira ‘língua estrangeira’ para o aluno que chega à escola proveniente de ambientes sociais onde a norma linguística empregada no quotidiano é uma variedade de português não padrão.” (BAGNO, 2002)

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Orientações:

  • Apresente aos alunos o conceito de “Norma padrão”. O conceito é um trecho da entrevista do renomado professor e linguista da UNB Marcos Bagno.
  • Converse com os alunos sobre a citação, colocando que sempre se dá muito mais valor à palavra escrita, especialmente de grandes escritores já consagrados, do que à palavra dita. O que se estuda hoje, na Linguística, é que existem diversas formas de falar e isso não é certo nem errado, só mostra a diversidade de um povo em suas formas de se expressar. O texto dramático tenta, muitas vezes, reproduzir os diferentes falares do povo na língua escrita, pois o objetivo do texto dramático é, justamente, orientar a fala dos atores, e essa fala tem que ser convincente, o ator precisa “viver” o personagem: se ele é um personagem do povo, simples, sem estudo, não pode falar todo cheio de palavras complicadas e fazendo todos os plurais e concordâncias, pois não vai convencer ninguém.

Materiais complementares:

BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! Em defesa do Português Brasileiro. Blog Parábola Editorial, 6 jun 2016. Disponível em https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/nao-e-errado-falar-assim-em-defesa-do-portugues-brasileiro. Acesso em 5 dez 2018.

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Tempo sugerido: 10 minutos

Orientações:

  • Apresente o último slide para os alunos e peça que lhe digam, oralmente, como completariam as sentenças de acordo com o que foi estudado na aula.
  • Anote as observações mais pertinentes, completando no próprio slide (caso tenha este recurso) ou escrevendo em um cartaz à parte, ou mesmo no quadro-negro.

Respostas possíveis/desejáveis:

Variedade Linguística é o nome que se dá para os diferentes falares de um povo. (Este é um bom momento para trazer algumas definições mais conceituais: diga que há Variações de, no mínimo, 3 naturezas: Regional, Sociocultural e Histórica. Aquele exercício feito no início da aula, de pensar sobre o Vossa Mercê e o Você, é um exemplo de Variação Histórica. Os falares regionais do baiano Zé do Burro e do Pernambucano João Grilo são exemplos de Variação Regional. Já as formas de falar do Padre em relação ao Zé do Burro e da Compadecida em relação a João Grilo mostra a Variedade Sociocultural.

Preconceito linguístico é quando uma pessoa é discriminada pelo seu jeito de falar.)

A tarefa do ator é dar vida aos personagens, por isso, o texto dramático precisa trazer orientações sobre como o personagem fala e se expressa, de que região ele é, qual é sua classe social, como ele se mexe, como é o humor, a personalidade e o jeito desse personagem.

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