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Plano de aula > Língua Portuguesa > 4º ano > Análise linguística/Semiótica

Plano de aula - Discurso direto ou indireto?

Plano de aula de Língua Portuguesa com atividades para 4º ano do EF sobre Discurso direto ou indireto?

Plano 07 de 15 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Andréia Cristina Berretta Martins

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Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: esta é sétima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero lendas indígenas e no campo de atuação artístico-literário. A aula faz parte do módulo de Análise Linguística/Semiótica.

Materiais necessários: Computador e projetor multimídia para passar os slides. Vídeo do autor Roni Waisiry. Culturas indígenas (2016). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rai2SfAAfzY.

Texto impresso: “Dois velhos surdos”. Livro “Contos da floresta” de Yaguarê Yamã (Caso não disponha do livro, utilize o material complementar para impressão aqui

Cola e papel cartão para fazer as cartas do jogo Encontre o par, jogo impresso para fazer as cartas aqui

Atividades impressas para desenvolver em duplas aqui

Informações sobre o gênero: Lendas indígenas são narrativas de tradição oral que falam sobre questões vinculadas à existência e a sentimentos como o medo, a coragem, a dúvida, o amor… falam sobre erros, acertos e sobre os enfrentamentos da vida, questões nem sempre fáceis de serem elaboradas. No Brasil, essas lendas inicialmente foram escritas por não indígenas, no intuito de fazer conhecer essa cultura, em um momento histórico em que se buscava construir uma identidade nacional. Entretanto, esses primeiros escritos, de caráter folclórico, muitas vezes trouxeram ideias genéricas sobre os índios. Desde os anos 90, a literatura indígena, escrita pelos próprios índios, vem ganhando força, e é por meio dela que buscaremos proporcionar aos alunos o conhecimento da pluralidade cultural do país, além do distanciamento de pré-julgamentos baseados em visões estereotipadas e pejorativas. Portanto, a leitura desses textos deve proporcionar a reflexão sobre como o outro vê e lê o mundo e como conta suas histórias. Nessas obras o texto é interativo e multimodal: as narrativas são permeadas de referências a sons, olfato, tato e sensações que podem ser mais bem descritas por quem de fato viveu ou esteve mais próximo dessas experiências...além de geralmente conter desenhos tradicionais (como os grafismos) e paratextos com informações adicionais relacionadas à cultura, língua e localização da etnia em questão. Esses textos literários provocam o imaginário e a fantasia, a curiosidade, sentido de descoberta e ao mesmo tempo promovem aprendizagens e questionamentos.

Dificuldades antecipadas: Muitos alunos escrevem seus textos sem utilizar a pontuação ou mesmo utilizam de maneira inadequada. Em geral, apresentam dificuldades para compreender a função de cada sinal, por isso acabam omitindo-os em suas produções, além de escreverem os diálogos sem a organização prevista para o discurso direto (uso de dois pontos, parágrafo e travessão). Podem não conseguir diferenciar o discurso direto do indireto. Isso pode ocorrer por terem tido pouco contato com textos em diferentes modalidades (discurso direto e indireto) ou por ainda não terem feito a devida análise sobre a organização e pontuação ajustada a cada uma das formas de narrativa. Assim pode haver falta de conhecimento ou incerteza sobre como e quando usar cada um dos discursos.

Referências sobre o assunto: SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Recuperação Língua Portuguesa – Aprender os padrões da linguagem escrita de modo reflexivo : unidade III – Palavra dialogada – Livro do professor / Secretaria Municipal de Educação. – São Paulo : SME/ DOT, 2011. - 112p. Disponível em:

http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Portals/1/Files/16464.pdf. Acesso em 05 de outubro de 2018.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ed. ática, 2002.

ROCHA, Iúta L. V. Flutuações no modo de pontuar e estilos de pontuação. DELTA, São Paulo, v.14, n.01, p. 1-12, 1998.

LEAL, Telma F.; GUIMARÃES, Gilda L. Por que é tão difícil ensinar a pontuar?

Revista Portuguesa de Educação. Porto, v.15, n.01, p. 129-146, 2002.

Tema da aula select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 1 minuto

Orientações: Apresente a proposta da aula para os alunos.

Introdução select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 9 minutos

Orientações:

  • Inicie a aula dizendo aos alunos que irão conhecer uma das lendas do povo indígena Maraguá. E para conhecerem um pouco mais sobre esse povo assistirão ao vídeo de Roni Waisiry, que conta um pouco sobre a origem do seu povo, suas crenças e conflitos.
  • Reproduza o vídeo até 5min08 e reflita com a turma sobre o que assistiram. Este vídeo será retomado na próxima aula até o seu final, caso não siga a sequência e disponha de mais tempo, é interessante reproduzir o vídeo todo para os alunos.
  • No vídeo, Roni Waisiry conta que faz parte do povo Maraguá Mawé do Amazonas. Ele comenta sobre as suas origens e demonstra a valorização de suas histórias e da escrita para a sua vida. Ele trabalha como educador e em um posto de saúde, conta que o seu maior orgulho é ser pai de dois filhos. Faz parte também do clã dos pescadores, no qual todos trazem Waisiry no nome. Explica que seu povo é conhecido por ser o povo das águas: “sobre a terra pode se viver, mas sobre a água se vive muito mais” explica Roni. Ele também conta uma lenda sobre a origem dos Maraguá, que teriam nascido das estrelas, que, ao descerem para se olhar e banhar nas águas, teriam sido encantadas, engravidando e gerado os Maraguá. E sendo seu povo a união das estrelas com as águas, não poderiam deixar de cuidar bem da natureza e de considerar as águas como seu berço. Em suas palavras: “A água alivia a sede, tira o cansaço, alivia o corpo, abençoa e é pelo céu que esse povo se guia, ou seja, pai e mãe unidos para conduzir seus filhos e o povo Maraguá”.

Materiais complementares:

Waisiry, Roni. Culturas indígenas (2016). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rai2SfAAfzY. Acesso em 05 de outubro de 2018.

Desenvolvimento select-down

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Tempo sugerido: 30 minutos

Orientações:

  • Apresente a capa do livro “Contos da Floresta” do autor Yaguarê Yamã, editora Peirópolis. Explique que nesta aula conhecerão uma das lendas deste livro, Todos os contos deste livro são da cultura Maraguá. Esse povo é conhecido pelos ribeirinhos como povo das histórias de assombração, gostam muito de contar casos de fantasmas. Diga aos alunos que este povo tem uma cultura muito próxima do povo Sateré-Mawé (povo já conhecido pelos alunos durante a sequência). Muitos fatores fazem deles povos irmãos: lugar onde vivem que é na região do Baixo-Amazonas, entre os estados do Amazonas e Pará. Houve também uma miscigenação entre os integrantes dos dois povos. O próprio autor do livro é filho de pai Sateré e mãe Maraguá. Os Maraguás sobrevivem da pesca, da caça e da agricultura.
  • Peças aos alunos para observarem a ilustração ao lado da capa, essa ilustração é da lenda que irão conhecer “Dois velhos surdos” . Questione-os:
  • O que estão vendo? (Dois monstros ou duas pessoas estranhas)
  • Quais são as cores desta ilustração? O que elas indicam? (Cores amarela e vermelha, possivelmente perceberão que elas revelam que esses monstros estão em chamas, devido aos efeitos da ilustração)
  • Vocês sabem o que significa VISAJES? (Provavelmente os alunos vão relacionar o nome a imagem que estão vendo, dizendo que são monstros, fantasmas) Explique aos alunos que, de acordo com o autor do livro, no linguajar amazônico, a palavra visaje significa: visagem, fantasma, assombração.
  • Sobre o que vocês acham que será essa história? (É provável que digam que será uma história assustadora, de fantasmas, mistérios)
  • Será uma história engraçada ou de medo por quê? (Com certeza, os alunos terão como resposta que será uma história de medo devido aos visajes que conheceram na ilustração)

Materiais complementares: Acesse a capa do livro e a ilustração do texto para impressão aqui

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Orientações:

  • Leia o texto “Dois velhos surdos” em voz alta e com entonação para os alunos.
  • Compare o que leram com as hipóteses iniciais: “A história realmente era como pensavam? Por quê?” (É esperado que os alunos percebam que além de ser uma história de medo devido aos visajes, ela também traz um certo humor devido ao comportamento dos dois velhos surdos).

Materiais complementares: Acesse o texto “Dois velhos surdos” para impressão aqui

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Orientações:

  • Providencie papel cartão de qualquer cor, recorte 8 cartas para cada grupo (ajuste o tamanho de acordo com o texto impresso que encontra-se nos materiais complementares) e cole cada trecho recortado em sulfite nas cartas.
  • Divida a turma em grupos de no máximo quatro alunos.
  • Cada grupo receberá as oito cartas embaralhadas, sendo quatro cartas com trechos do texto no discurso direto e as outras quatro cartas com os mesmos trechos, porém no discurso indireto.
  • Explique a eles que deverão fazer a leitura atenta de cada carta e descobrir os pares.
  • Nesse momento é importante que os alunos descubram junto com os colegas do grupo como irão agrupar esses pares, sem que o professor diga como agrupá-las. O papel do professor é de mediador. Passe pelos grupos e ajude nas orientações, questionando-os como:
  • O que este trecho tem a ver com a outra carta? Por quê?
  • Vocês conseguem identificar o que essas cartas têm de parecido para agruparem em pares? E o quais as diferenças entre os trechos dos pares? (É esperado que percebam que o conteúdo é o mesmo, porém foi narrado de maneira diferente. Entre os pares, em uma das cartas encontrarão diálogos - discurso direto, e, na outra, a história contada apenas pelo narrador, sem as falas dos personagens, no caso em discurso indireto)

Materiais complementares: Acesse o jogo para impressão aqui

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Orientações:

  • Ao finalizar o jogo, peça para que cada grupo leia um dos pares que formaram, garantindo que ao final todos os pares tenham sido lidos. Durante a leitura, caso algum grupo tenha errado o par, deixe que a própria turma faça a correção e intervenha caso seja necessário.
  • Projete o slide com um dos pares do jogo e faça a socialização questionando os alunos:
  • O que observaram ao formarem os pares? (Em uma das cartas aparecem a fala dos personagens e na outra não)
  • Por que uniram esse par? (Provavelmente respondam que o conteúdo é o mesmo, porém foi contado de maneira diferente)
  • Quais sinais de pontuação apareceram? Para que serve cada um deles? (Dois-pontos que antecede a fala, travessão que introduz a fala, ponto final que aparece no final de uma frase, como pausa total e a vírgula que separa algumas ideias dos personagens além de isolar o vocativo: - Sim, meu velho, você tem razão.)
  • Peça aos alunos para repararem que antes dos dois-pontos aparece um verbo que anuncia que alguém vai falar, no caso desse trecho, foi usado o verbo falou. Os verbos que aparecem antes dos dois-pontos são chamados verbos de enunciação ou verbos dicendi. Cite outros verbos que podem ser utilizados antes dos dois-pontos como: disse, contou, perguntou, gritou, respondeu, murmurou...
  • Explique também as diferenças entre discurso direto e indireto.

Discurso direto: Registro integral da fala do personagem, do modo como ele a diz. O personagem fala diretamente, sem a interferência do narrador, que se limita a introduzi-la.

Discurso indireto: É o registro indireto da fala do personagem através do narrador, isto é, o narrador é o intermediário entre o instante da fala do personagem e o leitor, de modo que a linguagem do discurso indireto é a do narrador. O narrador diz com suas palavras o que disseram os personagens.

Material de apoio:

https://brasilescola.uol.com.br/redacao/pontuacao.htm

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Orientações:

  • Divida a turma em duplas, distribua as atividades impressas e peça que leiam as questões, reflitam e respondam.
  • Projete o slide para fazer a socialização da atividade.
  • Na atividade 1 a) é esperado que os alunos circulem todos os sinais de pontuação no trecho e preencham a tabela, citando as funções dos sinais de pontuação:
  • Dois-pontos: Antecede a fala de um personagem, costuma aparecer depois do verbo dicendi, no caso do trecho são os verbos: perguntou e falou.
  • Travessão: Introduz a fala dos personagens no diálogo, também é usado para separar uma oração intercalada no caso de - respondeu ela.
  • Ponto de interrogação: Formula perguntas diretas.
  • Ponto de exclamação: Indica uma ordem no caso de “fique fazendo o fogo, pois voltarei logo!” Indica também um entusiasmo, uma afirmação no caso de “Velha, aqui estão os peixes!”
  • Ponto final: Final de frases, pausa total.

É importante que os alunos percebam que neste gênero textual (lendas indígenas) e em narrativas em geral, aparece com muita frequência os dois-pontos, travessão, exclamação e interrogação. Isso ocorre pois em narrativas é muito comum o uso do diálogo. O mesmo não ocorre com outros gêneros: em notícias, poemas, textos científicos, por exemplo, não encontraremos pontuação de diálogo. Assim podemos dizer que a pontuação está sempre a serviço do texto e que seu uso tem por finalidade conferir organização, coesão e coerência, ao gênero em questão.

Materiais complementares: Acesse as atividades para impressão aqui

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Slide Plano Aula

Orientações:

  • Na questão 1b) os verbos de enunciação (dicendi) são: perguntou e falou.

1 c) A fala dos velhos está em letra maiúscula porque eles estão gritando, devido a surdez que apresentam.

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Slide Plano Aula

Orientações:

  • Na questão 2, o primeiro trecho indica a fala dos visajes, o autor demonstra que existe um auto-questionamento das visajes. Já no segundo trecho o mesmo sinal de pontuação foi utilizado para indicar o nome da comunidade. Esclareça que uma mesma pontuação pode cumprir diferentes funções. A exclamação, por exemplo, pode tanto demonstrar raiva, quanto alegria, sua função será definida pelo contexto de uso.

Desenvolvimento select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

  • Na questão 3 a) os alunos deverão perceber que, agora, o diálogo está em letra minúscula porque os velhos estão falando baixinho.

3 b) O verbo de enunciação murmurou indica isso no texto. 3 c) O verbo de enunciação murmurou e as letras minúsculas, indicam que o autor, nesse caso, teve a intenção de demonstrar que os velhos estavam falando baixinho por medo de serem descobertos. Dessa forma, tanto a pontuação e os verbos de enunciação, quanto as escolhas gráficas contribuíram com a coesão e coerência textual.

Fechamento select-down

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Tempo sugerido: 10 minutos

Orientações:

  • Projete o slide para a turma com as perguntas e providencie uma cartolina (papel kraft ou papel metro) para registrar algumas respostas e deixar fixado de preferência no painel da sala de aula para futuras consultas. Você pode também solicitar que os alunos escrevam as descobertas no caderno. Assim será possível resgatar essas informações mais adiante.
  • Sistematize com os alunos o que aprenderam durante esta aula, as perguntas devem apoiar as seguintes respostas:
  • Quando identificamos discurso direto em um texto? (Quando há o registro integral da fala do personagem, do modo como ele a diz. A organização se dá por meio da pontuação de diálogo (dois pontos, parágrafo e travessão). O personagem fala diretamente, sem a interferência do narrador. Nesse caso a fala de um personagem pode vir organizada em uma variedade linguística diferente do texto do narrador, como no exemplo das letras maiúsculas, trata-se de recurso de caracterização de personagem ou de suas intenções)
  • Quando é utilizado o discurso indireto no texto? ( Quando há o registro indireto da fala do personagem através do narrador, isto é, o narrador é o intermediário entre o instante da fala do personagem e o leitor, de modo que a linguagem do discurso indireto é a do narrador. O narrador diz com suas palavras o que disseram os personagens.)
  • O que você aprendeu sobre os efeitos de sentido utilizados pelo autor nesse texto? O autor utilizou o tamanho das letras para indicar quando um personagem está gritando (maiúscula) ou falando baixinho (minúscula). Também foram utilizados os verbos de enunciação no caso do verbo murmurou (quando falam baixinho), falou, perguntou e gritou…Todos esses elementos contribuíram para a coesão e coerência textual.

Material de apoio:

https://www.normaculta.com.br/tipos-de-discurso/

Resumo da aula

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Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: esta é sétima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero lendas indígenas e no campo de atuação artístico-literário. A aula faz parte do módulo de Análise Linguística/Semiótica.

Materiais necessários: Computador e projetor multimídia para passar os slides. Vídeo do autor Roni Waisiry. Culturas indígenas (2016). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rai2SfAAfzY.

Texto impresso: “Dois velhos surdos”. Livro “Contos da floresta” de Yaguarê Yamã (Caso não disponha do livro, utilize o material complementar para impressão aqui

Cola e papel cartão para fazer as cartas do jogo Encontre o par, jogo impresso para fazer as cartas aqui

Atividades impressas para desenvolver em duplas aqui

Informações sobre o gênero: Lendas indígenas são narrativas de tradição oral que falam sobre questões vinculadas à existência e a sentimentos como o medo, a coragem, a dúvida, o amor… falam sobre erros, acertos e sobre os enfrentamentos da vida, questões nem sempre fáceis de serem elaboradas. No Brasil, essas lendas inicialmente foram escritas por não indígenas, no intuito de fazer conhecer essa cultura, em um momento histórico em que se buscava construir uma identidade nacional. Entretanto, esses primeiros escritos, de caráter folclórico, muitas vezes trouxeram ideias genéricas sobre os índios. Desde os anos 90, a literatura indígena, escrita pelos próprios índios, vem ganhando força, e é por meio dela que buscaremos proporcionar aos alunos o conhecimento da pluralidade cultural do país, além do distanciamento de pré-julgamentos baseados em visões estereotipadas e pejorativas. Portanto, a leitura desses textos deve proporcionar a reflexão sobre como o outro vê e lê o mundo e como conta suas histórias. Nessas obras o texto é interativo e multimodal: as narrativas são permeadas de referências a sons, olfato, tato e sensações que podem ser mais bem descritas por quem de fato viveu ou esteve mais próximo dessas experiências...além de geralmente conter desenhos tradicionais (como os grafismos) e paratextos com informações adicionais relacionadas à cultura, língua e localização da etnia em questão. Esses textos literários provocam o imaginário e a fantasia, a curiosidade, sentido de descoberta e ao mesmo tempo promovem aprendizagens e questionamentos.

Dificuldades antecipadas: Muitos alunos escrevem seus textos sem utilizar a pontuação ou mesmo utilizam de maneira inadequada. Em geral, apresentam dificuldades para compreender a função de cada sinal, por isso acabam omitindo-os em suas produções, além de escreverem os diálogos sem a organização prevista para o discurso direto (uso de dois pontos, parágrafo e travessão). Podem não conseguir diferenciar o discurso direto do indireto. Isso pode ocorrer por terem tido pouco contato com textos em diferentes modalidades (discurso direto e indireto) ou por ainda não terem feito a devida análise sobre a organização e pontuação ajustada a cada uma das formas de narrativa. Assim pode haver falta de conhecimento ou incerteza sobre como e quando usar cada um dos discursos.

Referências sobre o assunto: SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Recuperação Língua Portuguesa – Aprender os padrões da linguagem escrita de modo reflexivo : unidade III – Palavra dialogada – Livro do professor / Secretaria Municipal de Educação. – São Paulo : SME/ DOT, 2011. - 112p. Disponível em:

http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Portals/1/Files/16464.pdf. Acesso em 05 de outubro de 2018.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ed. ática, 2002.

ROCHA, Iúta L. V. Flutuações no modo de pontuar e estilos de pontuação. DELTA, São Paulo, v.14, n.01, p. 1-12, 1998.

LEAL, Telma F.; GUIMARÃES, Gilda L. Por que é tão difícil ensinar a pontuar?

Revista Portuguesa de Educação. Porto, v.15, n.01, p. 129-146, 2002.

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Tempo sugerido: 1 minuto

Orientações: Apresente a proposta da aula para os alunos.

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 9 minutos

Orientações:

  • Inicie a aula dizendo aos alunos que irão conhecer uma das lendas do povo indígena Maraguá. E para conhecerem um pouco mais sobre esse povo assistirão ao vídeo de Roni Waisiry, que conta um pouco sobre a origem do seu povo, suas crenças e conflitos.
  • Reproduza o vídeo até 5min08 e reflita com a turma sobre o que assistiram. Este vídeo será retomado na próxima aula até o seu final, caso não siga a sequência e disponha de mais tempo, é interessante reproduzir o vídeo todo para os alunos.
  • No vídeo, Roni Waisiry conta que faz parte do povo Maraguá Mawé do Amazonas. Ele comenta sobre as suas origens e demonstra a valorização de suas histórias e da escrita para a sua vida. Ele trabalha como educador e em um posto de saúde, conta que o seu maior orgulho é ser pai de dois filhos. Faz parte também do clã dos pescadores, no qual todos trazem Waisiry no nome. Explica que seu povo é conhecido por ser o povo das águas: “sobre a terra pode se viver, mas sobre a água se vive muito mais” explica Roni. Ele também conta uma lenda sobre a origem dos Maraguá, que teriam nascido das estrelas, que, ao descerem para se olhar e banhar nas águas, teriam sido encantadas, engravidando e gerado os Maraguá. E sendo seu povo a união das estrelas com as águas, não poderiam deixar de cuidar bem da natureza e de considerar as águas como seu berço. Em suas palavras: “A água alivia a sede, tira o cansaço, alivia o corpo, abençoa e é pelo céu que esse povo se guia, ou seja, pai e mãe unidos para conduzir seus filhos e o povo Maraguá”.

Materiais complementares:

Waisiry, Roni. Culturas indígenas (2016). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rai2SfAAfzY. Acesso em 05 de outubro de 2018.

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Tempo sugerido: 30 minutos

Orientações:

  • Apresente a capa do livro “Contos da Floresta” do autor Yaguarê Yamã, editora Peirópolis. Explique que nesta aula conhecerão uma das lendas deste livro, Todos os contos deste livro são da cultura Maraguá. Esse povo é conhecido pelos ribeirinhos como povo das histórias de assombração, gostam muito de contar casos de fantasmas. Diga aos alunos que este povo tem uma cultura muito próxima do povo Sateré-Mawé (povo já conhecido pelos alunos durante a sequência). Muitos fatores fazem deles povos irmãos: lugar onde vivem que é na região do Baixo-Amazonas, entre os estados do Amazonas e Pará. Houve também uma miscigenação entre os integrantes dos dois povos. O próprio autor do livro é filho de pai Sateré e mãe Maraguá. Os Maraguás sobrevivem da pesca, da caça e da agricultura.
  • Peças aos alunos para observarem a ilustração ao lado da capa, essa ilustração é da lenda que irão conhecer “Dois velhos surdos” . Questione-os:
  • O que estão vendo? (Dois monstros ou duas pessoas estranhas)
  • Quais são as cores desta ilustração? O que elas indicam? (Cores amarela e vermelha, possivelmente perceberão que elas revelam que esses monstros estão em chamas, devido aos efeitos da ilustração)
  • Vocês sabem o que significa VISAJES? (Provavelmente os alunos vão relacionar o nome a imagem que estão vendo, dizendo que são monstros, fantasmas) Explique aos alunos que, de acordo com o autor do livro, no linguajar amazônico, a palavra visaje significa: visagem, fantasma, assombração.
  • Sobre o que vocês acham que será essa história? (É provável que digam que será uma história assustadora, de fantasmas, mistérios)
  • Será uma história engraçada ou de medo por quê? (Com certeza, os alunos terão como resposta que será uma história de medo devido aos visajes que conheceram na ilustração)

Materiais complementares: Acesse a capa do livro e a ilustração do texto para impressão aqui

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Orientações:

  • Leia o texto “Dois velhos surdos” em voz alta e com entonação para os alunos.
  • Compare o que leram com as hipóteses iniciais: “A história realmente era como pensavam? Por quê?” (É esperado que os alunos percebam que além de ser uma história de medo devido aos visajes, ela também traz um certo humor devido ao comportamento dos dois velhos surdos).

Materiais complementares: Acesse o texto “Dois velhos surdos” para impressão aqui

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Orientações:

  • Providencie papel cartão de qualquer cor, recorte 8 cartas para cada grupo (ajuste o tamanho de acordo com o texto impresso que encontra-se nos materiais complementares) e cole cada trecho recortado em sulfite nas cartas.
  • Divida a turma em grupos de no máximo quatro alunos.
  • Cada grupo receberá as oito cartas embaralhadas, sendo quatro cartas com trechos do texto no discurso direto e as outras quatro cartas com os mesmos trechos, porém no discurso indireto.
  • Explique a eles que deverão fazer a leitura atenta de cada carta e descobrir os pares.
  • Nesse momento é importante que os alunos descubram junto com os colegas do grupo como irão agrupar esses pares, sem que o professor diga como agrupá-las. O papel do professor é de mediador. Passe pelos grupos e ajude nas orientações, questionando-os como:
  • O que este trecho tem a ver com a outra carta? Por quê?
  • Vocês conseguem identificar o que essas cartas têm de parecido para agruparem em pares? E o quais as diferenças entre os trechos dos pares? (É esperado que percebam que o conteúdo é o mesmo, porém foi narrado de maneira diferente. Entre os pares, em uma das cartas encontrarão diálogos - discurso direto, e, na outra, a história contada apenas pelo narrador, sem as falas dos personagens, no caso em discurso indireto)

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Orientações:

  • Ao finalizar o jogo, peça para que cada grupo leia um dos pares que formaram, garantindo que ao final todos os pares tenham sido lidos. Durante a leitura, caso algum grupo tenha errado o par, deixe que a própria turma faça a correção e intervenha caso seja necessário.
  • Projete o slide com um dos pares do jogo e faça a socialização questionando os alunos:
  • O que observaram ao formarem os pares? (Em uma das cartas aparecem a fala dos personagens e na outra não)
  • Por que uniram esse par? (Provavelmente respondam que o conteúdo é o mesmo, porém foi contado de maneira diferente)
  • Quais sinais de pontuação apareceram? Para que serve cada um deles? (Dois-pontos que antecede a fala, travessão que introduz a fala, ponto final que aparece no final de uma frase, como pausa total e a vírgula que separa algumas ideias dos personagens além de isolar o vocativo: - Sim, meu velho, você tem razão.)
  • Peça aos alunos para repararem que antes dos dois-pontos aparece um verbo que anuncia que alguém vai falar, no caso desse trecho, foi usado o verbo falou. Os verbos que aparecem antes dos dois-pontos são chamados verbos de enunciação ou verbos dicendi. Cite outros verbos que podem ser utilizados antes dos dois-pontos como: disse, contou, perguntou, gritou, respondeu, murmurou...
  • Explique também as diferenças entre discurso direto e indireto.

Discurso direto: Registro integral da fala do personagem, do modo como ele a diz. O personagem fala diretamente, sem a interferência do narrador, que se limita a introduzi-la.

Discurso indireto: É o registro indireto da fala do personagem através do narrador, isto é, o narrador é o intermediário entre o instante da fala do personagem e o leitor, de modo que a linguagem do discurso indireto é a do narrador. O narrador diz com suas palavras o que disseram os personagens.

Material de apoio:

https://brasilescola.uol.com.br/redacao/pontuacao.htm

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Orientações:

  • Divida a turma em duplas, distribua as atividades impressas e peça que leiam as questões, reflitam e respondam.
  • Projete o slide para fazer a socialização da atividade.
  • Na atividade 1 a) é esperado que os alunos circulem todos os sinais de pontuação no trecho e preencham a tabela, citando as funções dos sinais de pontuação:
  • Dois-pontos: Antecede a fala de um personagem, costuma aparecer depois do verbo dicendi, no caso do trecho são os verbos: perguntou e falou.
  • Travessão: Introduz a fala dos personagens no diálogo, também é usado para separar uma oração intercalada no caso de - respondeu ela.
  • Ponto de interrogação: Formula perguntas diretas.
  • Ponto de exclamação: Indica uma ordem no caso de “fique fazendo o fogo, pois voltarei logo!” Indica também um entusiasmo, uma afirmação no caso de “Velha, aqui estão os peixes!”
  • Ponto final: Final de frases, pausa total.

É importante que os alunos percebam que neste gênero textual (lendas indígenas) e em narrativas em geral, aparece com muita frequência os dois-pontos, travessão, exclamação e interrogação. Isso ocorre pois em narrativas é muito comum o uso do diálogo. O mesmo não ocorre com outros gêneros: em notícias, poemas, textos científicos, por exemplo, não encontraremos pontuação de diálogo. Assim podemos dizer que a pontuação está sempre a serviço do texto e que seu uso tem por finalidade conferir organização, coesão e coerência, ao gênero em questão.

Materiais complementares: Acesse as atividades para impressão aqui

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Orientações:

  • Na questão 1b) os verbos de enunciação (dicendi) são: perguntou e falou.

1 c) A fala dos velhos está em letra maiúscula porque eles estão gritando, devido a surdez que apresentam.

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Orientações:

  • Na questão 2, o primeiro trecho indica a fala dos visajes, o autor demonstra que existe um auto-questionamento das visajes. Já no segundo trecho o mesmo sinal de pontuação foi utilizado para indicar o nome da comunidade. Esclareça que uma mesma pontuação pode cumprir diferentes funções. A exclamação, por exemplo, pode tanto demonstrar raiva, quanto alegria, sua função será definida pelo contexto de uso.

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Orientações:

  • Na questão 3 a) os alunos deverão perceber que, agora, o diálogo está em letra minúscula porque os velhos estão falando baixinho.

3 b) O verbo de enunciação murmurou indica isso no texto. 3 c) O verbo de enunciação murmurou e as letras minúsculas, indicam que o autor, nesse caso, teve a intenção de demonstrar que os velhos estavam falando baixinho por medo de serem descobertos. Dessa forma, tanto a pontuação e os verbos de enunciação, quanto as escolhas gráficas contribuíram com a coesão e coerência textual.

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Tempo sugerido: 10 minutos

Orientações:

  • Projete o slide para a turma com as perguntas e providencie uma cartolina (papel kraft ou papel metro) para registrar algumas respostas e deixar fixado de preferência no painel da sala de aula para futuras consultas. Você pode também solicitar que os alunos escrevam as descobertas no caderno. Assim será possível resgatar essas informações mais adiante.
  • Sistematize com os alunos o que aprenderam durante esta aula, as perguntas devem apoiar as seguintes respostas:
  • Quando identificamos discurso direto em um texto? (Quando há o registro integral da fala do personagem, do modo como ele a diz. A organização se dá por meio da pontuação de diálogo (dois pontos, parágrafo e travessão). O personagem fala diretamente, sem a interferência do narrador. Nesse caso a fala de um personagem pode vir organizada em uma variedade linguística diferente do texto do narrador, como no exemplo das letras maiúsculas, trata-se de recurso de caracterização de personagem ou de suas intenções)
  • Quando é utilizado o discurso indireto no texto? ( Quando há o registro indireto da fala do personagem através do narrador, isto é, o narrador é o intermediário entre o instante da fala do personagem e o leitor, de modo que a linguagem do discurso indireto é a do narrador. O narrador diz com suas palavras o que disseram os personagens.)
  • O que você aprendeu sobre os efeitos de sentido utilizados pelo autor nesse texto? O autor utilizou o tamanho das letras para indicar quando um personagem está gritando (maiúscula) ou falando baixinho (minúscula). Também foram utilizados os verbos de enunciação no caso do verbo murmurou (quando falam baixinho), falou, perguntou e gritou…Todos esses elementos contribuíram para a coesão e coerência textual.

Material de apoio:

https://www.normaculta.com.br/tipos-de-discurso/

Slide Plano Aula

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