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Plano de aula > Língua Portuguesa > 8º ano > Análise linguística/Semiótica

Plano de aula - A construção do perfil das personagens e a comédia dramática

Plano de aula de Língua Portuguesa com atividades para 8º ano do EF sobre A construção do perfil das personagens e a comédia dramática

Plano 05 de 15 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Carolina Silva

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Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide não deve ser apresentado para os alunos; ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é a quinta aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero textual dramático (comédias) e no campo de atuação artístico-literário. A aula faz parte de uma sequência de atividades voltada para texto dramático, teatro e humor.

Informações sobre o Gênero: Texto dramático (comédias): produção artístico-literária que, reunindo texto e espetáculo, organiza e estrutura o humor dentro de uma apresentação, por meio dos elementos / momentos da narrativa e sequências dialogais. É irreverente, retrata o cotidiano e as pessoas comuns. Seu objetivo é entreter, provocando o riso do espectador e ampliando seu imaginário, levando-o a uma maior compreensão da realidade.

Materiais necessários: Projetor para a exibição dos conteúdos em slides; versões impressas do texto “O Judas em sábado de aleluia”.

Dificuldades antecipadas: Os alunos podem sentir dificuldades de relacionar os entendimentos sobre a construção dos perfis dos personagens a leituras mais contextualizadas da peça. A compreensão de contextos culturais ou históricos em um texto requer que recorramos, muitas vezes, a saberes acumulados, por nós, ao longo do tempo. Por isso, o trabalho em grupo, a troca de conhecimentos entre os alunos e uma ordenação da sala que favoreça discussões durante as atividades são bem-vindas. Para melhor controle do progresso dos estudantes, no momento da aula, você pode solicitar a organização das carteiras em círculo, a fim de visualizar melhor a realização das atividades pela turma e passar orientações, bem como propor que as tarefas sejam feitas em duplas/grupos.

Referências sobre o assunto:

DIEGUES, Filomena Maria Brasil Cabral. O texto dramático em contexto de sala de aula: proposta para uma nova abordagem. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto, 2010.

PALLOTTINI, Renata. Dramaturgia: a construção da personagem. 2 ed. São Paulo: Perspectiva, 2013.

Introdução select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 05 minutos.

Orientações:

  • Proponha aos alunos uma reflexão, a partir das questões abaixo:
  • Augusto Boal, dramaturgo brasileiro, tem a seguinte frase: “No teatro, tudo é verdade: até a mentira.” A partir dos seus conhecimentos sobre texto dramático, comente essa máxima. (É possível que os alunos, em algum momento, relacionem o fazer teatral à vida, de alguma maneira. Se isso acontecer, comente essa noção, aprofundando-a. O texto dramático, como gênero literário, apresenta verossimilhança, isto é, semelhança com a verdade, ainda que pertença à esfera do ficcional).
  • Considerando a reflexão da questão anterior, se vamos do teatro à vida e vice-versa, como pode se dar a construção de personagens e seus perfis no texto dramático, em especial, na comédia de costumes? Essa composição é aleatória?
  • Discuta com a turma as respostas e, quando necessário, note que uma composição teatral é uma produção literária planejada. Logo, em se tratando de comédia de costumes, sobretudo, o autor tende a buscar, na realidade vivida, nos vícios das cenas cotidianas, as inspirações para os personagens de suas peças, tendo em vista que, por vezes, seu intuito é criar uma crítica risível dos comportamentos, regras e crenças da vida social, além de outros aspectos).
  • Apresente a proposta da aula para os alunos, adiantando-lhes que nos dedicaremos, nas tarefas a seguir, a olhar para os personagens de “O Judas em sábado de aleluia”, percebendo quais são as características que constroem seus perfis e os sentimentos que eles vivenciam ao longo da trama. A proposta é buscar compreender, por meio da análise desses personagens, as leituras possíveis dos contextos em que a peça foi escrita, além dos valores que nela são levantados, zombados ou questionados.

Desenvolvimento select-down

Slide Plano Aula

Tempo sugerido: 30 minutos.

Orientações:

  • Apresente à turma as frases do slide acima, extraídas da peça O Judas em sábado de aleluia. O texto foi escrito por Martins Pena, precursor da comédia de costumes no Brasil. A história se passa no Rio de Janeiro do século XIX, no ano de 1844.
  • Proponha, aos alunos, a resolução das questões abaixo. A versão impressa do texto na íntegra poderá servir de apoio à realização das atividades desta aula (disponível nos materiais complementares).
  • Os trechos acima são falas que foram retiradas de “O Judas em sábado de aleluia”. Atribua cada uma delas ao seu personagem original.

Respostas: Frase 1: Faustino. Frase 2: Antônio Domingos. Frase 3: Maricota. Frase 4: José Pimenta. Frase 5: Ambrósio. Frase 6: Chiquinha.

b) Tomem por base as frases 3 e 6. No contexto em que elas ocorrem, qual ideia expressa o melhor sentido estabelecido entre elas? Por quê?

  • complementaridade;
  • simultaneidade;
  • conformidade;
  • discordância. (Resposta: alternativa “d” = discordância. Maricota e Chiquinha, responsáveis, respectivamente, pelas falas em questão, discordam: para Maricota, todas as mulheres - sonsas e sinceras - namoram; ao passo que, para Chiquinha, o que ocorre com as namoradeiras não é exatamente um namoro, mas, sim, diversão, aproveitada pelos homens que com estas não pretendem se casar.)

c) A história dessa peça se passa no Rio de Janeiro, no ano de 1844. Qual era a visão predominante na sociedade da época sobre a mulher? Pode-se dizer que as falas de Maricota e Chiquinha , na questão anterior, refletem as ideias do espaço e do tempo no qual vivem essas personagens? Justifique sua resposta. (No século XIX, a mulher ainda não usufruía de direitos morais igualitários quando comparadas aos homens. Tal como as personagens da peça de Martins Pena, elas passavam o tempo cosendo ou se distraindo com afazeres domésticos e outras atividades consideradas mais “femininas”, enquanto aguardavam pelo casamento. Dessa forma, pode-se afirmar que a fala de Chiquinha, por traduzir a mesma “moral” que era pregada contra as mulheres, reflete mais os valores daquele tempo e espaço, enquanto a fala de Maricota se opõe aos códigos sociais da época. Por isso, tais declarações são opostas, como foi identificado na resposta à questão anterior).

d) É possível perceber mudanças na concepção sobre a figura da mulher e seu papel social, do século XIX aos dias de hoje? Se sim, cite exemplos e diga como você avalia essa transformação. (Ouça as respostas dos alunos e incentive a discussão sobre o tema. As avaliações são de cunho pessoal, mas é importante que alterações históricas sejam notadas, como a conquista de espaços e autonomia que as mulheres tiveram ao longo dos anos, o crescimento e fortalecimento do ativismo feminino, a ampliação da consciência sobre os direitos da mulher, a reinterpretação de seu papel na sociedade e etc. Busque um debate que amplie o olhar crítico dos estudantes, para além dos preconceitos enraizados socialmente e da mera reprodução de estigmas).

Materiais complementares: Para acessar a peça integral clique aqui.

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Orientações:

  • A partir dos fragmentos acima, levante as reflexões:
  • Ao pensar sobre o papel da mulher na busca por casamento, Maricota e Chiquinha sustentam a mesma opinião? (Espera-se que os alunos reconheçam que não. Maricota defende que uma moça possa ter muitos amantes e que isso amplia suas chances de tirar um para marido. Já Chiquinha vê, no posicionamento da irmã, uma escolha “tresloucada”, ou seja, sem juízo ou bom senso, para atingir determinado fim).
  • A partir das escolhas nas falas das personagens, é possível afirmar que as irmãs Maricota e Chiquinha divergem integralmente nas opiniões a respeito do casamento? Que termos empregados nas falas das moças justificaria sua resposta? (Os alunos podem ter percepções diversas sobre a questão; mas é interessante notar que, apesar de Maricota ser obcecada em sua busca por pretendentes e se comportar, muitas vezes, de maneira leviana em suas paqueras, a irmã, Chiquinha, não dá menos importância ao casamento em si, preocupação compartilhada por ambas. Isso pode ser atestado por meio de declarações e termos que transmitem tal juízo de valor: “Não temos dote, e não é pregada à cadeira que acharemos noivo”; “Que outro futuro esperam as filhas-família, senão o casamento? É a nossa ‘senatoria’, como costumam dizer”; “Não pode, ‘nessa loteria do casamento’, quem tem muitos amantes ter mais probabilidade de tirar um para marido?”.)
  • Que sentidos as expressões “nossa senatoria” e “essa loteria do casamento” tem nas falas? A que elas se referem? Que recurso linguístico é empregado com seus usos no texto? (Talvez os alunos sintam mais dificuldade nessas questões. Ajude-os, colaborando com informação de ordem contextual, como, por exemplo: “senatoria” remete-nos ao cargo de senador, carreira já existente no ano de 1840, que contava com pessoas eleitas, pelo imperador, com base, muitas vezes, em atributos de ordem social e de “status quo”. Os casamentos, em grande parte, arranjados, seguiam lógica parecida. Às personagens da peça, sem dote e sem papel social importante, cabia conquistar o matrimônio por meio das diligências que estivessem ao seu alcance. Nesse sentido, “loteria do casamento” faz alusão ao casamento como “sorte grande”, que Maricota buscava através de muitos “lances”, apostas, tentativas e flertes. O uso desses termos no texto estabelece metáforas para melhor compreensão das referências que se faz à época.)
  • O valor que se atribuía ao casamento das mulheres mudou, se considerarmos o atual contexto social do Brasil. Como você avalia essa mudança e quais benefícios e desafios, em sua opinião, ela trouxe para a autonomia feminina, nos tempos de hoje? (A opinião é pessoal, mas se faz necessário avaliar a pertinência dos argumentos que serão desenvolvidos pelos alunos. Busque aprofundar a discussão, a fim de que a turma possa se orientar por um raciocínio crítico e não pela mera reprodução de estigmas, cristalizados pelo senso comum).

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Orientações:

  • Convide a turma a observar o slide acima, propondo a atividade: agora que já se sabe a quais personagens correspondem às falas, responda:

a) Antônio Domingos diz que “Quem não arrisca nada tem”. O que ele costumava arriscar? Como o personagem acabou na história?

(Ele arriscava a si mesmo e à sua segurança, ao participar de esquema fraudulento que produzia e distribuía notas falsas pelo país. Descoberto por Faustino, ele acaba ameaçado pelo protagonista e não pode mais participar do negócio. Seu destino é casar-se com Maricota, a moça namoradeira, tida como ardilosa, ao final do enredo.)

b) “Cá as arranjo de modo que rendem, e não rendem pouco”. A que se refere o pronome átono “as”, na fala? (O pronome retoma “guardas”, “rondas” e “ordens de prisão”.). De onde, no entanto, José Pimenta, retirava seus rendimentos? Seus ganhos se limitavam ao trabalho honesto?

(Não. José lucrava com o esquema de corrupção na Guarda Nacional. Além disso, participava da produção e distribuição de notas falsas, incentivado pelo velho Antônio Domingos.

c) “Não há gente para o serviço com estes maus exemplos. A impunidade desorganiza a Guarda Nacional”, diz Ambrósio. Essa fala corresponde às ações e sentimentos do personagem na peça? Descreva o perfil de Ambrósio e o papel que este desempenha.

(Ambrósio não é bom exemplo, porque se utiliza do cargo de capitão da Guarda Nacional para abusar do seu poder, ora punindo injustamente Faustino com ordens de prisão para afastá-lo de Maricota (a moça que os dois namoram), ora cobrando dinheiro ilícito para distribuir folgas aos soldados da Guarda.)

d) Considerando as falas destacadas no slide e os contextos em que elas ocorrem, relacione os substantivos em caixa alta que seriam pertinentes aos sentimentos ou traços da personalidade de cada um dos três personagens analisados.

(Mentira e medo: José Pimenta. Cobiça: Antônio Domingos. Hipocrisia: Ambrósio). (Convide os alunos a citarem mais substantivos ou adjetivos relacionados aos personagens em questão).

Materiais complementares: Para acessar a peça integral clique aqui.

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Orientações:

  • Sugira que os alunos avaliem, a partir das questões abaixo, o desfecho da peça “O Judas em sábado de aleluia”.

a) A que contexto da peça se referem as falas dos personagens acima?

(Referem-se à descoberta da presença de Faustino, que estava disfarçado de boneco de Judas, tornando-se ciente dos vários segredos dos personagens.)

b) Quais foram os segredos descobertos por Faustino?

(O falso amor de Maricota, o sentimento verdadeiro de Chiquinha, além de uma série de atitudes desonestas e criminosas dos outros personagens que ele passava a espiar, quando estes se encontravam sem disfarces ou hipocrisia.)

c) Como Faustino reage diante das descobertas privilegiadas às quais teve acesso, enquanto também ele estava disfarçado? Retire do texto frase que comprove sua resposta.

(Faustino vinga-se dos outros personagens, chantageando-lhes com frases incompletas que remetem às situações flagradas por ele: “Ah, não querem? Torcem o focinho? Então, escutem a história de um barril de paios, em que…”; “Não quer? Olhe que o mando da parte da…; “Vou já daqui gritando que a filha do cabo Pimenta namora como uma danada, que quis roubar… Então, quer que eu continue ou quer casar-se?”)

d) Na peça escrita por Martins Pena, a maioria das personagens parecem agir de acordo com os próprios interesses momentâneos, independentemente de serem corretos ou não. Faustino, ao vingar-se dos demais, foge a essa constante?

(Espera-se que os alunos reconheçam que, por mais que o protagonista esteja investido de motivos, suas razões são pessoais, pois se sente traído por Maricota, prejudicado por Ambrósio e, além desses motivos, pensa em se casar com Chiquinha. Por estar inserido no jogo de dissimulações da peça, é também pela falsa aparência que ele consegue vencer. E, dada sua posição privilegiada de Judas “invisível”, “irreconhecível”, o protagonista, finalmente, se coloca para o capitão e seus comparsas. Desse modo, mostra superioridade não pelo status social, mas pelo nível de sua astúcia.)

  • e) Você concorda com os meios utilizados por Faustino para vingar-se, no desfecho da peça, e casar-se com Chiquinha? Por quê? Se não, sugira que alternativa poderia ter sido adotada pelo personagem no desfecho.

(Considere as contribuições dos alunos, aprofundando as reflexões sempre que for necessário.)

Materiais complementares: Para acessar a peça integral clique aqui.

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Tempo sugerido: 05 minutos

Orientações:

  • Para dar encerramento à aula, leia o texto do slide com os alunos e peça-lhes que, a partir dos conhecimentos adquiridos, confirmem as declarações do fragmento, recorrendo, se possível, a exemplos e referências aos momentos do texto dramático estudado.

(Nesta revisão, reflita com a turma que, tal como na antiguidade grega, “O Judas em sábado de aleluia” também trata das relações entre pessoas comuns. Os personagens dessa peça não retratam pessoas das camadas mais privilegiadas da sociedade; ao contrário, a maioria deles pertencem a uma faixa mais baixa, onde a dissimulação, a desonestidade e as pequenas contravenções espelham uma moral coletiva cujos efeitos, muitas vezes, deles, dificilmente escapamos ilesos. Os conflitos domésticos estão presentes, por exemplo, nas visões de mundo diferentes entre as irmãs Maricota e Chiquinha, no tratamento machista do pai José Pimenta “Chiquinha, vai ver minha roupa, já que estás vadia…”. Faustino é, como ilustra o fragmento acima, a personagem vítima de um engano, conhecido do espectador “Maricota, eis-me a teus pés! (Ajoelha-se e, enquanto fala, Maricota ri-se, sem que ele veja)...” . Além desse, outros enganos distribuem-se sobre o texto dramático, causando prazer, diversão ou riso do leitor: “CAPITÃO - entrando - Ora, ora, ora! E não me enganei com o Judas, pensando que era um homem? Oh, oh, está um figurão! E o mais é que está tão bem feito que parece vivo.”; “PIMENTA - Batem! ANTÔNIO - Será o chefe de polícia? Se for a polícia, queimam-se os bilhetes. PIMENTA - Qual queimam-se, nem meio queimam-se; já não há tempo senão de sermos enforcados! ANTÔNIO - Não desanime! (Batem de novo). FAUSTINO (disfarçando a voz) - Da parte da polícia! PIMENTA (caindo de joelhos) - Misericórdia! ANTÔNIO - Fujamos pelo quintal! PIMENTA - A casa não tem quintal. Minhas filhas…!”.)

  • Sugira à turma uma reflexão sobre qual costume da época da peça de Martins Pena ainda pode ser encontrado na sociedade atual. Um questionamento mais elaborado a respeito também pode ser proposto, em forma de atividade, redação, etc., como tarefa para casa.

Resumo da aula

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Este slide não deve ser apresentado para os alunos; ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é a quinta aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero textual dramático (comédias) e no campo de atuação artístico-literário. A aula faz parte de uma sequência de atividades voltada para texto dramático, teatro e humor.

Informações sobre o Gênero: Texto dramático (comédias): produção artístico-literária que, reunindo texto e espetáculo, organiza e estrutura o humor dentro de uma apresentação, por meio dos elementos / momentos da narrativa e sequências dialogais. É irreverente, retrata o cotidiano e as pessoas comuns. Seu objetivo é entreter, provocando o riso do espectador e ampliando seu imaginário, levando-o a uma maior compreensão da realidade.

Materiais necessários: Projetor para a exibição dos conteúdos em slides; versões impressas do texto “O Judas em sábado de aleluia”.

Dificuldades antecipadas: Os alunos podem sentir dificuldades de relacionar os entendimentos sobre a construção dos perfis dos personagens a leituras mais contextualizadas da peça. A compreensão de contextos culturais ou históricos em um texto requer que recorramos, muitas vezes, a saberes acumulados, por nós, ao longo do tempo. Por isso, o trabalho em grupo, a troca de conhecimentos entre os alunos e uma ordenação da sala que favoreça discussões durante as atividades são bem-vindas. Para melhor controle do progresso dos estudantes, no momento da aula, você pode solicitar a organização das carteiras em círculo, a fim de visualizar melhor a realização das atividades pela turma e passar orientações, bem como propor que as tarefas sejam feitas em duplas/grupos.

Referências sobre o assunto:

DIEGUES, Filomena Maria Brasil Cabral. O texto dramático em contexto de sala de aula: proposta para uma nova abordagem. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto, 2010.

PALLOTTINI, Renata. Dramaturgia: a construção da personagem. 2 ed. São Paulo: Perspectiva, 2013.

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Tempo sugerido: 05 minutos.

Orientações:

  • Proponha aos alunos uma reflexão, a partir das questões abaixo:
  • Augusto Boal, dramaturgo brasileiro, tem a seguinte frase: “No teatro, tudo é verdade: até a mentira.” A partir dos seus conhecimentos sobre texto dramático, comente essa máxima. (É possível que os alunos, em algum momento, relacionem o fazer teatral à vida, de alguma maneira. Se isso acontecer, comente essa noção, aprofundando-a. O texto dramático, como gênero literário, apresenta verossimilhança, isto é, semelhança com a verdade, ainda que pertença à esfera do ficcional).
  • Considerando a reflexão da questão anterior, se vamos do teatro à vida e vice-versa, como pode se dar a construção de personagens e seus perfis no texto dramático, em especial, na comédia de costumes? Essa composição é aleatória?
  • Discuta com a turma as respostas e, quando necessário, note que uma composição teatral é uma produção literária planejada. Logo, em se tratando de comédia de costumes, sobretudo, o autor tende a buscar, na realidade vivida, nos vícios das cenas cotidianas, as inspirações para os personagens de suas peças, tendo em vista que, por vezes, seu intuito é criar uma crítica risível dos comportamentos, regras e crenças da vida social, além de outros aspectos).
  • Apresente a proposta da aula para os alunos, adiantando-lhes que nos dedicaremos, nas tarefas a seguir, a olhar para os personagens de “O Judas em sábado de aleluia”, percebendo quais são as características que constroem seus perfis e os sentimentos que eles vivenciam ao longo da trama. A proposta é buscar compreender, por meio da análise desses personagens, as leituras possíveis dos contextos em que a peça foi escrita, além dos valores que nela são levantados, zombados ou questionados.
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Tempo sugerido: 30 minutos.

Orientações:

  • Apresente à turma as frases do slide acima, extraídas da peça O Judas em sábado de aleluia. O texto foi escrito por Martins Pena, precursor da comédia de costumes no Brasil. A história se passa no Rio de Janeiro do século XIX, no ano de 1844.
  • Proponha, aos alunos, a resolução das questões abaixo. A versão impressa do texto na íntegra poderá servir de apoio à realização das atividades desta aula (disponível nos materiais complementares).
  • Os trechos acima são falas que foram retiradas de “O Judas em sábado de aleluia”. Atribua cada uma delas ao seu personagem original.

Respostas: Frase 1: Faustino. Frase 2: Antônio Domingos. Frase 3: Maricota. Frase 4: José Pimenta. Frase 5: Ambrósio. Frase 6: Chiquinha.

b) Tomem por base as frases 3 e 6. No contexto em que elas ocorrem, qual ideia expressa o melhor sentido estabelecido entre elas? Por quê?

  • complementaridade;
  • simultaneidade;
  • conformidade;
  • discordância. (Resposta: alternativa “d” = discordância. Maricota e Chiquinha, responsáveis, respectivamente, pelas falas em questão, discordam: para Maricota, todas as mulheres - sonsas e sinceras - namoram; ao passo que, para Chiquinha, o que ocorre com as namoradeiras não é exatamente um namoro, mas, sim, diversão, aproveitada pelos homens que com estas não pretendem se casar.)

c) A história dessa peça se passa no Rio de Janeiro, no ano de 1844. Qual era a visão predominante na sociedade da época sobre a mulher? Pode-se dizer que as falas de Maricota e Chiquinha , na questão anterior, refletem as ideias do espaço e do tempo no qual vivem essas personagens? Justifique sua resposta. (No século XIX, a mulher ainda não usufruía de direitos morais igualitários quando comparadas aos homens. Tal como as personagens da peça de Martins Pena, elas passavam o tempo cosendo ou se distraindo com afazeres domésticos e outras atividades consideradas mais “femininas”, enquanto aguardavam pelo casamento. Dessa forma, pode-se afirmar que a fala de Chiquinha, por traduzir a mesma “moral” que era pregada contra as mulheres, reflete mais os valores daquele tempo e espaço, enquanto a fala de Maricota se opõe aos códigos sociais da época. Por isso, tais declarações são opostas, como foi identificado na resposta à questão anterior).

d) É possível perceber mudanças na concepção sobre a figura da mulher e seu papel social, do século XIX aos dias de hoje? Se sim, cite exemplos e diga como você avalia essa transformação. (Ouça as respostas dos alunos e incentive a discussão sobre o tema. As avaliações são de cunho pessoal, mas é importante que alterações históricas sejam notadas, como a conquista de espaços e autonomia que as mulheres tiveram ao longo dos anos, o crescimento e fortalecimento do ativismo feminino, a ampliação da consciência sobre os direitos da mulher, a reinterpretação de seu papel na sociedade e etc. Busque um debate que amplie o olhar crítico dos estudantes, para além dos preconceitos enraizados socialmente e da mera reprodução de estigmas).

Materiais complementares: Para acessar a peça integral clique aqui.

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Orientações:

  • A partir dos fragmentos acima, levante as reflexões:
  • Ao pensar sobre o papel da mulher na busca por casamento, Maricota e Chiquinha sustentam a mesma opinião? (Espera-se que os alunos reconheçam que não. Maricota defende que uma moça possa ter muitos amantes e que isso amplia suas chances de tirar um para marido. Já Chiquinha vê, no posicionamento da irmã, uma escolha “tresloucada”, ou seja, sem juízo ou bom senso, para atingir determinado fim).
  • A partir das escolhas nas falas das personagens, é possível afirmar que as irmãs Maricota e Chiquinha divergem integralmente nas opiniões a respeito do casamento? Que termos empregados nas falas das moças justificaria sua resposta? (Os alunos podem ter percepções diversas sobre a questão; mas é interessante notar que, apesar de Maricota ser obcecada em sua busca por pretendentes e se comportar, muitas vezes, de maneira leviana em suas paqueras, a irmã, Chiquinha, não dá menos importância ao casamento em si, preocupação compartilhada por ambas. Isso pode ser atestado por meio de declarações e termos que transmitem tal juízo de valor: “Não temos dote, e não é pregada à cadeira que acharemos noivo”; “Que outro futuro esperam as filhas-família, senão o casamento? É a nossa ‘senatoria’, como costumam dizer”; “Não pode, ‘nessa loteria do casamento’, quem tem muitos amantes ter mais probabilidade de tirar um para marido?”.)
  • Que sentidos as expressões “nossa senatoria” e “essa loteria do casamento” tem nas falas? A que elas se referem? Que recurso linguístico é empregado com seus usos no texto? (Talvez os alunos sintam mais dificuldade nessas questões. Ajude-os, colaborando com informação de ordem contextual, como, por exemplo: “senatoria” remete-nos ao cargo de senador, carreira já existente no ano de 1840, que contava com pessoas eleitas, pelo imperador, com base, muitas vezes, em atributos de ordem social e de “status quo”. Os casamentos, em grande parte, arranjados, seguiam lógica parecida. Às personagens da peça, sem dote e sem papel social importante, cabia conquistar o matrimônio por meio das diligências que estivessem ao seu alcance. Nesse sentido, “loteria do casamento” faz alusão ao casamento como “sorte grande”, que Maricota buscava através de muitos “lances”, apostas, tentativas e flertes. O uso desses termos no texto estabelece metáforas para melhor compreensão das referências que se faz à época.)
  • O valor que se atribuía ao casamento das mulheres mudou, se considerarmos o atual contexto social do Brasil. Como você avalia essa mudança e quais benefícios e desafios, em sua opinião, ela trouxe para a autonomia feminina, nos tempos de hoje? (A opinião é pessoal, mas se faz necessário avaliar a pertinência dos argumentos que serão desenvolvidos pelos alunos. Busque aprofundar a discussão, a fim de que a turma possa se orientar por um raciocínio crítico e não pela mera reprodução de estigmas, cristalizados pelo senso comum).
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  • Convide a turma a observar o slide acima, propondo a atividade: agora que já se sabe a quais personagens correspondem às falas, responda:

a) Antônio Domingos diz que “Quem não arrisca nada tem”. O que ele costumava arriscar? Como o personagem acabou na história?

(Ele arriscava a si mesmo e à sua segurança, ao participar de esquema fraudulento que produzia e distribuía notas falsas pelo país. Descoberto por Faustino, ele acaba ameaçado pelo protagonista e não pode mais participar do negócio. Seu destino é casar-se com Maricota, a moça namoradeira, tida como ardilosa, ao final do enredo.)

b) “Cá as arranjo de modo que rendem, e não rendem pouco”. A que se refere o pronome átono “as”, na fala? (O pronome retoma “guardas”, “rondas” e “ordens de prisão”.). De onde, no entanto, José Pimenta, retirava seus rendimentos? Seus ganhos se limitavam ao trabalho honesto?

(Não. José lucrava com o esquema de corrupção na Guarda Nacional. Além disso, participava da produção e distribuição de notas falsas, incentivado pelo velho Antônio Domingos.

c) “Não há gente para o serviço com estes maus exemplos. A impunidade desorganiza a Guarda Nacional”, diz Ambrósio. Essa fala corresponde às ações e sentimentos do personagem na peça? Descreva o perfil de Ambrósio e o papel que este desempenha.

(Ambrósio não é bom exemplo, porque se utiliza do cargo de capitão da Guarda Nacional para abusar do seu poder, ora punindo injustamente Faustino com ordens de prisão para afastá-lo de Maricota (a moça que os dois namoram), ora cobrando dinheiro ilícito para distribuir folgas aos soldados da Guarda.)

d) Considerando as falas destacadas no slide e os contextos em que elas ocorrem, relacione os substantivos em caixa alta que seriam pertinentes aos sentimentos ou traços da personalidade de cada um dos três personagens analisados.

(Mentira e medo: José Pimenta. Cobiça: Antônio Domingos. Hipocrisia: Ambrósio). (Convide os alunos a citarem mais substantivos ou adjetivos relacionados aos personagens em questão).

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Orientações:

  • Sugira que os alunos avaliem, a partir das questões abaixo, o desfecho da peça “O Judas em sábado de aleluia”.

a) A que contexto da peça se referem as falas dos personagens acima?

(Referem-se à descoberta da presença de Faustino, que estava disfarçado de boneco de Judas, tornando-se ciente dos vários segredos dos personagens.)

b) Quais foram os segredos descobertos por Faustino?

(O falso amor de Maricota, o sentimento verdadeiro de Chiquinha, além de uma série de atitudes desonestas e criminosas dos outros personagens que ele passava a espiar, quando estes se encontravam sem disfarces ou hipocrisia.)

c) Como Faustino reage diante das descobertas privilegiadas às quais teve acesso, enquanto também ele estava disfarçado? Retire do texto frase que comprove sua resposta.

(Faustino vinga-se dos outros personagens, chantageando-lhes com frases incompletas que remetem às situações flagradas por ele: “Ah, não querem? Torcem o focinho? Então, escutem a história de um barril de paios, em que…”; “Não quer? Olhe que o mando da parte da…; “Vou já daqui gritando que a filha do cabo Pimenta namora como uma danada, que quis roubar… Então, quer que eu continue ou quer casar-se?”)

d) Na peça escrita por Martins Pena, a maioria das personagens parecem agir de acordo com os próprios interesses momentâneos, independentemente de serem corretos ou não. Faustino, ao vingar-se dos demais, foge a essa constante?

(Espera-se que os alunos reconheçam que, por mais que o protagonista esteja investido de motivos, suas razões são pessoais, pois se sente traído por Maricota, prejudicado por Ambrósio e, além desses motivos, pensa em se casar com Chiquinha. Por estar inserido no jogo de dissimulações da peça, é também pela falsa aparência que ele consegue vencer. E, dada sua posição privilegiada de Judas “invisível”, “irreconhecível”, o protagonista, finalmente, se coloca para o capitão e seus comparsas. Desse modo, mostra superioridade não pelo status social, mas pelo nível de sua astúcia.)

  • e) Você concorda com os meios utilizados por Faustino para vingar-se, no desfecho da peça, e casar-se com Chiquinha? Por quê? Se não, sugira que alternativa poderia ter sido adotada pelo personagem no desfecho.

(Considere as contribuições dos alunos, aprofundando as reflexões sempre que for necessário.)

Materiais complementares: Para acessar a peça integral clique aqui.

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Tempo sugerido: 05 minutos

Orientações:

  • Para dar encerramento à aula, leia o texto do slide com os alunos e peça-lhes que, a partir dos conhecimentos adquiridos, confirmem as declarações do fragmento, recorrendo, se possível, a exemplos e referências aos momentos do texto dramático estudado.

(Nesta revisão, reflita com a turma que, tal como na antiguidade grega, “O Judas em sábado de aleluia” também trata das relações entre pessoas comuns. Os personagens dessa peça não retratam pessoas das camadas mais privilegiadas da sociedade; ao contrário, a maioria deles pertencem a uma faixa mais baixa, onde a dissimulação, a desonestidade e as pequenas contravenções espelham uma moral coletiva cujos efeitos, muitas vezes, deles, dificilmente escapamos ilesos. Os conflitos domésticos estão presentes, por exemplo, nas visões de mundo diferentes entre as irmãs Maricota e Chiquinha, no tratamento machista do pai José Pimenta “Chiquinha, vai ver minha roupa, já que estás vadia…”. Faustino é, como ilustra o fragmento acima, a personagem vítima de um engano, conhecido do espectador “Maricota, eis-me a teus pés! (Ajoelha-se e, enquanto fala, Maricota ri-se, sem que ele veja)...” . Além desse, outros enganos distribuem-se sobre o texto dramático, causando prazer, diversão ou riso do leitor: “CAPITÃO - entrando - Ora, ora, ora! E não me enganei com o Judas, pensando que era um homem? Oh, oh, está um figurão! E o mais é que está tão bem feito que parece vivo.”; “PIMENTA - Batem! ANTÔNIO - Será o chefe de polícia? Se for a polícia, queimam-se os bilhetes. PIMENTA - Qual queimam-se, nem meio queimam-se; já não há tempo senão de sermos enforcados! ANTÔNIO - Não desanime! (Batem de novo). FAUSTINO (disfarçando a voz) - Da parte da polícia! PIMENTA (caindo de joelhos) - Misericórdia! ANTÔNIO - Fujamos pelo quintal! PIMENTA - A casa não tem quintal. Minhas filhas…!”.)

  • Sugira à turma uma reflexão sobre qual costume da época da peça de Martins Pena ainda pode ser encontrado na sociedade atual. Um questionamento mais elaborado a respeito também pode ser proposto, em forma de atividade, redação, etc., como tarefa para casa.

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