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Plano de aula > Língua Portuguesa > 4º ano > Análise linguística/Semiótica

Plano de aula - Lendas indígenas: estrutura e foco narrativo

Plano de aula de Língua Portuguesa com atividades para 4º ano do EF sobre Lendas indígenas: estrutura e foco narrativo

Plano 04 de 15 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Andréia Cristina Berretta Martins

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Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é quarta aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero lendas indígenas e no campo de atuação Artístico-literário.
A aula faz parte do módulo de Análise linguística e semiótica.

Materiais necessários: Computador e projetor multimídia para passar os slides. Texto impresso: “É índio ou não é índio?”; livro As fabulosas fábulas de IAUARETÊ,
de Kaká Werá Jecupé (caso não disponha do livro, utilize o Material complementar para impressão), atividades impressas para desenvolver em grupos.

Informações sobre o gênero: Lendas indígenas são narrativas de tradição oral que tratam de questões vinculadas à existência e a sentimentos como o medo, a coragem, a dúvida, o amor… tratam de erros, acertos e sobre os enfrentamentos da vida, questões nem sempre fáceis de ser elaboradas. No Brasil, estas lendas inicialmente foram escritas por não indígenas, no intuito de fazer conhecer esta cultura em um momento histórico em que se buscava construir uma identidade nacional. Entretanto, estes primeiros escritos, de caráter folclórico muitas vezes trouxeram ideias genéricas sobre os índios. Desde os anos 90, a literatura indígena escrita pelos próprios índios vem ganhando força, e é por meio dela que buscaremos proporcionar aos alunos o conhecimento da pluralidade cultural do país, além do distanciamento de pré-julgamentos baseados em visões estereotipadas e pejorativas. Portanto, a leitura destes textos deve proporcionar a reflexão sobre como o outro vê e lê o mundo e como conta suas histórias. Nestas obras o texto é interativo e multimodal: as narrativas são permeadas de referências a sons, olfato, tato e sensações que podem ser mais bem descritas por quem de fato viveu ou esteve mais próximo dessas experiências, além de geralmente conter desenhos tradicionais (como os grafismos) e paratextos com informações adicionais relacionadas a cultura, língua e localização da etnia em questão. Estes textos literários provocam o imaginário e a fantasia, a curiosidade, sentido de descoberta e ao mesmo tempo promovem aprendizagens e questionamentos.

Dificuldades antecipadas: Alguns alunos podem apresentar dificuldade para identificar quais são os elementos estruturantes de uma narrativa como personagens, enredo, tempo, espaço e narrador, por não apresentarem fluência leitora.

Referências sobre o assunto:

THIEL, Janice Cristina. A Literatura dos Povos Indígenas e a Formação do Leitor Multicultural. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 1175-1189, out./dez. 2013. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/edreal/v38n4/09.pdf. Acesso em 07 de setembro de 2018.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ed. ática, 2002.

FARIA, M. A. Como usar a literatura infantil em sala de aula. São Paulo: Contexto, 2009.

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Tempo sugerido: 1 minuto.

Orientações: Apresente a proposta da aula para os alunos.

Introdução select-down

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Tempo sugerido: 10 minutos.

Orientações:

  • Inicie a aula dizendo aos alunos que fará a leitura em voz alta do texto “É índio ou não é índio”, de Daniel Munduruku (MUNDURUKU, Daniel. Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p.34.). Eles devem procurar identificar quem foi que escreveu a história. Ele foi escrito em primeira pessoa pelo escritor indígena Daniel Munduruku, tenha isso em mente, mas ainda não revele aos alunos (caso esteja seguindo a sequência, você vai lembrar que o autor já apareceu em algumas das aulas do bloco de leitura).
  • Leia o texto em voz alta e depois questione os alunos:
  • Quando e onde esta história se passa? (No tempo passado, em um metrô em São Paulo.)
  • Quem são os personagens centrais da história? (O índio e as duas senhoras.)
  • Houve um conflito inicial que permitiu o desenrolar dessa história. Qual foi? (As senhoras ficaram em dúvida se realmente era um índio que estava no metrô.)
  • Como o conflito se resolveu? Como foi finalizada essa narrativa? (As senhoras decidiram tirar a dúvida com o próprio índio, mas como demoraram, ele simplesmente se virou e respondeu “sim!”, confirmado que era um índio.)
  • E, afinal, quem contou esta história? Que elementos no texto confirmam sua hipótese? (A história está escrita em primeira pessoa, os verbos em primeira pessoa - tomei, ouvi, entrei- confirmam isso. Assim ela foi escrita pelo índio, que neste caso é narrador personagem. Você pode informar que este foi um o relato de uma história real vivida pelo próprio autor Daniel Munduruku.)
  • E como o índio pôde relatar o diálogo dos outros dois personagens da história? (Ele ouviu os diálogos, caso contrário não poderia relatar, já que o diálogo não era com ele. Esta ideia é importante para que os alunos percebam que se a história for narrada em primeira pessoa só será possível relatar o que foi vivido pelo personagem. Diferentemente do que ocorreria se houvesse um narrador em terceira pessoa, que é como um personagem “onipresente/onisciente”, capaz de saber de toda a trama e acontecimentos vividos por cada um dos personagens.)
  • Vocês concordam com a visão dessas senhoras sobre os índios? Expliquem.

Comentário: Caso os alunos tenham participado de outras aulas desta sequência, esta última questão será resolvida com mais facilidade. As crianças não irão concordar com as senhoras. Eles reconhecerão que as senhoras possuem um estereótipo dos índios nos trechos em que dizem que “jeans, sapatos e camisa, é roupa de branco”, quando insinuam que, ao usar “colar de dentes, estes poderiam ser dentes de gente”, e que os índios poderiam “comer gente”, gerando receio de iniciar um diálogo com ele. Caso não tenha realizado as aulas anteriores, procure instigar os alunos a pensar sobre isso: “E índio, não é gente?”. Procure ampliar a visão dos alunos sobre os indígenas e mostre que são pessoas como quaisquer outras e que também podem usar roupas comuns se estiverem na cidade. Informe ainda que cada índio tem sua cultura, com suas histórias e tradições. A cultura não é a mesma para todos índios, apesar de ter coisas em comum. A língua, por exemplo, são muitos os idiomas dos povos indígenas. Hoje muitos são bilíngues e falam também o português, e, com o contato maior entre as culturas, alguns são fluentes em até três línguas.

Materiais complementares:

A referência do texto que deve ser lido para a turma é MUNDURUKU, Daniel. “É índio ou não é índio?”, In: Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p.34.

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Tempo sugerido: 30 minutos.

Orientações:

  • Informe aos alunos que durante esta aula conhecerão uma das histórias do livro As fabulosas fábulas de IAUARETÊ, de Kaká Werá Jecupé, mostre a capa, diga aos alunos o nome da editora, Peirópolis, e que a ilustradora deste livro é a própria filha do autor, chamada Sawara, que este livro tem várias histórias interligadas.
  • Leia a biografia de Kaká Werá Jecupé e informe que Daniel Munduruku, do texto anterior, e Jecupé são escritores indígenas famosos e muito reconhecidos no mundo da literatura infanto-juvenil.

Materiais complementares: Para acessar a capa do livro e a biografia do autor para impressão clique aqui.

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Orientações:

  • Peça para os alunos observarem a ilustração e dizer brevemente o que acham que vai falar esta história. Provavelmente dirão que será a história de um índio que está caçando por possuir um arco e flecha dirigido a um animal.
  • Leia em voz alta e pausadamente o texto “Juruá e Anhangá” para os alunos.
  • No final da história tentem responder juntos oralmente as perguntas do slide, percebendo semelhanças entre a forma de composição desta narrativa e da anterior:
  • Quem narra esta história? Como vocês podem afirmar isso? (Nesta história o narrador não é personagem, o narrador é observador, podemos perceber pela forma como conta os acontecimentos vividos por Juruá, usando o pronome “ele” e verbos em terceira pessoa).
  • Quando e onde esta história se passa? (No tempo passado, em uma floresta.)
  • Quais são os personagens principais? (A mãe, Juruá, e Anhangá - o espírito da floresta.)
  • Qual é conflito inicial ou “conflito gerador”? (O conflito gerador da trama é a oposição entre Juruá, caçador imprudente, e Anhangá, o espírito protetor das florestas.)
  • Qual é a resolução do conflito? (Anhangá, buscando dar uma lição em Juruá, transforma sua mãe em cervo e ele a caça, descobrindo depois ter matado a própria mãe.)

Comentários: Em geral uma narrativa se estrutura com base em cinco elementos: tempo, espaço, personagens, trama e narrador. A trama, também conhecida como “enredo”, se baseia em um conflito, que ocorre quando algum componente da história se opõe a outro, podendo ser um fato, um personagem, uma ideia... criando uma tensão que desencadeia os fatos da história e prende a atenção do leitor (Gancho, 2002). Segundo Faria (2009), a narrativa parte de uma situação inicial que apresenta um estado de equilíbrio (ou já entrando em estado de tensão), o desenvolvimento, que consiste na modificação do estado de equilíbrio para
o desequilíbrio com o surgimento de um problema. O cerne da narrativa concentra as tentativas de solução com ou sem a ajuda de pessoas ou atos reais ou da ordem do maravilhoso. Na história de Juruá e Anhangá, bem como em outras histórias, o desequilíbrio é anunciado com um novo marcador temporal “Um dia, Anhangá, o espírito protetor das florestas, se apresentou...”

Por fim, temos o desenlace (desfecho), que pode ser bem-sucedido ou malsucedido. Quando tudo corre bem há a solução do problema e o equilíbrio inicial é recuperado. Na segunda opção o problema não é resolvido e o equilíbrio inicial não é recuperado.

Materiais complementares: Para acessar o texto impresso clique aqui.

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Orientações:

  • Divida a turma em grupos de no máximo quatro alunos.
  • Distribua o texto impresso: Juruá e Anhangá e a ficha de atividades. A questão 1 da atividade já foi respondida oralmente, agora só será preciso recapitular e escrever. Já a questão 2 traz novos desafios, peça para que respondam de acordo com o que pensam e depois convide-os para socializar as respostas.

Materiais complementares: Para acessar o texto impresso Juruá e Anhangá clique aqui.

Para acessar as atividades impressas clique aqui.

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Orientações:

  • Você pode projetar esse slide para facilitar a socialização da atividade.

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Orientações:

  • Seguem comentários para apoiar a reflexão e a socialização da atividade:

Diante da pergunta a) é provável que os alunos digam que se trata da mesma história (já que o conteúdo da narrativa é o mesmo), entretanto o final traz uma pequena diferença. O narrador neste trecho também mudou, agora é narrador personagem e escreve em primeira pessoa.

Na pergunta b) espera-se que os alunos já tenham percebido que em Juruá e Anhangá há um narrador observador que conta a história e no trecho adaptado o narrador é o próprio Juruá.

Na pergunta c) espera-se que eles justifiquem sua resposta com base nos verbos em primeira e terceira pessoa. Leve-os a perceber que no trecho adaptado, em que Juruá é narrador, os verbos em primeira pessoa geram maior proximidade com o leitor. As experiências narradas em primeira pessoa podem trazer com mais ênfase às sensações, pensamentos e ponto de vista do personagem.

Veja algumas frases do texto que podem orientar essa reflexão sobre a escrita em primeira pessoa: “Certo dia, encontrei uma borboleta branca muito bonita.”; “Eu entretanto não quis dar ouvidos para uma simples borboleta.”;

Na pergunta d) espera-se que os alunos percebam que o narrador em terceira pessoa é “onipresente” e que ele pode revelar informações ao leitor, que os personagens ainda não têm (como o fato dos animais serem o espírito da floresta - “Anhangá”). Assim na segunda história só temos esta informação quando ela é revelada ao personagem, o que pode causar mais surpresa ao leitor, ao ler o desfecho.

A última pergunta tem resposta livre, mas ao escolher se preferem uma ou outra narrativa, você pode explorar os efeitos de sentido conferidos pela mudança de narrador em cada uma das histórias. O próximo slide vai apoiar esta reflexão.

2. Neste momento, você também poderá relembrar o primeiro texto de Daniel Munduruku, o qual foi contado em primeira pessoa e o narrador além de ser personagem também é o escritor da história. Há uma percepção, por parte dos leitores, de que as narrativas indígenas, quando são contadas por indígenas (em primeira ou terceira pessoa), conseguem reunir mais traços de realidade e ter descrições mais bem detalhadas, visto que elas teriam sido vivenciadas por eles mesmos ou apreendidas por meio de narrativas orais por meio de gerações.

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Orientações:

  • Após a socialização das perguntas anteriores, projete este slide com dois trechos das narrativas estudadas, visando aprofundar a discussão.
  • Leia para a turma e questione os alunos novamente:
  • Quem contou a história no primeiro trecho? Quais efeitos de sentido provocados por esta escolha?
  • Quem contou a história no segundo trecho? Quais efeitos de sentido provocados por esta escolha?

3. Espera-se que neste momento esteja bem clara a descoberta dos alunos de que, no primeiro trecho, o narrador é observador, e, no segundo trecho, é personagem. Explique que quando o narrador conta e não participa de uma história, dizemos que esta narrativa foi contada em terceira pessoa. Quando o narrador participa da história, dizemos que a narrativa está em primeira pessoa. Destaque como os verbos no pretérito perfeito são conjugados de forma distinta em terceira pessoa “tornou (-se)”, “deixou e em primeira pessoa “tornei (-me)”, “deixei”. O mesmo não ocorre com os verbos no pretérito imperfeito, pois neste tempo verbal não há diferença na conjugação de primeira ou terceira pessoa. Ex. (eu/ele) vinha, (eu/ele) presenteava, (eu/ele) caçava...

4. Você pode chamar a atenção para a diferença entre os pontos de vista nos trechos. No segundo trecho, Juruá explica que queria ser reconhecido como excelente caçador e que “às vezes exagerava”. Tentem perceber como é diferente a sensação quando outra pessoa diz que ele é “exibicionista”, que caça pelo “prazer de matar,” deixando os animais apodrecerem na floresta. As informações nos dois trechos são semelhantes, mas a escolha das palavras causa diferentes efeitos de sentido, mostrando divergência entre dois pontos de vista.

5 Esta atividade tem o objetivo de levar os alunos a perceber que é possível que existam diferentes pontos de vista sobre uma mesma história, que pode variar de acordo com quem conta. Isso não quer dizer que o narrador não possa também falar sobre o ponto de vista do personagem, mas é mais comum que ele aja com certa imparcialidade, como quem observa os acontecimentos de fora. No caso desta narrativa em especial, o narrador apresenta certa parcialidade e demonstra se identificar mais com o ponto de vista de Anhangá.

Materiais complementares: Saiba mais sobre o foco narrativo disponível em: https://portugues.uol.com.br/literatura/foco-narrativo.html . Acesso em: 7 de setembro de 2018.

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Tempo sugerido: 9 minutos.

Orientações:

  • Projete o slide para a turma com a tabela e providencie uma cartolina (papel kraft ou papel metro) para registrar algumas respostas e deixar fixado, de preferência no painel da sala de aula para futuras consultas. Você pode também solicitar que os alunos escrevam as descobertas no caderno. Assim será possível resgatar estas informações mais adiante.
  • Sistematize com os alunos o que aprenderam durante esta aula, as perguntas devem apoiar as seguintes respostas:
  • Quando e onde se passa uma história? (Em algum tempo e espaço determinados. O espaço quando carregado de sentidos pode ser entendido também como lugar ou ambiente.)
  • Quem vivencia as histórias? (Os personagens. Informe que em histórias maiores é comum haver personagens principais e secundários.)
  • O que dispara a história? (O conflito inicial ou conflito gerador.)
  • Como a história termina? (Em geral, com o desfecho do conflito inicial.)
  • Quem pode contar as histórias? (Narrador-observador em terceira pessoa, ou narrador-personagem, que participa dos fatos, em primeira pessoa.)

Resumo da aula

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Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é quarta aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero lendas indígenas e no campo de atuação Artístico-literário.
A aula faz parte do módulo de Análise linguística e semiótica.

Materiais necessários: Computador e projetor multimídia para passar os slides. Texto impresso: “É índio ou não é índio?”; livro As fabulosas fábulas de IAUARETÊ,
de Kaká Werá Jecupé (caso não disponha do livro, utilize o Material complementar para impressão), atividades impressas para desenvolver em grupos.

Informações sobre o gênero: Lendas indígenas são narrativas de tradição oral que tratam de questões vinculadas à existência e a sentimentos como o medo, a coragem, a dúvida, o amor… tratam de erros, acertos e sobre os enfrentamentos da vida, questões nem sempre fáceis de ser elaboradas. No Brasil, estas lendas inicialmente foram escritas por não indígenas, no intuito de fazer conhecer esta cultura em um momento histórico em que se buscava construir uma identidade nacional. Entretanto, estes primeiros escritos, de caráter folclórico muitas vezes trouxeram ideias genéricas sobre os índios. Desde os anos 90, a literatura indígena escrita pelos próprios índios vem ganhando força, e é por meio dela que buscaremos proporcionar aos alunos o conhecimento da pluralidade cultural do país, além do distanciamento de pré-julgamentos baseados em visões estereotipadas e pejorativas. Portanto, a leitura destes textos deve proporcionar a reflexão sobre como o outro vê e lê o mundo e como conta suas histórias. Nestas obras o texto é interativo e multimodal: as narrativas são permeadas de referências a sons, olfato, tato e sensações que podem ser mais bem descritas por quem de fato viveu ou esteve mais próximo dessas experiências, além de geralmente conter desenhos tradicionais (como os grafismos) e paratextos com informações adicionais relacionadas a cultura, língua e localização da etnia em questão. Estes textos literários provocam o imaginário e a fantasia, a curiosidade, sentido de descoberta e ao mesmo tempo promovem aprendizagens e questionamentos.

Dificuldades antecipadas: Alguns alunos podem apresentar dificuldade para identificar quais são os elementos estruturantes de uma narrativa como personagens, enredo, tempo, espaço e narrador, por não apresentarem fluência leitora.

Referências sobre o assunto:

THIEL, Janice Cristina. A Literatura dos Povos Indígenas e a Formação do Leitor Multicultural. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 1175-1189, out./dez. 2013. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/edreal/v38n4/09.pdf. Acesso em 07 de setembro de 2018.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. São Paulo: Ed. ática, 2002.

FARIA, M. A. Como usar a literatura infantil em sala de aula. São Paulo: Contexto, 2009.

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Tempo sugerido: 1 minuto.

Orientações: Apresente a proposta da aula para os alunos.

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Tempo sugerido: 10 minutos.

Orientações:

  • Inicie a aula dizendo aos alunos que fará a leitura em voz alta do texto “É índio ou não é índio”, de Daniel Munduruku (MUNDURUKU, Daniel. Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p.34.). Eles devem procurar identificar quem foi que escreveu a história. Ele foi escrito em primeira pessoa pelo escritor indígena Daniel Munduruku, tenha isso em mente, mas ainda não revele aos alunos (caso esteja seguindo a sequência, você vai lembrar que o autor já apareceu em algumas das aulas do bloco de leitura).
  • Leia o texto em voz alta e depois questione os alunos:
  • Quando e onde esta história se passa? (No tempo passado, em um metrô em São Paulo.)
  • Quem são os personagens centrais da história? (O índio e as duas senhoras.)
  • Houve um conflito inicial que permitiu o desenrolar dessa história. Qual foi? (As senhoras ficaram em dúvida se realmente era um índio que estava no metrô.)
  • Como o conflito se resolveu? Como foi finalizada essa narrativa? (As senhoras decidiram tirar a dúvida com o próprio índio, mas como demoraram, ele simplesmente se virou e respondeu “sim!”, confirmado que era um índio.)
  • E, afinal, quem contou esta história? Que elementos no texto confirmam sua hipótese? (A história está escrita em primeira pessoa, os verbos em primeira pessoa - tomei, ouvi, entrei- confirmam isso. Assim ela foi escrita pelo índio, que neste caso é narrador personagem. Você pode informar que este foi um o relato de uma história real vivida pelo próprio autor Daniel Munduruku.)
  • E como o índio pôde relatar o diálogo dos outros dois personagens da história? (Ele ouviu os diálogos, caso contrário não poderia relatar, já que o diálogo não era com ele. Esta ideia é importante para que os alunos percebam que se a história for narrada em primeira pessoa só será possível relatar o que foi vivido pelo personagem. Diferentemente do que ocorreria se houvesse um narrador em terceira pessoa, que é como um personagem “onipresente/onisciente”, capaz de saber de toda a trama e acontecimentos vividos por cada um dos personagens.)
  • Vocês concordam com a visão dessas senhoras sobre os índios? Expliquem.

Comentário: Caso os alunos tenham participado de outras aulas desta sequência, esta última questão será resolvida com mais facilidade. As crianças não irão concordar com as senhoras. Eles reconhecerão que as senhoras possuem um estereótipo dos índios nos trechos em que dizem que “jeans, sapatos e camisa, é roupa de branco”, quando insinuam que, ao usar “colar de dentes, estes poderiam ser dentes de gente”, e que os índios poderiam “comer gente”, gerando receio de iniciar um diálogo com ele. Caso não tenha realizado as aulas anteriores, procure instigar os alunos a pensar sobre isso: “E índio, não é gente?”. Procure ampliar a visão dos alunos sobre os indígenas e mostre que são pessoas como quaisquer outras e que também podem usar roupas comuns se estiverem na cidade. Informe ainda que cada índio tem sua cultura, com suas histórias e tradições. A cultura não é a mesma para todos índios, apesar de ter coisas em comum. A língua, por exemplo, são muitos os idiomas dos povos indígenas. Hoje muitos são bilíngues e falam também o português, e, com o contato maior entre as culturas, alguns são fluentes em até três línguas.

Materiais complementares:

A referência do texto que deve ser lido para a turma é MUNDURUKU, Daniel. “É índio ou não é índio?”, In: Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p.34.

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Tempo sugerido: 30 minutos.

Orientações:

  • Informe aos alunos que durante esta aula conhecerão uma das histórias do livro As fabulosas fábulas de IAUARETÊ, de Kaká Werá Jecupé, mostre a capa, diga aos alunos o nome da editora, Peirópolis, e que a ilustradora deste livro é a própria filha do autor, chamada Sawara, que este livro tem várias histórias interligadas.
  • Leia a biografia de Kaká Werá Jecupé e informe que Daniel Munduruku, do texto anterior, e Jecupé são escritores indígenas famosos e muito reconhecidos no mundo da literatura infanto-juvenil.

Materiais complementares: Para acessar a capa do livro e a biografia do autor para impressão clique aqui.

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Orientações:

  • Peça para os alunos observarem a ilustração e dizer brevemente o que acham que vai falar esta história. Provavelmente dirão que será a história de um índio que está caçando por possuir um arco e flecha dirigido a um animal.
  • Leia em voz alta e pausadamente o texto “Juruá e Anhangá” para os alunos.
  • No final da história tentem responder juntos oralmente as perguntas do slide, percebendo semelhanças entre a forma de composição desta narrativa e da anterior:
  • Quem narra esta história? Como vocês podem afirmar isso? (Nesta história o narrador não é personagem, o narrador é observador, podemos perceber pela forma como conta os acontecimentos vividos por Juruá, usando o pronome “ele” e verbos em terceira pessoa).
  • Quando e onde esta história se passa? (No tempo passado, em uma floresta.)
  • Quais são os personagens principais? (A mãe, Juruá, e Anhangá - o espírito da floresta.)
  • Qual é conflito inicial ou “conflito gerador”? (O conflito gerador da trama é a oposição entre Juruá, caçador imprudente, e Anhangá, o espírito protetor das florestas.)
  • Qual é a resolução do conflito? (Anhangá, buscando dar uma lição em Juruá, transforma sua mãe em cervo e ele a caça, descobrindo depois ter matado a própria mãe.)

Comentários: Em geral uma narrativa se estrutura com base em cinco elementos: tempo, espaço, personagens, trama e narrador. A trama, também conhecida como “enredo”, se baseia em um conflito, que ocorre quando algum componente da história se opõe a outro, podendo ser um fato, um personagem, uma ideia... criando uma tensão que desencadeia os fatos da história e prende a atenção do leitor (Gancho, 2002). Segundo Faria (2009), a narrativa parte de uma situação inicial que apresenta um estado de equilíbrio (ou já entrando em estado de tensão), o desenvolvimento, que consiste na modificação do estado de equilíbrio para
o desequilíbrio com o surgimento de um problema. O cerne da narrativa concentra as tentativas de solução com ou sem a ajuda de pessoas ou atos reais ou da ordem do maravilhoso. Na história de Juruá e Anhangá, bem como em outras histórias, o desequilíbrio é anunciado com um novo marcador temporal “Um dia, Anhangá, o espírito protetor das florestas, se apresentou...”

Por fim, temos o desenlace (desfecho), que pode ser bem-sucedido ou malsucedido. Quando tudo corre bem há a solução do problema e o equilíbrio inicial é recuperado. Na segunda opção o problema não é resolvido e o equilíbrio inicial não é recuperado.

Materiais complementares: Para acessar o texto impresso clique aqui.

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Orientações:

  • Divida a turma em grupos de no máximo quatro alunos.
  • Distribua o texto impresso: Juruá e Anhangá e a ficha de atividades. A questão 1 da atividade já foi respondida oralmente, agora só será preciso recapitular e escrever. Já a questão 2 traz novos desafios, peça para que respondam de acordo com o que pensam e depois convide-os para socializar as respostas.

Materiais complementares: Para acessar o texto impresso Juruá e Anhangá clique aqui.

Para acessar as atividades impressas clique aqui.

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Orientações:

  • Você pode projetar esse slide para facilitar a socialização da atividade.

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Orientações:

  • Seguem comentários para apoiar a reflexão e a socialização da atividade:

Diante da pergunta a) é provável que os alunos digam que se trata da mesma história (já que o conteúdo da narrativa é o mesmo), entretanto o final traz uma pequena diferença. O narrador neste trecho também mudou, agora é narrador personagem e escreve em primeira pessoa.

Na pergunta b) espera-se que os alunos já tenham percebido que em Juruá e Anhangá há um narrador observador que conta a história e no trecho adaptado o narrador é o próprio Juruá.

Na pergunta c) espera-se que eles justifiquem sua resposta com base nos verbos em primeira e terceira pessoa. Leve-os a perceber que no trecho adaptado, em que Juruá é narrador, os verbos em primeira pessoa geram maior proximidade com o leitor. As experiências narradas em primeira pessoa podem trazer com mais ênfase às sensações, pensamentos e ponto de vista do personagem.

Veja algumas frases do texto que podem orientar essa reflexão sobre a escrita em primeira pessoa: “Certo dia, encontrei uma borboleta branca muito bonita.”; “Eu entretanto não quis dar ouvidos para uma simples borboleta.”;

Na pergunta d) espera-se que os alunos percebam que o narrador em terceira pessoa é “onipresente” e que ele pode revelar informações ao leitor, que os personagens ainda não têm (como o fato dos animais serem o espírito da floresta - “Anhangá”). Assim na segunda história só temos esta informação quando ela é revelada ao personagem, o que pode causar mais surpresa ao leitor, ao ler o desfecho.

A última pergunta tem resposta livre, mas ao escolher se preferem uma ou outra narrativa, você pode explorar os efeitos de sentido conferidos pela mudança de narrador em cada uma das histórias. O próximo slide vai apoiar esta reflexão.

2. Neste momento, você também poderá relembrar o primeiro texto de Daniel Munduruku, o qual foi contado em primeira pessoa e o narrador além de ser personagem também é o escritor da história. Há uma percepção, por parte dos leitores, de que as narrativas indígenas, quando são contadas por indígenas (em primeira ou terceira pessoa), conseguem reunir mais traços de realidade e ter descrições mais bem detalhadas, visto que elas teriam sido vivenciadas por eles mesmos ou apreendidas por meio de narrativas orais por meio de gerações.

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Orientações:

  • Após a socialização das perguntas anteriores, projete este slide com dois trechos das narrativas estudadas, visando aprofundar a discussão.
  • Leia para a turma e questione os alunos novamente:
  • Quem contou a história no primeiro trecho? Quais efeitos de sentido provocados por esta escolha?
  • Quem contou a história no segundo trecho? Quais efeitos de sentido provocados por esta escolha?

3. Espera-se que neste momento esteja bem clara a descoberta dos alunos de que, no primeiro trecho, o narrador é observador, e, no segundo trecho, é personagem. Explique que quando o narrador conta e não participa de uma história, dizemos que esta narrativa foi contada em terceira pessoa. Quando o narrador participa da história, dizemos que a narrativa está em primeira pessoa. Destaque como os verbos no pretérito perfeito são conjugados de forma distinta em terceira pessoa “tornou (-se)”, “deixou e em primeira pessoa “tornei (-me)”, “deixei”. O mesmo não ocorre com os verbos no pretérito imperfeito, pois neste tempo verbal não há diferença na conjugação de primeira ou terceira pessoa. Ex. (eu/ele) vinha, (eu/ele) presenteava, (eu/ele) caçava...

4. Você pode chamar a atenção para a diferença entre os pontos de vista nos trechos. No segundo trecho, Juruá explica que queria ser reconhecido como excelente caçador e que “às vezes exagerava”. Tentem perceber como é diferente a sensação quando outra pessoa diz que ele é “exibicionista”, que caça pelo “prazer de matar,” deixando os animais apodrecerem na floresta. As informações nos dois trechos são semelhantes, mas a escolha das palavras causa diferentes efeitos de sentido, mostrando divergência entre dois pontos de vista.

5 Esta atividade tem o objetivo de levar os alunos a perceber que é possível que existam diferentes pontos de vista sobre uma mesma história, que pode variar de acordo com quem conta. Isso não quer dizer que o narrador não possa também falar sobre o ponto de vista do personagem, mas é mais comum que ele aja com certa imparcialidade, como quem observa os acontecimentos de fora. No caso desta narrativa em especial, o narrador apresenta certa parcialidade e demonstra se identificar mais com o ponto de vista de Anhangá.

Materiais complementares: Saiba mais sobre o foco narrativo disponível em: https://portugues.uol.com.br/literatura/foco-narrativo.html . Acesso em: 7 de setembro de 2018.

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Tempo sugerido: 9 minutos.

Orientações:

  • Projete o slide para a turma com a tabela e providencie uma cartolina (papel kraft ou papel metro) para registrar algumas respostas e deixar fixado, de preferência no painel da sala de aula para futuras consultas. Você pode também solicitar que os alunos escrevam as descobertas no caderno. Assim será possível resgatar estas informações mais adiante.
  • Sistematize com os alunos o que aprenderam durante esta aula, as perguntas devem apoiar as seguintes respostas:
  • Quando e onde se passa uma história? (Em algum tempo e espaço determinados. O espaço quando carregado de sentidos pode ser entendido também como lugar ou ambiente.)
  • Quem vivencia as histórias? (Os personagens. Informe que em histórias maiores é comum haver personagens principais e secundários.)
  • O que dispara a história? (O conflito inicial ou conflito gerador.)
  • Como a história termina? (Em geral, com o desfecho do conflito inicial.)
  • Quem pode contar as histórias? (Narrador-observador em terceira pessoa, ou narrador-personagem, que participa dos fatos, em primeira pessoa.)

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