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Plano de aula > Língua Portuguesa > 4º ano > Análise linguística/Semiótica

Plano de aula - Identificando sinais de pontuação

Plano de aula de Língua Portuguesa com atividades para 4º ano do EF sobre Identificando sinais de pontuação

Plano 07 de 15 • Clique aqui e veja todas as aulas desta sequência

Plano de aula alinhado à BNCC • POR: Alexandre Tolentino de Carvalho

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Sobre este plano select-down

Slide Plano Aula

Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é sétima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero carta pessoal e de reclamação, no campo de atuação da vida cotidiana e vida pública. A aula faz parte do módulo Análise Linguística e Semiótica.

Materiais necessários: slide, retroprojetor.

Carta para o Homem- micopublicada na revista Superinteressante Clique aqui

Cartela para resumo, clique aqui

Informações sobre o gênero: É inegável o prazer que podemos sentir com o recebimento de uma carta física ou com a espera por uma resposta de alguém com quem nos correspondemos. A troca de cartas entre remetente e destinatário é uma forma antiga, mas eficaz de comunicação. Atualmente ela vem perdendo seu espaço para a troca de emails e mensagens por celular, o que permite uma interação comunicativa quase em tempo real. A carta é um gênero que pode cumprir com diferentes funções sociais, entretanto, neste conjunto de aulas, priorizamos as cartas e e-mails de reclamação, reivindicação e de solicitação. Cartas como essas, fazem parte da vida cotidiana, e oportunizam ao autor o uso de tal forma de comunicação como meio de exercício de sua cidadania. É possível no entanto que essas cartas ganhem muito mais força ao serem enviadas para publicação em diferentes mídias (jornais, revistas, televisão e internet), expondo dessa forma o problema para a sociedade e cobrando, sob a vista de muitos, os responsáveis pelo problema. Nesse caso, o gênero passa a pertencer ao campo da vida pública. É possível que em uma mesma edição, de um jornal, por exemplo, venha publicada a carta de reclamação (editada) e a resposta do responsável, demonstrando desse modo que o envio da carta original e a cobrança da resposta foi realizada anteriormente à publicação do jornal.

Dificuldades antecipadas: O motivo para a existência dos sinais de pontuação consiste em trazer para a língua escrita as complexas configurações de pausas, entonações, ritmos e melodias que marcam a língua falada, constituindo efeitos de sentido dequados para o contexto em que os textos são produzidos. Portanto, alguns alunos podem encontrar dificuldades no momento de transcrever essas complexas marcas da língua falada para a língua escrita. Ao encontrarem barreiras para compreender onde se localiza o começo e o fim das orações, os alunos poderão sentir dificuldades em empregar sinais de pontuação que demarcam pausas sonoras entre as orações e que ditam o ritmo e melodia que permitem transformar a língua escrita em língua falada. Assim, os alunos podem utilizar aleatoriamente pontos finais ou vírgulas sem uma relação direta desses sinais com suas funções, simplesmente porque sabem que, em uma frase, a presença de tais sinais é obrigatória para poderem chamar de frase aquele conjunto de palavras organizadas, mesmo que ainda não tenham descoberto a real utilidade de cada um desses sinais de pontuação. Por sua vez, as dificuldades de identificar e empregar corretamente os sinais de pontuação podem comprometer a interpretação textual de modo que efeitos de sentido podem ser perdidos ou mesmo mal compreendidos durante a leitura.

Referências sobre o assunto:

MIRANDA, Neusa Salim. Reflexão metalingüística do ensino fundamental: caderno do professor. Belo Horizonte : Ceale/FaE/UFMG, 2006. (Coleção Alfabetização e Letramento). Aborda a pontuação entre as páginas P.75-79. Disponível em: http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/files/uploads/Col.%20Alfabetiza%C3%A7%C3%A3o%20e%20Letramento/Col%20Alf.Let.%2016%20Reflexao_Metalinguistica.pdf Acesso em 09 de setembro de 2018.

Título da aula select-down

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Tempo sugerido: 2 minutos

Orientações:

  • A proposta dessa aula é permitir aos alunos que se familiarizem com o uso dos sinais de pontuação para imprimir, na escrita, marcas de entonação e ritmo próprios da língua falada, permitindo que construam efeitos de sentido ao interagir com os textos escritos, relacionando-os às condições sociais em que são produzidos.
  • Leia o título da aula para os alunos e questione-os a respeito de como os sinais de pontuação podem nos ajudar na leitura e escrita de textos.

Introdução select-down

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Tempo sugerido: 8 minutos

Orientações:

  • Avise aos alunos que irão assistir um vídeo de algo que acontece todos os dias em determinado local.
  • Após assistirem ao vídeo, pergunte aos alunos;
  • Isso acontece no Brasil ou em outro país? Vocês têm ideia de onde ocorre essa cena? (Alguns alunos podem dizer que essa cena acontece no Brasil ao relacionar imagens dos carros, da via e das casas a localidades conhecidas por eles. Outros podem observar informações do vídeo ou mesmo tipos de veículos que indicam que a cena ocorreu na Índia. Se necessário, informe que a cena acontece em um país chamado Índia).
  • Por que o trânsito nesse lugar é dessa forma? (Espera-se que digam que o trânsito é dessa forma por falta de sinalização que indique a preferência de passagem de veículos ou mesmo guardas que organizem o trânsito).
  • O que falta nesse lugar para melhorar o trânsito de pessoas e automóveis? (Resposta espontânea dos alunos. Podem citar os sinais de trânsito).
  • O que pode acontecer em um lugar com um trânsito igual a esse? (Os alunos podem dizer que, em um trânsito como esse, podem acontecer muitos acidentes, atropelamentos e brigas devido à desorganização).
  • Com esse vídeo, espera-se que percebam que a falta de sinais de trânsito permite que as pessoas façam o que querem no trânsito, sem seguir nenhuma regra e que isso pode provocar muitos acidentes.

Materiais complementares:

Vídeo Trânsito louco na índia, Youtube, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=H40YWwbjWZg . Acesso em 07 de outubro de 2018.

Introdução select-down

Slide Plano Aula

Orientações:

  • Aqui estamos estabelecendo uma comparação entre os sinais de trânsito e os sinais de pontuação. É importante que os alunos possam compreender que, assim como os sinais de trânsito nos auxiliam a interagir com os demais veículos e pedestres, os sinais de pontuação permitem que tomemos decisões ao escrever e ler um texto. Os sinais de pontuação contribuem não só com a organização do texto, mas também nos permitem expressar da melhor forma possível os sentidos que queremos atribuir as nossas produções escritas, favorecendo a interação entre leitor, escritor e texto escrito.
  • Deixe que os alunos tentem descobrir as mensagens constantes em cada placa. Caso não saibam o que significa alguma delas, dê essa informação aos alunos ou, caso haja mais tempo disponível, peça para pesquisarem. As placas, significam, na ordem de apresentação: proibido estacionar, curva sinuosa, local próprio para estacionamento regulamentado, proibido virar à direita.

Desenvolvimento select-down

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Tempo sugerido: 37 minutos

Orientações:

  • Esse é um importante momento em que se relaciona os sinais de trânsito com os sinais de pontuação. Permita que os alunos percebam os sinais de pontuação como importantes recursos da língua escrita, que se constituem como fundamental ponte entre o texto escrito e o leitor, permitindo que o escritor imprima à redação as pausas sonoras, ritmo, entonação e provoque efeitos de sentido que se completam na situação social em que ocorre a produção textual, possibilitando que o leitor reproduza esses sentidos ao interagir com o texto.
  • No texto em que irão analisar durante a aula, por exemplo, você vai perceber que o uso do sinal de interrogação foi empregado em diversas situações, não para realizar uma pergunta, mas para imprimir sentido de ironia às construções frasais como nos trechos: “Sim, eu sei. As coisas não andam lá muito fáceis para o seu lado. Mas ninguém disse que seria fácil se tornar um super-herói, certo?”

No exemplo, o ponto de interrogação, em conjunto com o termo”certo”, assume uma função fática da linguagem, ou seja, o escritor não espera uma resposta do interlocutor, mas sim objetiva testar o canal de comunicação, chamando sua atenção para algo que pode provocar sua ira, num tom jocoso e irônico.

Já no trecho seguinte, o ponto de interrogação assume o sentido de ironia de forma mais explícita: “Não bastassem essas desvantagens, você vai e escolhe um codinome desses: Homem-Mico?”

O ponto de interrogação objetiva empregar entonação irônica de modo que o nome escolhido pelo super-herói seja ridicularizado.

3. Nesse sentido, espera-se que, nessa aula, os alunos possam entrar em contato com os sinais de pontuação sendo levantada uma discussão a respeito dos vários usos desses recursos linguísticos nas produções escritas e a variedade de efeitos de sentido que podem exercer de acordo com cada texto e contexto.

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Orientações:

  • Deixe os alunos tentarem ler o texto. Depois pergunte o que sentiram ao se deparar com um texto sem sinais de pontuação.
  • Permita que possam comparar um texto sem sinais de pontuação com uma avenida sem sinais de trânsito, onde as pessoas se sentem perdidas, não sabem que atitudes tomar e não compreendem quase nada.

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Orientações:

  • Em seguida, deixe que o leiam novamente, agora com as devidas pontuações. Peça para compararem os dois textos e pergunte o que os sinais de pontuação acrescentaram à compreensão textual.
  • O ensino de pontuação tem sido marcado por escolhas didáticas que pouco auxiliam o aluno a realizar uma ação reflexiva sobre os motivos que levam o escritor a decidir que marcas da linguagem falada serão empregadas no texto por meio dos sinais de pontuação. Muitas vezes, busca-se reduzir o uso de sinais de pontuação como simples “pausas para respirar” (SILVA, 2010, p. 141) omitindo-se a importância dessas marcas linguísticas para a interação com o texto de modo a se refletir sobre as condições sociais de sua produção.
  • É essa interação reflexiva com o texto escrito que permitirá ao escritor construir e ao leitor reconstruir sentidos nos processos de escrita, leitura e compreensão textual em função da real situação social de produção. Nesse sentido, cada gênero textual carrega particularidades que permitem que os sinais de pontuação tenham funções específicas para a produção de efeitos de sentido. No caso das cartas, e especificamente das cartas de reclamação, os sinais de pontuação permitem a construção de efeitos de sentido que se constituem no contexto de insatisfação e, ao mesmo tempo, de desejo de uma demanda ser solucionada, sendo utilizados para compor um texto de cunho fortemente argumentativo. Tais efeitos, possibilitados pelo uso de sinais de pontuação, ajudam na análise das informações ao permitir a segmentação do texto em partes coerentes e relacionadas umas as outras. Isso faz com que cada informação seja adequadamente organizada no texto e, consequentemente, permite que seja favorecida a conexão das ideias presentes na carta de reclamação possibilitando uma compreensão global do texto. Assim, na carta de reclamação, os sinais de pontuação permitirão posicionar, no texto, a saudação, a explicitação do problema, a argumentação, o pedido de solução, compondo um conjunto organizado que dará sentido ao que se objetiva com esse tipo de texto. Desse modo, espera-se que entendam que os sinais de pontuação permitem compreender as informações prestadas no texto e possibilitam que o leitor empregue ritmo e melodia à leitura podendo, dessa forma, interagir com o texto ao atribuir sentidos àquilo que está lendo. Portanto, os sinais de pontuação não são meras marcas da linguagem falada, mas sim precisam ser ensinados como importantes formas de construção de efeitos de sentidos no texto escrito.

Materiais complementares:

SILVA, Alexsandro da. A aprendizagem da pontuação por alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental: uma análise a partir da produção de diferentes gêneros textuais. Cadernos de Educação | FaE/PPGE/UFPel | Pelotas [35]: 139 - 169, janeiro/abril 2010.

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Orientações:

  • Apresente o texto Carta para Homem-Mico, escrito por Amarilis Lages. Para acessar a carta publicada na revista Superinteressante Clique aqui. Se possível imprima cópias da carta para que os alunos realizem a atividade de identificar e colorir os sinais de pontuação utilizados pela autora.
  • Antes da leitura, contextualize o texto dizendo que se trata de uma carta imaginária de um vilão, o senhor Sagui, para um super herói brasileiro imaginário, o Homem-Mico, falando sobre suas trapalhadas ao combater vilões.
  • Realizem a leitura.
  • Peça para os alunos indicarem onde estão os sinais que mostram como o texto deve ser lido pintando cada tipo de sinal de pontuação com uma cor diferente. Assim, podem pintar, por exemplo, o ponto final de preto, o ponto de interrogação de vermelho, ect. Peça para pensarem sobre que tipo de comportamento o leitor deve ter quando se depara com cada sinal.
  • Em seguida, diga para os alunos falarem para toda a turma o nome dos sinais de pontuação encontrados no texto.
  • Os alunos precisam identificar a presença de ponto final, vírgula, dois pontos, ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências e aspas. Não se preocupe em fazer com que decorem os nomes dos sinais de pontuação, mas sim que possam investigar o motivo pelo qual o escritor da carta utilizou cada um desses sinais.

Material necessário:

LAGE, Amarílis. E se alguém quiser ser super-herói no Brasil? Revista Superinteressante, São Paulo, 9 fev. 2015. Disponível em: . Acesso em: 12 dez. 2018.

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Orientações:

  • Divida a turma em 7 grupos e sorteie um tipo de sinal de pontuação para cada grupo.
  • Diga que os alunos irão investigar o motivo pelo qual o escritor utilizou aquele sinal de pontuação específico, a cada aparição sua no texto.
  • Peça para lerem com calma o texto e irem discutindo com os colegas as intenções, ou seja, que tipo de efeito quis provocar: pausas, ritmo, melodia, construção de sentidos.
  • Assim, espera-se que percebam as seguintes intenções:

Ponto final: encerrar frases e demarcar pausas absolutas entre as construções frasais. No primeiro caso, o ponto final poderia ser substituído, com os devidos ajustes, por dois pontos, uma vez que serve mais para anunciar um esclarecimento (o apelo que se faz) que aparece na frase seguinte do que para encerrar um período. Indica melodia de entoação descendente, ou seja, parte-se de um tom mais alto para um tom mais baixo, como que dando-se como encerrado determinado assunto para se dar início a outro. Portanto, os alunos podem dizer que a entonação deveria ir diminuindo a voz até encerrá-la de vez. Convém pedir aos alunos para pensarem como o leitor deve adequar sua leitura ao ritmo desse sinal de pontuação e perguntar se haveria alguma ocorrência em que o ponto final poderia ser substituído por outro sinal (o que poderia ser apontado na primeira ocorrência).

Ponto de Interrogação: Como dito anteriormente, aqui os pontos de interrogação servem mais para adicionar e enfatizar a função irônica do texto do que para interrogar o destinatário da carta em uma flagrante tentativa de provocar o interlocutor testando sua paciência. Na primeira, terceira, quarta e sexta ocorrência, o ponto de interrogação se junta a alguns termos (ex.: ”certo”) produzindo uma função fática da linguagem em que o escritor objetiva testar o canal de comunicação chamando sua atenção para algo que pode provocar sua ira num tom jocoso e irônico. Na segunda ocorrência, o escritor não objetiva perguntar se o nome do personagem é mesmo Homem-Mico, mas sim deseja menosprezar o nome escolhido pelo super-herói. Na quinta e sétima vez em que utiliza esse sinal de pontuação, o autor tem como meta fazer com que seu interlocutor traga à memória uma lembrança desagradável sendo, mais uma vez, irônico e sarcástico. Na oitava ocorrência, percebe-se uma maior provocação presente na sarcástica construção “Deu pra ouvir daí minha risada malévola?” demonstrando claramente a intenção de zombar de seu interlocutor. Na última ocorrência, o escritor objetiva fechar as provocações demonstrando que está bem acima de seu opositor. O ponto de interrogação sugere que a frase deve ser entoada como uma pergunta ou dúvida. Assim, a entonação deve se dar de forma ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz de modo a enfatizar o tom de dúvida. Nesse caso, para enfatizar a ironia, a leitura adquire o tom de dúvida.

Ponto de exclamação: As duas ocorrências desse sinal de pontuação foram empregadas para enfatizar as ações desastrosas do super-herói numa tentativa de provocar o interlocutor e desqualificar sua atuação. De tal modo, as duas ocorrências permitem inferir uma entonação exclamativa de desprezo, ocorrendo uma entonação ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz.

Aspas: Somente houve uma ocorrência de aspas, momento em que se objetiva reproduzir a fala do super-herói. Portanto, os alunos podem dizer que o sinal de pontuação é usado para indicar quando o próprio super-herói está falando. No entanto, o autor da carta não reproduziu uma fala qualquer, mas sim uma fala em que o Homem-Mico se equivoca ao tentar justificar a prisão do vilão com fatos que não são, na verdade, crimes. Quanto à entonação, pode-se adequar o ritmo e melodia ao contexto em que se encontra a fala reproduzida. Portanto, os alunos podem pensar em como, em uma situação real, um herói iria relatar ao delegado as barbaridades que o bandido perigoso planejava fazer.

Vírgula: Como a quantidade de vírgulas é muito grande nesse texto, sugerimos que o professor oriente o grupo que ficou responsável por esse sinal de pontuação a investigar as ocorrências somente nos 3 primeiros parágrafos e na saudação final evitando, ao mesmo tempo, que o trabalho se torne exaustivo e que sua ocorrência em partes importantes do gênero carta deixe de ser explorada. Se preferir, selecione algumas ocorrências ao longo do texto que achar mais adequadas para sua turma. As ocorrências de vírgulas nessa carta podem indicar pausas, inflexões de vozes durante a leitura, separar vocativo, enfatizar orações e indicar termos deslocados. A primeira ocorrência de vírgula mostra-se recorrente no gênero cartas, uma vez que serve para separar o vocativo do restante do texto, dando início, assim, à transmissão das mensagens ao destinatário. Em outros lugares, há a separação do vocativo, como na oitava e nona ocorrências. As duas aparições seguintes servem para separar enumerações. A quarta, sexta e sétima ocorrências separam termos deslocados na frase ou antecipados. Por sua complexidade, provavelmente os alunos dirão que existe uma pausa entre a palavra “sim” e o restante da oração, o que, para o momento, pode ser aceito. No entanto, pergunte qual organização dos termos seria a mais adequada para a melhor compreensão da frase. Então, diga que, por terem saído de sua ordem normal, os termos precisam ser separados por vírgula. Na quinta, décima e décima terceira ocorrências, a vírgula tem como função enfatizar momentos em que o autor da carta deseja chamar a atenção do destinatário testando sua concentração. Na décima primeira ocorrência a vírgula isola orações intercaladas, ou seja, orações que interrompem o fluxo normal das ideias para adicionar algum comentário importante. Na décima segunda aparição, a vírgula separa um aposto, ou seja, uma explicação ou esclarecimento de algum termo. Por fim, a última vírgula do texto isola a despedida da carta. O uso das vírgulas, na carta, pode assumir diversas entonações ao serem feitas pausas curtas, o que pode contribuir com a construção de sentido irônico característico do texto.

Reticências: As reticências apresentam enorme importância para a construção de efeitos de sentido no texto analisado, o que de fato se dá não pela suspensão das ideias, mas pela ênfase do termo que encerra o tópico frasal causando um tom de sarcasmo. Assim, ao realizar a leitura, aquele que interage com o texto precisa realizar um alongamento da pronúncia da última palavra. Na primeira ocorrência, essa ênfase recai sobre a palavra Batman. Na segunda ocorrência, a ênfase recai na crítica ao estilo do super-herói.

Dois-pontos: A primeira ocorrência desse sinal vem para anunciar, com uma carga de crítica, o codinome escolhido pelo rival de quem escreve a carta. A segunda ocorrência apresenta o esclarecimento sobre como o escritor será franco, dizendo que o herói não vem se preparando para desempenhar seu papel. Na terceira aparição, os dois-pontos são utilizados para anunciar a síntese daquilo que disse antes, que o episódio foi vergonhoso. No entanto, o autor realiza um trocadilho utilizando como síntese o termo “que mico” reforçando o tom jocoso e irônico do discurso. Na última ocorrência, o autor traz um esclarecimento da informação anterior enfatizando o fato de que o herói está despreparado para assumir seu papel. Os dois-pontos sugerem uma breve pausa com entonação descendente, ou seja, diminui-se a voz paulatinamente.

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Orientações:

  • Faça sorteio ou peça para os alunos se apresentarem voluntariamente. Construa um clima de tranquilidade de modo que possam apresentar suas descobertas sem medo de cometer erros. Diga que são descobertas em desenvolvimento e, portanto, erros são bem vindos.

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Tempo sugerido: 5 minutos

Orientações:

  • Permita que os alunos estejam à vontade para registrar, com suas próprias palavras, as principais informações sobre os sinais de pontuação descobertas durante a aula.
  • Espera-se que possam indicar:

Ponto Final: usado no texto para indicar encerramento de um período. A entonação deve ser descendente, ou seja, a voz deve ser abaixada paulatinamente até ser encerrada totalmente dando-se pausa antes de iniciar o outro período.

Ponto de Interrogação: Usado em geral para atribuir sentido irônico ao texto. Assim, foi usado para construir função fática chamando a atenção do destinatário para provocá-lo; para menosprezar as escolhas de seu opositor, para fazer o interlocutor se lembrar de episódios desagradáveis, para provocá-lo zombando do interlocutor e para demonstrar superioridade. A frase deve ser entoada como uma pergunta ou dúvida, ocorrendo uma entonação ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz.

Ponto de exclamação: Foi empregado para enfatizar as ações desastrosas do super-herói numa tentativa de provocar o interlocutor e desqualificar sua atuação. Há uma entonação exclamativa de desprezo, ocorrendo uma entonação ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz..

Aspas: Usadas para reproduzir uma fala equivocada do super-herói enfatizando o despreparo do herói. A entonação deve ser pensada para reproduzir o ritmo e melodia próprios de quem acusa alguém de crime alegando os motivos da prisão.

Vírgula: Foram vários os usos: separar o vocativo, separar enumerações, separar termos deslocados na frase ou antecipados, enfatizar momentos em que o autor da carta deseja chamar a atenção do destinatário testando sua atenção, isolar orações intercaladas, separar aposto, ou seja, uma explicação ou esclarecimento de algum termo, isolar a despedida da carta. O uso das vírgulas, na carta, pode assumir diversas entonações ao serem feitas pausas curtas, o que pode contribuir com a construção de sentido irônico característico do texto.

Reticências: As reticências foram usadas para enfatizar o termo que encerra o tópico frasal causando um tom de sarcasmo. Assim, as reticências sugerem um alongamento da pronúncia da última palavra.

Dois-pontos: Usados para anunciar ironicamente o codinome escolhido pelo herói, para apresentar o esclarecimento sobre como o escritor será franco, para anunciar a síntese daquilo que disse antes, realizando um trocadilho com o termo “que mico” e para trazer um esclarecimento da informação apresentada anteriormente. Os dois-pontos sugerem uma breve pausa com entonação descendente, ou seja, diminui-se a voz paulatinamente.

Material necessário:

Cartela para rascunho, clique aqui

Resumo da aula

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Este slide não deve ser apresentado para os alunos, ele apenas resume o conteúdo da aula para que você, professor, possa se planejar.

Sobre esta aula: Esta é sétima aula de uma sequência de 15 planos de aula com foco no gênero carta pessoal e de reclamação, no campo de atuação da vida cotidiana e vida pública. A aula faz parte do módulo Análise Linguística e Semiótica.

Materiais necessários: slide, retroprojetor.

Carta para o Homem- micopublicada na revista Superinteressante Clique aqui

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Informações sobre o gênero: É inegável o prazer que podemos sentir com o recebimento de uma carta física ou com a espera por uma resposta de alguém com quem nos correspondemos. A troca de cartas entre remetente e destinatário é uma forma antiga, mas eficaz de comunicação. Atualmente ela vem perdendo seu espaço para a troca de emails e mensagens por celular, o que permite uma interação comunicativa quase em tempo real. A carta é um gênero que pode cumprir com diferentes funções sociais, entretanto, neste conjunto de aulas, priorizamos as cartas e e-mails de reclamação, reivindicação e de solicitação. Cartas como essas, fazem parte da vida cotidiana, e oportunizam ao autor o uso de tal forma de comunicação como meio de exercício de sua cidadania. É possível no entanto que essas cartas ganhem muito mais força ao serem enviadas para publicação em diferentes mídias (jornais, revistas, televisão e internet), expondo dessa forma o problema para a sociedade e cobrando, sob a vista de muitos, os responsáveis pelo problema. Nesse caso, o gênero passa a pertencer ao campo da vida pública. É possível que em uma mesma edição, de um jornal, por exemplo, venha publicada a carta de reclamação (editada) e a resposta do responsável, demonstrando desse modo que o envio da carta original e a cobrança da resposta foi realizada anteriormente à publicação do jornal.

Dificuldades antecipadas: O motivo para a existência dos sinais de pontuação consiste em trazer para a língua escrita as complexas configurações de pausas, entonações, ritmos e melodias que marcam a língua falada, constituindo efeitos de sentido dequados para o contexto em que os textos são produzidos. Portanto, alguns alunos podem encontrar dificuldades no momento de transcrever essas complexas marcas da língua falada para a língua escrita. Ao encontrarem barreiras para compreender onde se localiza o começo e o fim das orações, os alunos poderão sentir dificuldades em empregar sinais de pontuação que demarcam pausas sonoras entre as orações e que ditam o ritmo e melodia que permitem transformar a língua escrita em língua falada. Assim, os alunos podem utilizar aleatoriamente pontos finais ou vírgulas sem uma relação direta desses sinais com suas funções, simplesmente porque sabem que, em uma frase, a presença de tais sinais é obrigatória para poderem chamar de frase aquele conjunto de palavras organizadas, mesmo que ainda não tenham descoberto a real utilidade de cada um desses sinais de pontuação. Por sua vez, as dificuldades de identificar e empregar corretamente os sinais de pontuação podem comprometer a interpretação textual de modo que efeitos de sentido podem ser perdidos ou mesmo mal compreendidos durante a leitura.

Referências sobre o assunto:

MIRANDA, Neusa Salim. Reflexão metalingüística do ensino fundamental: caderno do professor. Belo Horizonte : Ceale/FaE/UFMG, 2006. (Coleção Alfabetização e Letramento). Aborda a pontuação entre as páginas P.75-79. Disponível em: http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/files/uploads/Col.%20Alfabetiza%C3%A7%C3%A3o%20e%20Letramento/Col%20Alf.Let.%2016%20Reflexao_Metalinguistica.pdf Acesso em 09 de setembro de 2018.

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Tempo sugerido: 2 minutos

Orientações:

  • A proposta dessa aula é permitir aos alunos que se familiarizem com o uso dos sinais de pontuação para imprimir, na escrita, marcas de entonação e ritmo próprios da língua falada, permitindo que construam efeitos de sentido ao interagir com os textos escritos, relacionando-os às condições sociais em que são produzidos.
  • Leia o título da aula para os alunos e questione-os a respeito de como os sinais de pontuação podem nos ajudar na leitura e escrita de textos.

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Tempo sugerido: 8 minutos

Orientações:

  • Avise aos alunos que irão assistir um vídeo de algo que acontece todos os dias em determinado local.
  • Após assistirem ao vídeo, pergunte aos alunos;
  • Isso acontece no Brasil ou em outro país? Vocês têm ideia de onde ocorre essa cena? (Alguns alunos podem dizer que essa cena acontece no Brasil ao relacionar imagens dos carros, da via e das casas a localidades conhecidas por eles. Outros podem observar informações do vídeo ou mesmo tipos de veículos que indicam que a cena ocorreu na Índia. Se necessário, informe que a cena acontece em um país chamado Índia).
  • Por que o trânsito nesse lugar é dessa forma? (Espera-se que digam que o trânsito é dessa forma por falta de sinalização que indique a preferência de passagem de veículos ou mesmo guardas que organizem o trânsito).
  • O que falta nesse lugar para melhorar o trânsito de pessoas e automóveis? (Resposta espontânea dos alunos. Podem citar os sinais de trânsito).
  • O que pode acontecer em um lugar com um trânsito igual a esse? (Os alunos podem dizer que, em um trânsito como esse, podem acontecer muitos acidentes, atropelamentos e brigas devido à desorganização).
  • Com esse vídeo, espera-se que percebam que a falta de sinais de trânsito permite que as pessoas façam o que querem no trânsito, sem seguir nenhuma regra e que isso pode provocar muitos acidentes.

Materiais complementares:

Vídeo Trânsito louco na índia, Youtube, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=H40YWwbjWZg . Acesso em 07 de outubro de 2018.

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Orientações:

  • Aqui estamos estabelecendo uma comparação entre os sinais de trânsito e os sinais de pontuação. É importante que os alunos possam compreender que, assim como os sinais de trânsito nos auxiliam a interagir com os demais veículos e pedestres, os sinais de pontuação permitem que tomemos decisões ao escrever e ler um texto. Os sinais de pontuação contribuem não só com a organização do texto, mas também nos permitem expressar da melhor forma possível os sentidos que queremos atribuir as nossas produções escritas, favorecendo a interação entre leitor, escritor e texto escrito.
  • Deixe que os alunos tentem descobrir as mensagens constantes em cada placa. Caso não saibam o que significa alguma delas, dê essa informação aos alunos ou, caso haja mais tempo disponível, peça para pesquisarem. As placas, significam, na ordem de apresentação: proibido estacionar, curva sinuosa, local próprio para estacionamento regulamentado, proibido virar à direita.
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Tempo sugerido: 37 minutos

Orientações:

  • Esse é um importante momento em que se relaciona os sinais de trânsito com os sinais de pontuação. Permita que os alunos percebam os sinais de pontuação como importantes recursos da língua escrita, que se constituem como fundamental ponte entre o texto escrito e o leitor, permitindo que o escritor imprima à redação as pausas sonoras, ritmo, entonação e provoque efeitos de sentido que se completam na situação social em que ocorre a produção textual, possibilitando que o leitor reproduza esses sentidos ao interagir com o texto.
  • No texto em que irão analisar durante a aula, por exemplo, você vai perceber que o uso do sinal de interrogação foi empregado em diversas situações, não para realizar uma pergunta, mas para imprimir sentido de ironia às construções frasais como nos trechos: “Sim, eu sei. As coisas não andam lá muito fáceis para o seu lado. Mas ninguém disse que seria fácil se tornar um super-herói, certo?”

No exemplo, o ponto de interrogação, em conjunto com o termo”certo”, assume uma função fática da linguagem, ou seja, o escritor não espera uma resposta do interlocutor, mas sim objetiva testar o canal de comunicação, chamando sua atenção para algo que pode provocar sua ira, num tom jocoso e irônico.

Já no trecho seguinte, o ponto de interrogação assume o sentido de ironia de forma mais explícita: “Não bastassem essas desvantagens, você vai e escolhe um codinome desses: Homem-Mico?”

O ponto de interrogação objetiva empregar entonação irônica de modo que o nome escolhido pelo super-herói seja ridicularizado.

3. Nesse sentido, espera-se que, nessa aula, os alunos possam entrar em contato com os sinais de pontuação sendo levantada uma discussão a respeito dos vários usos desses recursos linguísticos nas produções escritas e a variedade de efeitos de sentido que podem exercer de acordo com cada texto e contexto.

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Orientações:

  • Deixe os alunos tentarem ler o texto. Depois pergunte o que sentiram ao se deparar com um texto sem sinais de pontuação.
  • Permita que possam comparar um texto sem sinais de pontuação com uma avenida sem sinais de trânsito, onde as pessoas se sentem perdidas, não sabem que atitudes tomar e não compreendem quase nada.
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Orientações:

  • Em seguida, deixe que o leiam novamente, agora com as devidas pontuações. Peça para compararem os dois textos e pergunte o que os sinais de pontuação acrescentaram à compreensão textual.
  • O ensino de pontuação tem sido marcado por escolhas didáticas que pouco auxiliam o aluno a realizar uma ação reflexiva sobre os motivos que levam o escritor a decidir que marcas da linguagem falada serão empregadas no texto por meio dos sinais de pontuação. Muitas vezes, busca-se reduzir o uso de sinais de pontuação como simples “pausas para respirar” (SILVA, 2010, p. 141) omitindo-se a importância dessas marcas linguísticas para a interação com o texto de modo a se refletir sobre as condições sociais de sua produção.
  • É essa interação reflexiva com o texto escrito que permitirá ao escritor construir e ao leitor reconstruir sentidos nos processos de escrita, leitura e compreensão textual em função da real situação social de produção. Nesse sentido, cada gênero textual carrega particularidades que permitem que os sinais de pontuação tenham funções específicas para a produção de efeitos de sentido. No caso das cartas, e especificamente das cartas de reclamação, os sinais de pontuação permitem a construção de efeitos de sentido que se constituem no contexto de insatisfação e, ao mesmo tempo, de desejo de uma demanda ser solucionada, sendo utilizados para compor um texto de cunho fortemente argumentativo. Tais efeitos, possibilitados pelo uso de sinais de pontuação, ajudam na análise das informações ao permitir a segmentação do texto em partes coerentes e relacionadas umas as outras. Isso faz com que cada informação seja adequadamente organizada no texto e, consequentemente, permite que seja favorecida a conexão das ideias presentes na carta de reclamação possibilitando uma compreensão global do texto. Assim, na carta de reclamação, os sinais de pontuação permitirão posicionar, no texto, a saudação, a explicitação do problema, a argumentação, o pedido de solução, compondo um conjunto organizado que dará sentido ao que se objetiva com esse tipo de texto. Desse modo, espera-se que entendam que os sinais de pontuação permitem compreender as informações prestadas no texto e possibilitam que o leitor empregue ritmo e melodia à leitura podendo, dessa forma, interagir com o texto ao atribuir sentidos àquilo que está lendo. Portanto, os sinais de pontuação não são meras marcas da linguagem falada, mas sim precisam ser ensinados como importantes formas de construção de efeitos de sentidos no texto escrito.

Materiais complementares:

SILVA, Alexsandro da. A aprendizagem da pontuação por alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental: uma análise a partir da produção de diferentes gêneros textuais. Cadernos de Educação | FaE/PPGE/UFPel | Pelotas [35]: 139 - 169, janeiro/abril 2010.

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Orientações:

  • Apresente o texto Carta para Homem-Mico, escrito por Amarilis Lages. Para acessar a carta publicada na revista Superinteressante Clique aqui. Se possível imprima cópias da carta para que os alunos realizem a atividade de identificar e colorir os sinais de pontuação utilizados pela autora.
  • Antes da leitura, contextualize o texto dizendo que se trata de uma carta imaginária de um vilão, o senhor Sagui, para um super herói brasileiro imaginário, o Homem-Mico, falando sobre suas trapalhadas ao combater vilões.
  • Realizem a leitura.
  • Peça para os alunos indicarem onde estão os sinais que mostram como o texto deve ser lido pintando cada tipo de sinal de pontuação com uma cor diferente. Assim, podem pintar, por exemplo, o ponto final de preto, o ponto de interrogação de vermelho, ect. Peça para pensarem sobre que tipo de comportamento o leitor deve ter quando se depara com cada sinal.
  • Em seguida, diga para os alunos falarem para toda a turma o nome dos sinais de pontuação encontrados no texto.
  • Os alunos precisam identificar a presença de ponto final, vírgula, dois pontos, ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências e aspas. Não se preocupe em fazer com que decorem os nomes dos sinais de pontuação, mas sim que possam investigar o motivo pelo qual o escritor da carta utilizou cada um desses sinais.

Material necessário:

LAGE, Amarílis. E se alguém quiser ser super-herói no Brasil? Revista Superinteressante, São Paulo, 9 fev. 2015. Disponível em: . Acesso em: 12 dez. 2018.

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Orientações:

  • Divida a turma em 7 grupos e sorteie um tipo de sinal de pontuação para cada grupo.
  • Diga que os alunos irão investigar o motivo pelo qual o escritor utilizou aquele sinal de pontuação específico, a cada aparição sua no texto.
  • Peça para lerem com calma o texto e irem discutindo com os colegas as intenções, ou seja, que tipo de efeito quis provocar: pausas, ritmo, melodia, construção de sentidos.
  • Assim, espera-se que percebam as seguintes intenções:

Ponto final: encerrar frases e demarcar pausas absolutas entre as construções frasais. No primeiro caso, o ponto final poderia ser substituído, com os devidos ajustes, por dois pontos, uma vez que serve mais para anunciar um esclarecimento (o apelo que se faz) que aparece na frase seguinte do que para encerrar um período. Indica melodia de entoação descendente, ou seja, parte-se de um tom mais alto para um tom mais baixo, como que dando-se como encerrado determinado assunto para se dar início a outro. Portanto, os alunos podem dizer que a entonação deveria ir diminuindo a voz até encerrá-la de vez. Convém pedir aos alunos para pensarem como o leitor deve adequar sua leitura ao ritmo desse sinal de pontuação e perguntar se haveria alguma ocorrência em que o ponto final poderia ser substituído por outro sinal (o que poderia ser apontado na primeira ocorrência).

Ponto de Interrogação: Como dito anteriormente, aqui os pontos de interrogação servem mais para adicionar e enfatizar a função irônica do texto do que para interrogar o destinatário da carta em uma flagrante tentativa de provocar o interlocutor testando sua paciência. Na primeira, terceira, quarta e sexta ocorrência, o ponto de interrogação se junta a alguns termos (ex.: ”certo”) produzindo uma função fática da linguagem em que o escritor objetiva testar o canal de comunicação chamando sua atenção para algo que pode provocar sua ira num tom jocoso e irônico. Na segunda ocorrência, o escritor não objetiva perguntar se o nome do personagem é mesmo Homem-Mico, mas sim deseja menosprezar o nome escolhido pelo super-herói. Na quinta e sétima vez em que utiliza esse sinal de pontuação, o autor tem como meta fazer com que seu interlocutor traga à memória uma lembrança desagradável sendo, mais uma vez, irônico e sarcástico. Na oitava ocorrência, percebe-se uma maior provocação presente na sarcástica construção “Deu pra ouvir daí minha risada malévola?” demonstrando claramente a intenção de zombar de seu interlocutor. Na última ocorrência, o escritor objetiva fechar as provocações demonstrando que está bem acima de seu opositor. O ponto de interrogação sugere que a frase deve ser entoada como uma pergunta ou dúvida. Assim, a entonação deve se dar de forma ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz de modo a enfatizar o tom de dúvida. Nesse caso, para enfatizar a ironia, a leitura adquire o tom de dúvida.

Ponto de exclamação: As duas ocorrências desse sinal de pontuação foram empregadas para enfatizar as ações desastrosas do super-herói numa tentativa de provocar o interlocutor e desqualificar sua atuação. De tal modo, as duas ocorrências permitem inferir uma entonação exclamativa de desprezo, ocorrendo uma entonação ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz.

Aspas: Somente houve uma ocorrência de aspas, momento em que se objetiva reproduzir a fala do super-herói. Portanto, os alunos podem dizer que o sinal de pontuação é usado para indicar quando o próprio super-herói está falando. No entanto, o autor da carta não reproduziu uma fala qualquer, mas sim uma fala em que o Homem-Mico se equivoca ao tentar justificar a prisão do vilão com fatos que não são, na verdade, crimes. Quanto à entonação, pode-se adequar o ritmo e melodia ao contexto em que se encontra a fala reproduzida. Portanto, os alunos podem pensar em como, em uma situação real, um herói iria relatar ao delegado as barbaridades que o bandido perigoso planejava fazer.

Vírgula: Como a quantidade de vírgulas é muito grande nesse texto, sugerimos que o professor oriente o grupo que ficou responsável por esse sinal de pontuação a investigar as ocorrências somente nos 3 primeiros parágrafos e na saudação final evitando, ao mesmo tempo, que o trabalho se torne exaustivo e que sua ocorrência em partes importantes do gênero carta deixe de ser explorada. Se preferir, selecione algumas ocorrências ao longo do texto que achar mais adequadas para sua turma. As ocorrências de vírgulas nessa carta podem indicar pausas, inflexões de vozes durante a leitura, separar vocativo, enfatizar orações e indicar termos deslocados. A primeira ocorrência de vírgula mostra-se recorrente no gênero cartas, uma vez que serve para separar o vocativo do restante do texto, dando início, assim, à transmissão das mensagens ao destinatário. Em outros lugares, há a separação do vocativo, como na oitava e nona ocorrências. As duas aparições seguintes servem para separar enumerações. A quarta, sexta e sétima ocorrências separam termos deslocados na frase ou antecipados. Por sua complexidade, provavelmente os alunos dirão que existe uma pausa entre a palavra “sim” e o restante da oração, o que, para o momento, pode ser aceito. No entanto, pergunte qual organização dos termos seria a mais adequada para a melhor compreensão da frase. Então, diga que, por terem saído de sua ordem normal, os termos precisam ser separados por vírgula. Na quinta, décima e décima terceira ocorrências, a vírgula tem como função enfatizar momentos em que o autor da carta deseja chamar a atenção do destinatário testando sua concentração. Na décima primeira ocorrência a vírgula isola orações intercaladas, ou seja, orações que interrompem o fluxo normal das ideias para adicionar algum comentário importante. Na décima segunda aparição, a vírgula separa um aposto, ou seja, uma explicação ou esclarecimento de algum termo. Por fim, a última vírgula do texto isola a despedida da carta. O uso das vírgulas, na carta, pode assumir diversas entonações ao serem feitas pausas curtas, o que pode contribuir com a construção de sentido irônico característico do texto.

Reticências: As reticências apresentam enorme importância para a construção de efeitos de sentido no texto analisado, o que de fato se dá não pela suspensão das ideias, mas pela ênfase do termo que encerra o tópico frasal causando um tom de sarcasmo. Assim, ao realizar a leitura, aquele que interage com o texto precisa realizar um alongamento da pronúncia da última palavra. Na primeira ocorrência, essa ênfase recai sobre a palavra Batman. Na segunda ocorrência, a ênfase recai na crítica ao estilo do super-herói.

Dois-pontos: A primeira ocorrência desse sinal vem para anunciar, com uma carga de crítica, o codinome escolhido pelo rival de quem escreve a carta. A segunda ocorrência apresenta o esclarecimento sobre como o escritor será franco, dizendo que o herói não vem se preparando para desempenhar seu papel. Na terceira aparição, os dois-pontos são utilizados para anunciar a síntese daquilo que disse antes, que o episódio foi vergonhoso. No entanto, o autor realiza um trocadilho utilizando como síntese o termo “que mico” reforçando o tom jocoso e irônico do discurso. Na última ocorrência, o autor traz um esclarecimento da informação anterior enfatizando o fato de que o herói está despreparado para assumir seu papel. Os dois-pontos sugerem uma breve pausa com entonação descendente, ou seja, diminui-se a voz paulatinamente.

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Orientações:

  • Faça sorteio ou peça para os alunos se apresentarem voluntariamente. Construa um clima de tranquilidade de modo que possam apresentar suas descobertas sem medo de cometer erros. Diga que são descobertas em desenvolvimento e, portanto, erros são bem vindos.
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Tempo sugerido: 5 minutos

Orientações:

  • Permita que os alunos estejam à vontade para registrar, com suas próprias palavras, as principais informações sobre os sinais de pontuação descobertas durante a aula.
  • Espera-se que possam indicar:

Ponto Final: usado no texto para indicar encerramento de um período. A entonação deve ser descendente, ou seja, a voz deve ser abaixada paulatinamente até ser encerrada totalmente dando-se pausa antes de iniciar o outro período.

Ponto de Interrogação: Usado em geral para atribuir sentido irônico ao texto. Assim, foi usado para construir função fática chamando a atenção do destinatário para provocá-lo; para menosprezar as escolhas de seu opositor, para fazer o interlocutor se lembrar de episódios desagradáveis, para provocá-lo zombando do interlocutor e para demonstrar superioridade. A frase deve ser entoada como uma pergunta ou dúvida, ocorrendo uma entonação ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz.

Ponto de exclamação: Foi empregado para enfatizar as ações desastrosas do super-herói numa tentativa de provocar o interlocutor e desqualificar sua atuação. Há uma entonação exclamativa de desprezo, ocorrendo uma entonação ascendente, ou seja, há elevação gradativa da voz..

Aspas: Usadas para reproduzir uma fala equivocada do super-herói enfatizando o despreparo do herói. A entonação deve ser pensada para reproduzir o ritmo e melodia próprios de quem acusa alguém de crime alegando os motivos da prisão.

Vírgula: Foram vários os usos: separar o vocativo, separar enumerações, separar termos deslocados na frase ou antecipados, enfatizar momentos em que o autor da carta deseja chamar a atenção do destinatário testando sua atenção, isolar orações intercaladas, separar aposto, ou seja, uma explicação ou esclarecimento de algum termo, isolar a despedida da carta. O uso das vírgulas, na carta, pode assumir diversas entonações ao serem feitas pausas curtas, o que pode contribuir com a construção de sentido irônico característico do texto.

Reticências: As reticências foram usadas para enfatizar o termo que encerra o tópico frasal causando um tom de sarcasmo. Assim, as reticências sugerem um alongamento da pronúncia da última palavra.

Dois-pontos: Usados para anunciar ironicamente o codinome escolhido pelo herói, para apresentar o esclarecimento sobre como o escritor será franco, para anunciar a síntese daquilo que disse antes, realizando um trocadilho com o termo “que mico” e para trazer um esclarecimento da informação apresentada anteriormente. Os dois-pontos sugerem uma breve pausa com entonação descendente, ou seja, diminui-se a voz paulatinamente.

Material necessário:

Cartela para rascunho, clique aqui

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