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07 de Março de 2018 Imprimir
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Dois brasileiros concorrem ao “Nobel da Educação”

Global Teacher Prize premia contribuições de maior impacto com prêmio de mais de R$ 3 milhões

Por: Laís Semis
 À esquerda, Diego Mahfouz, ganhador do Prêmio Educador Nota 10 em 2015. À direita, Rubens Ferronato usando o Multiplano em sala. Crédito: Fernando Gazinhato e acervo pessoal Rubens Ferronato

Os brasileiros Diego Mahfouz Faria Lima e Rubens Ferronato estão entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize (“Prêmio Professor Global”, em tradução livre), considerado o “Nobel da Educação”. Sob a perspectiva de que a Educação é importante para reduzir problemas sociais, políticos, econômicos e de saúde, o prêmio busca reconhecer as iniciativas dos professores que têm um impacto não só na aprendizagem dos estudantes, mas também na comunidade.

LEIA MAIS: O que é o Global Teacher Prize, que pode eleger um brasileiro como o melhor professor do mundo

O vencedor de 2018 será anunciado em Dubai, nos Emirados Árabes, em 18 de março. Criado pela Varkey Foundation, organização sem fins lucrativos que investe na área de Educação no mundo todo, o Global Teacher Prize teve sua primeira edição em 2015 e sua recompensa é de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 3,1 milhões. Podem se inscrever os educadores que tenham trabalhado com alunos entre 5 e 18 anos.  

Conheça os projetos dos brasileiros finalistas

O diretor Diego Faria Lima está entre os finalistas pelo trabalho desenvolvido em 2014 na Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto (SP). Em 2013, com 827 alunos no Fundamental, as suspensões chegavam a cerca de 60 por semana e a evasão foi de 200 alunos. Com o trabalho em parceria com os alunos e a comunidade, a Darcy Ribeiro terminou o ano de 2014 com apenas 2 alunos evadidos e zerou as suspensões. Entre as ações, o gestor da instituição instaurou a mediação de conflitos entre pares, tutoria, mudança no modelo de avaliações, projetos extra-curriculares e atividades aos finais de semana. O mesmo projeto que concorre ao Global Teacher foi ganhador do Prêmio Educador Nota 10 em 2015, iniciativa das Fundações Victor Civita e Roberto Marinho.

“Muitas vezes temos bons projetos na escola, que são simples e replicáveis, e não valorizamos, nem divulgamos”, diz Diego. A visibilidade ao trabalho desenvolvido na Darcy Ribeiro veio quando ele se inscreveu no Educador Nota 10. “Um projeto pode ser a chave de uma transformação inteira. E nada mais gratificante do que poder compartilhar a experiência e fazer a diferença na vida de tantas crianças e jovens tão carentes, como a da comunidade em que minha escola está inserida”, afirma.

O projeto de Rubens Ferronato - intitulado Multiplano - surgiu em 2000 ao se deparar com o desafio de ensinar tabelas e gráficos a um aluno com deficiência visual. A ideia para superar essa barreira veio ao olhar produtos em uma casa de materiais de construção. Com uma placa perfurada com pinos de plástico e elásticos, ele desenvolveu um material didático que auxilia os alunos com deficiência visual na compreensão dos conceitos de Matemática e permite ensinar até 108 conceitos de matemática estatística.

Embora tenha surgido em uma sala de Ensino Superior, o projeto criado por Rubens é utilizado atualmente em mais de 200 escolas em todo o Brasil. “Às vezes, não temos mensuração sobre o que é ser finalista de um prêmio global, mas é um reconhecimento muito valioso e de impacto muito grande”, conta. A primeira premiação do Multiplano firmou um compromisso maior entre o professor e a sociedade. Depois disso, ele desenvolveu outros quatro materiais para auxiliar na aprendizagem dos alunos cegos. Para o professor, um prêmio desse porte vai muito além de ampliar o reconhecimento e trazer oportunidades para a carreira. “Ele muda também meu compromisso com a sociedade e dá visibilidade para um material que pode ajudar muitos alunos ao redor do mundo”, afirma.

Edições anteriores

Esta não é a primeira vez que o Brasil aparece entre os finalistas do “Nobel da Educação”. Em 2016, Wemerson Nogueira e Valter Menezes, ambos ganhadores do Educador Nota 10, estiveram entre os 50 candidatos. Wemerson, professor de Ciências, chegou a ficar entre os 10 finalistas com o projeto desenvolvido com o 9º ano da EEEFM Antônio dos Santos Neves, de pesquisa sobre as consequências do desastre da mineradora Samarco para as comunidades ao redor da escola, no Espírito Santo. Nele, além de entrevistas com os moradores e análise de água, a turma desenvolveu filtros para utilização doméstica em higiene pessoal e limpeza da casa para a comunidade.

Em suas três edições, só mulheres conseguiram o reconhecimento do Global Teacher. No ano passado, a ganhadora foi Maggie MacDonnell, do Canadá. Nancy Atwell, dos Estados Unidos, levou o título em 2015, e Hanan Al Hroub, da Palestina, em 2016.

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