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Apresentado por
MIT Media Lab

Uma horta na escola

Como e porque mobilizar alunos, professores e comunidade para cultivar um espaço de produção de alimentos orgânicos

O que é
Projeto Orgânicos na Escola, um dos eixos do Programa Mundo Meu Micromundos - Criatividade, Inovação e Conexão Social, uma iniciativa do Instituto Francisca de Souza Peixoto, no município de Cataguases, Minas Gerais. A iniciativa é vencedora do prêmio  Desafio Aprendizagem Criativa Brasil 2017 , promovido pela Fundação Lemann , pelo MIT Media Lab e pela Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa .

Quem fez?
Liliane de Paula Mendonça,  gestora de projetos do Instituto Francisca de Souza Peixoto,  professora, especialista em Gestão Pública e mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da Companhia Industrial Cataguases e da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Leopoldina (MG) - as escolas da microrregião da Zona da Mata estão sob essa jurisdição. 


Pode te inspirar porque…
Fortalece a relação da escola e comunidade e abre tempo e espaço para a reflexão coletiva e o desenvolvimento do cultivo da horta de produtos orgânicos, cuja produção pode ser destinada para o consumo de todos.

Etapas
Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Anos
6º ao 9º e 1º ao 3º. 

Conteúdos
Biologia, Geografia, Língua Portuguesa e Matemática

Projeto Orgânicos na Escola


Alunos, professores e comunidade fazem a primeira colheita na EE Professor Quaresma

Introdução
A inovação da proposta do Orgânicos na Escola, um dos eixos do Programa Mundo Meu Micromundos - Criatividade, Inovação e Conexão Social, é ser uma iniciativa que possibilita a convergência de ações cooperativas e colaborativas de vários parceiros e de setores do órão público de um município em prol da melhoria da nutrição dos estudantes e da própria comunidade do entorno da escola. Um exemplo prático é agregar ações das secretarias de Meio Ambiente, Saúde, Assistência Social e Educação em objetivos similares com diferentes funções. A proposta também possibilita a prática do saber e do fazer coletivo. Assim, a horta de orgânicos se torna um campo vasto de aprendizagem comunitária e um laboratório de boas experiências e vivências para a comunidade, auxiliando de forma preventiva a saúde e a nutrição da comunidade escolar. O apoio voluntário dos jovens também é fundamental para o desenvolvimento do projeto. 

O projeto da horta atua na transformação ou revitalização de áreas improdutivas da escola em espaços de cultivo e socialização, que normalmente acumulam lixo, detritos e mato e se tornam espaços de risco para os alunos. 

Para delimitar um modelo replicável de projeto sustentável de horta escolar é importante que seja dimensionado um prazo de implementação, desenvolvimento e apresentação de resultados em um modelo experimental de horta orgânica na escola. Esse modelo é um protótipo da horta idealizada. Delimita-se a área total da horta e dentro desse espaço é separada uma área onde serão praticados os experimentos orgânicos com base no plano idealizado. Para tanto, é preciso identificar as necessidades da comunidade escolar e os desejos dos professores dentro das suas práticas escolares, além das suas habilidades. É necessário identificar também as oportunidades existentes nas secretarias municipais, por meio de seus projetos, capital humano e recursos disponíveis. No caso do Orgânicos na Escola, a ação teve início na EE Professor Quaresma, localizada na Taquara Preta, bairro periférico do município de Cataguases (tel. 32-3421-4539). A escola fica entre o polo industrial da cidade e o acesso à zona rural e permite condições para retirar indicadores para incentivar outras unidades e tem prazo de execução de agosto/2017 a agosto/2018.

Parte-se do princípio que o desejo escolar é o principal indicador de resultados. E a união do desejo da escola com o desejo do parceiro escolhido na comunidade para apoiar o projeto se concretiza nas ações implementadas. Os parceiros são identificados no município e no próprio bairro: pode ser as secretarias municipais, a associação de bairro, os próprios moradores do bairro ou empresas que tenham ideais afins com a disseminação de uma alimentação mais saudável no município. Empreendimentos do entorno da escola como quitandas, mercado produtor também podem ser interessar em firmar parcerias, tal como pais ou responsáveis pelos alunos que detenham algum saber sobre a produção de horta e encarem a horta comunitária como uma possibilitadora de geração de renda para a comunidade poder investir na escola, além de ter valor nutricional.

Segundo a professora Valéria Dias, de Língua Portuguesa da escola Professor Quaresma, “a Horta na Quaresma surgiu do desejo de seus educadores para reinventar e, realmente, produzir transformações significativas em suas práticas cotidianas.”

Para monitorar e avaliar o projeto é necessário obter indicadores de processo (as atividades executadas são um bom exemplo), resultado (benefícios do projeto para a escola) e impacto (alcance dos objetivos do projeto).

A iniciativa do Orgânicos na Escola tem o apoio da SRE - Superintendência Regional de Ensino de Leopoldina de Leopoldina. A assessora pedagógica Ana Paula de Moura Ferreira Dias é uma motivadora da proposta. Ela explica que, dentre variadas atividades distribuídas nos macrocampos propostos para a educação integral e integrada, o desenvolvimento de experiências sobre o cultivo da horta nas escolas é compreendido como um espaço educador sustentável, a partir do qual é permitido vivenciar processos de produção de alimentos, segurança alimentar, práticas de cultivos relacionados à biodiversidade local e à formação de farmácias vivas e de combate ao desperdício, à degradação e ao consumismo, para a melhoria da qualidade de vida dos estudantes e comunidade local.

Os macrocampos citados constam da política de Educação Integral da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, que orienta a implantação da Educação Integral nas escolas urbanas e rurais do estado. Tais orientações buscam a autonomia escolar em consonância ao Plano Nacional de Ensino, inclusive na destinação de recursos da SEE/MG às unidades escolares. Dessa forma toda escola deve escolher macrocampos e atividades referentes à sua categoria, sendo que cada unidade pode  escolher 4 macrocampos (no mínimo) e 5 (no máximo) que abordam a Educação Integral.

Para as escolas urbanas, os macrocampos abrangem:
1- Acompanhamento Pedagógico
2- Comunicação, Uso de Mídias e Cultura Digital e Tecnológica
3- Cultura, Artes e Educação Patrimonial
4 -Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária e Criativa/ Educação Econômica (Educação Financeira e Fiscal)
5- Esporte e Lazer
6- Promoção da Saúde
7- Educação em Direitos Humanos

Considerando esse universo, a horta escolar e/ou comunitária está discriminada como a primeira atividade a ser realizado no macrocampo 4.

Objetivos do Programa Orgânico na Escola 
- Garantir a segurança alimentar e nutricional dos alunos das escolas públicas do município de Cataguases.
- Fomentar hábitos de alimentação saudável nas escolas.
- Potencializar saberes e fazeres da coletividade em prol do cultivo da horta.
- Fortalecer os laços sociais entre escola, família e comunidade.

Desenvolvimento
1ª etapa
Para começar as atividades na horta escolar é preciso que a instituição de ensino faça um diagnóstico da sua área física disponível e alinhe os desejos e habilidades da comunidade, além de identificar potenciais parceiros que venham a desenhar um projeto coletivo de horta. É essencial conhecer e reconhecer o espaço escolar e fazer a identificação da lógica e sistemática da escola, além de conscientizar o corpo docente da validade do aproveitamento de espaços ociosos para implementar uma horta escolar.

2ª etapa
Momento de conscientizar, mobilizar e motivar a comunidade escolar e a comunidade do entorno para as questões de segurança alimentar e nutricional.

3ª etapa
Hora de executar as atividades - planejadas na escola, muitas vezes nas reuniões pedagógicas, momento em que o corpo docente está reunido, e nos encontros com o colegiado. É fundamental para esboçar o projeto e coletar informações, sugestões, ouvir os professores, parceiros e a comunidade.

4ª etapa
Incorporação do projeto nas práticas cotidianas da escola.

Resultados esperados
- Que o projeto Orgânicos na Escola seja um modelo replicável de ação intersetorial e participativa na promoção do acesso a alimentos de qualidade por meio de práticas sustentáveis dentro do espaço escolar.
- Que a horta escolar represente para cada escola um local peculiar para aplicação de técnicas de agroecologia, autonomia e protagonismo da comunidade escolar na captação de parcerias e socialização dessa comunidade, além de se tornar um espaço para professores de diferentes disciplinas aplicarem métodos aprazíveis de ensino e aprendizagem.

Desafios
Se na ótica do parceiro a escola é um corpo orgânico que precisa ser revitalizado, na ótica da escola ele é um elemento externo que chega, interfere pontualmente e pode ir embora a qualquer momento. Então, para quebrar esse paradigma, o maior desafio do projeto está em implantar uma contracultura do modelo de parceria, entendido até o momento como pontual ou invasivo pelas escolas do município.

A contracultura do modelo de parceria reside em buscar a sustentabilidade das ações praticadas ou projetos incentivados na escola. Requer participação efetiva do parceiro nos projetos da escola, entendendo a cultura e o clima escolar, tal como necessita dele na participação no planejamento das ações e na implementação das mesmas.

O parceiro precisa pensar junto com a comunidade escolar e, juntos, esses agentes devem buscar soluções. Não basta que o parceiro faça doação de verbas ou outros recursos para ações pontuais ou destine um projeto isolado para a escola porque é do seu agrado - isso nada mais é que marketing empresarial. A responsabilidade social do parceiro se firma no pertencimento e no “se fazer presente”, se interessando pelo impacto das ações apoiadas e na avaliação dos resultados. Ainda vale destacar que a contracultura do modelo de parceria requer que o parceiro
auxilie a escola na conquista de sua autonomia pelo viés da sustentabilidade de projetos, que trafega nas esferas econômicas, ambiental e social e de forma intersetorial. Para tanto, precisa do exercício da gestão democrática, do diálogo docente e do planejamento coletivo - áreas fragilizadas nas escolas, geralmente.

A experiência do Orgânicos na Escola na EE Professor Quaresma tem demonstrado a importância e a necessidade do apoio a professores na construção do projeto pedagógico e execução do cronograma de ações na qual estarão previstas todas as atividades da horta orgânica.

A experiência do Orgânicos na EE Professor Quaresma tem ido além dos seus objetivos. Demonstra que a escola necessita de apoio aos seus professores, de participação na construção do seu projeto pedagógico e na execução do cronograma de ações na qual estarão previstas todas as atividades da horta orgânica. Esses propósitos refletem na busca de parceiras para dar apoio técnico à escola, na efetivação da participação da comunidade do entorno nas atividades escolares e na mobilização da sociedade em geral, como corresponsável pelos resultados da escola. Além disso, esses propósitos apontam para um novo formato de escola: consciente sobre práticas alimentares promotoras de saúde e bem-estar com uma visão de longo prazo em projetos sustentáveis, que devam conectar toda a comunidade escolar.

Aprendizagens
Para introduzir uma alimentação mais saudável na escola, não basta somente criar uma horta. É necessário saber lidar com desafios do cotidiano escolar, valorizar a cultura local e apresentar para a comunidade a cultura da cooperação e do compartilhamento de ideias, projetos e recursos. Na maioria das vezes, a escola somente precisa de incentivo, organização, planejamento e alinhamento dos projetos dos professores.

É fato que muitos professores de escolas públicas se desdobram entre duas ou quatro unidades e, apesar de terem bons projetos para cada escola, se sentem sobrecarregados para se envolver em outros projetos ou dar continuidade às ações sugeridas ou implementadas por parceiros. Para resolver tal questão, a solução é investir na gestão do projeto, buscar parcerias na comunidade e focar nas necessidades de apoio técnico e de manutenção do projeto. Tudo isso requer pouco investimento financeiro e muita participação e comprometimento com a escola. A mola propulsora está no reforço contínuo do apoio institucional de parceiros na fase inicial, o que reforça e reverbera a importância das ações e confere visibilidade para a iniciativa e atores participantes. É muito importante que tudo o que for feito na horta pelos docentes seja motivado e reconhecido desde o início - uma maneira de quebrar a descrença em novos projetos.

Para projetos como a horta escolar, parceiros vindos do terceiro setor com foco em ações sociais, ambientais e culturais além de instituições públicas, como as secretarias municipais, são bem-vindos. Essas parcerias já possuem experiência em gestão de projetos e possuem recursos humanos, tecnológicos e financeiros, além de prospecção no mercado que podem potencializar o projeto coletivo de uma horta na unidade escolar, levando seus benefícios para além do consumo inteligente e nutricional. Bons parceiros podem impactar o clima escolar, contribuindo para o aumento da motivação do corpo escolar e proficiência do alunado.

No mais, é preciso ter disposição e equipe para vivenciar a escola, observar o clima escolar, construir pontes, entender a lógica e a sistemática da instituição versus escola, saber escutar a comunidade escolar e auxiliar no planejamento das suas ações. E mais: mobilizar parceiros, priorizar recursos e dar visibilidade aos projetos executados pelos professores dentro e fora do espaço escolar.

Para dar continuidade às ações e garantir a sustentabilidade do projeto é importante ainda garantir a participação efetiva de instituições e parceiros angariados, além de fazer com que se sintam presente até que a escola se sinta fortalecida e capaz de exercer sua autonomia.


Confira, abaixo, o relato de experiência de desenvolvimento do projeto na EE Professor Quaresma.

Relato de Experiência: Horta na Quaresma
A EE Professor Quaresma tinha uma área ociosa de 1.500 metros quadrados que no passado já havia sido uma horta.

1ª etapa
Por meio do projeto Lá Na Ponte do Sabiá, da professora Valéria Dias, de Língua Portuguesa, o Instituto Francisca de Souza Peixoto (mantido pela Companhia Industrial Cataguases), dentre outros parceiros, foi convidado para participar de um Café Solidário na EE Professor Quaresma, organizado pela professora e preparado pelos alunos do Ensino Fundamental e seus familiares. No período da manhã, houve a explanação do projeto da professora, apresentação da infraestrutura da escola, plantio de mudas, apresentação musical da Educação Infantil ao ar livre e o oferecimento de um café da manhã para os presentes.

Chamou a atenção do pessoal do Instituto a grande área ociosa e abandonada na lateral da escola. A professora Valéria Dias relatou que havia o desejo da direção da escola de revitalizar a horta naquele espaço. Nesse momento, foi identificado o desejo, a necessidade e a vontade comum das instituições.

Depois, foi apresentada a proposta do Orgânico nas Escolas para a diretora Célia Aparecida de Oliveira Marques e a vice-diretora Nilma de Moraes Lacerda Cenci e, esclarecida a vontade da Companhia Industrial Cataguases de ver uma ação de horta comunitária ser efetivada na EE Professor Quaresma - vale destacar que, na escola, estão matriculados muitos dos filhos dos funcionários da indústria de tecido de algodão.


2ª etapa
Foram realizadas reuniões de sensibilização e mobilização da comunidade escolar para enaltecer a importância e as potencialidades do espaço da escola a ser destinado à horta.

A direção da escola propôs que o projeto Mundo Meu fosse apresentado na reunião da entrega de notas dos alunos, onde estariam presentes os pais e responsáveis, além de todo o corpo docente e o colegiado da instituição. Na ocasião foram apresentadas também as diretrizes do Orgânicos na Escola.

O público ouviu e interagiu e a primeira ação identificada na reunião foi a necessidade da uma limpeza do espaço. Ficou acordada então a realização de um mutirão de limpeza, a ser realizado pela comunidade escolar e o Mundo Meu.

3ª etapa
A limpeza do espaço para a horta foi realizada por meio de mutirão com professores da segunda fase do Ensino Fundamental que se mobilizaram e foram juntos para a primeira capina do terreno, contando também com a participação de alguns alunos e integrantes da equipe Mundo Meu. Em especial, os jovens Eugênia Branco, nutricionista e Carlos Henrique Soares Reis, estudante do Ensino Técnico de Administração da EE Marieta Soares Teixeira, em Cataguases, que tem fascínio pela Agroecologia e contribuiu muito para que as ações do projeto na horta da Quaresma tivessem continuidade. Esses jovens são voluntários e estão em constante disposição para auxiliar a gestão do projeto nas escolas. 

Contudo, o mutirão não foi suficiente para capinar a área extensa e foi vencido pelo sol forte e a dureza do solo. Além disso, o terreno abrigava ninho de ratos e gambás e, algumas cobras tiveram de ser removidas do local, que inclusive dá acesso às salas de aula, ao salão de festas e ao teatro da escola.

Identificada a dureza do solo e mediante a extensão da área, o projeto Orgânicos na Escola contratou com recursos próprios um serviço de arado e gradeamento de trator. Assim, a limpeza do terreno foi finalmente realizada - em um dia.

O terreno ficou capinado, arado e preparado para a primeira semeadura, contando agora com a necessidade de se fazer o planejamento da horta, estudo do tipo de cultivo, forma de irrigação e medição dos canteiros. Toda essa etapa foi discutida em algumas reuniões dos módulos pedagógicos, com permissão da diretoria da escola.

Com um terreno plano e pronto a ser trabalhado, a sabedoria se fez presente. A primeira ação voluntária da comunidade chegou por meio das mãos experientes do senhor Manoel de Souza, 82 anos, pai do professor de Biologia, Wdilande Emanuel de Souza. Ele demarcou com impressionante agilidade os primeiros canteiros da horta. Nesse mesmo dia, a comunidade escolar se mobilizou em outro mutirão e foi feito o primeiro plantio de almeirão e cebolinhas, que começaram a dar frutos dois meses depois, servindo de complemento da merenda escolar. Os alunos foram convidados para essa etapa e levaram garrafas pets e tinta solúvel em água para adornar os canteiros. Esse foi um dia intenso de troca intergeracional de saberes e fazeres. Posteriormente, também foram plantadas mudas de couve-manteiga e outros alimentos.


Alunos adornaram os canteiros com garrafas PET



Professor e membro da comunidade reúnem saberes para começar o plantio

4ª etapa
Graças às reuniões, foram mobilizados os professores da segunda etapa do Ensino Fundamental e da Educação Integral para participar do projeto, que está em fase de experimentação e planejamento coletivo para a Horta na Quaresma. Outros parceiros já acenam apoio à iniciativa, como a Fundação Simão José Silva, do Grupo Bauminas, que pretende levar a Aprendizagem Criativa e o Orgânicos na Escola, junto ao Instituto Francisca Peixoto, para outras escolas dos distritos do município de Cataguases.

A professora de Geografia Silvia Cristina Pereira de Souza Carli, do 6º, 7º e 8º ano, trabalhou ativamente com os alunos na horta da Quaresma, fazendo reposição da camada do solo com húmus para a recuperação do espaço, realizando medição de canteiros e a semeadura de abóbora e hortaliças.

O professor Wdilande, por sua vez, tem trabalhado com os alunos a biodiversidade e o ciclo do carbono, fotossíntese e o estímulo à preservação ambiental. Na horta, ele também realizou, em parceria com o professor de Geografia Vitor Duarte Dutra, uma atividade com alunos do 9º ano, envolvendo o cuidado do solo e plantio de sementes, como as de jiló. As turmas também plantaram mandioca, batata doce e banana e esperam a colheita para maio, junho e julho de 2018. Wdilande e Vitor, que realiza atividades interdisciplinares na horta da Quaresma, estão muito animados com o projeto. Antes de saírem de férias no final do ano de 2017, deixaram a horta capinada.

Mais adiante, a expectativa do professor Wdilande é que comece a ser feito um planejamento para a produção de adubos por meio da compostagem, o cuidado orgânico com os alimentos e a formação de sustentabilidade do terreno onde está a horta, com o plantio de espécies para a formação de uma uma agrofloresta. Um cronograma de ações que envolva o conhecimento técnico deverá ser organizado e o Instituto Francisca Peixoto já está articulando parcerias com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Assistência Social e a EMATER.

Por identificarem a necessidade de envolver os alunos menores nas atividades do projeto, os professores já pensam em criar um cronograma com definição de responsabilidades para toda a comunidade escolar com foco em atividades para a Educação Integral.

A professora de Matemática Catarina Basílio realizou inicialmente uma dinâmica geométrica no espaço da horta com seus alunos e planeja trabalhar medidas de comprimento e perímetros além de áreas e suas medidas e orientar os alunos para destacar os canteiros geométricos e assim trabalhar habilidades de cálculos e mais além, ressaltar uma aplicação desse conteúdo na realidade do dia a dia. Ela também planeja algumas soluções, como a produção de um reservatório para armazenar água da chuva e a criação de um espaço de convivência e atividades mão na massa, bem como oficinas que envolvam a Educação Integral.

Catarina se tornou madrinha da oficina de robótica na Professor Quaresma e, juntamente com o professor Odilon José Princisval dos Santos, também do Ensino Fundamental e Médio, definiu os primeiros vinte alunos participantes. A oficina de robótica é outro projeto do Mundo Meu Micromundos que conta com o empenho dos jovens recém formados em Controle e Automação pelo CEFET/ Leopoldina, Elder Teixeira Tomazinho e Murilo Mendes Alves e do Técnico em Mecânica, o jovem Ícaro Furtado de Souza. Catarina está aprendendo a programar em Scratch para planejar aulas de Matemática dinâmicas que associem a linguagem de programação infantil com os conteúdos curriculares de Matemática e suas Tecnologias, dando destaque ao cultivo da horta, trazendo assim possibilidades de projetos criativos dentro dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).

Mudas de moringa (moringa oleifera) foram plantadas pela diretora da escola junto com auxiliares e a comunidade do entorno. Para a limpeza do local da horta e irrigação, ela organizou o revezamento dos funcionários José Nilton de Souza e Carlos Luiz Pereira nos dias letivos e nas férias .

As primeiras colheitas refletiram o sentimento coletivo de amor à escola e trouxe a emoção e motivação de ver o resultado de um trabalho coletivo. A iniciativa vem tocando a comunidade e ex-alunos já se mobilizam na doação de mudas para o plantio.


Alunos foram convidados a participar do
projeto não só para plantar,
mas para estudar
conteúdos curriculares, como fotossíntese

Avaliação
De agosto a novembro muito se fez na escola. De forma experimental, professores se doaram às práticas na horta da Quaresma, a comunidade escolar está aos poucos se mobilizando e a diretora da escola, Célia, declara que “embora ainda a construção da horta se encontre em andamento alguns resultados já podem ser observados, como o incentivo dos professores, o interesse dos alunos em participar e o consumo de alimentos saudáveis que já foi saboreado. Mas há muito que mobilizar a comunidade da importância  de uma horta comunitária, para que  o consumo desses alimentos se estenda até seus familiares.

Conteúdos curriculares trabalhados na Horta da Quaresma, segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC): 
- Matemática (6º e 7º anos): Geometria e Grandezas e Medidas
- Geografia (6º, 7º, 8º e 9º anos): Natureza, Ambientes e Qualidade de Vida
- Biologia (9º ano): 
Matéria e Energia e Vida e Evolução


E você, leitor, que tal criar uma horta na escola? Se já existe uma, compartilhe sua experiência conosco no espaço para comentários, logo abaixo!

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