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01 de Outubro de 2011 Imprimir
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Nigel Brooke: "Avaliação é apenas um ponto de partida"

Pesquisador diz que testes só apontam os problemas. As soluções devem vir do poder público

Por: Dagmar Serpa
Nigel Brooke. Foto: Pedro Motta
Nigel Brooke

O Brasil ainda estaria muito atrasado na busca por um ensino de qualidade sem o uso de instrumentos de avaliação externa de larga escala. Essa é a opinião de Nigel Brooke, professor convidado da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador da pesquisa A Avaliação Externa como Instrumento da Gestão Educacional nos Estados. Mas ele lembra que avaliar é apenas o primeiro passo.

A pesquisa mostra que o Brasil incorporou a cultura das avaliações em larga escala. Elas ajudam de fato a melhorar a Educação?
Nigel Brooke
Sem dúvida, a avaliação externa é uma contribuição importante no esforço geral para a melhoria da Educação no país. É preciso conhecer o sistema antes de modificálo. Contudo, sozinha, ela não resolve nada. Sua função é indicar a natureza dos problemas para fundamentar as políticas educacionais.

Com base nos resultados das avaliações, o que o poder público deve fazer?
Brooke
Uma das iniciativas mais acertadas que as secretarias e o próprio Ministério da Educação (MEC) podem tomar é o planejamento de diretrizes para capacitar os professores - pois ficam cada vez mais evidentes as dificuldades que eles têm para ensinar e a falta de domínio de conteúdos. Os docentes necessitam de uma formação inicial mais apropriada, de uma boa formação em serviço e de materiais de apoio de todos os tipos.

Que outros usos podem ter os resultados?
Brooke
É perfeitamente justificável usá-los para planejar a distribuição de recursos entre as escolas da rede, pois algumas avaliações permitem identificar as partes do sistema que têm mais necessidade de apoio. Porém há redes que usam os dados para tomar decisões sobre a vida funcional dos professores. Isso não é adequado porque os números brutos refletem não só o trabalho de todos os docentes que os alunos já tiveram durante a vida escolar mas também uma série de outros fatores. Sem algum cálculo de valor agregado, que identifique a contribuição específica daquele docente, não dá para tirar conclusões sobre os méritos individuais com base nas avaliações de larga escala.

Vários estados têm um sistema próprio de avaliação. Isso não se configura em um excesso de investimento para o mesmo fim?
Brooke
Não. Há evidências de que a melhoria do ensino nas redes que desenvolveram sua avaliação e vêm trabalhando insistentemente com ela é mais acentuada do que em outras. Embora o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tenha iniciado essa cultura com muita propriedade, ele só dá um panorama geral do sistema. Assim, os estados estão certos em não ficarem dependentes e buscarem informações complementares. Alguns elaboraram um currículo e precisam mesmo criar o próprio instrumento com matrizes alinhadas aos conteúdos propostos.

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