Febre amarela: o que você precisa saber

Como a doença é transmitida, quais os sintomas e como prevenir casos na escola e na comunidade

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NOVA ESCOLA
Vacinação contra febre amarela em posto de saúde  Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O ano letivo de 2018 vai começar com uma preocupação extra para diretores, professores, funcionários, pais e alunos. O surto da febre amarela registrado em vários Estados brasileiros coloca em alerta as escolas que se encontram nas chamadas áreas de risco. O Ministério da Saúde não oferece, até o momento, diretrizes específicas para que escolas possam lidar com casos - limitando-se às orientações gerais. "As orientações são as gerais, como para toda a população. Devem se vacinar pessoas que moram nas áreas com recomendação de vacinação, a partir dos nove meses de idade, que não apresentem condições clínicas especiais", afirmou a assessoria do Ministério da Saúde em e-mail.

No site do ministério há recomendações para manter distância das áreas de risco. E, se isso não for possível, que as pessoas façam uso de repelente. Além disso, a recomendação é andar com roupas de manga comprida e calças compridas para evitar picadas de mosquito. Vale lembrar que durante o surto da dengue, as autoridades públicas chegaram a fazer visitas e distribuir panfletos em escolas, além de pulverização de inseticida (conhecido como fumacê) em algumas cidades. 

O Brasil enfrenta um surto de febre amarela silvestre, o maior das últimas décadas, que levou o Ministério da Saúde a deflagrar uma campanha emergencial de vacinação. O objetivo é imunizar cerca de 20,6 milhões de pessoas entre janeiro e março nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia – áreas recentes de concentração da doença.

A preocupação decorre do aumento de casos registrados da doença. Entre janeiro e junho de 2017, foram confirmados 777 casos em 21 estados e no Distrito Federal. De julho a dezembro, outros 35 casos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Distrito Federal.

Devido ao surto, o Ministério da Saúde montou um esquema de vacinação fracionada que começará no dia 19 de fevereiro e irá até 9 de março. Os alvos são Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. Este último antecipou sua campanha para o dia 25 de janeiro. A decisão por aplicação da dose fracionada – que tem 0,1 ml, enquanto uma dose convencional tem 0,5 ml – foi feita para ampliar a vacinação nas áreas de risco, após um aumento na procura em postos de saúde. Dessa forma, uma dose que seria aplicada em uma pessoa pode ser destinada a quatro. A vacina permite a imunização por oito anos.

Há casos em que a dose completa ainda está sendo aplicada: crianças de 9 meses até 2 anos, pessoas com condições clínicas específicas (como pacientes com HIV), gestantes e viajantes que vão a países que exigem o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela da Organização Mundial de Saúde (OMS).

No total, 19,7 milhões de pessoas deverão ser vacinadas na campanha, sendo 15 milhões com a dose fracionada e outras 4,7 milhões com a dose padrão. Em São Paulo, 4,9 milhões receberão a dose fracionada e 1,4 milhão a dose padrão em 53 municípios. Já no Rio de Janeiro, 2,4 milhões de pessoas deverão receber a dose fracionada e 7,7 milhões a padrão em 15 municípios. Na Bahia, 2,5 milhões serão vacinadas com a dose fracionada e 813 mil com a dose padrão em oito municípios.

O país não registra casos de febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegypti, desde 1942. 

Vírus da febre amarela   Foto: Getty Images

 

O que é febre amarela
A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África.

Qual o microrganismo envolvido?
O vírus RNA. Arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. 

Quais os sintomas?
Os sintomas são dor de cabeça, febre baixa, calafrios, náuseas, fraqueza, vômito, dores no corpo e nas articulações, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina). Na fase mais grave, pode causar inflamação no fígado e nos rins e sangramentos na pele. 

Como é feita a transmissão?
A febre amarela é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. No ciclo da febre amarela silvestre, macacos infectados pela doença são picados por mosquitos haemagogus e sabethes. Eles então picam seres humanos, que passam a carregar o vírus. No ciclo da febre amarela urbana, os mosquitos Aedes aegypti picam seres humanos infectados e transmitem o vírus a outras pessoas. A transmissão de pessoa para pessoa não existe.

Como se prevenir?
A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. 

Como a vacina age?
Em uma pessoa que esteja com o sistema imunológico sadio, a vacina fará com que as células de defesa criem anticorpos contra a doença. Portanto, se essa pessoa for picada eventualmente por um mosquito infectado, ela terá os anticorpos necessários para combater o vírus.

Quem pode tomar a vacina?
A vacina pode ser aplicada a partir dos 9 meses até os 59 anos. O bebê pode ser vacinado a partir dos seis meses de idade, quando a criança reside em uma área em que há morte de macacos com suspeita de febre amarela e na área em que há casos de febre amarela silvestre. Para pessoas com 60 anos ou mais, a recomendação é que passem pelo médico para avaliar se seu sistema imunológico está saudável e se há possibilidade de serem infectados – no caso, se a pessoa reside em área de risco. A vacinação é indicada para residentes na zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São áreas onde a há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos). 

E quem não pode tomar a vacina?
A vacina é contraindicada a gestantes, pessoas com o sistema imunológico debilitado (imunodeprimidos) e também pessoas alérgicas a gema de ovo. Se uma pessoa com baixa imunidade – no caso de tratamento de câncer, quem toma drogas imunosupressoras como corticóides com dosagens elevadas, algumas situações de portadores de HIV em que estejam com imunossupressão – é importante conversar antes com o médico. Se gestantes, imunodeprimidos e pessoas com alergia a gema de ovo não puderem evitar a permanência na área de risco, é preciso reforçar o uso de repelentes.

Que tipo de reação a vacina pode provocar?
Pode haver reações no local da injeção e algumas pessoas podem apresentar reações como dor de cabeça, febre e mal-estar.

Retornando de um município em estado de alerta, a pessoa deve ficar atenta a quais sintomas?
Se a pessoa não está vacinada é preciso verificar sintomas como febre, dor de cabeça, dor no corpo e dor abdominal. Nessa situação, é importante procurar um serviço de saúde. 

Em quanto tempo sai o resultado de um exame para a identificação do vírus no sangue?
Esse exame é muito complexo e leva no mínimo 15 dias para ficar pronto. Mas tem um outro exame que é a sorologia, e esse é rápido, ficando pronto em 48 horas.

Há alguma restrição em relação a tomar medicamentos logo após a vacina ou para quem faz uso de medicamentos de uso controlado? Quem toma a vacina pode tomar qualquer tipo de medicamento depois.

Há alguma restrição quanto a ingerir álcool após a vacinação?
Não. Não há problema de associação de álcool com a vacina. 

Uma pessoa que tomou algumas vacinas há oito anos, mas não se lembra se incluíam febre amarela deve tomar a vacina?
Na dúvida, a recomendação é para se vacinar. 

É preciso evitar movimentos bruscos com o braço depois da vacinação?
A pessoa vacinada não precisa ter qualquer preocupação com movimentação do braço.

A febre amarela pode matar?
Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer. Nos últimos dez anos, o índice letal ficou em 46%.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante divulgação de dados sobre o surto de febre amarela no país   Foto: Fabio rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

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