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Educação 4.0: o que devemos esperar

POR:
Débora Garofalo
Foto: Getty Images

Não tem mais volta, a educação 4.0 chegou! O termo está ligado à revolução tecnológica que inclui linguagem computacional, inteligência artificial, Internet das coisas (IoT) e contempla o learning by doing que traduzindo para o português é aprender por meio da experimentação, projetos, vivências e mão na massa.

Não existe um modelo pronto para aplicar e todos podemos (e devemos) contribuir, quebrando velhos paradigmas de anos impostos em uma educação descontextualizada, pautada em transmissão de conhecimento e ambientes pouco propícios ao processo de aprendizagem. Para muitos educadores ligados ao tema, o modelo pautado na cultura maker – do faça você mesmo – é um dos caminhos.

Para discutir esses modelos e desafios aconteceu em Manaus o Hackathon Desafio “Educação 4.0: transformando a experiência de aprendizagem por meio da tecnologia”, organizado pelo Instituto CERTI Amazonas, com apoio da Positivo Tecnologia. A proposta do evento foi juntar estudantes da educação básica, universitários e professores do Estado do Amazonas para que pensassem coletivamente na educação e como transformar a experiência de aprendizagem por meio da tecnologia. Ao lidar com questões de Matemática, Língua Portuguesa, Geografia e temas contemporâneos, como economia de água, energia, meio ambiente e inclusão, as equipes empregaram linguagem de programação e os recursos da placa Micro:bit, desenvolvida pela BBC, que é um computador de placa única, com processador Arm, que estará disponível em breve no Brasil.

Um dos idealizadores da placa é Howard Back, chefe de pesquisa acadêmica e de marketing/público da Fundação Educacional Micro:bit., que partiu da proposta de tornar cada criança um construtor, não se limitando ao aprendizado da sala e aula.

Participei como convidada e mentora desse evento e em minhas conversas com especialistas brasileiros e Internacionais, propostas como o compartilhamento de vivências, a quebra dos modelos atuais de educação e investir na formação de professores ganharam relevância.

O curador do evento, Oscar Burd, especialista em soluções estratégicas de TI e presidente da Success Tecnologia e Energia, defende que as tecnologias devem revolucionar a educação do mesmo modo que revolucionaram a sociedade e nossas vidas cotidianas. Com isso, não são apenas ferramentas, mas igualmente agentes de transformação. "O aluno passa a ser ouvido e é parte atuante vital dos processos educacionais", diz. "Ele sai da passividade e aprende a virar ator. Neste sentido tem que ser ouvido e compreendido desde o início".

Cecília Waismann, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento no MindCET EdTech Innovation Centre, que reúne educadores, pesquisadores, estudantes e empresários para acelerar a inovação, enfatizou que é necessário haver uma ruptura conceitual. Segundo ela, não dá mais para esperar que as escolas façam algo, é necessário que educadores e especialistas discutam esse modelo, além de promover a criação de novos espaços e oportunidades para essa aprendizagem.

No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, o grupo de trabalho Lifelong Kindergarten (Jardim de infância continuado) foi idealizado para pensar a educação pautada no brincar a fim de explorar novos modelos, buscando soluções com uso de tecnologia e diversos materiais estruturados ou não.

O pesquisador do Media Lab do MIT, Leo Burd, defende uma aprendizagem baseada no concreto, compartilhando trabalhos e experiências, respeitando o ambiente e promovendo interação social. Para ele, permitir o erro é positivo no processo de aprendizagem. Esse modelo está sendo levado a escolas públicas brasileiras, através de uma rede brasileira de aprendizagem criativa, com intuito de promover trocas e encontros para formação docente. “Precisamos de gente inovadora que saiba usar os recursos que temos de forma criativa, consciente e colaborativa”, diz Burd.

Equipes trabalham durante o Hackathon em Manaus: soluções criativas para problemas de Matemática, Língua Portuguesa e até economia de água  Foto: Divulgação

O que devemos esperar da educação 4.0?

José Armando Valente, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), aponta que apesar de vivermos na era digital e de fazer uso de tecnologias diversas em nosso dia a dia, esse mundo não está integrado à escola. “É necessário integrar tecnologia ao currículo, explorar seu potencial e promover a conversa com as áreas de conhecimento”, afirma.

Segundo Valente, o currículo do sucesso passa a explorar metodologias ativas ao trabalhar com projetos, investigação, resoluções de problemas, produções de narrativas digitais e desenvolvimento de atividades maker, transformando as ferramentas digitais em linguagem. Mas admite que não há um único modelo a seguir. “Não devemos esperar algo pronto, o processo da Educação 4.0 está em criação”, diz.

Estamos vivendo uma revolução na educação, em que constantemente os jovens têm nos cobrando por isso. Ezequiel Menta, Diretor de Políticas e Tecnologias Educacionais da Secretaria de Educação do Estado do Paraná, afirma que é preciso repensar as ferramentas existentes, criando também possibilidades offline para que as escolas possam se apropriar da tecnologia existente, adaptando a realidade das unidades.

Essa imersão em educação e tecnologia deixou claro que é possível realizar uma educação regrada em criatividade e inventividade, usando vários recursos e contando com um ambiente baseado em experimentação com o aluno no centro do processo de aprendizagem. Equipamentos são importantes, mas é fundamental que venham acompanhados de práticas pedagógicas que possibilitam vivências significativas, respeitando docentes e alunos.

Em tempo: entre as equipes do Hackathon Manaus, três venceram o desafio e foram premiadas. Na verdade, todos vencemos, ao ter a possibilidade de aprender com o processo, trazendo novas narrativas para a educação.

Convido você, querido professor, a participar desse debate e dessa proposta, incorporando ferramentas digitais ao seu cotidiano e promovendo a revolução em sua sala de aula.

Um grande abraço e até a próxima!

Débora Denise Dias Garofalo é formada em Letras e Pedagogia e está cursando mestrado em Linguística Aplicada, Letramento Digital. Ela atua como professora na rede de ensino público em São Paulo

Equipes que participaram do Desafio no Hackathon Manaus  Foto: Divulgação

 

 

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