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Coleta seletiva: para que esse arco-íris de lixeiras?

POR:
Livia Ribeiro, Douglas Gigliotti, Edson Grandisoli
Lixeiras coloridas para coleta seletiva de lixo: obrigatório para qualquer escola
ou dinheiro jogado fora?  Foto: Getty Images

Na hora de implantar a coleta seletiva na escola, um dos primeiros passos geralmente é comprar um “kit” de lixeiras com três, quatro, cinco cores diferentes e acreditar que, com isso, a separação do material reciclável está garantida. 

Com o tempo, entretanto, começa-se a notar que isso não basta e a frustação gerada pela perda de tempo e dinheiro acaba por levar uma iniciativa tão importante, ironicamente, para o lixo. 

Um dos caminhos para escapar dessa armadilha é conhecer um pouco melhor como funciona a cadeia de gestão de resíduos recicláveis.

Cada cidade brasileira tem um programa estruturado de coleta seletiva e reciclagem. Em linhas gerais, a cadeia de gestão de resíduos recicláveis funciona assim: o resíduo reciclável é separado do não reciclável em sua fonte geradora, levado até uma cooperativa que separa e seleciona esse material e, em seguida, ele é encaminhado para indústrias recicladoras.

Dependendo da localização e do porte da escola, os recicláveis podem chegar às cooperativas de inúmeras formas. Esse é um ponto vital da cadeia que deve ser melhor compreendido. 

O transporte dos resíduos recicláveis não tem, na grande maioria dos casos, a estrutura necessária para levar esse material todo separado em plásticos, papéis, vidros e metais. Todos os recicláveis são levados juntos e misturados para as cooperativas e, somente lá, ocorre a separação dos materiais em seus diversos tipos. Só para se ter uma ideia, há vários tipos de plásticos: PET, PEAD, PP, PS, PEBD e por aí vai. 

Sendo assim, não há sentido algum comprar e instalar lixeiras de três, quatro, cinco, seis cores na escola.

Em pouquíssimos casos, como em alguns supermercados e outros pontos de coleta, pode existir a estrutura necessária para o transporte e encaminhamento do material previamente separado. Portanto, é muito importante que você, seus alunos e a comunidade escolar pesquisem e conheçam muito bem o contexto e local do qual fazem parte para entender o tratamento dado ao lixo.

Uma dica valiosa é utilizar apenas lixeiras de duas cores: verde para os recicláveis e cinza para os não-recicláveis, lembrando que os sacos plásticos utilizados devem acompanhar a cor das lixeiras. Isso facilita na hora da retirada dos resíduos da escola e garante a destinação correta de cada tipo.

A implantação de uma gestão de resíduos sólidos na escola é um prato cheio para o desenvolvimento de valores humanos e competências socioemocionais, desde que esteja integrado em um projeto maior que envolva os diferentes atores da comunidade de forma dialógica e cooperativa.

 

 

Livia Ribeiro é engenheira ambiental formada pela UNESP e cofundadora e diretora da Reconectta. Tem MBA em Gestão de Empresas e Negócios com formação modular em Berkeley, formação em Educação Popular e é pós graduanda em Educação Ambiental para Sustentabilidade.

Douglas Giglioti é diretor da Reconectta e Global Shaper pelo Fórum Econômico Mundial, educador com MBA em gestão de empresas com formação modular em Babson College. É pós-graduando em Neurociência e Psicologia Aplicada e Executive Coach certificado pelo ICI com experiência em gestão de processos e liderança no meio corporativo e educacional.

Edson Grandisoli é biólogo, Ecólogo e doutorando em Educação para a Sustentabilidade. Diretor educacional da Reconectta e Professor do Ensino Básico há 22 anos. Autor de livros didáticos e paradidáticos e palestrante.

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