Para a escritora Heloisa Prieto, a leitura deve ser um programa livre

A autora de sucessos infantis diz que não pode haver regras de leitura com crianças

POR:
NOVA ESCOLA

Heloisa Prieto foi criada sob duas fortes influências: a do pai, de origem espanhola e sempre cercado de livros; e a da mãe, baiana mais afeita à tradição oral, apreciadora de histórias contadas em volta da fogueira. Como educadora e escritora, Heloisa levou a síntese desses dois mundos até o público infantil, em livros que se transformaram em sucessos de venda, como O Jogo da Parlenda (Ed. Cia das Letrinhas). Nesta entrevista, a autora fala da importância da literatura desde cedo na formação de uma criança.

Por que você considera importante estimular o gosto pela leitura em crianças que ainda não sabem ler?
HELOISA PRIETO Porque é fundamental que elas travem contato com o livro desde cedo, sintam as texturas, acostumem-se a manuseá-lo, mesmo sem ler. É dessa forma que as crianças se apropriam das várias possibilidades do livro e acabam fascinadas por ele.

Qual é a melhor maneira de incentivar a leitura nessa fase?
HELOISA Expondo a criança ao livro, deixando-a absolutamente livre para escolher. É um equívoco o adulto querer nortear a leitura infantil, decidir o que é bom e o que é ruim, dizendo "este livro não serve, não é para a sua idade". Outra coisa importante é o livro-brinquedo. Ele educa o olhar, a atenção. Em casa, é importante respeitar as "leis do leitor": ler o que quiser, amar ou detestar um livro, ler o mesmo título um monte de vezes, começar pelo meio, não terminar, ler o fim antes...

O que o professor pode fazer para que a leitura seja um momento de prazer, mais do que uma atividade escolar?
HELOISA É errado perguntar para a criança o que ela entendeu da história, pois a literatura potencializa muitas leituras. Melhor é perguntar se a criança quer contar a história para ele. Do que ela gostou? O que detestou? O professor deve ser, ele próprio, um leitor.

Alguns pais acham que certos contos de fadas são apavorantes demais, inapropriados para crianças dessa idade. Falar sobre o medo é importante?
HELOISA É fundamental, pois nessa faixa etária o medo é mais intenso. Quanto mais ele é reprimido, mais a criança sente. O livro ajuda a lidar com essa emoção.

Professores têm receio de trabalhar com livros cujos personagens são assustadores?
HELOISA Sim, muito. Acho que é uma reação à violência. A tendência é negá-la, quando o correto é nomeá-la. A criança sabe que há perigos, não adianta negar. Mas sem sadismo, nem banalização.

Especial Leitura Literária

 

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