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Fim das filas em creches? Sistema pode acabar com espera

Ferramenta de georreferenciamento permite que famílias encontrem vagas nas escolas mais próximas e façam a matrícula, mas ainda não oferece realocação de crianças

POR:
Caroline Monteiro
Presidente Prudente: ferramenta de georreferenciamento faz a busca de vagas
nas creches da cidade  Foto: Wikimedia Commons/Wikipedia

A mesma tecnologia que permite a você encontrar o restaurante ou supermercado mais próximo ajudou a zerar a fila no início deste ano nas creches de Presidente Prudente, no oeste do estado de São Paulo. A partir de um sistema de georreferenciamento, todas as famílias que procuraram uma vaga para crianças de 0 a 3 anos (Educação Infantil) até o dia 10 de outubro do ano passado, garantiram a matrícula agora em 2018, de acordo com a Secretaria de Educação do município.

Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Tecnologia da Informação (Setec), o software EduGeo já existe há três anos, mas agora está sendo usado em conjunto com a Secretaria da Educação de São Paulo. “O sistema mapeia todas as escolas e também o número de crianças e de salas existentes em cada uma”, diz Sônia Maria Pelegrini, secretária da Educação de Presidente Prudente. "Dessa forma", diz ela, "pais e responsáveis conseguem identificar quais são as três unidades mais próximas de sua casa com vagas para Educação Infantil e, na sequência, fazer a reserva para o ano letivo".

Segundo a legislação, a prioridade é manter a criança em uma escola que esteja, no máximo, a uma distância de 1,5 quilômetro da casa da família. Mas os pais podem optar também por creches mais próximas do trabalho. Se houver vaga, a matrícula é efetivada.

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As estatísticas mostram a vantagem de adotar o sistema. Em 2015, a rede de creches de Presidente Prudente registrou uma fila de 377 crianças. Em 2016,  o número de alunos que não conseguiu a vaga foi de 482. Em 2017, com a implantação do sistema de georreferenciamento, todas as 1653 crianças que estavam na lista foram atendidas. Trata-se de uma economia de recursos e, principalmente, tempo para os pais.

Presidente Prudente está entre os 10,1% dos municípios que cumprem a meta do Plano Nacional de Educação de atender mais de 50% das crianças de 0 a 3 anos nas creches, de acordo com relatório elaborado pelo grupo de trabalho do Instituto Rui Barbosa (IRB) e da Associação dos Tribunais de Contas (Atricon). Na média nacional, 27,07% das crianças brasileiras dessa idade eram atendidas em 2016, quase a metade do que o previsto em lei. O prazo e o percentual de atendimento foram definidos por lei no Plano Nacional de Educação (PNE), de junho de 2014.

Nem tudo é perfeito. A secretaria ainda não tem uma política de busca ativa, ou seja, considera apenas as crianças cujas famílias demonstraram interesse na vaga. Se uma família quer realocar a criança, isso ainda não é possível. “É uma das nossas metas: ir atrás dos pequenos que estão fora da escola porque acreditamos muito na Educação Infantil”, diz Sônia Pelegrini.

Para Alessandra Gotti, presidente do Instituto Articule, que fomenta o diálogo e a articulação entre instituições públicas e privadas para promover os direitos fundamentais sociais, a iniciativa deve ser vista com bons olhos. “Temos que usar a tecnologia em nosso favor para melhorar o serviço público”, diz. Ela reforça, porém, que a busca ativa não deve ser deixada de lado. “É uma ferramenta do gestor. Só quando você encontra a família é que você tem ideia da quantidade de crianças que precisam ser matriculadas.”

Ferramenta EduGeo ajuda pais a encontrar vagas para crianças nas creches de Presidente Prudente

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