Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Autoavaliação: ano que vem serei melhor em sala

Com altas expectativas, metas e foco na solução dos problemas. É assim que entro em 2018

POR:
Mara Mansani
Crédito: Mariana Pekin

Contagem regressiva: férias, recesso, descanso, sossego, dormir até mais tarde...

O ano de 2017 foi exaustivo, emocionante, com altos e baixos, mas muito produtivo e intenso de aprendizagem para mim enquanto professora. E é sobre essas aprendizagens que eu decidi fazer um dos últimos textos do ano aqui no blog.

Em março, participei do SXSW ("South By Southwest"), maior evento de inovação do mundo, em Austin, no Texas. Em outubro, foi a vez da rede Conectando Saberes (que atua na conexão entre professores de todo o Brasil). No momento, estou em um grande projeto da Associação Nova Escola, orientando a produção de planos de aula de Matemática. Também estou estudando para ser formadora de professores da Educação Infantil no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), e agora em dezembro recebi outro presente: fui conhecer a melhor rede de ensino do Brasil no momento, em Sobral, no Ceará. Para encerrar com chave de ouro, lancei com meus alunos da E. E. Profª Laila Galep Sacker e suas famílias cinco livros autorais de Lengalenga. Isso tudo sem falar da minha sala de aula na EMEF Profª Silvia Haddad, em Salto de Pirapora, dos nossos encontros semanais aqui no Blog de Alfabetização, e do quanto compartilhei descobertas, saberes e práticas em encontros com professores ao longo do ano. 

Ufa! Cansada? Sim, muito. Mas também feliz e mais preparada para meu trabalho como professora alfabetizadora. Estava relendo os posts aqui do blog deste ano. Foram mais de 40 textos, onde contei a vocês um pouco do que vivi, aprendi e conheci. Essa leitura me fez perceber o quanto minha prática se transformou nesse ano. Não sou a mesma professora do início do ano letivo, e isso é muito bom! Percebi que fui deixando preconceitos para trás e agregando conhecimentos que vêm impactando e modificando minha prática em sala de aula para melhor.

Para o próximo ano, levo comigo três elementos que aparentemente são simples, mas na verdade demandam esforço, estudo e vontade de mudar. Tudo para atender às necessidades de aprendizagem dos meus alunos. São eles:

Cultura das altas expectativas

Quantas vezes nós, professores (e eu me encaixo nisso) fazemos "previsões" negativas em relação à aprendizagem dos nossos alunos. A criança chega e logo no início nós pensamos "Esse vai ter dificuldade" ou "Não vai passar do básico". Quando pensamos assim, na maioria das vezes também agimos assim. Ou seja: não acreditamos que esse aluno pode aprende, então nossas práticas caminham nesse sentido sem que a gente perceba. Não exploramos o máximo das possibilidades de seu desenvolvimento.

Quando a criança nos contraria e mostra algum resultado positivo, já ficamos surpresos. Refleti muito, esse ano, sobre criar altas expectativas em relação à aprendizagem dos meus alunos. É evidente a importância não só de esperar mais, o melhor e o máximo deles, mas também de criar ambientes e situações propícios, que colaborem e ativem suas aprendizagens!

Se o aluno percebe que seu professor confia em sua aprendizagem, há um impacto positivo em sua autoestima e vontade de aprender. Mas só isso não basta: é preciso a ação do professor nesse sentido, em aulas que saiam do básico. Minha aluna com deficiência, a Alessandra, que já apresentei aqui no blog, foi mais uma prova que preciso esperar cada vez mais dos alunos e me preparar para acompanhá-los.

Foco nas soluções e não nos problemas

Infelizmente, nós reclamamos de muitas coisas: da escola, da bagunça, da conversa dos alunos fora de hora, e muitos outros itens. Não sem razão, é claro. Mas precisamos nos desvencilhar desse ciclo de reclamações sem fim, que vicia e não deixa ver o que de bom e positivo anda acontecendo em nossa sala de aula, na escola e nas nossas vidas.

Os problemas existem, alguns se resolvem, outros aparecem. A melhor atitude é focar em coisas positivas que podem contribuir na solução dos problemas, e não neles em si, que nos amarram e engessam nossas ações. Por exemplo: em muitas de nossas salas, há problemas com a luminosidade na lousa que não deixa os alunos enxergarem direito as atividades propostas. Todo dia é a mesma conversa: "Não dá para ver nada", ou "A janela e a cortina estão inadequadas". Além de levar o problema ao gestor e cobrar uma solução, também podemos fazer com os próprios alunos um painel móvel, artístico, com papel grosso, que pode ser encaixado na janela. Vi isso em uma escola e achei uma excelente ideia de envolver a turma na solução de um problema real.

Isso também pode ser aplicado à aprendizagem dos alunos. Ao avaliar e levantar o que eles sabem e o que não sabem, o ideal é focar no que já sabem para dar continuidade na aprendizagem, e não em tudo o que falta para chegar a um determinado ponto. O pensamento deve ser sempre "O que posso fazer hoje/esta semana/este ano para que meus alunos avancem?"

Estabelecer metas

Há as metas que são impostas em nosso currículo, das avaliações externas. Mas este ano aprendi como podem ser benéficas as metas para a turma e também para os professores. Por exemplo: quantos livros meus alunos lerão em um mês? Como determinar este número? Será que estou sendo muito rígida ao colocar um número alto? Ou esperando pouco deles ao pensar em um número baixo? Quantas palavras de outra língua somos capazes de aprender em uma semana? Que praticas educativas diferenciadas e de qualidade posso implantar e utilizar com minha turma nessa semana? E assim por diante.

Você pode começar fazendo uma lista de acordo com sua necessidades e propor metas a serem cumpridas em um determinado período. Que tal começar assim: "Quantos alunos com dificuldades lerão até o final do mês?" Levante com os alunos as metas semanais e mensais! Você vai se surpreender com a empolgação de todos em superá-las! Minha proposta para mim mesma, no próximo mês, além de curtir minhas merecidas férias, é de ler pelo menos dois livros sobre educação de alunos com deficiência e pôr em ordem todos os meus e-mails e mensagens!

E vocês, professores? Quais foram seus principais aprendizados do ano? Já pensaram nesses três elementos e na diferença que eles podem fazer na construção de uma educação de mais qualidade em nossas escolas? Contem aqui nos comentários! Quero aprender com vocês!

Um grande abraço a todos e até a próxima segunda-feira!

Mara Mansani

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