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Intervenções específicas para parar o bullying

É necessário prever garantias coletivas do fim do assédio, pois confiar na palavra do agressor não basta.

TELMA VINHA,

TELMA VINHA,
professora de Psicologia Educacional da Unicamp. Coautoria do doutor JOSÉ MARÍA AVILÉS MARTÍNEZ, da Universidade de Valladolid, na Espanha.

A diferença entre bullying e conflito nem sempre é compreendida, mesmo por estudiosos da área. Por isso, é comum adultos recorrerem a estratégia da mediação de conflitos para lidar com casos de bullying: colocam a vítima e o agressor no mesmo patamar na busca da solução.

Há quatro diferenças principais. A primeira é que nos conflitos - que são naturais do convívio social - há um equilíbrio de forças entre as pessoas envolvidas. A segunda é que a situação normalmente gera incômodo nos envolvidos. A terceira é que esse incômodo faz com que sintam vontade de sair do conflito. Se eles não fizerem um acordo sozinhos, podem recorrer a um mediador. Cada parte pode analisar como contribuiu para a desavença e para a solução, reconhecendo perspectivas, sentimentos e necessidades.

No bullying, intimidações e agressões se repetem. Apesar de os envolvidos serem pares, a vítima está em desvantagem e não tem a oportunidade de argumentar, se defender e, às vezes, nem de falar. O agressor não se comove com a condição da vítima nem vê necessidade de mudar a relação de domínio e submissão. Por que deveria, se ela lhe traz satisfação? Sente-se, por exemplo, confortável tomando o dinheiro da vítima para comprar um sanduíche ou comendo o lanche dela todos os dias. Não liga se humilha, constrange ou ignora os sentimentos do outro, ao contrário, naturaliza essa desigualdade.

Por isso, em situações abusivas, a mediação tem alcance reduzido. As intervenções precisam conduzir ao reequilíbrio de forças, levando o agressor a reconhecer o dano causado e a repará-lo, interrompendo a violência. A vítima precisa perceber a tentativa de se fazer justiça. E é necessário prever garantias coletivas do fim do assédio. Confiar na palavra do agressor não basta, devem-se envolver outros no compromisso de que o bullying realmente cessará. Saiba como fazer isso em Bullying, Guia para Educadores, de Avilés Martínez.

Diante da seriedade do problema, existem autores que pensam intervenções eficazes, como o psicólogo sueco Anatol Pikas, que desenvolveu o Método de Preocupação Compartilhada. Sua abordagem tenta investigar as causas do bullying e chegar a uma solução duradoura por meio de reuniões individuais e coletivas com os envolvidos (saiba mais em bit.ly/metodo-pikas). Por serem remediativas, essas ações são empregadas quando a situação já está instaurada. Mas é importante investir na prevenção: construindo projetos antibullying, implantando assembleias e formando equipes de ajuda. A escola cumpre sua função educativa ao dar aos sujeitos a possibilidade de mudança, de restauração e aprendizagem de valores. Perceber a correta diferenciação entre conflitos e intimidações sistemáticas não é superficial, porque orienta e dirige a intervenção.

Ilustração: ADRIANA KOMURA

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