MEC promete internet rápida em todas as escolas do Brasil em 7 anos

Programa ainda prevê formação de professores com foco em práticas pedagógicas com tecnologia

POR:
Caroline Monteiro
Foto: Getty Images

Todas as escolas públicas do Brasil com internet de alta velocidade até 2024, sendo que 22,4 mil delas já receberiam o acesso até o final do ano que vem. Essa é a meta da Política de Inovação Educação Conectada, uma parceria entre os ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O programa foi anunciado na última quinta pelo presidente Michel Temer e o ministro da Educação, Mendonça Filho, e incluiria ainda a formação de professores com foco em práticas pedagógicas mediadas por tecnologia e no uso de conteúdos digitais em sala de aula.

Para a primeira fase do projeto, seriam investidos R$ 271 milhões até o fim de 2018. Do total, R$ 255 milhões serão destinados à conexão nas escolas, incluindo ampliação da rede terrestre de banda larga e conectividade sem fio (wi-fi), compra de equipamentos e aquisição de um satélite que levará internet de pelo menos 10 MB às escolas rurais – com inviabilidade de se conectar via rede terrestre.

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No anúncio do programa, Mendonça Filho afirmou que, para ter qualidade, é preciso uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) bem definida, com “professores bem formados, preparados e valorizados e com tecnologia que proporcione aquilo que o mundo desenvolvido já alcançou”. A formação continuada para professores e gestores com cursos específicos sobre tecnologia e práticas pedagógicas será feita, segundo o MEC, em conjunto com a preparação de de 6,2 mil articuladores selecionados pelas secretarias municipais. Esses profissionais receberão bolsas de três meses para atuar no processo de construção e implementação das ações da rede.

O MEC considera que a nova política é uma atualização do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo), lançado em 1997, mas considerado atrasado porque tem como foco principal equipamentos de informática, e não outras dimensões tecnológicas como as redes sem fio e a internet em alta velocidade. A ideia é que a Política de Inovação Educação Conectada seja articulada a políticas públicas já existentes ou em fase de implementação, como o Plano Nacional de Educação (PNE), a BNCC e a reforma do ensino médio.

Para que dê certo, é preciso que o governo se mantenha atento às previsões orçamentárias, segundo Alessio Costa Lima, presidente nacional da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). “O importante é ter planejamento sólido contínuo, com pensamento nos recursos que permitirão assegurar a continuidade da política”, diz. “A manutenção desse programa já pressupõe que determinado equipamento precisará ser atualizado ou substituído.”

O presidente da Undime também afirma que, para ter sucesso nessa política, o MEC precisará de outros ministérios envolvidos no desenvolvimento do país como um todo. Para levar infraestrutura de redes para todas as cidades, por exemplo, parceria contínua com o minitério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. 

A falta de internet rápida tem sido um dos obstáculos para a implementação de tecnologia em salas de aula. No início do mês, o governo do estado de São Paulo liberou o uso de celulares em salas de aula. Mesmo os entusiastas de práticas pedagógicas que envolvam tecnologia consideram que essa medida só terá efeito se houver acesso de qualidade na escola.

NOVA ESCOLA já publicou diversos textos sobre as possibilidades de uso de tecnologia na Educação. Veja alguns deles abaixo:

- 7 ferramentas digitais que ajudam na alfabetização

- Atividades desplugadas: linguagem de programação sem computador

- Como usar as redes sociais a favor da aprendizagem

- O que muda nas aulas quando se aplica a sala de aula invertida?

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