10 erros de português comuns em teses, artigos e relatórios

Nossa colaboradora Arlete conta quais são os erros mais frequentes nesses textos

POR:
Arlete Bannwart Vieira
Menina negra sentada no corredor de uma biblioteca estudando com um caderno no colo e um computador
Crédito: Getty Images

Atualmente, trabalho corrigindo redações de teses, trabalhos de conclusão de curso (TCCs), relatórios de empresas e textos de analistas financeiros. Com muita frequência me deparo com certas expressões usadas de forma inadequada, ou mesmo com erro de regência ou de grafia. Destaco abaixo algumas que vejo com mais frequência:

1) À partir de

Por se tratar de um verbo (partir), nunca haverá o sinal indicativo de crase, já que verbos não admitem artigo antes deles, e a crase é a junção do A artigo com o A preposição. Saiba mais sobre crase neste link.

Correção: A partir da próxima semana, enviaremos os boletos de pagamento para sua empresa.

2) Confusão entre “a pouco” e “há pouco”

As duas expressões têm espaço em nossa língua, no entanto “a pouco” indica uma ideia futura e “há pouco” indica uma ação passada. Veja neste link

e nos exemplos abaixo:

Daqui a pouco, terei um encontro com o responsável pela seção de brinquedos da loja. (ideia de futuro)

Há pouco, uma ventania atingiu nossa cidade. (Sinônimo de “faz pouco tempo”)

3) Consiste em / consiste de

Desta vez, a regra é mais simples: a primeira expressão (“consiste em”) não existe na nossa língua padrão, usada para escrever documentos acadêmicos e oficiais. Deve-se dizer: Meu trabalho consistirá de três partes e não de duas.

4) Agradecer pela

Quem agradece, agradece alguma coisa e, muitas vezes, também alguém. Não se escreve “Agradeço muito pela sua ajuda ou pelo alimento diário”. Deve-se dizer ou escrever: “Agradeço muito a sua ajuda ou o alimento diário”.

5) Em vias de

A expressão faz parte do linguajar oral, mas, quando for transcrita, devemos usá-la no singular:

“O professor está em via de solicitar sua merecida aposentadoria.”

SAIBA MAIS: 16 sequências didáticas para trabalhar gramática com texto (exclusivo para cadastrados)

6) Há 20 anos atrás

É uma redundância (repetição de ideia). Não é necessário usar a palavra “atrás” acompanhada de “há 20 anos”:

Há vinte anos me formei na universidade de Paris

ou

Vinte anos atrás me formei na universidade de Paris.

7) Solicitar junto a

Esta é mais uma expressão que está fora do padrão. A palavra “junto” está sobrando. O correto é não utilizá-la:

“Solicitei à Secretaria de Educação uma licença para tratamento médico.”

8) O mesmo

“Quando você for entrar no elevador, verifique se o mesmo se encontra no andar”.

Essa é a frase colocada ao lado dos elevadores, mas não é recomendável usar “o mesmo” como pronome pessoal no lugar de “ele”. Não são sinônimos. O mais adequado seria:

“Quando for entrar no elevador, verifique se ele se encontra no andar”.

9) Preferir mais do que

O verbo preferir já contém a ideia de antecipação. Portanto, não se deve falar ou escrever:

“Prefiro mais vinho branco do que tinto”.

Se existe preferência, já está implícita a ideia de uma seleção antecipada:

Prefiro vinho branco ao tinto.”

10) Somos em

A expressão não está de acordo com as normas da língua padrão. A palavra “em” é desnecessária:.

“Somos trinta colaboradores que trabalham no departamento de análise de custos.”

Atenção! Se for usado o verbo estar, a palavra “em” torna-se necessária: “Estamos em trinta no departamento de análise de custos.”

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