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Parkour: das ruas da cidade para a quadra

Prática urbana ensina crianças e jovens a cair e a saltar com segurança

POR:
Wellington Soares

Escalar paredes, pular e desviar de obstáculos no meio do trajeto, saltar entre prédios. Poderia ser a descrição de uma cena protagonizada pelo Homem-Aranha, mas, na verdade, essas atividades fazem parte do cotidiano dos praticantes de um esporte comum em cidades como São Paulo e Brasília: o parkour. 

vídeos na internet. Costa Júnior conta que os alunos se surpreenderam com os movimentos. "Eles também ficaram preocupados: ?será que a gente vai conseguir fazer isso??", relata o docente.

Na conversa inicial, ele apresentou elementos da história e da filosofia do parkour. "Fui a academias, fiz pesquisas na internet, conversei com praticantes e experimentei os movimentos antes de começar a fazer o trabalho com as turmas", explica Costa Júnior. 

Por ser praticado livremente - em geral sem o acompanhamento de um instrutor -, a ajuda entre os atletas é muito importante, principalmente para evitar lesões. "A presença do professor é justamente a diferença entre a iniciação ao parkour acontecer na rua ou nas escolas: ele deve garantir a segurança da turma e instruí-la sobre a maneira mais adequada de realizar os movimentos", defende Denis Prado Ricardo, professor da Escola da Vila, na capital paulista. A garotada precisa entender que não pode sair pulando todos os obstáculos que encontrar fora da escola. Os movimentos devem ser aprendidos e praticados previamente. 

Além disso, o uso do espaço urbano e o cuidado com o patrimônio público são outros tópicos que Costa Júnior discutiu com os estudantes. "Destaquei que os esportistas precisam ter cuidado ao escolher o local onde vão praticar para que não estraguem nenhum patrimônio e não incomodem a vizinhança", conta.

King-kong: o atleta salta de frente, utilizando as mãos para guiar o corpo
Crédito: Joyce Cury
Tic tac: o aluno utiliza uma paredde para impulsionar o corpo em outra direção
Crédito: Joyce Cury

Hora de experimentar os movimentos 
Usando colchões e cordas, o professor propôs uma revisão de aterrissagens e rolamentos (veja as imagens ao longo desta reportagem) que já haviam sido trabalhados em outros esportes, como a ginástica artística. "Sabendo como amortecer impactos, eles previnem torções e lesões nos calcanhares e nos pulsos", esclarece Dimitri Wuo Pereira, especialista em esportes radicais e docente da Universidade Nove de Julho (Uninove). 


 

Lazy vault: salto lateral que utiliza as mãos para transpor obstáculos
Crédito: Joyce Cury

Ele alerta que é importante promover exercícios para acostumar os alunos a se moverem no chão e para fortalecer os braços e as pernas. Um exemplo de brincadeira que desenvolve essas habilidades é a imitação de animais. 

Antes de apresentar as manobras típicas do esporte, Costa Júnior montou obstáculos com materiais disponíveis na escola - cones, bancos e plinto (aparelho de ginástica para saltos) - e pediu que a garotada tentasse criar diferentes maneiras de superá-los. 

Na aula seguinte, o professor recordou os movimentos utilizados pela turma e discutiu quais seriam as melhores estratégias. "Aproveitei para apresentar movimentações do parkour, como o king-kong, lazy vault e tic tac", conta. Ele realizava os movimentos e as crianças repetiam, uma por uma, com seu auxílio. Em seguida, ele as desafiava a combiná-los de diferentes maneiras. O resultado começava a se aproximar do que é praticado pelos esportistas nas cidades. 

 

Rolamentos: úteis para a finalização de movimentos sem perder a velocidade
Crédito: Joyce Cury

Na última etapa, os próprios alunos montaram uma sequência de obstáculos. Para transpô-los, precisariam criar um percurso próprio, de acordo com suas habilidades e sua criatividade. "Duas pessoas podem criar diversas maneiras de superar os mesmos desafios. E é importante que elas reconheçam isto: no parkour, não existe certo ou errado, mas a maneira mais eficiente para um indivíduo específico", enfatiza Costa Júnior. 

Durante o trabalho, os valores e os princípios dessa modalidade esportiva foram destacados pelo professor, que incentivou os estudantes a praticá-los. Entre os pontos citados estavam: valorizar as habilidades de cada um, ajudar os colegas e respeitar as pessoas e os espaços onde ocorre a prática. Essas características fizeram com que a turma se sentisse motivada. "Muitos alunos falam que vão continuar praticando o parkour fora da escola", conta o professor.


Resumo

1 Apresentação do esporte Discuta com a turma sobre as características do esporte e sua história e exiba vídeos. 

2 Aprendendo a cair Apresente atividades de rolamentos e aterrissagens para que os alunos vejam como amortecer as quedas e não se machucar. 

3 Movimentos do parkour Faça algumas manobras típicas do esporte e auxilie as crianças a realizá-las. Depois, permita que combinem diferentes movimentos em uma sequência. 

4 Criando percursos Monte um circuito de obstáculos e deixe que os alunos criem estratégias para superá-los de acordo com suas habilidades e sua criatividade.