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Seções | Em Dia


Por: Rodrigo Ratier, Anna Rachel Ferreira e Camila Camilo

O que esperar do novo ministro da Educação?

Com a tarefa de tornar o PNE realidade, Cid Gomes assume com postura cautelosa

Ele chegou sob desconfiança de quem preferia um nome técnico para o Ministério da Educação (MEC). Engenheiro de formação, Cid Gomes foi premiado por Dilma Rousseff pelo esforço na reeleição - ele e o irmão Ciro abandonaram o oposicionista PSB e ingressaram no recém-fundado Pros. Chega ao MEC cacifado pelos resultados educacionais de suas gestões. Sobral, em que ele foi prefeito de 1996 a 2004, atingiu em 2009 o Ideb previsto para 2021. E o Ceará, que ele governou entre 2006 e 2014, apresentou o maior crescimento entre os estados nos anos iniciais de 2005 a 2013. Cauteloso nas primeiras entrevistas ("Meu papel é seguir orientações da presidenta", afirmou ao Bom Dia Brasil.), estreou anunciando o novo piso salarial do magistério, de 1.917 reais. Municípios chiaram, dizendo que a arrecadação cresceu menos que os 13% concedidos aos docentes. É só o primeiro dos desafios previstos no Plano Nacional de Educação (PNE) (veja abaixo).

Especialistas destacam desafios da gestão

Carreira do Magistério
"É preciso valorizar o professor em salário e carreira. Compete à União dar complementação financeira aos estados e municípios e a regulamentação para que isso ocorra." 
Maria do Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM

 
Avaliação
"Deve haver um esforço para que as avaliações externas conversem melhor entre si. Também é necessário mostrar aos docentes como usar os resultados dos exames em sala." 
João Horta Neto, pesquisador de Avaliação do Inep
Ensino Médio
"Esperamos a reformulação do currículo do Ensino Médio. A proposta deve abrir as portas para o mundo do trabalho, desenvolver habilidades sociais e preparar para o vestibular." 
Eduardo Deschamps, presidente do Consed

 
Financiamento 
"Questiono qual será o papel da União no PNE. Hoje, a cada 100 reais gastos em Educação, somente 20 reais vêm da União. O novo piso também precisará de recurso federal." 
Luiz Araújo, professor da Faculdade de Educação da UnB
Valorização docente 
"Temos quatro indicadores: remuneração, carreira, formação e condições de trabalho. Todos difíceis no Brasil. A União precisa dar condições para que melhorem, com subsídios e leis." 
Heleno de Araújo Filho, diretor do CNTE de Pernambuco
Formação do professor 
"Precisamos melhorar os cursos de Pedagogia e ampliar a discussão pedagógica nas Licenciaturas, além de investir na relação entre a Educação Básica e a Universidade." 
Sônia Penin, professora da Faculdade de Educação da USP

 


Educação nos Estados

A formação dos mandatários

Doze dos 27 secretários estaduais não têm graduação ou pós em Educação
Levantamento de NOVA ESCOLA revela o perfil dos secretários estaduais de Educação indicados para o mandato de 2015 a 2018. Chama a atenção o fato de apenas 15 dos 27 nomeados possuir algum tipo de formação (graduação ou pós- graduação) em cursos ligados à Educação (veja o mapa acima). Embora não haja exigência legal desse requisito, o dado é revelador dos critérios de seleção do cargo e de um certo desprestígio da área. "A principal motivação da indicação é política", explica João Cardoso Palma Filho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O especialista ressalva que não é o curso de Pedagogia que faz um bom secretário. "É preciso conhecer os problemas da pasta, saber como resolvê-los e escolher uma equipe capacitada." Outros dados mostram que a maioria não tem experiência em sala de aula, é filiada a partidos políticos e fez carreira no setor público (confira o quadro abaixo).

Entre os 27 secretários, predominam políticos e gestores públicos

Perfis curiosos dos titulares das pastas pelo Brasil 

O ex-adversário 
Vieira da Cunha (RS) 
No 1º turno, o procurador de Justiça e ex-deputado federal ficou na quarta colocação na corrida ao governo do estado, com 4% dos votos. No 2º turno, fez campanha para o vencedor, José Ivo Sartori (PMDB). Foi recompensado com a indicação de seu partido, o PDT, para comandar a Educação. 

O vice 
José Luciano Barbosa da Silva (AL) 
Já foi secretário de outras pastas em Alagoas (Transporte e Administração) e em Arapiraca (Educação, Finanças e Saúde), e foi ministro da Integração Nacional. No governo de Renan Filho (PMDB), acumula os cargos de vice-governador e de secretário de Educação. 

Os parentes 
Rejane Dias (PI), Selma Mulinari (RR) 
Formada em administração e deputada federal mais votada do Piauí em 2014, Rejane é esposa do governador Wellington Dias. Já Selma, docente de História, foi nomeada pela irmã, Sueli Campos (PP), governadora que indicou 19 parentes para cargos públicos. 

O novato 
Fernando Xavier Ferreira (PR) 
O engenheiro fez carreira na área de telecomunicações, onde chegou a presidente da Telefônica. Integra o conselho de administração do grupo Positivo. Sem filiação partidária, o secretário de Beto Richa (PSDB) destaca a experiência em gestão para comandar a pasta.

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