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Cuidados na internet

Como orientar os estudantes sobre exposição inadequada na rede

POR:
Beatriz Santomauro

Os estudantes estão conectados na internet sempre que podem: postam opiniões, fotos e vídeos, indicam o local em que estão, trocam mensagens mesmo com pessoas que nunca viram pessoalmente. "Os ambientes digitais são os espaços de convivência dos jovens. O que para nós é uma exposição, para eles é apenas parte do relacionamento", explica Juliana Cunha, psicóloga da SaferNet, que visa promover o uso seguro da rede (veja no quadro abaixo destaques de pesquisa da organização)

Comportamento virtual

Crianças e jovens de 9 a 17 anos

  • 64% conheceram algum amigo pela internet
  • 59% compartilham fotos pessoais
  • 40% não têm acompanhamento dos pais
  • 37% acreditam que a escola é a responsável pelo ensino sobre o uso seguro da internet
  • 32% se sentem mais livres quando anônimos na internet
  • 9% disseram ser normal xingar e zoar na rede, mas não em outros espaços

Fonte Pesquisa SaferNet e GVT (2013)

 

Se na maior parte das vezes a comunicação virtual é inofensiva, em alguns momentos ela pode ser excessiva e prejudicial. Os adultos devem orientar os mais novos a identificar quando a ação ultrapassa o aceitável. "Aquilo que curtem e compartilham ou as comunidades às quais pertencem falam muito sobre quem são, e essa exposição pode trazer consequências diversas", diz. 

O papel da escola é fundamental já que, segundo Juliana, nem sempre os pais têm clareza dos perigos da internet: "Muitas vezes, eles ficam preocupados sobre aonde o filho vai e em que companhia, mas não com quem ele se relaciona na rede. A escola pode alertar, informar e envolver todos". Confira as orientações dos especialistas.

Fazer prevenção permanente
Chamar especialistas para dar palestras enriquece o debate e mostra como ele é prioridade na escola. Porém, para haver resultados, a discussão sobre comportamento e ética nos ambientes virtuais não deve ser restrita a momentos isolados. No dia a dia, cabe a você antecipar situações perigosas, como o compartilhamento de fotos sem autorização, e discutir com os estudantes a melhor maneira de agir. 

Orientar sobre privacidade
No celular, aplicativos como WhatsApp, Secret e Snapchat propiciam a disseminação rápida, e muitas vezes não autorizada, de conteúdos privados. Um caso cada vez mais comum é a troca de fotos ou textos íntimos, conhecida como sexting. Um aluno manda para um amigo, este envia para outro, que encaminha para um terceiro, só aumentando o constrangimento da vítima. "É essencial ensinar os estudantes a avaliar se suas ações podem prejudicá-los de alguma forma", explica Juliana. 

Mostrar consequências
A falsa sensação de anonimato e impunidade estimula atitudes irresponsáveis. "Deixe claro que a internet não é uma terra sem lei: se alguém comete um crime ou viola o direito de alguém pode ser identificado e pagar pelo mal que causou", explica Juliana. Lembre que os registros na internet são perenes e difíceis de apagar. A curto prazo, a exposição inadequada de si mesmo ou do outro pode se transformar em um enorme transtorno ou em um caso de cyberbullying, quando o fato ocorre repetidas vezes. A longo prazo, pode comprometer a reputação de uma pessoa, como no momento de procurar emprego ou ter outros relacionamentos. 

Manter o canal de diálogo aberto
Os educadores devem construir uma relação de confiança e respeito com os estudantes de maneira que eles se sintam à vontade para se comunicar e pedir ajuda, caso necessário. "Quando eles podem falar sobre o que vivem, a escola antecipa, prevê e evita situações indesejadas", diz Juliana. Procure entender o aluno e o sentido que têm para ele as redes sociais. "A forma de falar também importa. Se o professor só aponta o que está errado, o aluno evita compartilhar. Não é preciso dar uma resposta definitiva, mas ajudar a pensar e direcionar para uma melhoria, com sugestões e críticas", diz César Nunes, assessor de tecnologia da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. 

Discutir regras de uso
Mais efetivo do que impor proibições, é envolver os alunos na decisão sobre regras e punições. Definir como e quando usar o computador e o celular ou quais sites são liberados para acesso é uma boa oportunidade, de acordo com Nunes, para desenvolver o senso crítico nos estudantes. Uma opção é a escola estabelecer limites gerais em conjunto e os professores tomarem as decisões mais específicas com suas turmas, de acordo com as características do ano em que estudam e dos interesses que apresentam. "Esses combinados só se transformam em valor se a turma participar", diz. 

Usar a internet de forma positiva
Aproveite a tecnologia para se comunicar com os alunos, publicando documentos, atividades e outros materiais úteis para a sala. Embora sejam nativos digitais, os jovens muitas vezes fazem uso repetitivo e pobre do computador: amplie o horizonte deles mostrando possibilidades positivas e produtivas da tecnologia. Estabeleça uma troca com os pais, usando ferramentas digitais para envolvê-los nas discussões da escola. 

Alertar sobre senhas
É comum os estudantes confundirem a forma de demonstrar amizade e afeto e compartilhar as senhas com os colegas. O problema é que, com isso, perdem o controle do que pode ser feito com suas informações pessoais. Assim, números de documentos, endereço ou fotos correm o risco de cair nas mãos de pessoas mal-intencionadas. Explique que as senhas do mundo digital são pessoais e, portanto, devem ser mantidas em sigilo. 

Intervir rapidamente
Por ter mais proximidade com os alunos, o professor costuma ser o primeiro a saber de conflitos entre eles, seja na sala, seja nos ambientes virtuais. Por isso, converse com a turma e discuta soluções. Os problemas mais sérios devem ser compartilhados com a equipe escolar e as famílias dos envolvidos. Em caso de crime, é imprescindível acionar as autoridades responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes, como Conselho Tutelar e Ministério Público (MP).