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Jornalismo

Atitudes valiosas

Conheça as ideias que os professores nota 10 puseram em prática para desenvolver projetos vencedores

PorAnna Rachel Ferreira

13/08/2015

O Prêmio Educador Nota 10 chega a 17ª edição com mais um grupo de professores de destaque. Mas o que os fez ganhar a admiração dos especialistas responsáveis pela seleção dos trabalhos inscritos? Algumas ações merecem atenção. A primeira é estudar a fundo o tema a ser abordado em aula. Angela Maria Vieira, docente de História do 6º ano, em Joinville, a 180 quilômetros de Florianópolis, e Monique Godoi Gomes Lescura, que leciona Geografia no 8º ano, em Lorena, a 190 quilômetros de São Paulo, não perderam tempo. Angela pesquisou na internet e em livros sobre os sambaquis, montanhas formadas por conchas, objetos feitos de pedra e ossos, entre outros materiais, e visitou o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Já Monique foi a lugares de referência no assunto de seu interesse, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemadem), para entender melhor como acontecem os tsunamis.

Outra iniciativa essencial é realizar um bom planejamento. O professor deve ter consciência de até onde quer chegar e de qual a melhor maneira de levar a sala a alcançar o objetivo proposto, sempre apresentando desafios. Foi desse modo que Ana Cláudia Santos, docente de Língua Portuguesa no 6º ano, em Santo Antônio do Monte, a 185 quilômetros de Belo Horizonte, pensou seu projeto. Do primeiro contato dos alunos com o cordel Vaca Estrela e Boi Fubá, de Patativa do Assaré (1909-2002), até a produção de um livro com textos escritos por eles, a educadora tomou o cuidado de não pular etapas. Assim, a turma passou por momentos de leitura, comparações da oralidade e da escrita e retextualização, por exemplo, até a divulgação do trabalho para a comunidade.

Também é importante destacar o olhar atento e crítico ao entorno, como fez Paula Aparecida Sestari, professora da pré-escola, em Joinville. Ciente de que o manguezal, ao lado da escola, havia se tornado depósito de lixo, desenvolveu uma sequência didática para que os pequenos investigassem o ecossistema. Foram realizadas diversas atividades, entre elas um passeio de escuna, para observação, e a exploração do ambiente de um mirante construído dentro da escola.

A atenção aos estudantes é igualmente imprescindível para o sucesso do trabalho. Só assim é possível fazer intervenções que os ajudem a avançar no conhecimento. Andréa de Fátima Dias Tambelli, que leciona para o 2º ano, em São Paulo, orientou a classe para trabalhar em grupos, fez questionamentos e deu instruções de acordo com as ideias apresentadas por eles. Se um aluno dizia que o dobro de 1 ½ era 3, os demais deveriam concordar ou discordar, sempre justificando, enquanto o autor da hipótese deveria explicar como chegou a essa conclusão. Semelhante ao que fez Maria da Paz Melo, que ensina Arte no 5º ano, em Santa Rita do Sapucaí, a 386 quilômetros de Belo Horizonte. Observando os trabalhos das crianças, ela instigou cada uma a refletir sobre a própria obra em construção, enquanto partilhava técnicas do desenho. Já Marlene Garcia Alves, docente de Matemática de Apucarana, a 362 quilômetros de Curitiba, tomou o cuidado de ir aprofundando o grau de dificuldade das questões sobre o plano cartesiano propostas aos jovens do 8º ano conforme eles iam vencendo cada desafio.

Espaço para criação e avaliação

As intervenções precisam ocorrer de forma que a autonomia do estudante seja preservada e que ele se torne corresponsável por sua aprendizagem. No trabalho de Emanuel Alves Leite, que leciona Arte para o 9º ano, em Macau, a 165 quilômetros de Natal, por exemplo, as aulas sobre circo foram além da teoria e da apreciação, levando cada aluno a criar o seu palhaço, com quem se identificasse. Também Mara Elizabeth Mansani, educadora do 1º ano, em Sorocada, a 101 quilômetros de São Paulo, dava liberdade aos pequenos para que criassem a história que quisessem dentro das regras de composição das lenga-lengas - textos com frases curtas, repetições e rimas.

Para se certificar de que o objetivo foi alcançado, é necessária uma boa avaliação, realizada gradativamente e de acordo com as etapas e os desafios propostos, como fez Renata Maria Pontes Cabral de Medeiros, que leciona para o 4º ano, em Ituverava, a 415 quilômetros de São Paulo. Munida de uma pauta de observação individual, ela anotava todos os avanços e entraves de cada um para propor o que mais favoreceria o desenvolvimento da sala na sequência. No fim, pôde comemorar a evolução da garotada.

Esses são somente alguns dos pontos de destaque no trabalho dos educadores vencedores. Para saber mais sobre cada um deles, acompanhe as reportagens desta edição.
 

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