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Scrapbook dá sentido às aulas de inglês

Apresente temas interessantes para a turma desenvolver combinando textos e imagens

POR:
Beatriz Vichessi
Cuidar do visual da capa e escrever um texto sobre si mesmo foi a primeira tarefa

Fazer a moçada articular o vocabulário explorado nas aulas de inglês aos conteúdos gramaticais - e assim se apropriar do idioma estudado - por vezes traz dificuldades para o professor. O problema pode ser devido ao fato de o planejamento se basear no trabalho desses tópicos separadamente. Investir em boas e frequentes propostas de produção de texto, valorizando a escrita de autoria, é uma das melhores soluções. 

Antes de a turma começar a produzir, é preciso escolher bem o que será dado como tarefa, que precisa ter um propósito social. Escrever para quem? Com que finalidade? Também é importante considerar se o pedido vai fazer sentido para a classe. Será desafiante? Mais dois cuidados: levar para a sala de aula diversos materiais de apoio - textos literários e anúncios publicitários, por exemplo - e investir na frequência do trabalho. Escrever de vez em quando não impacta a aprendizagem de modo significativo. 

Pensando em tudo isso, Lauren Fernandes, professora do Colégio Oswald de Andrade, na capital paulista, planejou uma atividade permanente que se estendeu por todo o ano letivo: individualmente, os alunos elaboraram scrapbooks. Esse é o termo em inglês para definir cadernos decorados com recortes e outros materiais. Originalmente, eles eram suportes de memórias. Há tempos, o conceito deu origem à técnica do scrapbooking, que consiste em personalizar álbuns, agendas, convites, cadernos e diários usando fotos, papéis coloridos, carimbos, fitas, adesivos, selos, recortes de revista e muitos outros materiais que possam ser colados no papel. 

Além de serem exibidas na mostra cultural para a comunidade escolar realizada no fim do ano, as produções serviriam de recordações do momento adolescente da vida para os autores. Com a atividade permanente, os jovens refletiram sobre o idioma estudado enquanto escreviam diversos tipos de texto. Ao mesmo tempo, pensaram em como se expressar visualmente, combinando textos e imagens. "Meu objetivo principal era fazê-los escrever em inglês, usar o idioma verdadeiramente", explica a professora. 

Para Eliane Augusto-Navarro, docente da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e coordenadora pedagógica do programa Inglês Sem Fronteiras, do Ministério da Educação (MEC), a ideia é boa porque conduz a classe a usar o vocabulário que sabe e buscar novas palavras para comunicar o que quer. "Com isso, todos enxergam o uso real do que é ensinado nas aulas."

 

Escrita somente em inglês 

Para apresentar o tema aos estudantes, Lauren trabalhou com um texto informativo disponível na internet. Todos foram orientados a lê-lo e apresentar as dúvidas de vocabulário que tinham. Depois, a educadora falou sobre a atividade. Ela também entregou para cada um uma encadernação simples feita com folhas coloridas, os scrapbooks. 

A primeira instrução dada foi a de que os jovens deveriam escrever só em inglês e, se quisessem usar materiais escritos, que também fossem no idioma. Outros itens acordados: a tarefa era obrigatória, os temas a desenvolver seriam decididos por Lauren (com isso, ela pôde garantir os conteúdos que os alunos teriam de colocar em jogo) e os textos seriam revisados antes do registro nos scrapbooks para eliminar erros e garantir coerência e coesão. Por fim, ficou clara a necessidade de caprichar no visual. A docente conta que os meninos relutaram um pouco. "Tem a ver com a idade e com o fato de trabalho manual ser considerado culturalmente algo feminino. Mas cuidei da seleção de temas para contemplar todos. Objetos de apreço, por exemplo, são temas que garotos e garotas gostam de apresentar aos outros", diz a educadora.

Os alunos também exploraram oximoros e a descrição de objetos do apreço deles

Para iniciar a atividade, Lauren orientou a turma a decorar a capa do scrapbook e escrever sobre o tema "A Little Bit About Me" - cada um tinha de fazer uma produção a respeito de si. Esse é um bom material para diagnosticar o que os alunos sabem, o vocabulário que detêm e os erros mais frequentes. As produções analisadas se transformam num instrumento útil para definir atividades de revisão, por exemplo. "O scrapbook é uma ferramenta para avaliar de modo não formal o que os estudantes aprenderam e as fragilidades que ainda têm, diferentemente de uma prova. Com ele, o professor tem como averiguar como a garotada lida com o arranjo de diferentes tempos verbais em um só texto, por exemplo", explica Isadora Gregolin, coordenadora da área de Letras do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Ufscar. 

Ao longo do ano, Lauren usou os scrapbooks para trabalhar com alguns conteúdos ensinados. Ela pediu, por exemplo, que a turma buscasse formas visuais para apresentar o oximoro (figura que combina palavras de sentido oposto que parecem se excluir mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão), discutido na leitura de textos literários. Outros temas propostos:"Describing Objects", "The World Around Me", "A Little Bit About My Friend..." e "Friendship Is?". 

No fim do ano, o objetivo de escrever frequentemente, num suporte ainda não muito explorado nas escolas que privilegia a escrita autoral, foi atingido. "O ganho de vocabulário e gramatical ficou evidente", conta Lauren.

 

Resumo

1. Do you know what it is? Explique o que é scrapbook, usando textos em inglês. Defina o tema e peça que cada um faça o seu. As produções serão revisadas antes de registradas no caderno e expostas. 

2. Me, myself and I! Proponha que a garotada crie o visual da capa e desenvolva por escrito o tema "A Little Bit About Me". 

3. You?ve learned... now, use it. Solicite outras produções cuidando para que os temas estejam relacionados aos conteúdos estudados. Ao término do ano letivo, organize uma mostra com todos os scrapbooks para a comunidade escolar.