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Seções | MUDANÇA DE HÁBITO | Artigo


Por: NOVA ESCOLA

É hora de procurar outro emprego?

Minha estratégia é desdobrar a pergunta do título em outras quatro indagações. Talvez elas sejam úteis para você refletir.

RODRIGO RATIER,

RODRIGO RATIER,
editor executivo de NOVA ESCOLA e doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP)

Tenho 38 anos, trabalho desde os 14 e, se depender das propostas do governo Temer, ainda terei um bom tempo de labuta pela frente. Trabalhamos para viver, embora algumas vezes a impressão seja a de que vivemos para trabalhar. Mesmo se excluirmos as jornadas extenuantes, vale a continha básica de que passamos, em média, um terço de nossa vida adulta no serviço. Nossa atividade profissional é onde investimos boa parte de nossa criatividade, energia e sonhos. Talvez não esteja tão longe da verdade se disser que a vida, no fundo, é a soma desses três atributos.

Por isso, acho justo perguntar, de tempos em tempos, se estou fazendo a coisa certa no trabalho. É hora de seguir em frente ou de buscar outro emprego? Sempre refleti sobre isso - e, ao longo da estrada, tive a sorte de receber bons conselhos para chegar mais perto de uma resposta aceitável. Hoje, a minha estratégia é desdobrar a pergunta do "para ou continua" em quatro indagações. Talvez elas sejam úteis para você.

  • Quem é seu chefe? "Isso importa mais do que o salário, a empresa e a função que você vai desempenhar", me disse certa vez um gestor. O raciocínio é que seu superior imediato pode fazer de sua vida um paraíso ou um inferno. Exageros à parte, ter o chefe como aliado é uma grande vantagem. Especialmente se ele dá crédito pelo seu esforço, confia em você para tarefas cada vez mais importantes e tem jogo de cintura quando você precisa de alguma flexibilização nas regras do dia a dia - sair mais cedo para um compromisso ou ficar em casa para cuidar de um filho doente, por exemplo.
  • Qual o propósito do seu trabalho? Tem a ver com o objetivo final do que você faz. Nesse quesito, quem trabalha em Educação já sai na frente. Nossa área existe para formar cidadãos autônomos e críticos. Ao menos em teoria. Se você atua em um lugar cujo norte é preparar estudantes para testes ou reproduzir um modelo autoritário de ensino, vale repensar se o efeito do que você faz está alinhado com seus valores.
  • Seu dia a dia vale a pena? O ambiente em que você trabalha é leve, pautado pela colaboração e pela camaradagem? Ou, ao contrário, é carrancudo, com pessoas que não confiam umas nas outras e competem entre si? Isso costuma fazer a diferença na forma como iniciamos o dia e como construímos as nossas relações com os colegas. Ou seja, se ficamos na defensiva ou se aceitamos críticas como parte do aprimoramento.
  • Você está aprendendo algo novo? O lugar de trabalho ideal tem tarefas e pessoas inspiradoras e criativas. Por outro lado, quando o cotidiano é sempre igual, a tendência é a gente se acomodar. Ter alguém ou algo que nos incentive a ir adiante e fazer as coisas de forma diferente - mesmo que seja a mesma atividade que você sempre realizou - é fonte de motivação e prazer. No fim do dia, são fatores como esses que fazem o batente ter sentido por décadas a fio.
     

Ilustração: Adriana Komura