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Sala de Aula | Arte | Sala de aula


Por: Jacqueline Hamine, Carolina Monteiro e Maggi Krause

Novos papéis para o papel

Deixar a turma experimentar materiais conhecidos de um jeito novo transforma a sala em ateliê

Um lugar ideal para fazer arte exibe variedade de materiais: papel Kraft, carbono, jornal, papelão, tinta, canetinha, giz de cera, lápis de cor, argila... Quem tem tudo na mão às vezes tende a se acomodar e repetir as mesmas atividades. Já o educador que sofre com a escassez de recursos fica paralisado pela falta de opções na hora de planejar. Nos dois casos, o jeito é tentar mudar o olhar, adequando as propostas. Para a arte-ducadora Gina Dinucci, a experimentação é muito importante nas aulas e bolar novos usos para materiais já conhecidos colabora para o exercício da criação artística. "O educador tem que ter abertura para propor experiências, como extrair o corante do papel crepom para pintar aquarelas e usar carvão para desenhar grandes murais."

As vantagens de atividades inovadoras são muitas, segundo Ana Angélica Albano, professora da Unicamp e do Instituto Singularidades. "Elas permitem que as crianças desenvolvam a individualidade, a autonomia, a independência e a sensação de autoria." Segundo ela, só é preciso dosar os desafios. Vale esperar a turma evoluir em uma prática antes de apresentar outra. Leia mais e veja algumas sugeridas por Lucília Helena Franzini, coordenadora de artes visuais da Escola Grão de Chão, e Ana Tatit, professora do Singularidades e autora do livro 300 Propostas de Artes Visuais.

VITRAL NUM INSTANTE

Passar água em papel celofane e aplicar direto no vidro da janela é uma forma descomplicada de simular o vitralismo praticada na Escola Grão de Chão, na capital paulista.

 

BRINCADEIRA DE LUZ E COR

Junte duas folhas de papel (color set, cartolina ou cartão). Com tesoura ou estilete, faça recortes de formatos geométricos, deixando uma "moldura" em volta. O papel ficará vazado. Separe uma das folhas e preencha os espaços com pedaços de celofane de cores diferentes, fixando com cola ou fita adesiva. Coloque o outro papel sobre o desenho, colando ou grampeando as duas partes. Está pronto o vitral.

Qual a descoberta?

Ao serem colocadas junto a uma janela ensolarada, as produções permitem que a turma observe e brinque com a composição de cores e luzes. Obras de artistas como Matisse e Chagall podem servir de inspiração na hora dos recortes.

 

 

DESENHO ESCONDIDO

Separe lápis de cor ou canetas esferográficas de duas cores (por exemplo, azul e vermelha), celofane ou papel gelatina nas mesmas cores e papel sulfite. Primeiro, desenhe com uma das canetas e, depois, complete as figuras com a outra cor. Olhe para o desenho com uma das folhas de celofane e depois com a outra.

Qual a descoberta?

A criança percebe que, quando olha através do papel vermelho, ela só enxerga o que foi desenhado em azul e vice-versa. Como é lúdica, a atividade incentiva o aluno a elaborar outros desenhos. Se você montar óculos 3D (com cartolina e uma lente de cada cor), eles verão como se comportam as figuras em três dimensões.

 

 

AQUARELA COM ÁGUA E CANETINHA

Desenhe e pinte com canetinha hidrográfica em papel de gramatura alta, como canson ou cartolina. Com pincel, passe água em cima do desenho. A tinta da canetinha ficará mais dissolvida no papel e em tons suaves, semelhante a uma pintura feita com tinta de aquarela.

Qual a descoberta?

Borrar o desenho com água é certeza de resultados imprevisíveis, e aceitar isso faz parte do processo de criação. Com alunos mais velhos também dá para estimular misturas de cores e alterar as manchas depois de molhar o papel.

 

 

UMA NOVA IMPRESSÃO

Esfregue a superfície de páginas de revista com uma esponja de aço sobre sulfite ou cartolina. A tinta se solta feito um pó e o efeito no papel branco é de manchas em tons pastel, com linhas que dependem da posição da folha de revista em relação à superfície. Uma variação é fixar recortes, como uma máscara, sobre a cartolina: a imagem recortada ficará branca e o contorno colorido.

Qual a descoberta?

As crianças têm contato com diferentes texturas dos materiais. Conforme mudam a direção do movimento, a pressão e a posição das folhas, elas notam que são produzidos efeitos diversos sobre o papel.


Fotos: Verônica Mancini