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Avançar sem deixar ninguém para trás

Atividades de localização espacial podem ser planejadas e, principalmente, replanejadas de acordo com a turma

POR:
Wellington Soares e Monise Cardoso

Ao planejar uma sequência didática, é preciso ter em mente os objetivos de aprendizagem que se pretende alcançar com os alunos. Nem sempre a turma avança no mesmo ritmo. O que fazer? Para lidar com essas situações, a palavra-chave é avaliação. "A avaliação não tem apenas o papel de medir se o estudante aprendeu ou não, ela também pode contribuir para o desenvolvimento do trabalho", explica Maria Clara Galvão, professora da Escola da Vila, em São Paulo, e formadora de professores.

O caráter formal e rígido que as avaliações carregam tende a endurecer a ideia da sua aplicação fora das datas formais da instituição, mas flexibilizar é uma maneira de introduzir a prática no cotidiano da sala de aula. "Pode ser mais interessante em algumas situações usar uma avaliação menos burocratizada, mas que atenda com precisão e seriedade os objetivos que o professor estabeleceu", explica Aline dos Reis Matheus diretora educacional da Primeira Escolha.

Assim, é possível ter indícios sobre quais foram as intervenções que não deram certo, o que realmente funcionou e deve continuar e quais ações são mais pertinentes diante dos desafios objetivados. Com os dados em mãos, o professor pode replanejar. "É preciso ter muito domínio da sua área para entender a origem dos erros dos alunos e para compreender as hipóteses que foram levantadas. Isso demanda conhecimento dos meios de ensino da disciplina", pondera Aline.

Se os resultados apontam um desequilíbrio entre os alunos, é hora de repensar a estratégia. "É essencial que todos estejam na mesma página. Mas para isso, alguns estudantes ou grupos precisam de ajuda e de atividades diferentes", afirma Maria Clara. Mudar o percurso a tempo de elevar os níveis de aprendizagem da turma talvez seja a parte mais importante do processo. Veja, abaixo, uma sugestão de sequência elaborada por Maria Clara para abordar localização espacial e dicas de como avaliar e replanejar o trabalho.

 

DA ESCOLA AO PARQUE

4 atividades para trabalhar localização espacial no 3o ano

1) Diagnóstico
Peça que os alunos elaborem instruções escritas para guiar um colega da sala de aula até outro lugar da escola. Troque as instruções entre as duplas e oriente-as a tentar seguir as indicações. No final, veja quem conseguiu chegar até o local proposto ou não e peça que os alunos destaquem qual, no texto dos colegas, foram as instruções mais ou menos úteis para atingir o objetivo.

2) Em grupo
Baixe o mapa de parque e pergunte:

  • Qual caminho se pode fazer da entrada até a montanha-russa?
  • João saiu do trenzinho, virou à direita até a esquina onde estava o pipoqueiro, virou à direita, andou um quarteirão e virou à direita de novo. Andou mais um quarteirão, virou à esquerda e foi na atração no fim do quarteirão. Qual é o brinquedo?

3) Em duplas
Indique um local do mapa do parque e peça que cada dupla escreva orientações para se chegar até esse local a partir da entrada. Troque as instruções entre as duplas e peça que os alunos tentem descobrir qual o local indicado pelas instruções feitas pelos colegas. Ao final, fomente uma discussão coletiva baseada nos mesmos aspectos que pautaram o debate após a primeira atividade.

4) Individual
Apresente a situação-problema abaixo e peça que os alunos a resolvam individualmente. Carolina quer ir ao parque de diversões. Chegando lá, quer brincar primeiro no Barco Viking e depois no Jogo das Argolas. Escreva uma mensagem para que ela consiga ir a esses dois lugares sem se perder. Recolha as produções escritas e utilize-as como avaliação final.

 

QUANDO A TURMA NÃO CHEGA LÁ

Para avaliar a turma, monte uma tabela e responda se, a cada atividade, os alunos:

  • Usam pontos de referência. Exemplo: "chegando à escada".
  • Usam vocabulário adequado. Exemplos: à direita, à esquerda.
  • Fazem referência ao ponto de vista de quem lê as instruções. Exemplo: na sua frente ou atrás.
  • Usam medidas não convencionais. Exemplo: sete passos.

Volte à tabela periodicamente para observar a evolução da turma. Caso um grupo de alunos não esteja avançando como o restante da classe, vale propor que, em grupos, eles realizem atividades diferenciadas. Proponha novos desafios focados nas maiores dificuldades apresentadas:

  • Peça que eles avaliem boas instruções sobre como se chegar entre dois pontos no mapa do

    parque e destaquem as melhores dicas usadas nos textos.

  • Pense em enunciados que foquem individualmente em um aspecto avaliado. Para alunos que não usam pontos de vista, vale apresentar os enunciados e discutir como essa informação poderia ser útil.

Veja o plano de aula completo.


Ilustração: Bárbara Malagoli