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Sala de Aula | Geografia | Sala de aula


Por: Jacqueline Hamine, Paula Peres e Maggi Krause

O mapa-múndi visto de outro ângulo

Esqueça decoreba, desenhos coloridos e cálculos! Aguce a curiosidade sobre os países e reflita com a turma da EJA sobre como o planeta é representado

Em um mundo globalizado, onde o noticiário menciona países diferentes todos os dias, seu aluno não sabe onde fica o Haiti nem a França? Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), isso é mais frequente do que imaginamos. O próprio mapa-múndi pode causar estranheza. "É preciso conversar com a turma sobre o que é o mapa", diz Diego Elias, professor de Geografia do CIEJA Campo Limpo. "Estamos acostumados a interagir com uma realidade tridimensional. O papel ou a superfície da tela tentam reproduzi-la em duas dimensões e de maneira reduzida", explica ele.

Diego pede que eles pensem na sala de aula vista de cima, nos pontos de referência do bairro e nas rotas do dia a dia com a ajuda do Google Maps, e vai diminuindo a escala até que todos percebam que o mapa-múndi não deixa de ser, também, uma representação. A observação fica mais interessante quando confrontada com o globo terrestre. No mapa mais usual, temos a impressão de que o Ocidente e o Oriente estão muito distantes. No globo, vemos que os Estados Unidos e a Rússia quase encostam um no outro.

"O planisfério teve função importante nos sé- culos 15 e 16, época das navegações, mas não deve ser a única forma de entender o mundo", alerta Fernanda Padovesi Fonseca, professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP). "Discutimos sobre como esse mapa tradicional descreve uma dominação", explica Diego. Por que os países do norte estão em cima? Quem definiu isso como padrão? Instigar os alunos é só um começo. Leia dicas para preencher lacunas de conhecimento e verifique se você não precisa deixar de lado práticas ultrapassadas.

 

Risque estas práticas

  • REPRODUZIR
    Fazer cópias de mapas em papel vegetal é demorado. Aproveite esse tempo para discutir os conteúdos.
     
  • MEMORIZAR
    Não exija que decorem nomes de países e capitais. Se a informação for importante, vai aparecer de maneira contextualizada.
     
  • CALCULAR
    Evite focar as atividades em questões convencionais da cartografia, como exercícios matemáticos de escala ou coordenadas geográficas.
     
  • COLORIR
    Nada de pedir para pintar mapas para localizar biomas ou tipos de clima. Também não vale apresentar as projeções cartográficas (cone, cilindro, plano) sem debater sua adequação e utilidade.

Imagem: GETTY IMAGES / OJO IMAGES