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Um retrato do nazismo à brasileira

POR:
Wellington Soares e Paula Peres

Aloizio Silva, o menino 23, revisita sua infância no documentário

Em uma fazenda no interior de São Paulo são encontrados tijolos marcados com suásticas nazistas. O mistério conduz o historiador Sidney Aguilar Filho por uma investigação sobre as origens desse material e a história por trás dele. A descoberta é surpreendente: o local serviu como campo de trabalho para jovens negros escravizados em plena década de 1930.

FILME

Menino 23 - Infâncias Perdidas no Brasil

Belisário Franca, 79 min, agendamento de sessões nas escolas no site

FOTO DIVULGAÇÃO

"Era que nem um gado, um comprador ia comprar tudo. Ele faz a escolha, né?" Assim Aloizio Silva (veja foto acima) resumiu a experiência de ter sido selecionado junto com outros 49 meninos negros do orfanato Romão de Matos Duarte, na cidade do Rio de Janeiro, para trabalhar no local. O filme conta a história de Aloizio - o menino número 23 nos registros - e de outros dois homens que serviram na fazenda em Campina do Monte Alegre, a 225 km da capital paulista.

Em paralelo, especialistas falam sobre a época: o nazifascismo que domina partes da Europa encontra ressonância por aqui. Como pano de fundo, o conceito de eugenia destacava a busca por uma "superioridade racial", que chegou a ser incentivada por ações do governo brasileiro, como nos concursos de crianças mais bonitas pautados por esses padrões supostamente científicos.

A população local conhecia a situação, mas o enaltecimento da raça branca e a cultura coronelista - em seu ápice - faziam a poderosa família ser bem vista na cidade, inclusive homenageada em nomes de ruas e de uma escola que os meninos da fazenda nunca puderam frequentar.

Registro de um de nossos períodos obscuros, e da própria pesquisa histórica, o filme também mostra a pouca perspectiva de vida de uma criança quando sua infância lhe é tomada.

 

2 PODCAST

Fala aí, pai!

Dois pais e professores debatem a Educação de seus filhos e de todas as crianças. O olhar cuidadoso de quem entende do assunto aparece em todos os episódios, que têm em média 40 minutos. Os resultados do Ideb conduzem a uma reflexão sobre o papel da escola pública na sociedade. No programa sobre a biblioteca dos filhos, dicas valiosas para selecionar livros que iniciem os pequenos no universo da leitura.

 

3 TELEVISÃO

Do you speak English?

O cotidiano de dois irmãos é a base para o programa Word on the Street abordar as gírias, os costumes e os elementos da cultura inglesa, com explicações de um especialista. O programa é útil para exercitar e ampliar o vocabulário e a compreensão oral do idioma. Mas atenção: não é para iniciantes. Todos os episódios são em inglês.

 

4 FAMÍLIA

Feminismo de berço

Uma amiga pediu à escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie para ajudar a oferecer uma "Educação feminista" à sua filha que acabara de nascer. Sua resposta veio em forma de livro, que coloca a pulga necessária atrás de nossas orelhas: qual é a mensagem sobre papéis de gênero que passamos às crianças com nossas atitudes do dia a dia?

  • Para Educar Crianças Feministas, Chimamanda Ngozi Adichie, 96 págs., 14,90 reais (impresso) ou 9,90 reais (e-book)

 

5 INFANTOJUVENIL

O maior medo dos brinquedos

Elena Ferrante é uma das mais badaladas escritoras do momento. De identidade desconhecida, os livros escritos sob esse pseudônimo têm ganhado espaço nas listas de melhores livros mundo afora. Nesta obra infantojuvenil, a boneca Celina é esquecida em uma praia por sua dona e passa por situações que podem amedrontar muitos adultos. A narrativa pesada é balanceada pela escrita talentosa, que retrata os pensamentos e medos de uma boneca de maneira pouco convencional para o gênero.

  • Uma Noite na Praia, Elena Ferrante, 40 págs., 34,90 reais (impresso) ou 19,90 reais (e-book)

Fotos: Divulgação. Ilustração: Mara Cerri.