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Os filhos de Adonilson

O que aconteceu com o menino da nossa primeira edição, de 1986?

POR:
NOVA ESCOLA
Leandro Beguoci,

Leandro Beguoci,
Diretor editorial e de produtos

A NOVA ESCOLA tem uma biblioteca espaçosa. Em uma das estantes há a coleção completa da revista. Quem nos visita costuma folhear por um bom tempo os primeiros exemplares. As pessoas ficam fascinadas com as capas, com as ideias, com as reportagens, com os planos de aula. Elas embarcam em uma viagem por 31 anos de história da Educação no Brasil.

Foram anos importantíssimos. Neste período, o país encarou o desafio de colocar todo mundo na escola. Também implementou políticas de formação de professores e de avaliações de aprendizagem. São grandes conquistas - mas que demoraram muito para acontecer. E este atraso tem consequências até hoje.

Adonilson estampou a primeira capa desta revista, em 1986. Parecia uma história de sucesso para aqueles anos derradeiros de ditadura militar e de exclusão educacional. Nós celebrávamos o caso de um menino de rua que tinha acabado de se tornar estudante. No contexto da época, era incrível mesmo. Três décadas depois, nós decidimos reencontrar Adonilson. Esta busca nos ensinou uma enormidade sobre o que acontece com as pessoas deixadas para trás.

Ele abandonou a escola (na verdade, uma tenda improvisada numa praça) poucos meses depois da reportagem. Continua trabalhando na rua até hoje, como você poderá ler em reportagem desta edição. Na prática, a escola nunca fez parte da vida dele. O Brasil de 1986 o deixou para trás. O outro lado desta história é que o Brasil de 2017 não abandonou os filhos de Adonilson. Todos foram para a sala de aula e um deles sonha com a faculdade. Apesar de todos os problemas que a Educação brasileira tem, conseguimos garantir em menos de 30 anos o que tínhamos demorado muitas décadas para fazer.

Esta é uma ótima reflexão para nós, que trabalhamos hoje em NOVA ESCOLA. Temos certeza de que nossos colegas de 1986 compartilhavam do mesmo desejo: Educação de excelência para todos. Mas eles não conseguiam ver, por exemplo, que tendas eram uma solução muito ruim para escolarizar as crianças.

Por isso, nesta edição especial, o número 300 da nossa história, decidimos não celebrar o passado. Ele é bonito e temos orgulho dele. Mas só continuaremos relevantes se formos muito ousados. Como diz Mario Sergio Cortella, grande inspiração para os professores brasileiros, em entrevista na reportagem de capa: "Nós somos movidos pelo sonho, que é o desejo realizável, factível".

Em nome de Adonilson e de todas as crianças brasileiras, nós, em NOVA ESCOLA, perseguimos obsessivamente um sonho: que todo professor tenha prazer em ensinar para que todo aluno tenha prazer em aprender. Nós vamos trabalhar duro para garantir isso - e vamos trabalhar junto com você. Se quiser conversar, é só me escrever: leandro@novaescola.org.br. Nós, juntos, somos a mudança que queremos ver na Educação brasileira! 

 


Ilustração: ADRIANA KOMURA