Seções | Literatura, Internet e Série | Imperdível

Como se organizaram os "mal-educados"

POR:
Larissa Darc e Wellington Soares

Estudante encara a polícia durante manifestação no Centro Paula Souza 

Nos últimos tempos, a insatisfação de estudantes do Ensino Médio ganhou destaque no noticiário e nas redes sociais. A revolta virou pauta há cerca de um ano, quando começaram as ocupações de escolas. Encorpou com os protestos contra a PEC 241 e a proposta de reforma do currículo. Para quem acompaha tudo de longe, a impressão é de que esses jovens não passam de um bando de "mal-educados.

Escolas de Luta propõe uma outra visão. A obra mergulha nas mobilizações estudantis, iniciadas após o anúncio de reorganização da rede estadual paulista, em 2015. Nas 352 páginas, é possível entender por relatos dos alunos e imagens como o movimento começou e, sobretudo, as dificuldades enfrentadas durante as ocupações.

Escolas de Luta

Antonia M. Campos, Jonas Medeiros e Márcio M. Ribeiro, 352 págs., 34,80 reais

crédito: reprodução

Segundo os estudantes que narraram suas experiências aos pesquisadores da USP e da Unicamp que assinam o livro, a organização do movimento se inspira nas mobilizações ocorridas no Chile e na Argentina. Delas, os brasileiros aprenderam como realizar comitês responsáveis pelas tarefas da ocupação e assembleias diárias.

O cotidiano dentro das escolas é relatado em detalhes: coação, ameaças e agressões por autoridades, discussões sobre racismo e machismo, aulas, palestras, oficinas, shows e debates que garantiram que a aprendizagem não parasse.

Para esses alunos, o recuo anunciado pelo governo estadual no ano passado não foi suficiente para resolver o conflito, o que ajuda a explicar por que os movimentos continuam a se valer das estratégias de ocupação. Escolas de Luta permite entender as razões dos alunos e, a partir desse exercício de escuta, discutir esse fenômeno em bases mais sólidas, sem preconceitos.

 


FORMAÇÃO

Investigando o brincar 

Ao conversar, olho no olho, com crianças de 25 comunidades do Ceará, o autor explora a relação delas com o brincar e a natureza. Válido para professores da Educação Infantil ao Fundamental.

Brinquedos do Chão, Gandhy Piorski, 156 págs., 42 reais
 


INCLUSÃO

Chega de dúvida

O novo portal Diversa, lançado pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM), traz fóruns e especialistas convidados para debater as principais questões do cotidiano da inclusão nas escolas. É o espaço ideal para expor experiências e debater boas práticas. 

Portal Diversa, Instituto Rodrigo Mendes, diversa.org.br


SÉRIE

Reflexo obscuro

Imagine um mundo onde pessoas têm a sua posição social definida por avaliações nas redes sociais. Ou, então, que são capazes de projetar suas memórias em uma televisão durante o jantar com os amigos. Essas e outras situações futuristas são abordadas nas três temporadas da série Black Mirror. Com base nos episódios, é possível propor debates com os alunos sobre a nossa relação com a tecnologia.

Black Mirror, terceira temporada, seis episódios. Disponível na Netflix

Fotos: André Lucas, reprodução e divulgação