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Seções | Intolerância | Em Dia


Por: Rodrigo Ratier, Karina Padial e Lucas Freire

Em 2016, quem venceu foi o ódio

Quem, ao longo deste ano, não se envolveu em nenhuma discussão política, bloqueou um amigo no Facebook, silenciou um grupo no WhatsApp ou evitou um almoço de família para não ouvir ou falar besteira? É impossível negar: 2016 foi um ano de ânimos acirrados.

A polarização criada em torno de acontecimentos como o impeachment de Dilma Rousseff no Brasil, o plebiscito que aprovou a saída da Inglaterra da União Europeia e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos fez do ódio um espetáculo, inflamado pelas redes sociais. Foi um festival de vídeos raivosos e memes ofensivos quando não socos e pontapés reais.

Existe uma crença de que ter o direito de se expressar, mesmo que preconceituosa ou agressivamente, é uma maneira de se colocar a democracia em prática. Pelo contrário: isso representa um perigo à própria noção de civilidade, diz Marcia Tiburi, doutora em Filosofia e autora do livro Como Conversar com um Fascista. Por mais difícil que seja, já passou da hora de retomarmos o diálogo. Terreno fértil para isso, a escola pode se tornar um importante espaço de conversa e de reconhecimento das diferenças. Seja entre os alunos ou entre os pares. Que tal colocá-lo entre as resoluções de Ano-Novo? Ao lado, seis dicas para ajudar você a cumpri-la.

 

  • FLA X FLU POLÍTICO 
    Intolerância em grau máximo entre coxinhas, que pediam a saída do PT do poder, e petralhas, que defendiam Dilma.

 

  • BREXIT
    A xenofobia deu o tom. A promessa de barrar a imigração impulsionou o voto pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia.

 

  • ELEIÇÃO DE TRUMP
    O candidato venceu apesar das declarações misóginas e racistas. Imigrantes árabes, latinos e mulheres foram seus alvos.

 

Em 2017, pode ser diferente
 

  • CONVIDE AO DIÁLOGO
    Impor um diálogo é impossível. Uma conversa séria só acontece quando ambos os lados estão dispostos a falar e ouvir.
  • ESTEJA ABERTO
    Deixe sua convicção de lado, nem que só por uns instantes, e busque entender de onde o outro vem, o que ele vê e como se sente. É assim que se cria empatia.

 

  • BUSQUE PONTOS COMUNS
    Permita que os outros saibam que você compartilha objetivos comuns, mesmo que suas táticas para alcançá-los sejam diferentes.
  • SILENCIE
    A timeline está bombando. Mas você precisa entrar na discussão? Avalie se sua opinião vai ajudar a avançar o debate ou apenas trazer mais tumulto.

 

  • MANTENHA O RESPEITO
    Preconceito é inaceitável. Uma coisa é ser direto e sincero. Outra é ridicularizar, agredir e subir o tom. Isso bloqueia o diálogo.
  • FOQUE NOS FATOS
    Pesquise a fonte da infomação antes de usá-la. Estudo do BuzzFeed revelou que notícias falsas da Lava Jato foram mais repercutidas que as verdadeiras.

 

Entrevistas: Sandra Caselato, psicóloga especialista em comunicação não violenta; e Augusto Cuginotti, mestre em Liderança Estratégica para a Sustentabilidade pelo Blekinge Institute of Tecnology, na Suécia.


Foto: David Becker/Gettyimages