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Para onde vai a Venezuela?

Ruínas na economia e política dão pistas sobre a ausência de rumo do país

POR:
Wellington Soares e Patrick Cassimiro
Estes venezuelanos vão a Cúcuta, na Colômbia, comprar alimentos em falta

 

Fonte única

Os 14 anos do governo de Hugo Chávez (1954-2013) foram marcados pelo aumento da dependência ao petróleo - ele representa quase toda a exportação e mais da metade da arrecadação de impostos. Com o preço alto, Chávez investiu numa política social para as classes baixas e ganhou três eleições. Com a queda brutal no valor do barril, a economia afundou e os benefícios escassearam, o que afetou também a estabilidade política.

  • 2016: Barril de petróleo vai a 30 dólares. Queda de 70% em dois anos

 

Socialismo contestado

Com a ambição de implantar o chamado socialismo do século 21, Chávez fez um governo polêmico desde 1999: reduziu a desigualdade, mas com medidas populistas, nacionalizou empresas e afugentou estrangeiros, mudou a constituição para se reeleger indefinidamente, perseguiu inimigos e foi perseguido (escapou de um golpe em 2002). Em 2013, a Venezuela era um país polarizado e com alta tensão social.

 

Tsunami econômico

Em 2014, sem Chávez e com o petróleo em rota de descida, a economia piora. Falta dinheiro para importar produtos básicos. Há poucos alimentos materiais médicos e itens de higiene. A inflação dispara (181% em 2015) e o PIB despenca (- 5,7% no mesmo ano). O governo tenta controlar a crise aumentando os salários (o que gera mais inflação), criando feriados e cortes de energia (o que diminui a produtividade das empresas e aprofunda a recessão econômica).

  • 2013: Morre Chávez. Maduro ganha por apenas 1,5%.

 

Sem previsão de melhora

Com o chavista Nicolás Maduro no poder, a oposição avoluma protestos contra o governo, que intensifica a perseguição a adversários. Treinamentos militares, fechamento de empresas jornalísticas e discursos inflamados de Maduro tornam sua situação difícil. Neste ano, o Conselho Nacional Eleitoral autorizou um referendo sobre a revogação de mandato (estima-se que 70% da população apoiem a deposição). Enquanto isso, o país segue parado.

 

Saiba mais:

Relatório da Human Rights Watch descreve a situação política do país bit.ly/relatoriovenezuela 

 


Consultoria: Manuel Furriela, docente da FMU, José Maria de Souza Júnior, doutorando pela USP, Gerson Dias, professor do Colégio Rio Branco, e Francisco Américo Cassano, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.