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Educação sem tabu

Não importa sexo, modelo de alfabetização ou estilo musical. O que vale é ensinar (e aprender)

POR:
Leandro Beguoci
Leandro Beguoci,

Leandro Beguoci,
Diretor editorial e de produtos

N OVA ESCOLA tem gente de direita, de centro e de esquerda. Ateus, católicos e evangélicos. Negros, mulatos e brancos. Heterossexuais e gays. Alguns tiveram escolas excelentes. Outros, medianas. Apesar das diferenças, somos parecidos. Nós acreditamos em Educação pública e de qualidade para todas as pessoas.
Podemos discordar sobre qual é o melhor caminho, mas ninguém nega esse princípio. Geralmente, quando estamos inspirados, cada palavra provoca muitos debates. O que é pública? Como medimos qualidade? O consenso aparece no final da frase. É o trecho para todas as pessoas.
Por isso você tem em mãos uma capa sobre feminismo. Ela é um consenso. Se a escola não for igual para meninos e meninas, ela nunca será para todos. O feminismo lembra que as pessoas, apesar das suas diferenças, têm os mesmos direitos escritos ou não em lei. O sexo de nascimento não impõe ao homem o fardo do provedor nem à mulher o peso da ternura.
E, para não ficar só na reportagem bonita, resolvemos desafiar a nossa prática. Somos tão comprometidos com a igualdade quanto pregamos? Decidimos que a ampla maioria dos conteúdos desta edição seria feita por mulheres. E isso aconteceu. Mas, para acontecer, descobrimos nossos limites. Tínhamos poucas fotógrafas e ilustradoras no nosso radar. Foi difícil encontrar essas (ótimas) pessoas. Respiramos fundo, aceitamos a pancada e aprendemos um montão.
Aliás, o aprendizado foi muito além do feminismo prático. Também descobrimos Novo Horizonte, uma das melhores redes do Brasil. O município conseguiu implantar a igualdade entre as escolas com métodos que dão frio na espinha demuitos especialistas mas garantem o direito de aprendizagem a crianças ricas, pobres e de classe média nessa cidade do interior paulista. Também contamos como é possível falar dele o funk! nas escolas. De novo, um assunto difícil, tabu para pais, professores e até alunos. Mas era inevitável. A escola não vive numa realidade paralela.
Em comum, as três reportagens partem de um só princípio: Educação de qualidade é direito de todos e todas, independentemente do sexo, do modelo de alfabetização ou do estilo musical. Nós acreditamos nisso. Nós vivemos por esse valor. E vamos continuar buscando, por mais que isso doa de vez em quando.

Antes de me despedir, quero fazer um convite. No site de NOVA ESCOLA (novaescola.org.br), procure a palavra podcast. São programas de rádio, de até meia hora, que nós estamos fazendo. Há experiências de professores inovadores, dicas para inclusão, debates sobre psicólogos na sala de aula. Pensamos nesses programas para ajudar na sua formação. Se tiver alguma sugestão, como sempre, é só escrever: leandro@novaescola.org.br. Nós só estamos aqui porque estamos com você.


Ilustração: Adriana Komura