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O que o YouTube pode fazer pela sua aula

Selecionamos canais de vídeo que ensinam Química e Física com experimentos criativos, linguagem simples – e, claro, informação confiável

POR:
Patrick Cassimiro, Lívia Perozim e Monise Cardoso

Como Einstein, Hulk e Super-Homem poderiam estar em uma mesma aula sem que os alunos achem você um Frankenstein? Um pesquisador aficionado por histórias em quadrinhos conseguiu reunir esses dois super-heróis em uma controversa disputa pelo soco mais forte e, assim, explicar a Teoria da Relatividade, que o mais célebre de todos os cientistas, Albert Einstein (1879-1955), demostrou em 1905. Publicado no Nerdologia (veja no quadro abaixo), canal do YouTube criado pelo biólogo Átila Iamarino, o vídeo rapidamente viralizou e foi assistido por mais de 1 milhão de pessoas. É assim, com criatividade e humor, que pesquisadores como Iamarino estão divulgando a ciência na internet e atraindo um grande público de crianças e adolescentes.

Nos vlogs, canais de vídeo online, cientistas, geralmente recém-formados ou pós-graduandos, recorrem a elementos da cultura pop (cinema, HQs e tecnologia, por exemplo) para tratar de ciências de uma maneira mais próxima ao universo dos estudantes. "A sacada dessa turma é falar de Química e Física para não especialistas", explica Cristian Annunciato, físico, pesquisador da Abramundo e consultor de NOVA ESCOLA. Dá para encontrar de tudo. O conteúdo dos vlogs no YouTube vai de teorias sobre a origem da vida a experimentos que explicam a ação da cafeína.

Antes de apertar o play, esteja alerta: há muito conteúdo na rede, mas nem tudo tem credibilidade. Uma boa dica é ficar de olho nas referências teóricas usadas nos vídeos e verificar o nível de formação dos autores. "Outra maneira é checar se o canal tem o selo de qualidade Science Vlogs Brasil, criado para fortalecer os youtubers cientistas que disseminam conhecimento confiável", afirma Annunciato.

Nos Estados Unidos, esses vídeos -  sobretudo os curtos, com duração de até cinco minutos - têm grande expressão. Aqui, eles começam a ganhar fôlego. A seguir, selecionamos cinco canais de youtubers brasileiros que traduzem o universo científico para uma linguagem jovem e atraente aos alunos. Vale lembrar que vlogs não substituem a aula. Eles podem ser um interessante gatilho para motivar a turma e introduzir a discussão de conceitos. O resto do trabalho duro, claro,segue concentrado nas suas mãos.

Nerdologia
1.449.993 inscritos

Em séries de animação, o blogueiro, biólogo e pesquisador paulista Átila Iamarino (foto acima), 31 anos, que já ministrou um curso da Universidade de São Paulo (USP) sobre o ensino de Ciências no YouTube, aborda temas de física por meio de HQs.

#DICA DE VÍDEO: QUAL O SOCO MAIS FORTE?
A antiga questão dos fãs de HQs (Hulk ou Super-Homem tem o soco mais forte?) é o ponto de partida para explicar como a energia de um objeto varia de acordo com a massa e a velocidade. Com base na Teoria da Relatividade, de Einstein, Iamarino sugere que o soco mais forte é, na verdade, o do esguio Flash: ao correr em velocidade próxima à da luz, o soco do super-herói teria o impacto de 4 milhões de bombas nucleares explodindo.

VAI LÁ: bit.ly/socoforte

 

Física Total
192.827 inscritos

Professor há mais de 20 anos, o pernambucano Ivys Urquiza Galvão, 43 anos, se aventurou no YouTube para socorrer alunos aflitos por videoaulas que contemplassem temas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para dar conta de suas produções, uma equipe o ajuda com a organização e a edição dos vídeos, voltados para explicar física em temas recorrentes do nosso cotidiano.

#DICA DE VÍDEO: CONVERSÃO DE ESCALAS ? CELSIUS, FAHRENHEIT, KELVIN
Em uma aula detalhada, Galvão ensina as medidas de temperatura e como convertê-las. Pelo tom um pouco mais técnico, é uma boa pedida de conteúdo para professores que queiram se aperfeiçoar em algum conceito antes de levar a explicação para a sala.
 

VAI LÁ: bit.ly/conversaoescalas 

Manual do Mundo

6.111.193 inscritos

Os vídeos mostram as aventuras do jornalista Iberê Thenório pelo universo científico e são feitos em um "Laboestúdio", o que lhes dá um ar mais profissional. O canal tem mais de 1 bilhão de visualizações.

#DICA DE VÍDEO: LÂMPADA QUÍMICA SEM ELETRICIDADE

Com a ajuda do químico Alfredo Mateus (acima), Iberê mostra como acender uma lâmpada com acetona, fio de cobre e fogo, experimento que exige a presença de um especialista para ser feito.

VAI LÁ: bit.ly/lampadaquimica

Química em Ação
239.681 inscritos

O químico Paulo Valim postou sua primeira videoaula no YouTube como um protesto à escola onde lecionava, que proibia o uso de tecnologia no ensino. Hoje, o canal é a principal fonte de renda do professor de 32 anos que vive na Polônia. Os vídeos atendem também pré-vestibulandos e concurseiros.

#DICA DE VÍDEO: INTRODUÇÃO À QUÍMICA: FENÔMENOS
A água é exemplo para ensinar as transformações químicas. No estado líquido, aprendemos como hidrogênio e oxigênio se juntam para virar H2O.

VAI LÁ: bit.ly/int-quimica

Ciência Todo Dia
154.000 inscritos

O canal começou quando Pedro Loos, de Brusque, Santa Catarina, estava no Ensino Médio. Fissurado por Ciências, o hoje estudante de Física de 20 anos passava horas assistindo cientistas youtubers americanos, mas lamentava não ter nada parecido no Brasil. Foi aí que decidiu se aventurar na internet.

#DICA DE VÍDEO: A ÁGUA NÃO É TRANSPARENTE
Em cerca de seis minutos e com uma linguagem acessível aos leigos, Loos mostra como nossa visão evoluiu ao longo do tempo e interferiu na maneira como enxergamos a água ? que, na verdade, é azul.

VAI LÁ: bit.ly/agua-azul

 


DO VÍDEO À SALA? AVALIE

A vantagem dos vídeos é mostrar experiências perigosas

  • Teste antes para ter conhecimento das possíveis reações e dominar a maneira de conduzir a atividade com a turma.
  • Avalie o risco. Componentes químicos inflamáveis ou experiências que envolvam eletricidade merecem atenção especial.
  • Use o mínimo de substâncias químicas necessárias para realizar os procedimentos. O impacto ambiental do descarte será menor.

 


DA SALA AO VÍDEO? AVALIE

O que você precisa saber antes de ligar a câmera

  • O equipamento pode ser amador: um celular ou uma webcam dão conta do recado.
  • Tenha luz abundante: o vídeo pode ser feito em qualque local, desde que bem iluminado (natural ou artificialmente).
  • Cuidado com ruídos: fale próximo ao microfone e garanta a qualidade do áudio. Pense na linguagem: fuja de termos técnicos e escreva um roteiro antes de gravar.
  • Vídeos longos dispersam: e dão menos audiência. De 5 a 15 minutos são bons limites.
FONTE: RAFAEL PROCÓPIO, DO MATEMÁTICA RIO

 


Consultoria: Cristian Annunciato, físico, pesquisador da Abramundo. 

Ilustração: Caio Beltrão  Fotografia: Thomás Arthuzzi