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Como malhar mesmo sem tempo e vontade

Rodrigo Ratier fala sobre questões do cotidiano

POR:
NOVA ESCOLA
Rodrigo Ratier,

Rodrigo Ratier,
Editor executivo de NOVA ESCOLA e doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP)

Sejamos sinceros - eu pelo menos serei: fazer exercícios físicos é muito chato. No ranking das minhas atividades favoritas, ocupa a posição 318, atrás de tirar espinha de peixe e na frente de lavar a louça depois da balada. O diabo é que malhar faz bem. Auxilia na autoestima, dá disposição e promove uma longa lista de maravilhas pela saúde. No meu caso, o exercício é fundamental para trabalhar a capacidade cardíaca e manter a pressão controlada - sofri de hipertensão por alguns anos. A recomendação é a corrida moderada algumas vezes por semana.

Só que, depois que minha filha nasceu, multiplicaram- se as razões para fugir da caminhada. Ausência de tempo, mais responsabilidades em casa ou puro cansaço. Eram justificativas reais, mas que estavam minando um comportamento que eu precisava manter. Me faltava disponibilidade e disposição para me exercitar.

Encontrei alternativas no livro Melhor do Que Antes. A autora, a escritora americana Gretchen Rubin, é uma espécie de cobaia humana numa série de experiências simples para adquirir, manter ou retomar bons hábitos. Utilizei algumas dicas para voltar a correr.

O primeiro passo fica menos complicado com objetivos moderados e táticas contra a autossabotagem.

  • Toda hora é hora Quando falta tempo, talvez dê para combinar a malhação com uma atividade que você já faz. No meu caso, decidi vir correndo duas vezes por semana de casa para o trabalho (sim, temos vestiário aqui). 
  • Moderação Uma coisa é a perspectiva de acordar para correr uma maratona. Outra, mais sossegada, é a de vencer 5 quilômetros, distância que tenho de percorrer. As chances de manter um hábito são maiores quando o desafio não parece insuportável. É como se pensássemos: Ok, vai ser chato, mas eu dou conta.
  • Não à autossabotagem Sabe aquela tática de deixar o despertador longe da cama para não voltar a dormir? É mais raro cair em tentação, pois você já está de pé para desligar o barulho... Essa lógica também serve para a atividade física. Deixo uma muda de roupa no escritório e, nos dias de corrida, saio de camiseta e short. Sei que preciso completar o trajeto se não quiser passar o dia vestindo o uniforme do Santos, inadequado ao trabalho.
  • Pareamento Significa juntar uma coisa que você não curte tanto com outra que você gosta muito. O resultado final é aceitável, como aquela sopa sem graça temperada com sal, pimenta e umas pitadas de parmesão. Gretchen dá o exemplo de pessoas que só assistem à série preferida (coisa legal) quando estão correndo na esteira (coisa chata). No meu caso, a corrida é o momento em que ouço música. 

A boa notícia é que os hábitos possuem uma certa inércia: uma vez estabelecidos, ficam cada vez mais automáticos e permanentes. Quando o difícil é começar, nada mais lógico do que tornar os primeiros passos menos complicados.
 


Ilustração: Adriana Komura