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Ele virou atleta para ensinar hóquei aos alunos

A modalidade, que começou opcional, hoje está incorporada ao planejamento regular da instituição

POR:
Wellington Soares, NOVA ESCOLA, Alice Vasconcellos e Elaine Iorio
Durante uma formação, o professor Rafael foi
descoberto e chamado para competir

"Minha relação com o hóquei sobre a grama é recente, porém intensa. Eu nunca tinha ouvido falar da modalidade até maio de 2014, quando participei de uma capacitação sobre o esporte promovida pelo Transforma, o programa de Educação dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Foi amor à primeira tacada. Tive muita facilidade para aprender os movimentos e entender o esquematático, semelhante ao do futebol: dois times, com 11 jogadores cada um, tentam marcar o maior número de gols possível.

 A afinidade foi tanta que o técnico da seleção masculina e instrutor da oficina, Cláudio Rocha, me chamou para alguns treinos. Achei inviável pela falta de tempo, mas comecei a pensar em como levar essa prática esportiva para meus alunos de 8º e 9º anos da EM Princesa Isabel, localizada em uma região pobre do Rio de Janeiro. Fui com cerca de 30 estudantes a um festival com atletas profissionais promovido pela Federação de Hóquei do Rio de Janeiro.

Me mostrei interessado em conhecer mais sobre a modalidade e fui convidado a fazer um curso para instrutores. O formador - Igor Almeida, atleta do Rio Hockey Club - me convenceu a entrar para o time. Era uma boa oportunidade para aprender sobre as técnicas e levá-las à turma.

Mas havia um problema: o equipamento, importado, era caro. Era possível fazer adaptações para utilizar o material disponível, recorrendo, por exemplo, a pedaços de madeira para substituir os tacos e as bolinhas de tênis. Eu preferi investir em outra saída: escrevi um projeto pedindo apoio à federação para criar uma aula extracurricular na escola. Ganhei 12 tacos, três bolas e o interesse dos alunos: a moçada começou a jogar hóquei - tanto meninos quanto meninas, todos juntos. Conquistei também os gestores: a modalidade, que começou opcional, hoje está incorporada ao planejamento regular da instituição.

Continuo a me dedicar aos treinamentos como atleta, participando de competições e ajudando a divulgar o esporte. Mas não abro mão do trabalho na escola, porque creio no potencial da Educação e no legado que a Olimpíada vai deixar para o Brasil e para nossos alunos."

Rafael Silva da Cunha é professor de Educação Física da EM Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, e atleta do Rio Hockey Club


Fotografia: Lucas Landau