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Por: Rodrigo Ratier

Um pedido de socorro de jovens estudantes

Documentário de Eduardo Coutinho traz relatos de jovens secundaristas


Personagem do
documentário, Breno abandonou a escola, mas escreve poemas

Maior documentarista brasileiro, Eduardo Coutinho (1933-2014) passou quase quatro décadas atrás das câmeras entrevistando pessoas: operários (Peões), sertanejos (O Fim e o Princípio), atrizes (Jogo de Cena), condôminos de um prédio popular (Edifício Master). Papéis sociais são pretextos para conversas íntimas, que, pela habilidade do diretor e entrevistador, tornam-se reflexões sobre o sentido da vida. Essa ambição também está presente em Últimas Conversas, série de depoimentos de secundaristas da rede pública, finalizado postumamente por Jordana Berg e João Moreira Salles. A dupla opta por mostrar um cineasta em crise com o trabalho. A razão é que os testemunhos não rendem. Fazer adolescentes se abrir é missão para poucos e, no meio das filmagens, Coutinho teme não ser um deles. "Vou ter de usar uma picareta?", desabafa com a equipe. Ainda assim, os breves momentos de conexão entre ele e os entrevistados são suficientes para um esboço da juventude suburbana carioca e suas narrativas de conflitos familiares, tédio, desencanto com o mundo e desejos modestos.

Coadjuvante nos relatos, a escola é o palco das experiências mais dolorosas. Bullying, escracho, racismo, evasão. Ninguém enxerga os indícios de que os jovens estão ali, disponíveis ao menor sinal de que estudar faz sentido. Bruna ("A escola é uma perda de tempo.") mexe com webdesign. Breno ("Parei de estudar.") escreve poemas. Pâmela Luana ("Vivi o preconceito da forma mais cruel num colégio público.") canta em inglês e quer ver um terremoto de perto. Num documentário irregular, Coutinho consegue dar voz a pedidos de socorro que ele mesmo não pôde fazer (o cineasta morreria tragicamente assassinado pelo filho em fevereiro de 2014). Não deixa de serum acréscimo digno a seu respeitável legado.

 

  • Últimas Conversas, Eduardo Coutinho, Instituto Moreira Salles, lojadoims.com.br, 44,90 reais

 


EXPOSIÇÃO 

Teatro de bonecos

Giramundo vem trabalhando com marionetes há 50 anos e, agora, ganha uma exposição dedicada à sua trajetória. A mostra é uma delicada instalação cenográfica com croquis, desenhos, estudos e projetos, além de 150 exemplares de títeres e marionetes que contam sua história.

  • Mostra Mundo Giramundo, Caixa Cultural Recife, até 26/6, de terça a sábado, das 10 às 20 horas; domingo, das 10 às 17 horas, grátis

 


FORMAÇÃO

Momento de transição

Há quem pense que a Educação Infantil guarda poucas semelhanças com o Ensino Fundamental - afinal, os temas estudados e o modo como são tratados muda bastante de um ciclo para outro. Os artigos desse livro vão no sentido contrário: interessam a profissionais de ambas as etapas, abordando temas como formação continuada e processos de ensino e aprendizagem.

  • Da Educação Infantil ao Ensino Fundamental, Sonia Maria Vanzella Castellar e Idméa Semeghini-Siqueira (org.), 219 págs., 76,90 reais

 


LITERATURA

Assim falou Clarice 

A escritora Clarice Lispector (1920-1977) costuma ser creditada na internet por frases que são - e outras tantas que não são ? de sua autoria. Para quem quer conhecer sua obra e saber direitinho o que saiu realmente da cabeça da autora, a coletânea é uma boa pedida. Nela estão todos os 85 contos da ucraniana naturalizada brasileira, gênero em que ela brilhou com criatividade, concisão e ritmo.

  • Clarice Lispector - Todos os Contos, Clarice Lispector, 656 págs., 69,50 reais

 


INTERNET

Netflix versão Afro

Na linha da gigante americana, a Afroflix é uma plataforma de streamming de produtos audiovisuais, com um rico acervo de videoclipes a documentários. A diferença é que para ter seu trabalho transmitido, ela precisa ter ao menos um representante negro nas áreas técnica e artística do trabalho. É uma ótima oportunidade de conhecer histórias como a de Cidade Alta, em Manaus, e a dificuldade de se conseguir água na região. 

  • Afroflix, afroflix.com.br

 


INFANTIL

Histórias de outras terras

Após passar pela China, Arábia, África e Grécia, a escritora Ana Maria Machado desembarca na Rússia e nos apresenta a quatro contos tradicionais do país. Com personagens fantásticos, como um lobo cinzento, fiel escudeiro do pequeno Ivan, temos um gostinho do que povoa o imaginário naquela terra. 

  • Histórias Russas, Ana Maria Machado, 80 págs., 37,70 reais

 


Resenhas: Anna Rachel Ferreira