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Em busca dos jovens sumidos

Força-tarefa pretende atrair as pessoas para os estudos

POR:
Patrick Cassimiro, Fernanda Salla e Monise Cardoso

O Censo Escolar 2015, do Inep, revelou que 1,6 milhão de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Em um anúncio feito no último mês de março, o Ministério da Educação (MEC) prometeu reunir os órgãos responsáveis pelas áreas sociais do país, como os Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, responsável pelo programa Bolsa Família, em uma força-tarefa para atrair essas pessoas para os estudos. Entre as ações, estão aumentar a oferta de Ensino Técnico e criar um novo modelo de certificação do nível Médio . "Os estudantes dessa etapa costumam reclamar da falta de qualificação profissional, então as iniciativas são condizentes com essas reivindicações. Para eles, a escola faria muito mais sentido se preparasse para competir no mercado de trabalho", afirma Marcelo Mazzoli, diretor de Educação do Unicef. A situação é ainda mais grave ao se considerar que neste ano termina o prazo estabelecido pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para que, obrigatoriamente, todas as pessoas de 4 a 17 anos tenham acesso à Educação. "Em tese, o ideal não é privilegiar uma única faixa etária. Isso pode fazer com que outras fiquem de lado. Mas reconheço que qualquer ação que vise recuperar jovens nessa condição é importante e inovadora", diz Marcelo. Para ele, o MEC enfrentará três grandes desafios nesse processo: "O problema da evasão sempre foi considerado do aluno, afinal a sala de aula está lá, frequenta quem quer." Um dos obstáculos será fazer com que a escola assuma sua cota de responsabilidade pelo abandono desses meninos e meninas. O segundo é conseguir que ela esteja apta a recebê-los - com todas as defasagens que terão. Por fim, viabilizar uma articulação intersetorial e acordos entre diferentes níveis de governo (União, estados e municípios) será complicado, mas essencial.

 

Ilustração: Willian Santiago

 


PRÊMIO EDUCADOR NOTA 10

Hora de se inscrever!

O gestor Diego Mahfouz Faria Lima  foi o grande vencedor de 2015. Foto: Ricardo Toscani

 

Ainda dá tempo de participar da 19º edição da mais importante premiação de Educação do Brasil, com festa programada para outubro, 

mês do professor. A realização é da Fundação Victor Civita, com parceria da Fundação Roberto Marinho e apoio da Associação Nova Escola. Este ano, a frase escolhida para divulgar o Prêmio Educador Nota 10 é: ?Na Educação de qualidade, todos aprendem juntos?. Ela reforça a importância da troca de saberes entre docente e alunos. Podem concorrer professores da Educação Infantil ao fim do Ensino Fundamental nas categorias Alfabetização, Língua Portuguesa, Educação Física, História, Arte, Língua Estrangeira, Ciências, Matemática e Geografia, além de diretores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais de toda Educação Básica (incluindo EJA). Antes de se inscrever, veja o regulamento e as recomendações dos selecionadores!

  •  Site Educador Nota 10 
  •  Prazo Até 31 de maio.
  •  Dica Na aba "inscrições", baixe a "Ficha para redação do relato", que descreve o que seu texto precisa ter.

 


POLÍTICAS PÚBLICAS

"Muito ajuda o Estado que não atrapalha. Que permite o desenvolvimento pleno da iniciativa privada. (...) Segurança e Justiça. Tudo o mais, deveria ser providenciado por particulares."

JOSÉ RENATO NALINI, secretário da Educação do Estado de São Paulo e ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo 

 

"O secretário de Educação da maior rede pública do país está mesmo dizendo não compartilhar da ideia de uma escola pública estatal? (...) A ultradireita expõe, sem cerimônia, seu programa de transição à barbárie."

SALOMÃO BARROS XIMENES, professor do curso de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC)

 


FINANCIAMENTO

R$ 4,3 bilhões: é o tamanho do "corte do corte" no orçamento do Ministério da Educação. Agora, já são menos 8% em relação a 2015.

 


GESTÃO EDUCACIONAL

3 razões para o êxito finlandês

 

  1. FORMAÇÃO
    Todo professor precisa ter nível de mestrado para poder lecionar. São cinco anos de aprendizado, incluindo estágio obrigatório nas escolas.

  2. ATRATIVIDADE
    Além de oferecer bons salários, a profissão é valorizada desde o nascimento do país, quando o prestígio dos educadores era similar ao dos padres.

  3. ATUALIZAÇÃO
    O currículo nacional é constantemente atualizado. Na reforma atual, foram incluídos novos conteúdos, como alfabetização digital e estratégias de diálogo.

 

Fonte: SANNI GRAHN-LAASONEN, atual ministra da Educação da Finlândia