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Ainda estamos engatinhando

Investimentos na primeira infância continuam baixos

POR:
Pedro Annunciato, Monise Cardoso, Rosi Rico e Victor Malta

 

Cresce na América Latina a atenção à primeira infância, mas os investimentos continuam muito abaixo do destinado a outras faixas etárias. Foi o que concluiu o estudo Os Primeiros Anos: O Bem-Estar Infantil e o Papel das Políticas Públicas, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A instituição avaliou ações governamentais de proteção social, saúde e Educação para crianças de até 5 anos.

O Chile lidera a lista dos que mais investem por criança, seguido por Brasil e México (veja o quadro acima). "Ainda não se dá a devida importância a esse investimento, mas isso está mudando, especialmente por causa de estudos econométricos que mostram o retorno financeiro e social que ele traz", diz Eduardo Marino, gerente de conhecimento aplicado da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

Pesquisas americanas mostram que cada dólar colocado nos pequenos gera até 14 dólares no futuro na forma de impostos. Quanto à Educação, o BID constatou que, entre todos os fatores (infraestrutura, currículo), o que mais pesa é a formação dos profissionais. 

O caso colombiano é um exemplo: depois de fracassar com um modelo baseado em centros educacionais infantis de alto custo, o governo trocou de estratégia e passou a investir em creches menores e a priorizar a capacitação dos professores, o que levou o país a obter melhores resultados. 

O Brasil mereceu poucas menções na publicação porque quase não gera estatísticas sobre as políticas públicas. "É de envergonhar a ausência de estudos mais amplos e cuidadosos sobre primeira infância. O poder público realiza bons programas, mas não fomenta pesquisas em larga escala que balizem as ações", critica Eduardo.

Para ele, o Marco Legal da Primeira Infância, sancionado em março, pode mudar essa situação ao ampliar a regulamentação das políticas públicas nessa área.


Protestos Pelo imPeachment

O que as manifestações dizem sobre educação?

O perfil de quem foi às ruas do país 
a favor do impeachment mostra um dado
interessante. Um estudo revelou que a
maioria dos manifestantes defendia a
Educação pública gratuita (veja ilustração),
o que conflita com as ideias de algumas
lideranças do protesto. Para Pablo
Ortellado, professor da USP e coordenador
da pesquisa, a contradição se explica
porque a bandeira principal dos protestos
foi o combate à corrupção, capaz
de unir gente com visões muito distintas.
"Quem capitalizou essa motivação foram
os movimentos de direita. A adesão talvez
fosse menor se a visão sobre serviços
públicos estivesse clara", afirma.


Leitura

Campeões das estantes

O que as pessoas buscam em uma biblioteca? Levantamento da prefeitura de São Paulo sobre os livros mais emprestados em 2015 traz respostas curiosas. Dominam a lista best-sellers estrangeiros de autores como John Green e Nora roberts.

Há pouca diversidade de gêneros: crônicas, poesias e textos teatrais não aparecem. "É um retrato do leitor médio, que ainda não diversifica as obras que procura. Mas mostra que o hábito de visitar bibliotecas permanece vivo. Tivemos 1,2 milhão de visitas no ano passado", diz Celinha Nascimento, formadora na rede pública paulistana.

 

Confira a lista completa em abr.ai/mais-lidos

 

 

Gestão Pública

3 enroscos para o SNE sair do papel

PRAZO CURTO. 25 de junho é        
o limite para criar o Sistema
Nacional de Educação (SNE),
tentativa de articular União e
redes estaduais e municipais.
Está quase impossível. 

BUROCRACIA. O MEC fez
um texto-base para o SNE,
e só. A promessa de criar
uma comissão para debater o
assunto e construir a redação
final ainda não aconteceu.

CRISE. A atual turbulência
política em brasília dificulta
o ambiente no congresso
Nacional para a aprovação
de qualquer coisa.

 

Consultoria Maria Roeder, coordenadora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação

 


Ilustração: Victor Malta