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Deixei o jornalismo para me dedicar à Educação inclusiva

Meire Cavalcante é consultora, formadora de professores e coordenadora da região Sudeste do Fórum Nacional de Educação Inclusiva

POR:
NOVA ESCOLA e Elaine Iorio
Meire agora usa a comunicação na efetivação de políticas públicas educacionais. Foto: Ádon Bicalho

"Eu era repórter da NOVA ESCOLA em 2005 quando caiu na minha mesa uma pauta sobre Educação inclusiva. Àquela época, ainda não existiam a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, de 2006, e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação  Inclusiva, de 2008. Minha primeira reação foi de curiosidade: ?Como era possível alunos com e sem deficiência estudarem juntos??. Por indicação de um colega, marquei uma entrevista por telefone com a professora Maria Teresa Eglér Mantoan, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), referência na área. A conversa começou às 20 horas e seguiu noite adentro, até não restar mais ninguém no andar. Quando desliguei, eu estava completamente impressionada com a fala da professora. Havia um embasamento filosófico muito profundo por trás da proposta: as diferenças são intrínsecas aos seres humanos e não são passíveis de comparações. Compreender esse aspecto conceitual, que fundamentava a Educação inclusiva, transformou meu jeito de ver o mundo e de pensar a escola. Peguei uma pilha de livros na biblioteca da redação e passei aquela madrugada lendo tudo o que eu podia sobre o assunto.

Foram muitas conversas com Maria Teresa para finalizar aquela reportagem. E outras. E uma revista inteirinha sobre práticas pedagógicas inclusivas, com a qual fui finalista e vencedora de importantes prêmios. Passei a frequentar as aulas dela na Unicamp como aluna-ouvinte e, dois anos depois, vendo meu crescente interesse, ela me sugeriu ingressar no mestrado. Investiguei as implicações da dife rença na inclusão e na exclusão escolar, além de verificar a realidade do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Conforme eu me aprofundava, ficava mais angustiada  com o jornalismo Achava o espaço restrito para o que eu tinha a dizer. Então, comecei a fazer palestras, prestar consultorias e ministrar formações de professores. E foi aí que a mudança de carreira aconteceu. Hoje, iniciando o doutorado, percebo que a comunicação me instrumentalizou para lutar por políticas públicas que, quando se efetivam, melhoram diretamente a Educação."