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Jornalismo

Criança pequena corre. Ah! Como corre! Que tal aproveitar as imagens dos atletas profissionais fazendo algo que os pequenos gostam tanto para aumentar o repertório e estimular que experimentem movimentos diferentes dos que estão habituados no dia a dia? 

A formadora de professores Leninha Ruiz, blogueira de GESTÃO ESCOLAR, e a docente de Educação Infantil Andreia dos Santos foram até Jambeiro, a 122 quilômetros da capital paulista, para ajudar a professora de Educação Física Selma Arantes a desenvolver uma sequência didática no eixo de movimentos com a turma de 5 anos da UPEM Professora Sonia Maria Alencar. A proposta era experimentar brincadeiras de imitação de modalidades do atletismo: corrida de velocidade, com obstáculos e de revezamento, além de salto em distância e arremesso de peso. 

Adriana Friedmann, autora do livro A Arte de Brincar (212 págs., Ed. Vozes, tel. 24/2233-9029, 49 reais), explica que, até 7 anos, as crianças são mais  voltadas para si mesmas, orientadas por seus potenciais internos. Por isso, embora compreendam as regras de um jogo, têm dificuldade de segui-las. "O fundamental é brincar, pois é na brincadeira e sua diversidade de opções que a criança trabalha o corpo e o movimento, a mente e a cognição, a socialização, as emoções e os valores", explica. 

Para introduzir o assunto, Selma e Leninha organizaram a turma em uma roda e apresentaram imagens de modalidades olímpicas. Enquanto as crianças manuseavam as fotos, a professora perguntava: "O que essas pessoas estão fazendo? Quem são elas? Vocês já viram isso em algum lugar? De quais esportes vocês mais gostam?". "Sim, na televisão!", "As Olimpíadas vão ser aqui!", "Vão vir atletas de vários países, como Japão e China", comentaram os pequenos. 

Então, Selma pediu que cada um escolhesse um esporte para imitar. Fábio Teixeira, 5 anos, estava segurando a foto de um atleta saltando e comentou com o colega: "Eu sei fazer isso. Você toma distância e dá três passos, assim, aí pula!". De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (Rcnei), essas conversas com os amigos sobre os movimentos são um sinal do desenvolvimento corporal, quando a criança assume o controle sobre o que faz e adquire a capacidade de pensar antes de agir. 

Em seguida, Selma descreveu cinco brincadeiras de atletismo e deixou que os pequenos escolhessem qual gostariam de experimentar. "Cada modalidade deve ser praticada por cerca de 30 minutos, tempo que os pequenos mantém o interesse e ficam focados", diz Leninha. Adriana acrescenta que, se alguém não quer participar de algo, precisa ser respeitado. "Mas o professor tem de ficar atento para entender o motivo: pode ser que tenha medo, não goste da proposta ou esteja com uma indisposição momentânea".

Em todas as atividades, a professora procurou prestar atenção às crianças mais tímidas, pedindo que elas explicassem o que entenderam da proposta para os colegas. "Esse cuidado de integrar a todos nas brincadeiras, com sensibilidade, é muito importante", comenta Leninha. 

Adriana explica que o essencial não é avaliar se os pequenos foram ou não bem-sucedidos, mas proporcionar experiências para que conheçam as capacidades motoras deles. "As atividades lúdicas trabalham diversos aspectos, como a coordenação e formas de lidar com os sentimentos. Mais do que as limitações de cada criança, o educador pode observar o potencial delas."

A primeira modalidade trabalhada foi a corrida de velocidade: a professora fez um risco com giz no chão para indicar a saída e orientou que as crianças se posicionassem uma ao la lado da outra. Após correr o trajeto combinado, não houve premiação para quem chegou primeiro, e o desempenho de todos foi valorizado por Selma. Veja nos quadros abaixo as outras atividades realizadas. Depois de tanto pular e correr, os pequenos fecharam a sequência em uma roda de conversa.

 

Corrida com obstáculos

Selma colocou quatro obstáculos de dois tamanhos diferentes, para que duas crianças pudessem brincar por vez. Quem não se sentiu confortável com a altura reduziu a velocidade e passou com calma sobre as barras. A escola já tinha as estruturas de madeira para os saltos, mas é possível criá-las posicionando um cabo de vassoura sobre bases feitas com dois pedaços de madeira em X. "A professora pode pedir para as crianças pularem objetos, começando com 25 centímetros, e ir aumentando. Se for muito alto, elas se sentem inseguras e não participam", indica Leninha. 

Corrida de revezamento

A docente organizou os interessados em quatro duplas. Usando o giz, indicou no chão o ponto em que um pequeno deveria aguardar seu colega chegar para lhe entregar o bastão. Selma mostrou, também, como o objeto deveria ser passado, fazendo uma vez de exemplo para todos verem que quem sai da largada deve parar de correr depois que entregar o bastão. Quem fica esperando já está em posição de sair correndo, com o braço para trás. "O ideal é que o professor incentive a turma a torcer pelos colegas, porque, quando chegar a vez deles, vão querer torcida também", diz Leninha.

 

 

 Salto em distância

Essa modalidade do atletismo é muito semelhante a uma brincadeira popular entre a garotada, conhecida como lago do jacaré. Os pequenos costumam desenhar um lago com giz no chão do pátio e saltar de uma margem para outra. Selma contou isso para a turma e explicou que iria usar cordas para demarcar o local em que o salto deveria acontecer. Para amortecer a queda das crianças, colocou colchonetes à frente das cordas. É possível, também, aproveitar o tanque de areia, se a escola tiver, e deixar a atividade mais próxima do real.

 Arremesso de peso
 
Para a última atividade do circuito, Selma fez saquinhos de pano recheados de areia. "As crianças já imaginavam que o objeto usado no arremesso de peso era bem pesado. Então, fiz saquinhos de 250 ou 300 gramas, para que elas tivessem esse desafio", conta Selma. Ela pediu que os pequenos, sempre posicionados no mesmo local, jogassem os objetos o mais longe que conseguissem. Lembrando a imagem que viram no início da sequência, mostrou a maneira como os atletas profissionais seguram e jogam o peso, posicionando a mão acima do ombro.

 

 

Fotos: Fernando Gazinhato

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                            

 

 

 

 

 

 

 

 

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