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Todos os inscritos são Educadores Nota 10

Reflexões de Lino de Macedo

POR:
NOVA ESCOLA
Lino de Macedo,

Lino de Macedo,
professor aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)

Nos últimos cinco anos, mais de 15 mil pessoas se candidataram ao Prêmio Educador Nota 10. Só na edição atual, foram 3.631 inscritos! Várias vezes tive a oportunidade de participar da fase final do processo de escolha e premiação. Compartilhei a alegria dos colegas que ficaram na lista dos dez. Mas, não é especificamente sobre eles que vou comentar aqui. Quero falar o que penso sobre aqueles que participaram, mesmo que não tenham sido selecionados. Para mim, todos são Educadores Nota 10!  

Inscrever-se no prêmio expressa um sentimento de realização por ter decidido, planejado e concretizado algo que considera importante para ser julgado e compartilhado. Esse sentimento comparece em todos os momentos: no começo, ao pensar no que será feito, no meio, ao enfrentar com coragem e disposição as idas e vindas do processo, no fim, ao escrever o relatório, descrever objetivos e métodos, apresentar resultados e se comprometer com a qualidade da experiência a ser inscrita. Mas, esse fim é apenas um novo começo, que continua com o enfrentamento de todos os passos do concurso até sua conclusão. Tudo isso implicou diversas escolhas voluntárias e queridas. Trata-se de saber decidir, planejar e fazer em nome de algo que se quer e se sonha: ser reconhecido como um exemplo de excelência.

Quem se inscreve sabe que passará por uma avaliação difícil e exigente. Que seu projeto será julgado por seu valor em si mesmo e também comparativamente aos dos outros colegas que concorrem. Além disso, o projeto há de apresentar algo que ele julga positivo para a Educação brasileira como um todo, mesmo que tenha sido realizado nas condições criadas pelo docente ou gestor e pelas pessoas participantes, em um contexto particular. Ele sabe, igualmente, que se trata de mostrar um trabalho que sirva de exemplo, no sentido de que "isso foi feito", "isso é possível e bom" e "os alunos se beneficiaram da experiência". Tudo isso supõe que o educador precisa focar naquilo que faz durante a aula, porque concretiza uma intenção pedagógica bem-sucedida e seus alunos aprendem o que é ensinado.

Apresentar, para uma premiação, uma experiência que se julga positiva, com começo, meio e fim, é muito desafiador, sobretudo em uma realidade em que sobram queixas de falta de recursos ou condições para realizar boas práticas. Mas me parece que tais queixas não se aplicam a quem se candidata livremente ao Prêmio Educador Nota 10. O propósito de se inscrever com o objetivo de sair vencedor é precedido de muitos outros. Antes, é preciso fazer planejamentos didáticos, criar situações de ensino, aprendizagem e avaliação, atravessar o estudo e superar momentos difíceis. Esse profissional evoluiu por um longo tempo. Fez sua formação básica, encontrou uma escola, participou de concursos, aprendeu a dar aulas, estudou, compartilhou projetos pedagógicos, aprendeu com experiências negativas, reconheceu que ser educador é uma escolha profissional que define uma forma de vida. Daí meu abraço a todos que um dia sonharam em se candidatar e para isso imaginaram um bom projeto, o realizaram, o descreveram e o apresentaram para ser julgado.

Daí meu abraço antecipado aos que estão pensando em se candidatar no próximo ano e, para isso, estão buscando o que melhor fazer e compartilhar.


Foto: Ramón Vasconcelos