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Reorganização polêmica

Anúncio da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo causa reação entre comunidade escolar

POR:
Wellington Soares e Paula Peres

Foto: Camila Santana

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo fez um anúncio controverso: em 2016, redistribuirá alunos e professores na rede para que as escolas passem a atender uma única etapa do ensino. Pais, estudantes e educadores protestam contra o fechamento de prédios, consequência da medida. Leia abaixo o que dizem a secretaria e o sindicato dos professores (Apeoesp) a favor e contra as mudanças.

O governo diz:

  • Segundo estudos, escolas que atendem um só segmento têm melhores resultados em avaliações. 
  • Nos prédios desocupados poderão ser instaladas creches e escolas técnicas.
  • Há 2 mil vagas ociosas na rede e não existem salas superlotadas. Todas as turmas atendem o limite de 30 alunos para os anos iniciais do Ensino Fundamental, 35 para os anos finais e 40 no Ensino Médio.
  • Instituições que possuem mais de um segmento continuarão existindo, mas em menor número.
  • As condições de trabalho dos educadores podem melhorar com a concentração das aulas em um único local e os professores temporários contratados atualmente não serão demitidos.

A Apeoesp afirma:

  • Não há viés pedagógico na reorganização e o único objetivo é cortar os recursos destinados à Educação.
  • As escolas que hoje possuem apenas um ciclo também não têm infraestrutura adequada para o segmento que atendem.
  • O governo não cumpre o já alto índice de alunos por classes, estabelecido por ele mesmo. A meta do sindicato seria de 25 estudantes por turma, mas há classes com até 50.
  • Escolas que lutam para dar conta dos alunos que atendem hoje ficarão superlotadas.
  • Haverá remoção forçada, realocação de docentes em funções fora das salas de aula e demissão dos professores temporários.

O Pibid é prioritário, esse não é o problema. O problema  é recurso. Temos de trabalhar com o orçamento que  a gente tem, senão depois somos responsabilizados.

Irene Cazorla,  diretora de Formação  de Professores da educação básica da Capes, ao confrmar a possibilidade de cortes  no Programa Institucional de bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) no próximo ano.


INDISCIPLINA

Ordem na sala!

Sem grito nem castigo. A saída contra o mau comportamento é a boa formação do docente, analisa um estudo feito por Gabriela Moriconi, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas (FCC), em São Paulo. "O professor que não domina o conteúdo se sente menos seguro em sala", esclarece. Ela também aponta que a atribuição de aulas influencia o clima escolar. Docentes que trabalham em apenas uma escola têm melhores relações com os alunos e, por consequência, menos problemas com indisciplina.

Ilustração: Benett

 


ALFABETIZAÇÃO

País avança pouco

Eestamos alfabetizando melhor? De acordo com a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), não. Os avanços de 2013 para 2014 são pequenos (veja gráfico abaixo). Os números chocam por mostrar que o pacto nacional pela Alfabetização na idade Certa (Pnaic) ainda não está funcionando como esperado. Para Maria do Rosário Longo Mortatti, professora da Unesp, a formação oferecida pelo programa é insuficiente. "Os professores acabam sem saber justificar as ações em sala, apenas repetem." Para ajustar a iniciativa, o MEC promete, em 2016, focar o Pnaic em aprendizagem e no reforço escolar.


ENSINO MÉDIO

17% dos alunos do Ensino Médio foram reprovados em 2014 e 9% abandonaram os estudos. Os números refletem o impacto da transição do Fundamental para a última etapa da Educação Básica.

FONTE QEDU, A PARTIR DE DADOS DO CENSO ESCOLAR

custoalunoqualidade.org.br

Site organizado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Traz textos e vídeos que explicam o Custo-Aluno Qualidade (CAQ) e o Custo-Aluno Qualidade Inicial (CAQi), que devem ser implementados para direcionar o aumento do investimento  por estudante em cada etapa da Educação Básica.


AVALIAÇÃO

"Queremos provocar os gestores municipais"

Fabiana de Felicio é mestre em economia e dirige a Metas Sociais, que criou o Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (IOEB), novo indicador sobre a qualidade do setor. Os dados da iniciativa, liderada pelo Centro de Liderança Pública com o apoio da Fundação Lemann, do Instituto Península e da Fundação Roberto Marinho estão em ioeb.org.br.

Qual o objetivo do IOEB?

A motivação principal é mobilizar os setores públicos. Queremos provocar os gestores  municipais a olhar para o território pelo qual  são responsáveis e procurar parcerias nas outras esferas para melhorar a educação, incentivando  o poder público e a comunidade como um todo.

Qual a diferença dos índices que já existem?

Ele é o primeiro a incluir fatores que agregam na qualidade da escola, como escolaridade dos professores, experiência dos diretores e quantidade de horas-aula por dia. Além disso, considera as crianças em idade escolar que estão fora da escola. Faz-se um cálculo e o valor final é único para toda a educação no município, sem separar os diferentes segmentos, como acontece no Ideb.

Por que fatores como remuneração docente e gasto por aluno não foram considerados?

Para elaborar o índice, testamos todos os dados disponíveis e incorporamos os que consideramos mais importantes para explicar a qualidade da educação. Eles resumem muitas informações. Acreditamos, por exemplo, que a formação do professor está diretamente ligada ao salário dele e a jornada diária com o investimento por aluno.

Foto: Arquivo pessoal.