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"É de vezes ou de dividir?” Tanto faz!

As vantagens de incentivar que as crianças resolvam problemas com estratégias próprias

POR:
Wellington Soares, Patrick Cassimiro e Laís Semis

Questões envolvendo multiplicação e divisão já são familiares às crianças mesmo antes de elas serem formalmente apresentadas a essas operações. Imagine, por exemplo, 4 alunas de 1º ano durante o período do intervalo tendo de repartir 12 elásticos de cabelo entre si. Não há dúvidas de que elas conseguirão descobrir quantos objetos cada uma poderá pegar usando recursos que já possuem e que as permitam chegar à solução. Por isso, faz todo sentido trazer situações como essa para a sala de aula desde os primeiros anos do Ensino Fundamental.

O mais comum, contudo, é que os professores sigam uma mesma ordem. Primeiro ensinam a soma, em seguida a subtração, só depois introduzem problemas de multiplicar e, por último, de dividir. Segundo a Teoria dos Campos Conceituais, do pesquisador francês Gérard Vergnaud, essa separação não faz sentido. "Nem sempre um problema de multiplicação é mais difícil do que um de adição. É preciso desmistificar essa ideia", analisa Ana Ruth Starepravo, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e autora de livros didáticos. Os estudos desenvolvidos por Vergnaud e outros teóricos também mostram que os conceitos sobre números e operações são construídos durante toda a escolarização. Portanto, é importante que as crianças tenham a possibilidade de utilizá-los em diversos momentos, e lançando mão de diferentes recursos.

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Com atividades como essas, em que há o debate e a argumentação sobre problemas diversificados, o aprofundamento do estudo das operações matemáticas e a apresentação dos algoritmos, feitos posteriormente pelos docentes, se tornam mais interessantes para os estudantes.