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Avaliações externas

Resultados ao alcance de todos

POR:
Paula Peres, Ariane Alves, Lucia de Menezes e Ana Ligia Scachetti

Sempre que são divulgados os dados de avaliações externas acontece a mesma coisa. As escolas recebem as notas, mas têm dificuldade em desvendar o que está por trás dos resultados e tirar deles subsídios para aprimorar o ensino. Um novo instrumento lançado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) promete amenizar esse sufoco, pelo menos no que diz respeito à Prova Brasil. A plataforma Devolutivas Pedagógicas permite ver a distribuição dos alunos de uma determinada escola por níveis de proficiência e comparar as informações com as de instituições semelhantes na região. Pode-se, também, verificar o que foi avaliado em cada item da prova e conferir comentários sobre eles. Dessa maneira, o professor tem condições de analisar quais habilidades e competências precisam ser melhor trabalhadas com a turma. "Queremos que o site seja uma ferramenta para a área pedagógica da escola. Ele não deve ter caráter contemplativo, tem de ser usado nas conversas de formação, nos debates e nos planejamentos do educador", diz Chico Soares, presidente do Inep.  


"Não há um sistema de responsabilização pelo investimento de recursos do PIB na Educação. Sem isso, a cobrança em caso de não cumprimento é mais difícil."

Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação


Infraestrutura

1.409.263 alunos estudam em 42.257 escolas do campo com classes multisseriadas no Brasil. 98% dessas instituições não têm acesso à internet, 18% não possuem energia elétrica e 15,5% não têm água. 

Fontes Fundação Telefônica e Censo escolar 2013


Língua Estrangeira
Raio X dos teachers

O British Council analisou dados do Censo Escolar de 2013 e realizou 1.269 entrevistas com educadores de 12 capitais brasileiras para mapear o perfil de quem dá aulas de inglês no país. Confira algumas descobertas.

Fontes *British council e **Censo escolar 2013


"A construção do Sistema Nacional de Educação é estratégica para cumprir as metas do PNE e dar conta da diversidade e da desigualdade entre os estados brasileiros."

Deputada Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO)


Site

basenacionalcomum.mec.gov.br

Lançado pelo Ministério da Educação (MEC), o portal da Base Nacional Comum reúne uma biblioteca com documentos importantes para o debate sobre o tema, possui um mapa com as propostas curriculares feitas nos estados e coleta cadastros de pessoas ou redes de ensino interessadas em participar da discussão.


Escola e família
"A punição não ajuda a estabelecer confiança"

Sandra Dedeschi, mestre em Psicologia Educacional pela Unicamp, comenta o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e propõe punições aos pais que não acompanharem pessoalmente o desempenho escolar dos filhos.

Por que é importante que os pais acompanhem a vida escolar das crianças?
Elas desenvolvem aprendizados diferentes nos dois âmbitos. Com a família, a criança aprende o convívio no espaço privado. Na escola, ela precisa lidar com outras formas de autoridade e com a convivência de iguais. Para um desenvolvimento pleno, é necessário que os dois, família e escola, trabalhem juntos, em parceria.

O projeto de lei pode colaborar com esse processo?
Não. É importante ver que a participação da família na escola é motivo de preocupação. Mas se você quer estabelecer uma relação de confiança, a punição não ajuda. Quando uma pessoa não vê sentido em uma obrigatoriedade, ela vai pensar em maneiras de burlar esse sistema, e o objetivo não será cumprido. Além disso, há outros fatores que devem ser levados em conta, como as estruturas familiares e a disponibilidade dessas pessoas. A escola precisa pensar sobre o que fazer se os responsáveis não conseguem liberação do trabalho e planejar, por exemplo, um horário para atendê-los no fim de semana.

E as famílias têm acompanhado os alunos?
Muitas se mostram interessadas no desempenho das crianças. Mas é necessário rever que atendimento está sendo feito e que tipo de parceria se deseja estabelecer com elas. A tendência é que a pessoa não volte caso só ouça reclamações ou se o professor diz apenas "Seu filho é um bom aluno, não tenho o que comentar sobre ele". Deve-se conversar sobre a evolução de cada um.

Foto: Arquivo Pessoal

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