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Seções | Amanda Gurgel | Autorretrato

"Na política, quero denunciar o que já vivi como professora"

Amanda Gurgel é docente da rede municipal de Natal e vereadora pelo PSTU

Um vídeo no YouTube impulsionou Amanda da sala de aula para a Câmara de Natal. Foto: Giovanna Hackradt

"Minha fala foi um desabafo. 'As pessoas colocam que os números são irrefutáveis. Eu gostaria também de apresentar um número, composto de três algarismos apenas. Nove, três e zero. É o meu salário-base'.

Foi assim que comecei, em maio de 2011, uma fala na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Queria tratar apenas da realidade das salas de aula, nada além disso. Os educadores se identificaram com o que eu disse e o vídeo do momento, que publiquei no YouTube, viralizou em todo o país.

Como professora na rede municipal de Natal, vivencio situações de muita carência. Salas superlotadas, infraestrutura precária, carteiras insuficientes para que todos os alunos possam se sentar. Todo dia falta algo: merenda, água ou luz.

Na disciplina que leciono - Língua Portuguesa -, minha maior frustração é não conseguir orientar adequadamente a produção de textos, por causa da grande quantidade de turmas. Outra realidade dolorosa é que muitos alunos dos anos finais do Fundamental ou do Ensino Médio não são plenamente alfabetizados. Para um professor que não é especialista em alfabetização (meu caso), encará-los é desesperador.

Essa humilhação sofrida diariamente por estudantes e por educadores afeta muito a qualidade do ensino. Consequência de uma política nacional de pouco investimento, que resulta na precarização da escola pública. Como podemos dizer que somos a Pátria Educadora se, ao cortar despesas, a Educação é o setor mais afetado? Pense bem: se com o dinheiro que temos hoje a situação já está péssima, como esperar que ela melhore com cada vez menos?

Com a repercussão do vídeo, me candidate a vereadora em 2011 e fui eleita. Apesar de ocupar esse espaço, não creio que a mudança do país vá partir de instituições como uma Câmara de Vereadores, uma Assembleia Legislativa ou o Congresso Nacional. Vejo que muitos dos representantes eleitos ignoram o que é melhor para a população e votam apenas a favor dos interesses deles. Os projetos de relevância pública são engavetados e nunca postos em prática. Tento atuar levando em consideração as demandas dos cidadãos. Mas não só isso. Meu papel também é denunciar esse funcionamento da política partidária para que as próprias pessoas se mobilizem e façam a mudança acontecer."