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Um plano contra o tempo

Estados e municípios têm até 24 de junho para organizar seus planos

POR:
Jacqueline Hamine, Rodrigo Ratier, Paula Peres, NOVA ESCOLA e Ariane Alves

Uma combinação de instabilidade política e de aperto econômico mergulhou a administração federal em um cenário turbulento neste começo de ano. No campo da Educação - tido como prioritário, ao menos nos discursos oficiais -, a barafunda é respeitável. Começou com a tesourada que ceifou 7 bilhões de reais no orçamento da pasta e se intensificou com a espalhafatosa saída do titular Cid Gomes do ministério, ainda em março. O panorama incerto pôs em banho-maria discussões essenciais para o futuro da área. A paralisia atinge diretamente o Plano Nacional de Educação (PNE), que possui metas cujos prazos se encerram já neste ano (veja quadro abaixo). Exemplo extremo: estados e municípios têm até 24 de junho para organizar seus planos. Por enquanto, só 2,8% dos municípios e 3 dos 27 estados fizeram isso. 

"Temos de garantir que as coisas comecem a acontecer em um ritmo mais acelerado", afirma Andrea Gouveia, vice-presidente regional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped). Para ela, a sociedade civil (que inclui você, professor) precisa monitorar as ações dos governos. O que não significa que atrasos sejam necessariamente inaceitáveis. "É mais importante fazer discussões consistentes e amplas do que entregar planejamentos superficiais apenas para cumprimento do prazo. Mas estaremos atrasados se nem os debates estiverem acontecendo", alerta.

Metas urgentes

  • Elaborar planos de Educação estaduais e municipais. Prazo: junho de 2015.
  • Universalizar a pré-escola. Prazo: 2016.
  • Universalizar o atendimento escolar para jovens de 15 a 17 anos. Prazo: 2016.
  • Garantir formação superior a todos os professores. Prazo: 2015.

Manifestações de 15 de março de 2015
O que Paulo Freire diria desta faixa?

Moacir Gadotti, presidente do Instituto Paulo Freire, imagina a reação do patrono da Educação. 

O que Paulo Freire (1921-1997) comentaria sobre esse ataque? 
Pelo tempo que convivi com ele, creio que não ficaria impaciente ou magoado. Mas, pensaria que, por trás da faixa, estaria escondida uma postura de classe. De quem, talvez, nunca tenha lido um livro dele. 

O que os críticos ignoram? 
Há muita crítica infundada e genérica. É preciso entender as intuições originais de Freire, como a defesa da Educação como ato dialógico e, ao mesmo tempo, rigoroso, imaginativo e afetivo. 

Qual o maior legado de Freire? 
O pressuposto de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas. Depois de Paulo Freire, não se pode mais afirmar que a Educação é neutra.


Frases sobre Educação

"Tem olheiras, boca de ódio, tem cara de criança de filme de suspense." 
Trecho de ficha de aluno do Colégio Bandeirantes, em São Paulo. Os comentários de professores sobre estudantes vazaram no início do março.

"Na discussão do episódio, a escola criou
espaços para debater convivência ética." 

Flávia Vivaldi, educadora e blogueira de GESTÃO ESCOLAR, que atuou na gestão da crise no colégio.


Abandono escolar

16% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão fora da escola. São 1,7 milhão de jovens. Outros 3,1 milhões ainda estão cursando o Ensino Fundamental.

Fonte 10 Desafios do Ensino Médio no Brasil (Unicef/Observatório da Juventude da UFMG)


76 dias 
Período que Cid Gomes ficou à frente do MEC. Foi o mandato mais breve na pasta desde 1992.


Educação Infantil
Esticaram os bebês

Para multiplicar o total de crianças atendidas nas creches - mas sem criar novas vagas -, a prefeitura de São Paulo reduziu os limites de idade das turmas. Crianças de 2 anos e 10 meses foram colocadas com as de até 3 anos e 10 meses, em classes que comportam mais gente. É arriscado, segundo Ana Mello, membro do Fórum Municipal de Educação Infantil de São Paulo. "Não há possibilidade de um único educador prestar atenção em 25 crianças em etapas diferentes de desenvolvimento, com necessidades distintas."


Tecnologia
TIC: só aprende quem usa

Aos educadores ainda receosos em relação às tecnologias de informação e comunicação (TIC), o ideal é começar a usá-las na própria prática. Essa foi a mensagem central do grupo de estudo que Patrícia Diaz (foto), diretora de Desenvolvimento Educacional na Comunidade Educativa Cedac, coordenou em nossa rede social profissional GENTE QUE EDUCA. A sugestão é inserir a tecnologia: 

  1. Para trocar informações e reflexões com seus pares e com o coordenador pedagógico. 
  2. Para pesquisar temas que o ajudem a avançar em suas reflexões como educador. 
  3. Para se integrar a comunidades virtuais de professores e compartilhar questões. 
  4. Para organizar ideias de aula em bases e arquivos online, abertos para colaboração.

Ilustrações: Raphael Salimena