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Do amor ao ódio em quatro anos

A opinião dos alunos em relação à Matemática se transforma ao longo do Ensino Fundamental

POR:
Rodrigo Ratier, Paula Peres e Ariane Alves

Para entender por que a Matemática é tão malvista pelos alunos, um novo campo de pesquisa tem se dedicado a estudar as concepções de crianças e jovens sobre a disciplina. Uma sondagem com estudantes de escolas de São Carlos, a 237 quilômetros de São Paulo, indica que a rejeição aumenta com o tempo. Convidados a escrever tudo o que pensavam sobre a palavra "Matemática", os estudantes do 6º ano atribuíram mais características negativas do que os de 2º ano (no gráfico abaixo, o tamanho das palavras é proporcional ao número de citações). Além disso, demonstraram alta ansiedade em situações corriqueiras, como véspera de prova, resolver um problema no quadro ou encontrar o professor no corredor. "São ocorrências relacionadas à possibilidade de falhar ou de sofrer punição. É importante repensar a forma como se ensina e avalia o desempenho na disciplina", afirma a psicóloga Alessandra Campanini Mendes, autora do estudo.
 

Opiniões dos alunos sobre a disciplina
 

 

Fonte Artigo Atribuições Dadas à Matemática e Ansiedade ante a Matemática: o Relato de Alguns Estudantes do Ensino Fundamental, de Alessandra Campanini Mendes.


Currículo

O legado dos Parâmetros Curriculares Nacionais

Considerada uma abrangente orientação sobre o que e como ensinar, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) tiveram grande importância na elaboração dos currículos de estados e municípios, segundo estudo da professora Cláudia Galian, da USP. Ela comparou 27 propostas anteriores ao lançamento dos PCN, em 1997, com 60 divulgadas depois. O confronto das duas épocas (veja quadro) revela a influência do documento, com a concepção de ensino que valoriza a atividade mental construtiva, e o baixo impacto dos temas transversais, que não conseguiram inserir a discussão sobre diversidade nos currículos.


Currículos de estados e municípios

Antes dos PCN

  • Eram centrados nas disciplinas tradicionais
  • Construtivismo amparado pelos conceitos teóricos da Psicologia da Educação
  • Pouca referência à diversidade e pluralidade cultural

Depois dos PCN

  • São organizados por áreas, mas as disciplinas permanecem
  • Construtivismo amparado pela Psicologia, Sociologia e Filosofia da Educação
  • Diversidade e pluralidade cultural seguem pouco abordados

Fonte Artigo Os PCN e a Elaboração de Propostas Curriculares no Brasil, de Cláudia Galian.


Educação Básica

Conhece? Não? Preste atenção

Provavelmente você ainda não conhece Manuel Palácios (foto). Vale ficar atento: esse é o nome escolhido para chefiar a Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC). Ele não vai aparecer tanto como Cid Gomes, titular da pasta. Mas, como a SEB cuida da Educação Infantil até o Ensino Médio, as decisões que mexem com o dia a dia do professor fatalmente passarão pelo gabinete dele. Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Palácios é engenheiro de telecomunicações, mas tem mestrado e doutorado na área de Educação. Orientou o mestrado da vice-governadora do Ceará Izolda Cela, que comandou a Educação nos mandatos de Gomes no estado e na cidade de Sobral. O novo secretário diz que o primeiro desafio será discutir a base curricular nacional. "Não há um currículo comum na federação, e isso tem um impacto na Educação. Essa deve ser uma das prioridades."


"Sou a favor da nucleação. Seu princípio é otimizar a gestão dos recursos. Não é possível pagar bem os funcionários se o número de escolas for inchado."

Cid Gomes, ministro da Educação, sobre o projeto que reduziu o número de escolas de Sobral (CE) de 135 para 32.


Planejamento

Quatro atitudes para o ano todo

Início das aulas, fim do planejamento? Não. "O ideal é que ele prossiga durante o período letivo", opina Débora Rana (foto), formadora do Instituto Avisa Lá. A especialista coordenou um grupo de discussão em nossa rede social profissional GENTE QUE EDUCA e sugere quatro atitudes para o ano todo:

1 Avalie constantemente sua prática.
2 Replaneje sempre que necessário.
3 Considere as necessidades de aprendizagem da turma, não só o conteúdo obrigatório.
4 Registre as questões que devem ser revisadas no próximo ano.
 


Formação docente

Das 14.700 escolas que participaram do Enem, só 16 têm todos os professores formados na disciplina em que lecionam.

Fonte Exame.com


"O pessoal discorda de tudo, mas há um consenso: o professor faz a diferença."

José Marcelino de Rezende Pinto, especialista em financiamento da Educação e professor da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, SP.


70 países sofreram ataques a escolas de meninas nos últimos cinco anos.

Fonte Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos

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