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A comunicação virou objeto de estudo

Analisar formas de trocar informações ajuda a entender diferentes épocas

POR:
Paula Peres, NOVA ESCOLA e Bruna Nicolielo

Das pinturas rupestres aos celulares, muita coisa mudou na forma como nos comunicamos. A troca de dados no mundo atual exige velocidade. Por isso, velhos meios se reinventam para fazer frente às novas tecnologias. Leia abaixo quando surgiram as primeiras formas de comunicação do mundo:

Pré-história: os homens trocam mensagens utilizando a voz - a forma de comunicação mais natural que existe - e por meio de gestos. 
Pré-história: a pintura nas paredes das cavernas nasce quando o homem sente necessidade de registrar sua rotina, suas crenças e vivências.
1455: surge a imprensa. As mensagens deixam de ser escritas só à mão ou transmitidas oralmente, e as informações podem ser reproduzidas. 
1831: o telégrafo e, quatro anos depois, o código Morse, são usados por governos e militares para transmitir mensagens em longas distâncias. Ainda hoje, este código é utilizado por radioamadores.
1876: é criado o telefone, que tem uma central operada manualmente. O aparelho passa por várias transformações até chegar à forma atual. 
1896: o rádio inaugura a era dos meios de comunicação de massa. Assim, a informação pode chegar a um público bem maior, não somente a quem sabe ler. 
1923: outro meio de comunicação, a TV, atinge grandes públicos. A família se reúne em volta do aparelho para acompanhar a novela e o noticiário. 

1947: começa a ser desenvolvido um sistema telefônico capaz de interligar várias antenas. Cada uma delas era uma célula do projeto, daí o nome  celular.
1994: surge a World Wide Web, um sistema global de computadores interligados. A audiência, passiva nos meios anteriores, passa a ser ativa. 

A comunicação está mais presente na vida em sociedade do que imaginamos. Além de todos os meios midiáticos existentes, como o jornal e a televisão, por exemplo, dar uma aula, assistir a um filme, ler um livro ou receber uma revista em casa pelo correio são atos de troca de informação. "Estruturas comunicativas como essas fazem parte da cultura contemporânea. Por isso, não podem ser ignoradas pela escola", diz Sueli Furlan, docente da Universidade de São Paulo (USP) e autora das Orientações Curriculares da cidade, que sugere abordar essa temática. 

Pensando nisso, a professora Eliana Aparecida Carleto, da EEB da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), propôs à turma do 3º ano estudar a importância e a evolução dos meios de comunicação na sociedade (veja a linha do tempo na galeria acima). Na primeira aula, Eliana conversou com a turma, fazendo perguntas como: "O que são os meios de comunicação? Qual deles foi o primeiro a ser usado? Eles mudaram ao longo do tempo?". "A princípio, as crianças lembraram dos que são mais próximos delas, como a TV. Então, pedi que imaginassem como teria sido a época em que eles não existiam", diz a professora. Todos anotaram o que havia sido discutido. 

As cartas não foram citadas pela criançada. Por isso, a educadora convidou o vizinho da escola, Luiz Marques Rodrigues, 80 anos, para falar sobre elas. Todos conversaram sobre o tempo de demora para a chegada da correspondência e como esse sistema foi ficando mais rápido.

Para levar os estudantes a refletir sobre o tema, a docente solicitou como tarefa de casa que respondessem a perguntas com a ajuda de familiares ou vizinhos. Entre as questões, estavam: "Qual ou quais os meios de comunicação que seus pais e avós utilizavam com mais frequência quando tinham a mesma idade que você tem hoje? Atualmente, além de e-mail e telefone, que outros meios utilizamos para nos comunicar? Há semelhanças entre as mensagens eletrônicas, as cartas e os telegramas?". 

Eliana avisou aos responsáveis, por meio de bilhetes, que a classe estava estudando o assunto e pediu que disponibilizassem cartas, fotos de meios de comunicação antigos e outros materiais. Na aula seguinte, as crianças compartilharam as descobertas que haviam feito. Uma delas levou uma carta escrita pela avó, que ainda tem esse costume. Lido o texto, Carlos Augusto, 8 anos, perguntou: "Por que ela não mandou um e- mail?". "Aproveitei para pontuar que nem sempre as pessoas sabem ou querem usar todos os meios disponíveis", lembra a docente.

Ampliando conhecimentos 

Durante a atividade, Eliana se preocupou em ressaltar que as transformações nos meios de comunicação não param. Ela explicou que isso mudou de forma significativa a velocidade e o volume das mensagens trocadas. Assinalou, ainda, que cada época tem suas particularidades, e o ritmo de troca de informações hoje pede uma comunicação mais instantânea. Todos conversaram sobre a desigualdade de acesso a esses meios e o fato de que nem todos têm poder aquisitivo para dispor das tecnologias existentes. 

A professora, então, mostrou vídeos sobre o tema no laboratório de informática (disponíveis em vídeo 1, vídeo 2 e vídeo 3). Em seguida, os estudantes apontaram o que mais chamou a atenção nos vídeos e quais tipos de comunicação puderam ser identificados. "No início, eles sempre associavam os meios ao presente. Ver o passado os fez refletir sobre o porquê das mudanças", diz Eliana. 

Depois, a garotada foi dividida em pequenos grupos, de três ou quatro alunos cada um, para a elaboração de um painel. Eles produziram textos informativos, títulos e legendas usando como referência os materiais já pesquisados. Os painéis foram expostos no mural da escola. 

Para que as crianças experimentassem diferentes linguagens, a professora também propôs a elaboração de conteúdo para o jornal da escola. Ali seriam divulgadas informações sobre o andamento do projeto e as produções da turma. Outra possibilidade interessante é a criação de um blog. O importante é que todos percebam a função da ferramenta escolhida e a relevância dela para o registro e a divulgação do conhecimento. "A ideia não é só aprender a mexer nesses recursos, mas compartilhar experiências de comunicação com os adultos e os colegas", explica Ismar de Oliveira Soares, coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. 

A professora pediu que a meninada organizasse, em grupos, uma linha do tempo baseada nas pesquisas. Em seguida, a classe foi dividida em duplas e cada uma escolheu sobre qual meio gostaria de se aprofundar. As pesquisas foram divulgadas novamente no jornal da escola. 

Para que os alunos compreendessem como os meios de comunicação mudam ao longo do tempo, e com eles as experiências das pessoas, a professora propôs um aprofundamento da pesquisa. Ela falou, então, sobre o desenvolvimento do telefone, mostrando como eram os primeiros modelos e como funcionava o fluxo de informação. Todos ficaram muito curiosos para saber como operavam aqueles grandes aparelhos, qual era a função da telefonista e para que servia a manivela. "Eles se surpreenderam quando vimos quanto tempo demorava para completar a ligação de uma chamada de telefone há 100 anos e quanto tempo demora atualmente. Fizemos paralelos com a atualidade, pensando no seguinte: ?Se eu tivesse de dar um recado urgente para os seus pais a 100 anos atrás, será que seria mais eficiente ligar ou ir a pé até a sua casa??", conta. 

Por fim, a professora retomou tudo o que foi visto ao longo do projeto e combinou a elaboração de um texto coletivo, também a ser divulgado no jornal da escola. Para tanto, ela relembrou os questionamentos elencados na primeira aula. Pediu, então, que as crianças revissem os registros feitos nos cadernos, os painéis e outros materiais, enquanto escrevia o que elas pontuavam que havia sido descoberto. "Escrevia no quadro, com base nas sugestões deles, parágrafo por parágrafo do nosso texto, que explicava por que a comunicação conecta as pessoas e como foi o desenvolvimento dela ao longo do tempo. Assim, fizemos uma revisão de todo o conteúdo que estudamos durante o projeto", conta Eliana.

 

1 Descobrindo os meios Pergunte que formas de comunicação as crianças conhecem. Proporcione também o contato com os que não citarem, como cartas.

2 Pesquisa aprofundada Sugira que foquem a discussão em um meio de comunicação específico. O telefone, acessível a todos, pode ser uma boa escolha. 

3 Produção textual Retome as perguntas da sondagem inicial e proponha a elaboração de um texto coletivo com as descobertas da pesquisa.


Ilustrações: Sergio Magno.

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